Nota do blog: Publicamos, a seguir, dois documentos do Partido Comunista da Índia (Maoista): o primeiro, “Desmascarar a linha liquidacionista de direita do renegado Vishwavijay, de Seema Azad e de outros como eles! Aplastar o oportunismo-liquidacionismo-revisionismo no campo revolucionário! Avançar a implementação da tarefa central como decidido na resolução do Birô Político de agosto de 2014!”, e o segundo, “Oportunismo pós-moderno”, ambos de junho de 2026.
Aqui não estamos lidando apenas com uma questão indiana, que por si só já seria suficiente para tomá-la com a máxima importância. Trata-se, também, de uma luta internacional, na qual se insere o labor titânico dos maoistas indianos em defesa do maoismo, e como parte da Campanha pelo Maoismo iniciada pelo Presidente Gonzalo no MCI. Por isso, mais ainda, são duas leituras fundamentais, as quais recomendamos a todos e todas ativistas revolucionários e revolucionárias de nosso País. Assinados pelo Comitê de Coordenação do Norte (CCN), que tem levado adiante um importante trabalho na Índia e se tornado o bastião da defesa do Partido e fortaleza da esquerda na aguda luta de duas linhas, o documento é um poderoso golpe no oportunismo e revisionismo, e suas sobrevivências nas fileiras do PCI (Maoista) no curso da luta contra a linha oportunista, liquidacionista e revisionista de direita encabeçada por Sonu-Satish-Devji e Balraj, além dos seus novíssimos defensores, Vishwavijay e Seema Azad, com suas “inovações” pós-modernistas.
Chama a atenção, em especial, a demarcação que fazem os maoistas indianos de que o perigo principal para a revolução proletária ser o revisionismo, tanto no País como no plano internacional: “Devemos recordar que o oportunismo de direita é a principal ameaça ante nós. O BP do nosso CC também reconheceu que os desvios de direita foram uma das causas do retrocesso”. Os maoistas indianos advertem, com a sabedoria legada pelo Presidente Mao ao MCI, para o fato de que os direitistas recalcitrantes sempre se arvoram como campeões do “anti-esquerdismo” e da luta contra o “dogmatismo”, para, em realidade, combater a linha de esquerda como se fora “esquerdismo”, combater a linha proletária. “Alguns oportunistas estão cacarejando que o oportunismo de ‘esquerda’ também é igualmente perigoso para o Partido. Esta ênfase nos desvios de ‘esquerda’ é fundamentalmente uma cobertura para ocultar seu ataque à linha genuinamente marxista, afinal, têm ido tanto à direita que o caminho marxista correto aparece como esquerdismo para eles”. Afinal, nas palavras de advertência dos maoistas indianos: embora o dogmatismo deva ser criticado onde quer que se apresente por ser nocivo às fileiras da esquerda e causar prejuízos, “nas condições presentes, quando não há uma força política com desvios esquerdistas no país ou no mundo, sua influência [do dogmatismo] é mínima” (negrito nosso). Clarividente, o PCI (Maoista) nos relembra que é necessário ter em conta que enquanto “o dogmatismo é o reflexo da ideologia da pequena burguesia dentro do Partido”, o mesmo não se passa com o revisionismo, pois ele é “a ideologia burguesa em termos absolutos” (o oportunismo de direita e o revisionismo). Quem se arvora campeão da luta contra o dogmatismo, antes e acima do oportunismo de direita revisionista, persegue objetivos ocultos, simples assim. Reafirmamos peremptoriamente, pois, o já predicado de modo contundente pelo Presidente Mao: o revisionismo segue sendo o perigo principal para a revolução proletária.
Os desvios direitistas, posições revisionistas, são assim o alvo do documento do PCI (Maoista). Nele o Partido abre luta, por exemplo, contra aqueles que “tentam fazer que o Partido seja legal e aberto, desertando da vida clandestina e do caminho da luta armada, argumentando que talvez o trabalho aberto também é muito importante e tão importante como o trabalho clandestino”. O documento também critica àqueles que “dão prioridade à democracia em detrimento do papel mais importante do centralismo no método partidário do centralismo democrático”, e que resistem à centralização da respectiva Direção partidária para estruturar seus “reinos independentes”, seu poder feudal, tal como Stalin combatia os “centralistas democráticos” de apregoarem a democracia dos grão-senhores, do poder individual de substituir uns homens por outros, e não democracia operária, que é aquela que permite a ligação profunda do Partido com as massas e que assim estas participem efetivamente da transformação de sua realidade. Ademais, combate aqueles que se opõem ao Partido acerca da sexualidade, critica àqueles “favoráveis do amor livre e sexo livre, favoráveis à anarquia sexual”, já criticado por Lenin em meados do século passado; critica aqueles que acusam de ser “feudal e patriarcal” a posição do Partido “acerca do oportunismo sexual e a questão LGBT”, enquanto sustentam, de fato, uma posição burguesa que toma as pessoas como coisas a se deleitar. Destaca que o Partido sustenta “que a palavra gênero ou queer são conceitos imperialistas pós-modernos patrocinados pelo mercado burguês, e portanto, não deve substituir a palavra sexo, que em si mesma se utiliza como uma descrição para os aspectos biológicos e sociais do sexo”; que, na ausência de condições biológicas substanciais que motivem o desejo de transicionar de sexo, este seria “basicamente uma tendência ideológica pós-moderna impulsionada pelo mercado e patrocinada pelo imperialismo”.
O PCI (Maoista) denuncia que, em particular sobre o liquidacionista Vishwavijay, que “nunca esteve a favor da construção do Partido; manteve uma estrutura partidária amorfa; nunca foi [a estrutura partidária sob sua direção] um organismo concreto que celebrasse reuniões periódicas e tomasse decisões concretas”; trata-se de um sujeito que “quer dirigir seu próprio monólogo; ele é quem deve decidir tudo e espera que todos lhe sigam”. Um anarquista senhorial que “pinta de ditatorial” quando a Direção partidária intervém para dirigir o trabalho. Um rato que “quando o Partido começou a questionar suas práticas, formou um grupo antipartido e contra a direção”, e claro, tudo simplesmente justificado como “luta contra o dogmatismo”, com argumentos rotundamente falsos para manter sua imagem ridícula. Já sua esposa, que lhe seguiu no seu intento contrarrevolucionário, também é qualificada como “traidora” pelos maoistas indianos: “Estão ambos empenhados em atacar o processo de renascimento do Partido”. Seema e Vishwavijay estão “tentando forjar uma aliança com todos os infiltrados, agentes do Estado e traidores que se encontram no entorno do bando de Vonugopal e Balraj; quem quer que se oponha à construção do Partido clandestino é amigo de Seema”. O PCI (Maoista) denuncia que ela se reuniu com uma agente da CIA e está colaborando com ela para atacar e desacreditar o CCN, que assina o documento. Um castigo é prometido pelos maoistas indianos.
Todas as críticas dos maoistas indianos são como um tiro transpassante, que atinge não apenas a direita revisionista oposta ao PCI (Maoista) no interior do País, mas também aos falsos e fingidos defensores da guerra popular na Índia e demais revisionistas no MCI. Mas, estes direitistas no MCI, naturalmente, não acusarão aos maoistas indianos de “militaristas”, “sectários”, conspiradores terroristas, como acusam à esquerda do MCI tratando-os por “gonzalistas”; não acusarão os maoistas indianos de abolirem a democracia do Partido, de serem “autoritários”; não lhes acusarão de serem “conservadores” por não aceitarem a prática sexual desregrada, promíscua burguesa, a conduta pós-moderna com relação à sexualidade, e até a prostituição entre militantes. Não o farão de imediato, afinal, a direita do MCI quer se esconder atrás da falsa defesa do PCI (Maoista) para se fazerem passar por maoistas e enganar iniciantes e incautos. Mas só até determinado momento, quando passarão a cacarejar (a LOD capitulacionista e revisionista no Peru, Avakian no EUA e Prachanda no Nepal) que também a Guerra Popular na Índia foi “derrotada”, que Índia é um “país capitalista em ascenso” e que o verdadeiro partido comunista ali é a agremiação revisionista legalista, da súcia dos capitulacionistas traidores Balraj-Sonu-Satish-Devji-Vishwavijay-Seema etc.. Então, uma vez mais, abandonarão o barco na hora da dificuldade e esquecerão como se nunca houvessem ouvido falar de todas as grandes lições pagas com sangue que os camaradas indianos e sua invencível Guerra Popular têm servido à Revolução Proletária Mundial e passarem a atacá–la e a tratar os que persistem por “extremistas”, “fanáticos” e outros epítetos desbocados. Nada de novo, tal como fizeram de maneira sórdida e oportunista com a Guerra Popular no Peru e tal como tergiversam sobre a traição revisionista no Nepal fazendo acenos diplomáticos a seus filhos bastardos. Uma vez que em seus próprios países nada fazem além de usar de fraseologia pseudorrevolucionária e difamar a quem de fato mobiliza massas na tática da violência revolucionária e combate a todo oportunismo, buscam com a falsa defesa do PCI (Maoista) seu último e único recurso para não serem totalmente expostos ante o MCI pelo que são: revisionistas, liquidacionistas, traidores e, até, uns quantos delatores.
Desmascarar a linha liquidacionista oportunista de direita dos renegados Vishwavijay, de Seema Azad e de outros como eles!
Esmagar o oportunismo–liquidacionismo–revisionismo no movimento operário-popular e no MCI!
Desmascaremos a linha liquidacionista oportunista de direita do renegado Vishwavijay, de Seema Azad e de outros como eles!Esmaguemos o oportunismo – liquidacionismo – revisionismo no campo revolucionário! Avancemos na implementação da tarefa central, conforme decidido na resolução do Birô Político (BP) de agosto de 2024!
É verdade que o Partido está em crise, que nosso movimento está em crise e que o povo em geral está em crise, mas é falso que nossa ideologia esteja em crise, que nossa linha política esteja em crise e que o princípio organizativo do Partido esteja em crise. Não há crise nem em nossa linha política, nem nos princípios organizativos de nosso Partido, nem em nossa ideologia. Nossa ideologia e nossa linha política são inteiramente coerentes. Mas alguns oportunistas estão movendo céus e terra para demonstrar que existe uma crise na linha política e na ideologia. Eles são plenamente consequentes em impulsionar sua linha sempre que podem e onde quer que estejam. Não surpreende que, logo após o episódio de Venugopal, os oportunistas de direita tenham iniciado seu espetáculo teatral. Eles conheciam a verdade expressa pelo camarada Mao: “Onde quer que haja um revisionista, ali se pode encontrar um marxista-leninista lutando contra ele”.
Assim, a questão que se colocava aos oportunistas era como se proteger das forças genuinamente marxistas-leninistas-maoistas. Por isso, antes mesmo que alguém pudesse iniciar a luta contra a linha capitulacionista de Venugopal, o oportunista de direita feudal-burocrático que adora ser chamado de “ji”, Vishwavijay ji, começou a afirmar que surgiria um desvio de “esquerda” no Partido sob o pretexto da luta contra Venugopal.1 Foi uma manobra astuta. Desse modo, pretendia-se tachar de desvio de “esquerda” qualquer luta contra Venugopal. Era precisamente isso que Venugopal dizia: afirmava que o Partido padecia de um desvio de “esquerda”. Ninguém poderia proteger Venugopal melhor do que o oportunista retorcido VV, pois Vishwavijay considera que proteger a linha política de um indivíduo é a melhor maneira de protegê-lo. Ao dizer isso, seu único objetivo era depreciar toda a luta contra a linha liquidacionista de Venugopal. Mas, como afirmou o camarada Mao: “Em quase toda parte se percebe a presença de oportunistas que tentam deter a corrente. Mas ela jamais poderá ser detida”. Vishwavijay, veja o resultado: Venugopal ficou isolado, assim como Devji e vários outros liquidacionistas do Norte da Índia. Esta é a sua situação: você mantém relações com um grande número de traidores. Para que ostenta o emblema de nosso Partido? Não é possível permanecer em dois campos: ou você está conosco, ou está com os liquidacionistas. Não há lugar para oportunistas no Partido. Assim tem sido a história de nosso Partido desde sua fundação.
Você escolheu ficar ao lado de Balraj, também conhecido como Bacha Prashad Singh. Agora poderá gritar a plenos pulmões que lutou contra ele e que, nessa questão, permaneceu ao lado do Partido. Mas, como de costume, afirma grandiloquentemente que luta contra a pessoa enquanto, ao mesmo tempo, protege sua linha política. Este é o significado de sua “luta”. Você afirmou: “Balraj está errado, mas ele foi expulso apenas por uma questão organizativa”. Desse modo, separou-se Balraj, a pessoa, de Balraj, a linha oportunista-liquidacionista-revisionista: um deve ser odiado, enquanto a outra deve ser protegida. Mas a verdade é que Balraj não pode ser separado da linha política que adotou. Qualquer um que afirme amá-lo ou odiá-lo deve também amar ou odiar sua linha política. Permita-nos recordar uma formulação do camarada Mao. Ele costumava afirmar que “não existe nada de humano em abstrato”; todas as relações humanas são manifestações concretas das classes existentes na sociedade. Balraj é uma força política em toda a sua mente e em todo o seu corpo, e essa força política trai a linha proletária. Mas, como você segue a linha política de Balraj e insiste em odiá-lo, somos obrigados a perguntar: por que você não deveria amar Balraj? Se a linha política dele é a mesma que a sua, o que o impede de unir-se a ele? Para que, então, você mantém relações? Busca alegria ou prazer, ou alguma espécie de emoção espiritual e mística da alma? Na realidade, manter relações com Balraj ou Venugopal não lhe proporcionará alegria alguma, nem qualquer prazer transcendental. Todos esses traidores foram completamente desmascarados por nosso Partido e pelas forças revolucionárias do mundo. Por isso, você não manterá abertamente qualquer relação com eles, mas o fará em segredo. Contudo, o Partido, que possui uma história de luta contra a linha oportunista de direita e cujo nascimento foi marcado por uma dura luta contra o revisionismo moderno, não pode permitir que você faça isso.
Alguns de nossos simpatizantes opinam que não deveríamos tomar medidas contra ele, pois seria o medo que o leva a praticar todos esses atos contra o Partido. Compreendemos que o medo é uma arma da classe dominante. Aquilo que as classes dominantes não conseguem obter por meio da verborragia de sua política e de sua ideologia retrógrada, tentam alcançar por meio do medo. Isso funciona sobre determinado setor da pequena burguesia, fazendo-o recuar ou transformando-o em oportunista ou traidor, mas é inútil quando aplicado contra o espírito proletário. O martírio do camarada GS, do camarada Kosa Da, do camarada Raju Da, do camarada Hidma Da e de muitos outros camaradas, que demonstraram uma coragem capaz de desafiar a morte, comprovou a verdade de que o proletariado não conhece o medo. Queremos reiterar que ser oportunista não é uma questão de medo ou de qualquer outra emoção, mas uma questão política. O medo somente pode aterrorizar aqueles que perderam a firmeza na ideologia do marxismo-leninismo-maoismo. O desvio ideológico e político dos companheiros de viagem pequeno-burgueses os conduz ao oportunismo. A incapacidade da pequena burguesia de apreender firmemente a verdade marxista e científica da inevitabilidade do comunismo conduz ao medo. A lógica se torna sua primeira vítima. Com ela, perdem o domínio da dialética e do materialismo histórico e mergulham no idealismo subjetivo. O pós-modernismo e o revisionismo tornam-se seus melhores aliados. Eles lhes dizem que a emoção, o amor, o medo, a experiência pessoal e as sensações do indivíduo são o primordial. Tornam-se especialistas em papaguear as ideias pós-modernas de liberdade radical e direito de escolha. Sob essas influências burguesas, tudo o que provém da estrutura do Partido é considerado uma relação de poder e algo mecânico. Tudo isso se combina para transformar a pequena burguesia em oportunista e, mais adiante, em liquidacionista. Por isso, afirmamos que o liquidacionismo possui raízes profundas no pós-modernismo. Todo oportunista da atualidade é também um pós-moderno.
Vishwavijay está envolvido, desde 2024, em atividades antipartido de diferentes tipos. Todas elas se intensificaram com o tempo. Apesar das tentativas do CCN e do Comitê Central (CC) de dialogar com ele e convencê-lo sobre as questões políticas, ele continuou difundindo suas concepções contrárias ao Partido e agora se recusa a participar de qualquer reunião. Chegou inclusive a tentar provocar uma cisão no Partido. Formou um grupo antipartido e procurou conspirar contra a direção e a linha do Partido. Ele fazia tudo isso sob o pretexto de combater um desvio de “esquerda” que atribuía importância à linha política do IX Congresso de Unidade, segundo a qual o Partido permaneceria clandestino durante toda a Revolução de Nova Democracia e a forma mais elevada de luta seria a luta armada.
Sua linha capitulacionista e antipartido manifesta-se nos seguintes atos principais:
1. Ele considera que o Partido deveria atuar abertamente e realizar trabalho legal. Segundo sua concepção, concentrar-se na atividade clandestina somente provocaria repressão e representaria uma linha marcada por um desvio de “esquerda”. Fez tudo o que estava ao seu alcance para interromper a atividade clandestina do Partido na área.
Além disso, nunca foi favorável à construção do Partido. Manteve sua estrutura amorfa: ela nunca constituiu um organismo concreto, que realizasse reuniões periódicas e tomasse decisões concretas. Se alguma coisa existia sob o nome de construção do Partido, essa coisa era Vishwavijay, o próprio VV. Isso é menchevismo e liquidacionismo.
2. Vishwavijay defende o amor livre – o mesmo “amor livre” sobre o qual o camarada Lenin escreveu em uma carta a Inessa Armand, em 1915, qualificando-o como burguês. Contrariamente à linha do Partido sobre as relações entre homens e mulheres, VV propaga sua própria teoria burguesa do feminismo, misturada com o paternalismo feudal bramânico, sob o disfarce do marxismo.
3. Ele questiona o princípio do centralismo democrático. Para ele, centralismo significa opressão. O que deseja é uma ultrademocracia sem qualquer orientação ideológico-política coerente por parte do HC.
4. Ao não seguir o princípio do centralismo democrático, VV pretende conduzir seu próprio monólogo. Ele deve decidir tudo, e espera-se que todos os demais o sigam. Quando o HC intervém para coordenar, ele o acusa de ser ditatorial. Desse modo, sua maneira de atuar tornou-se profundamente feudal e burocrática. Em nome do legado do Partido, conquistou respeito entre os quadros e as massas, mas utiliza esse respeito apenas para sabotar a linha política partidária e fortalecer seu orgulho feudal.
5. Quando o Partido começou a questionar suas práticas, ele formou um grupo antipartido e contrário à direção, no qual se decidiu não manter qualquer coordenação imediata com o Partido. Nesse grupo, opôs-se firmemente à linha partidária e tentou isolar a direção do HC. Seu guru, Balraj, fez o mesmo contra o camarada Kishan Da em 2019. De tal guru, tal chela – discípulo.2 Ambos terminarão em ruína. É apenas uma questão de tempo até que as forças proletárias mundiais lhes deem o que merecem.
Além de Vishwavijay, sua companheira Seema Azad – azad significa “livre” –, cuja azadi, ou “liberdade”, é a liberdade das classes dominantes para explorar e oprimir as classes trabalhadoras, atuou lado a lado com Vishwavijay. Ambos eram membros do comitê estadual de nosso Partido e agora ambos se converteram em traidores da causa proletária. Eles estão empenhados em atacar o processo de renascimento do Partido. Seema tenta forjar uma aliança com todos os infiltrados, agentes do Estado e traidores que se encontram no entorno dos bandos de Venugopal e Balraj. Todo aquele que se opõe à construção do Partido clandestino é amigo de Seema. Recentemente, ela se reuniu com uma agente da CIA e está colaborando com ela para atacar e desacreditar o CCN. Seema é a arma mais útil nas mãos do imperialismo ianque e do Estado comprador indiano para atacar os processos de renascimento de nosso Partido. Seema compartilha com Vishwavijay a linha oportunista anteriormente mencionada, mas possui uma motivação ideológica particular, própria da classe inimiga. Utiliza a retórica feminista pós-moderna para justificar seu oportunismo. É surpreendente que, apesar de seus graves desvios em relação à ideologia do marxismo-leninismo-maoismo, ela afirme ser marxista. Que espécie de marxista-leninista-maoista é aquela que se recusa a integrar a estrutura do Partido; que vive imersa na propaganda da burguesia liberal sobre a liberdade de escolha e a liberdade radical para as mulheres; que acredita na teoria queer; que promove o oportunismo sexual – sua posição sobre as relações pré-matrimoniais, as relações múltiplas, as relações sem compromisso etc. –; e que nunca levantou as questões que afetam as mulheres da classe operária? Apesar de afirmar ser maoista, ela é capaz de criticar abertamente o camarada Lenin por sua interpretação da questão da mulher. Este é o cúmulo do oportunismo. Não se pode ser comunista e feminista liberal-burguesa ao mesmo tempo. Aquilo de que o proletariado necessita é marxismo, não feminismo.
Seema e Vishwavijay urdiam tramas e conspirações, atuavam clandestinamente no interior do Partido e semeavam sub-repticiamente a discórdia entre os camaradas, enquanto, em público e diante dos quadros partidários, mantinham uma fachada destinada a camuflar suas atividades. Esta tem sido sua trajetória desde 2024. Não podemos avançar um único passo na construção do Partido sem lutar contra o Oportunismo-Liquidacionismo-Revisionismo de Seema e Vishwavijay. Por isso, de acordo com o artigo 27(a) dos Estatutos de nosso Partido, decidimos expulsar Seema Azad e Vishwavijay do Partido e cancelar sua filiação básica. Ao mesmo tempo, conclamamos todos os membros do Partido que se encontrem em seu círculo ou próximos a eles a integrarem-se à estrutura partidária e a derrotarmos o Oportunismo-Liquidacionismo-Revisionismo. Vishwavijay quis arrastar todo o Partido para o Oportunismo-Liquidacionismo-Revisionismo. Por isso, separamo-nos dele, pois não podemos permitir que um liquidacionista seja membro do Partido. O liquidacionismo e a filiação ao Partido são coisas diametralmente opostas, que não podem coexistir.
Emitido pelo Comitê de Coordenação Norte (CCN)
Partido Comunista da Índia (Maoista)
Junho de 2026
Oportunismo pós-moderno
Introdução: a pequena burguesia confusa na Revolução Indiana
Desde o advento da sociedade de classes, a crise passou a manifestar-se em várias dimensões da existência humana – social, política, econômica, biológica etc. Ela se agravou e se tornou mais frequente quando o domínio do capital foi institucionalizado. Na atual era do capitalismo mundial, a crise é um fenômeno permanente. Na realidade, ela resulta das contradições inerentes ao capitalismo: este se baseia no modelo da apropriação individual – os produtos do trabalho humano são confiscados pelo capitalista – e da produção coletiva – os operários realizam coletivamente o processo de produção. Essa contradição fundamental é a causa de todas as crises atuais, seja no mercado de ações, no mercado de dados, nas indústrias extrativas, na terra, nas unidades industriais, no mercado imobiliário ou em outras unidades semelhantes geradoras de capital. Essas crises impulsionam a economia, a sociedade e os indivíduos, e determinam as capacidades mentais e físicas das pessoas. Isso produz a alienação em relação ao processo de produção e a redução do papel participativo do indivíduo nas estruturas sociais e naturais. A isso se denomina “alienação”. O camarada Marx afirmou que a alienação não se manifesta somente no resultado, mas também no processo de produção e na própria atividade produtiva. O operário não se sente à vontade em seu trabalho, que considera apenas um meio para satisfazer outras necessidades. Para os operários, o trabalho é uma atividade dirigida contra eles próprios, independente deles e que não lhes pertence. Esse trabalho alienado consegue alienar o homem de sua espécie. A vida da espécie, a vida produtiva, a vida que engendra vida, transforma-se em mero meio para manter a existência individual do operário, e o homem é alienado de seus semelhantes. Por fim, a própria natureza é alienada do homem, que perde, assim, seu próprio corpo inorgânico.
Essa angustiante crise psíquica do indivíduo envolvido no processo produtivo também encontra reflexo nas classes médias. Durante a crise do coronavírus na Índia, milhões de operários e indivíduos das classes médias dirigiram-se para suas aldeias. A pandemia expôs a fissura inerente à sociedade, que, em outras circunstâncias, permanecia oculta pelas imponentes autoestradas, vias expressas e rodovias. As classes operárias, junto com um setor das classes médias, migraram de seus locais de trabalho para suas aldeias; muitos morreram nesse processo. O que explica essa migração? Não seria isso uma forma de alienação social? A ausência de um sentimento de pertencimento a determinado lugar fez com que se sentissem vulneráveis. Evidentemente, as cidades não pertencem aos operários; são um lugar para obter força – dinheiro – a fim de depois regressar às aldeias. Mas as cidades tampouco constituem um lugar com o qual as classes médias possam verdadeiramente se identificar. Para a classe média, a cidade é uma idealização. A classe média deseja a cidade, mas a cidade nunca a aceita completamente. A camada superior dessa classe permanece como exército de reserva dos pretensiosos senhores da cidade. Grande parte das camadas inferior e intermediária da classe média, sem emprego ou submetida a uma exploração extrema – trabalhando quase 20 horas por dia sem conseguir sustentar-se –, forma um amplo estrato da população desempregada ou empregada em condições extremamente precárias. Essas pessoas sentem-se alienadas da sociedade e das instituições familiares. As expectativas da família, somadas à necessidade de exercer a supremacia feudal na sociedade ou nas aldeias, sufocam as classes médias. Por fim, o indivíduo culpa a própria existência e se desespera por não conseguir satisfazer a família e a sociedade. Coloca sobre si toda a culpa por seus fracassos. Responsabilizar a si próprio pela situação desfavorável é a lógica mais elementar e primitiva do capital. Isso desvia contra o próprio indivíduo a ira popular que deveria dirigir-se contra uma ordem mundial centrada no capital. A questão do vazio e da ausência de sentido na vida transforma-se em assunto da moral individual burguesa, conduzindo o indivíduo a todo tipo de enfermidades mentais e físicas. O indivíduo clama por ajuda, mas ninguém vem socorrê-lo. A moral individual burguesa não oferece resposta alguma à classe oprimida.
A natureza precária das classes médias decorre da posição política que ocupam. Aquilo que existe na economia se reflete na política. Um setor da classe média vincula-se à luta da classe operária e associa-se ao Partido desta; assim, esse setor permanece íntegro e avança rumo à sua libertação. Já sua camada superior é influenciada pela propaganda liberal-burguesa e encontra consolo nas drogas, no consumismo, no sexo etc. Essa camada encontra-se tão paralisada pela propaganda das classes dominantes que não enxerga esperança no impulso lento, porém constante, que o proletariado adquire no Partido Comunista. Sob a aparência de neutralidade política, alinha-se aos partidos das classes dominantes. Embora proclame constantemente sua flexibilidade ideológica, segue a ideologia e a política das classes dominantes e de seus partidos, mas continua sentindo que algo lhe falta. Esse “elo perdido” a persegue, e ela jamais consegue integrar-se completamente às classes dominantes. A indecisão em todos os âmbitos da existência é aquilo que define essa classe. Essa desintegração se acentuou particularmente após a restauração capitalista na China. Desde que os revisionistas chegaram ao Poder na China, um setor da classe média aproximou-se muito das classes dominantes e passou a disseminar falsidades sobre o comunismo e sua inevitabilidade. Isso é típico do caráter da classe média que o camarada Marx havia destacado em Lassalle e contra cujas tendências os camaradas Lenin e Mao lutaram para construir um verdadeiro Partido bolchevique. Nos períodos sombrios, quando nosso movimento se tornou muito débil, a classe média foi a primeira a fugir da ideologia de classe do movimento proletário e a converter-se em escrava da ideologia burguesa. Essa fuga representa ausência de espírito revolucionário e incapacidade para levar uma vida proletária. A honestidade intelectual também é abandonada pelo oportunista – o intelectual liberal pequeno-burguês –, que, em vez de analisar suas próprias falhas, começa a duvidar da teoria e da linha política que ele próprio praticava algum tempo antes. Por fim, apresenta algumas teorias antigas e redundantes, com as quais ataca a teoria revolucionária do marxismo-leninismo-maoismo e se une à reação.
No contexto indiano, o movimento revolucionário contra a feudalidade e o imperialismo – particularmente contra a ordem feudal bramânica da sociedade indiana – inspirou a pequena burguesia a participar do movimento. Nele, seus integrantes enxergavam a libertação do jugo ortodoxo da família patriarcal, da crença em seres superiores, da fé cega, das castas e dos vínculos de parentesco. Isso marcou um período durante o qual amplas massas da pequena burguesia, provenientes das universidades e faculdades, aderiram ao movimento antifeudal e anti-imperialista em todo o país. A pequena burguesia podia conciliar seu próprio desejo de libertar-se das amarras do feudalismo e conquistar a liberdade para dedicar-se à arte e à política de sua escolha com a necessidade proletária de realizar a Revolução de Nova Democracia, avançar ao socialismo e, finalmente, ao comunismo. Isso resultou em um grande afluxo das classes médias para o movimento revolucionário. Mas, quando o movimento revolucionário enfraqueceu, seus integrantes caíram como mártires e a área sob seu controle foi reduzida, essa pequena burguesia foi a primeira a proclamar que o caminho a seguir era exaustivo e longo, que o futuro se apresentava sombrio e que tudo o que se podia enxergar era destruição. Ela fundamenta seu julgamento na experiência e, sobretudo, em sua experiência pessoal.
O aspecto teórico é amordaçado e esquecido. O que agora possuem é uma experiência de derrota, na qual se baseiam para tentar impedir qualquer pessoa de reconstruir o antigo. Abandonam o campo dos revolucionários. A teoria como guia para a ação e como ciência para compreender o desenvolvimento e o êxito de um movimento ou fenômeno é deixada de lado.
Finalmente, ficamos diante de uma classe que, por um lado, se distancia da ordem dominante vigente e, por outro, abandonou o movimento revolucionário em busca de consolo. Qual será o elemento consciente dessa vida? Em qual ideologia encontrará consolo? A resposta evidente é uma ideologia que negue ambos os extremos, mas que, de maneira bastante dissimulada, abra espaço para a predominância da ideologia do Estado dominante. Essas teorias variam de acordo com o tempo e o espaço. Em alguns lugares, o indivíduo torna-se machiano; em outros, ambedkarista; e, posteriormente, desenvolve-se ainda mais rumo ao pós-modernismo. [Nota do tradutor: “machiano” refere-se aos seguidores de Ernst Mach, descrito por Lenin como o “representante mais popular do empiriocriticismo” em Materialismo e empiriocriticismo, de 1908. “Ambedkarista” refere-se aos seguidores de B. R. Ambedkar, responsável pela elaboração do projeto da Constituição da Índia.] Na situação atual da Índia e nas condições políticas mundiais, é a ideologia do pós-modernismo que orienta e fortalece o setor reacionário da pequena burguesia. O oportunista argumenta a partir das formulações de teóricos e acadêmicos pós-modernos e reacionários, como Foucault e outros. Os oportunistas da época de Lenin e Mao eram seguidores das escolas machiana ou confuciana. Não seria exagero afirmar que todos os oportunistas de nossa época são seguidores das ideias pós-modernas.
A indecisão dos oportunistas e a negação da verdade objetiva e das metanarrativas pelos teóricos pós-modernos proporcionam o melhor terreno para a unidade entre o oportunismo e as ideias pós-modernas. O capital financeiro imperialista desenvolveu um excelente aliado na forma das ideias pós-modernas. A força desse aliado é muito grande. Mesmo no interior do Partido, a luta de duas linhas gira em torno do combate às ideias e concepções pós-modernas. A resolução de agosto de 2024 do Birô Político (BP) considera o pós-modernismo um dos fatores que conduziram ao revés do movimento. Ela estabelece que é urgente delimitar a influência do pós-modernismo no interior do Partido e compreender como os oportunistas extraem dele sua força teórica e política. Na edição nº 20 da revista People’s War, nosso Partido publicou um artigo sobre o pós-modernismo, no qual foram destacadas várias tendências pós-modernas no interior da estrutura e identificados determinados camaradas. O artigo demonstrou como a ofensiva do pós-modernismo contra nosso Partido integra uma ampla ofensiva psicológica do Estado. Além de seu papel ideológico, o texto também declarou que o pós-modernismo constitui um instrumento político das classes dominantes para despojar a classe proletária de seu Partido. Atualmente, quando nosso Partido trava uma luta política e ideológica dura e decidida contra o Oportunismo-Liquidacionismo-Revisionismo, é muito importante identificar as principais ideologias das classes dominantes que contribuem para sustentar o oportunismo.
A luta de Lenin contra o empiriocriticismo e os oportunistas
O século XX começou com a luta contra o oportunismo no campo da filosofia. No início de 1908, surgiram sérias divergências entre os bolcheviques a respeito de questões filosóficas. Lenin já se opunha às concepções filosóficas de A. Bogdanov desde 1906, e até mesmo antes, e adotou uma posição intransigente diante de bolcheviques como A. Bogdanov, A. Lunacharsky e V. Bazarov, que difundiam concepções idealistas em sua coletânea Ensaios sobre a filosofia idealista e o revisionismo na filosofia. Essas concepções refletiam a decadência que começava a manifestar-se na “sociedade” política e nos partidos políticos como consequência da derrota da Revolução de 1905. Lenin, que sempre atribuiu enorme importância à pureza da ideologia marxista, lutou duramente contra os seguidores do empiriocriticismo, em defesa do materialismo dialético e dos princípios filosóficos do marxismo. Em 1908, Lenin concluiu uma importante obra filosófica, Materialismo e empiriocriticismo. Esse livro, que se coloca ao lado de Anti-Dühring, do camarada Engels, tornou-se uma ferramenta para levar adiante a luta contra o oportunismo, particularmente contra o liquidacionismo.
A filosofia do empiriocriticismo foi formulada entre 1890 e 1910, quando o capital financeiro encontrava-se em processo de consolidação em todo o mundo e o capitalismo avançava em direção ao imperialismo. A natureza reacionária do capital financeiro se estabeleceu no cenário político, provocando agitações operárias e protestos massivos em Moscou e em outros lugares. Em seguida, desencadeou-se uma enorme repressão contra o movimento revolucionário, o Partido e o povo. Isso levou muitos intelectuais pequeno-burgueses a abandonar o Partido. No campo filosófico, essa deserção identificou-se com o reacionário empiriocriticismo. Naquele período, o camarada Lenin abriu duas frentes. Uma delas era política: entre 1908 e 1917, escreveu vários artigos denunciando os liquidacionistas e oportunistas que pretendiam transformar o Partido em uma organização aberta, legal e amorfa. A outra frente, cuja importância deve ser destacada, era a filosófica, na qual teve de derrotar a escola do empiriocriticismo. A lógica dessa escola era, em essência, oportunista. Compreendendo isso, o camarada Lenin praticamente a aniquilou em seu livro. Apresentamos a seguir uma comparação entre o oportunismo e o empiriocriticismo. Ela nos ajudará a compreender o impulso filosófico presente nas questões políticas levantadas naquele período pelos oportunistas. Muitos encontrarão analogias com os oportunistas de nosso tempo, contra os quais nosso Partido luta.
| Questão | Empiriocriticismo | Oportunismo |
| Sobre a experiência | Idealismo subjetivo: a sensação do indivíduo é considerada primordial. | Idealismo subjetivo: atribuem importância à própria experiência no movimento e negam a importância da teoria como luz orientadora. Colocam o papel do indivíduo e seus sentimentos no centro da política. |
| Sobre a verdade objetiva | Não existe verdade objetiva. A verdade é uma forma organizativa da experiência humana. | A verdade é sempre relativa e, portanto, deve ser condicionada. Não pode existir verdade absoluta. |
| Apartidarismo | Procura apresentar-se como neutro. Não seria nem idealista nem materialista, embora, em essência, seja idealista subjetivo. | Nunca declara claramente uma linha política. Desloca-se constantemente de um lado para outro, como uma serpente. É a teoria das duas cadeiras. |
| Sobre causa e efeito | Não existe causalidade nem ordem na natureza; tudo seria experiência subjetiva refletida em nossa linguagem. | Muitos fatores são responsáveis por determinado efeito; por isso, seria incorreto encontrar a causa em um fator específico. |
O oportunista e o seguidor do empiriocriticismo negam a existência da verdade absoluta, pois é de seu interesse de classe manter a verdade vaga e indefinida para que possam seguir aquilo que mais lhes convém. Esse é o traço fundamental do oportunismo: eles se sentam sobre duas cadeiras. Essa relatividade é explicada na obra sobre o empiriocriticismo. O camarada Lenin explica como um comunista deve abordar essa questão: “Em uma palavra, toda ideologia é historicamente condicionada, mas é incondicional que a toda ideologia científica – diferentemente, por exemplo, da ideologia religiosa – corresponde uma verdade objetiva, uma natureza absoluta. Dirão: esta distinção entre verdade absoluta e verdade relativa é imprecisa. E eu lhes responderei: é precisamente ‘imprecisa’ o suficiente para impedir que a ciência se converta em um dogma, no mau sentido da palavra, em algo morto, paralisado e ossificado; mas, ao mesmo tempo, é ‘precisa’ o suficiente para delimitar, da maneira mais resoluta e irrevogável, os campos entre nós e o fideísmo, o agnosticismo, o idealismo filosófico e a sofística dos adeptos de Hume e Kant.” A negação da verdade absoluta continua sendo uma característica dos oportunistas atuais. Quando toda questão ou problema é apresentado como relativo, o oportunismo encontra a melhor maneira de evadir-se e adotar aquilo que lhe convém. Ser clandestino ou aberto é, para eles, um conceito relativo. Construir um Partido disciplinado também seria um conceito relativo. Com a relatividade surge uma justificativa para não fazer aquilo que se espera de alguém. Quando tudo é relativo, ninguém pode acusar o oportunista de ter-se desviado da linha. Assim funcionava, para o oportunista, a negação da verdade absoluta. Era como se a escola do empiriocriticismo fornecesse um cilindro de oxigênio aos oportunistas no momento em que sofriam um ataque generalizado dos bolcheviques.
Outro aspecto perturbador do empiriocriticismo como filosofia é transformar o indivíduo, simultaneamente, em sujeito e objeto da análise. Esse tipo de hiperindividualismo produz sentimentos e especulações subjetivas e não científicas na prática. A pequena burguesia, assustada com o fracasso do levantamento proletário, não conseguiu reunir coragem para seguir uma ideologia que exige paciência e valentia. Por fim, encontrou consolo em uma filosofia que nega a necessidade de tomar partido e estimula a evasão. Essa filosofia promove o individualismo ao afirmar que as emoções individuais constituem partes da verdade mais importantes que a lógica. Por meio da lógica, o indivíduo associa-se ao proletariado em sua luta pela libertação. Mas, quando atribui maior importância às emoções, encontra métodos para permanecer confinado às próprias necessidades pessoais. Essa é a moral burguesa da escola do empiriocriticismo. As concepções empiriocriticistas criaram e fortaleceram o oportunismo no interior do movimento comunista. Mas a Revolução de Outubro na Rússia, que abalou o mundo, destruiu todas as esperanças do empiriocriticismo e consolidou o leninismo. Após a Revolução Russa, a China também seguiu o caminho estabelecido pelo marxismo-leninismo e, sob a direção do camarada Mao, a revolução triunfou em 1949. O marxismo-leninismo-maoismo também se estabeleceu como uma forma nova e avançada do marxismo-leninismo. Assim, metade do mundo tornou-se vermelha. Isso representou um golpe devastador para as potências imperialistas. Para se reconstruírem, elas precisavam realizar ajustes em duas frentes: uma no campo da economia política e outra no campo ideológico. O ajuste na economia política ocorreu sob a forma do plano Reagan-Thatcher, que ficou conhecido como política neoliberal. No plano ideológico, o pós-modernismo tornou-se uma nova ferramenta; ele também era “neo”: o neoempiriocriticismo. Isso foi realizado mediante a estratégia de bloquear a influência comunista nas universidades, promovendo uma esquerda não comunista, que, na realidade, era composta pelos seguidores contemporâneos do empiriocriticismo. Tratava-se simplesmente de pós-modernos, acadêmicos revestidos de marxismo. Algumas vezes chamavam a si mesmos de Nova Esquerda, esquerda radical ou neomarxistas.
Diante da enorme influência do marxismo-leninismo nos campi europeus, o imperialismo ianque atribuiu à CIA a tarefa de impedir que a propaganda comunista chegasse às universidades europeias. Para esse fim, foi constituída uma equipe especial da CIA composta por especialistas oriundos de diferentes instituições acadêmicas e países. Eles elaboraram uma estratégia cuja ideia central era reunir todos os intelectuais da esquerda não comunista para substituir os intelectuais comunistas. Os intelectuais da esquerda não comunista foram financiados pela CIA e encarregados de escrever e difundir artigos e teses destinados a atacar o comunismo e o marxismo, particularmente as práticas então desenvolvidas na União Soviética e na China. As teses que impulsionaram toda essa mobilização da esquerda não comunista foram apoiadas entusiasticamente pelos seguintes intelectuais: Chip Bohlen, Isaiah Berlin, Nicolas Nabokov, Averell Harriman e George Kennan. Essa equipe recebeu a tarefa de combater o “totalitarismo”. Sua atuação deveria permanecer secreta, e foram atribuídas tarefas individuais e coletivas a seus integrantes.
No campo da economia política, as potências imperialistas novamente se encontravam em crise. O capital financeiro concentrava-se cada vez mais em poucas mãos. Os bancos tornavam-se mais poderosos, enquanto os consumidores não dispunham de dinheiro para pagar os empréstimos. À medida que a crise econômica se agravava, a agitação política e os movimentos de massas surgiam em todo o mundo. A década de 1960 tornou-se a década da revolução em escala mundial. A Revolução Socialista Mundial parecia então mais próxima. Contudo, após uma série de traições praticadas pelas direções revisionistas – na Rússia, por Khruschov depois do camarada Stalin; e, na China, por Deng depois do camarada Mao –, o proletariado mundial mergulhou numa profunda dor. A pequena burguesia também perdeu a esperança. Naquele momento, quando o proletariado mundial já não possuía nenhum Poder estatal, a burguesia imperialista promoveu as ideologias denominadas de esquerda não comunista, que, na realidade, constituíam o neoempiriocriticismo. Essa ideologia ficou conhecida como pós-modernismo. A pequena burguesia, tomada pela dor, foi romanticamente atraída para a ideologia das classes dominantes: o pós-modernismo. O pós-modernismo encontra-se presente em tudo, desde a arte, a literatura e a arquitetura até o sexo e a alimentação. Tudo ao nosso redor carrega suas marcas. Tamanha foi a força da máquina de propaganda das potências imperialistas contra o comunismo. A equipe de intelectuais anticomunistas de “esquerda”, junto com seus chefes da CIA, cumpriu muito bem sua tarefa e obteve resultados, consolidando uma posição firme para o pós-modernismo nos campi universitários.
Os oportunistas pós-modernos e o Partido Comunista
O camarada Mao afirmou que o Partido é a arma principal e mais importante que dirigirá o Exército Popular e a Frente Única para libertar o povo. Também afirmou que a unidade do Partido somente pode ser construída com clareza ideológica. O camarada Mao disse: “Sobre esta base – a identidade de nossos pontos de vista ideológicos e políticos, bem como de nossos pontos de vista sobre uma série de questões políticas –, nosso Partido poderá cerrar ainda mais suas fileiras.” Sem centralismo ideológico no interior do Partido, não há como falar em Partido Comunista. Esse espírito deve existir em todo organizador que pretenda construir um Partido. Para um organizador partidário, a ideologia deve estar sempre em primeiro lugar. Um organizador é aquele que atribui prioridade ao trabalho ideológico sobre todas as demais tarefas. No contexto de nosso Partido, o trabalho na frente ideológica adquiriu uma importância ainda maior. Por um lado, enfrentamos a ofensiva mais grave e mortífera contra a direção partidária. Por outro, os elementos oportunistas-liquidacionistas-revisionistas procuram transformar o Partido em uma organização vazia e adequada aos interesses das classes dominantes. Se queremos fazer renascer o Partido, se queremos libertar os oprimidos e explorados da ofensiva fascista, compradora e feudal, então a única coisa à qual devemos nos aferrar é o marxismo-leninismo-maoismo. Devemos erradicar de nosso meio toda ideologia não marxista. Se permanecermos fiéis à nossa ideologia, amanhã, ainda que não hoje, sairemos vitoriosos. Mas, se vacilarmos por um único instante na frente ideológica de nossa luta, provocaremos a destruição de tudo aquilo que nossos mártires conquistaram com seu sangue.
Devemos recordar que o oportunismo de direita é a principal ameaça diante de nós. O Birô Político de nosso Comitê Central também reconheceu o desvio de direita como uma das causas do revés. No entanto, alguns oportunistas cacarejam que o oportunismo de “esquerda” também seria igualmente perigoso para o Partido. Essa ênfase no desvio de “esquerda” constitui, fundamentalmente, uma cobertura para ocultar seu ataque à linha genuinamente marxista. Eles se deslocaram tanto para a direita que o caminho marxista correto lhes parece “esquerdista”. Sobre isso, o camarada Mao afirmou no texto As coisas começam a mudar: “Há também certo número de pessoas que têm ideias revisionistas errôneas, ideias oportunistas de direita. Elas representam um perigo maior, pois suas ideias constituem um reflexo da ideologia burguesa no Partido; suspiram pelo liberalismo burguês, negam tudo em bloco e estão ligadas por milhares de laços aos intelectuais burgueses de fora do Partido. Há vários meses se vem criticando o dogmatismo, mas o revisionismo foi deixado de lado. O dogmatismo deve ser criticado, pois, de outro modo, muitos erros não poderão ser corrigidos. Mas chegou o momento de nos preocuparmos em criticar o revisionismo.” O dogmatismo é o reflexo da ideologia pequeno-burguesa no interior do Partido, enquanto o oportunismo de direita é a ideologia burguesa em termos absolutos. Embora o oportunismo de “esquerda”, ou dogmatismo, também seja perigoso e necessite de correção imediata, nas condições atuais, em que não existe uma força política de alcance nacional ou mundial marcada por desvios de “esquerda”, sua influência é mínima. A discussão sobre o dogmatismo “esquerdista” surge principalmente dos oportunistas de direita que desejam atacar a linha marxista correta. O verdadeiro inimigo diante de nós é a ideologia oportunista-liquidacionista-revisionista. Depois de reconhecer a ameaça principal, devemos identificar suas manifestações no interior de nosso Partido. As tendências e desvios de direita refletem-se das seguintes formas:
1. Procuram tornar o Partido legal e aberto, abandonando a vida clandestina e o caminho da luta armada. Fazem isso lançando dúvidas sobre a prática da clandestinidade. Afirmam que talvez o trabalho aberto também seja muito importante e tão importante quanto o trabalho clandestino. Dizem que a situação mudou, que o Estado se tornou mais forte e que, portanto, devemos refletir seriamente sobre nossas antigas formas de trabalho. É importante destacar que não afirmam abertamente que devemos abandonar a vida clandestina, nem que, diante das mudanças da situação, a clandestinidade e a luta armada tenham se tornado impossíveis.
2. Dão prioridade à democracia em detrimento do papel mais importante do centralismo no método partidário do centralismo democrático. Em nome da democracia, querem usurpar a autoridade do comitê superior (HC), para que a linha do Partido seja implementada no nível dos comitês locais conforme sua própria vontade. Afirmam: “Seguiremos o HC, mas o HC deve nos consultar antes de tomar qualquer decisão”. Sob essa forma de atuação, deixam de coordenar-se com o HC. Juram em nome dos camaradas mártires que permanecem com o Partido e que se opõem somente à mão pesada do HC. Dizem: “Seguirei o CC, mas, aqui, o HC não é digno de ser seguido”.
3. Atribuem maior importância à linguagem, às palavras, aos símbolos, às cartas, aos sinais de pontuação etc., a fim de localizar supostas relações desiguais de poder entre o comitê superior e os camaradas ou comitês inferiores. Afirmam que o conteúdo da carta ou aquilo que foi dito em determinado momento está correto, mas que a forma da linguagem é profundamente problemática, subjetiva, burocrática e autoritária. Com isso, procuram deslocar toda a discussão para as formas de poder existentes na linguagem e para a burocracia que supostamente lhe seria inerente.
4. Desprezam qualquer estrutura. Não formam uma estrutura ou, quando ela já existe, mantêm-na sem autoridade e desprovida de fundamentos, para não vinculá-la ao HC. Quando questionados, respondem que, se determinada questão pode ser resolvida informalmente, não há necessidade de reuniões formais nem de relatórios ao HC. Alegam que o importante é levar o trabalho adiante e que a existência ou não de uma estrutura é um aspecto secundário.
5. Opõem-se à posição do Partido sobre sexo e sexualidade. São favoráveis ao amor livre e ao sexo livre. Defendem a anarquia sexual. Afirmam que a posição do Partido sobre o oportunismo sexual e a questão LGBT é feudal e patriarcal.
Depois de expor as posições do oportunismo de direita, examinemos agora aquilo que os teóricos pós-modernos dizem sobre essas questões.
O primeiro ponto levantado pelos oportunistas de direita relaciona-se à ideia de fluxo em Butler, que ela tomou emprestada de Foucault. Muitos teóricos pós-modernos escreveram sobre isso. Talvez seja esta a pedra angular do pós-modernismo. Quanto maior é a mobilidade, maior é a dificuldade de localizar o objeto e maior a impossibilidade de defini-lo e fixá-lo. Tais condições enfraqueceriam a estrutura concreta como característica, produzindo caos e aleatoriedade. Para a filosofia pós-moderna, a mudança é sempre um fluxo constante. Ela não conhece etapas, saltos ou limites. Mudança significa aleatoriedade e constância. Orientados por essa lógica de compreensão da mudança, os oportunistas de direita dizem que, como a sociedade mudou e o Estado se tornou mais poderoso, devemos modificar-nos de acordo com isso e abandonar a luta armada. Essa compreensão baseia-se na aleatoriedade da mudança. Esse é o significado da ideia de fluxo na teoria de Butler: a mudança é um fluxo e é constante. Para um maoista, porém, a mudança realiza-se da quantidade para a qualidade, por meio de etapas e saltos. Nem todo tipo de mudança exige uma alteração na estratégia da Revolução Indiana. Uma simples mudança quantitativa não produzirá necessariamente uma transformação qualitativa na sociedade. É necessário um salto. Esse salto é marcado por etapas. Sem estudar o salto e as etapas, continuar cacarejando sobre a mudança não passa de filosofia pós-moderna da mudança. Ninguém deve ficar perplexo diante da ideia de mudança. Toda mudança deve ser compreendida nos termos do materialismo dialético e histórico ensinados pelos camaradas Marx, Lenin e Mao. Um processo possui etapas, e o estudo dessas etapas determinará a natureza da mudança, bem como sua possível forma e conteúdo no futuro. Esses oportunistas ousam teorizar sobre o salto e sobre a etapa que, segundo afirmam, a sociedade teria alcançado? Não. Não realizaram nenhuma análise que sustente suas afirmações. Tudo o que fizeram foi deixar-se arrastar pela torrente desenfreada de lixo da filosofia pós-moderna imperialista.
A segunda questão relaciona-se à concepção foucaultiana de Poder. Foucault afirmou que o Poder é inerentemente opressivo e está em toda parte. Consequentemente, para subverter o Poder, celebra-se toda forma de diferença. Isso costuma assumir a forma de um contradiscurso que, mesmo sendo ilógico, infundado e destituído de sentido, deve ser celebrado e erguido como bandeira. Assim, o oportunista de direita que, por qualquer razão, não aceita o HC como autoridade é, na realidade, impulsionado pela lógica foucaultiana segundo a qual todo Poder é inerentemente opressivo. Os camaradas que, em vez de reconhecer semelhante indisciplina, celebram as divergências do oportunismo de direita com o HC também são movidos pela mesma tendência antiautoritária. Consideram progressista subverter o Poder que se encontra acima deles. O problema reside nessa concepção antiautoritária, que provém diretamente da compreensão pós-moderna do Poder. Eles afirmam aceitar nominalmente o CC porque sabem que o CC não será o órgão com o qual terão de lidar diretamente. Assim, empregam uma linguagem oportunista para encobrir sua oposição à autoridade. Nos casos em que o CC se torna o organismo de relação direta, esses oportunistas afirmam que o CC também seguiu o caminho do HC ou que se tornou ainda mais rígido que ele. A fenomenologia e o existencialismo são os faróis de nossos oportunistas. Em essência, eles são empiristas e lutam pela liberdade burguesa radical e pelo direito de escolha. Sob o disfarce de comunistas, lutam pela autonomia burguesa e pelo direito de praticar a própria linha política. A ultrademocracia da burguesia liberal é a liberdade radical da era pós-moderna.
Enquanto a ultrademocracia era característica da anarquia, a liberdade radical baseia-se no conceito de subversão do Poder, que pode existir dentro ou fora de uma estrutura. A subversão do Poder proletário é aquilo que se procura realizar quando os oportunistas de direita se recusam a aceitar a autoridade do HC. Mas esses oportunistas ousariam subverter o Poder feudal-burguês sustentado pela autoridade estatal?
O pós-modernismo exerce enorme influência sobre nossa sociedade. À medida que a população das classes médias crescer, também aumentará a influência do pós-modernismo sobre as massas. No pós-modernismo, o inimigo encontrou sua arma mais eficiente. Anteriormente, sua arma era o Estado de bem-estar social burguês. Mas nenhuma outra ideologia poderia empregar a varinha mágica utilizada pelo pós-modernismo. A ordem mundial imperialista neoliberal necessita do consumo de massas. O consumo é facilitado por um sistema de crédito e pela digitalização da economia de mercado. Isso transforma cada vez mais o consumo numa atividade individual baseada nas escolhas, gostos e preferências do indivíduo. O pós-modernismo encontra-se completamente vinculado à ordem mundial neoliberal. O tipo de fluidez e aleatoriedade que caracteriza o mercado de capitais financeiros integra sua filosofia. As condições materiais do mercado atual promovem o hiperindividualismo. Ao indivíduo são oferecidos espaços privados de mercado – como Amazon, Flipkart etc. –, listas pessoais de desejos e a aparente superação das limitações econômicas quando lhe oferecem empréstimos, cartões de crédito, jogos de azar ou aplicativos. Mas, por trás dessa fachada, nada permanece verdadeiramente privado. Tudo é determinado pela lógica do capital imperialista e por suas necessidades neoliberais. A ficção da liberdade e da escolha impulsiona as máquinas ideológicas do mercado. Essa liberdade fictícia e esse direito de escolha também encontram expressão na política.
A importância da negação oportunista da autoridade do HC reside na economia digital de mercado criada pelo capital financeiro imperialista. Esse mercado produz uma ficção de escolha individual e radical. Para a imaginação da pequena burguesia, porém, o conceito de centralismo democrático aparece como escravidão, pois exige compromisso com a ideologia e com o coletivo. Assim, iniciaram seu ataque contra o aspecto centralista do centralismo democrático, distorcendo o conceito para fazer parecer que a democracia constitui sua essência e deve ser primária em todos os aspectos e em todos os momentos. Eles enxergam o centralismo como Poder, e sua concepção do Poder é a mesma de Foucault, para quem toda forma de Poder é inerentemente opressiva. É importante recordar o camarada Mao em Retifiquemos o estilo de trabalho no Partido, onde estabeleceu uma posição concreta sobre o centralismo democrático ao combater aqueles que buscavam a independência: “Não compreendem o que significa o centralismo democrático no Partido, nem percebem que o Partido Comunista necessita não somente de democracia, mas, sobretudo, de centralismo. Esquecem que, no centralismo democrático, a minoria deve subordinar-se à maioria, o nível inferior ao superior, a parte ao todo e todo o Partido ao Comitê Central. Chang Kuo-tao, por exemplo, pretendeu ‘tornar-se independente’ do Comitê Central e terminou traindo o Partido e convertendo-se em agente do Kuomintang.”
Os oportunistas possuem uma lógica astuta para manipular os dois aspectos de uma contradição. Fazem isso desde os tempos de Bernstein, passando por Larin e Martov, até seus seguidores atuais, como Devji e Venugopal, que predominam em nosso contexto. Eles dizem: “Toda contradição possui dois aspectos. Portanto, ambos devem ser considerados e, ao se chegar a uma decisão sobre o desenvolvimento de um objeto, processo ou fenômeno, deve-se privilegiar um dos aspectos em relação ao outro”. O camarada Lenin chamou isso de “sentar-se em duas cadeiras”. Considerada isoladamente, essa formulação pode parecer correta para alguns. Mas nela reside a astúcia da qual falamos. Essa astúcia foi afiada pelo empiriocriticismo, que nega a objetividade e a posição partidária. Atualmente, ela se encontra ainda mais arraigada na filosofia oportunista pela lógica pós-moderna dos seguidores de Foucault, Derrida, Butler e outros. Eles afirmam que determinar e identificar a identidade de um objeto constitui um exercício de Poder discursivo e possui natureza opressiva. Por isso, o oportunista não identifica o aspecto dominante no interior de uma contradição. A formulação oportunista mencionada acima nega o conceito de identidade e nos transporta para um mundo imaginário pós-moderno de natureza aleatória e fluida. Nega o processo dialético e materialista histórico no desenvolvimento de uma coisa. É verdade que toda contradição possui dois aspectos. Mas a questão que determina o desenvolvimento do objeto é: qual desses dois aspectos é o principal? Isso é o que o camarada Mao denominou “aspecto principal da contradição principal”.
O camarada Mao afirmou: “Em toda contradição, o desenvolvimento dos aspectos contraditórios é desigual. Algumas vezes, ambos parecem estar em equilíbrio, mas essa situação é apenas temporária e relativa, enquanto a desigualdade constitui o estado fundamental. Dos dois aspectos contraditórios, um deve ser o principal e o outro, o secundário. O aspecto principal é aquele que desempenha o papel dirigente na contradição. A natureza de uma coisa é determinada fundamentalmente pelo aspecto principal de sua contradição, aquele que ocupa a posição predominante.” Os oportunistas afastaram-se dessa linha filosófica. Martin Heidegger é seu mestre. Foi ele quem afirmou que o ser constitui apenas um exercício de linguagem. Derrida afirmou que o ser é uma ficção criada pela linguagem. Com semelhante compreensão, que espaço resta para a contradição no interior de um ser ou para o desenvolvimento de etapas no processo de formação desse ser?
Depois de discutir a filosofia da contradição proposta pelo oportunista, abordaremos agora a terceira questão anteriormente mencionada: a questão da linguagem, dos signos, das palavras etc. Examinemos Lyotard, o pós-moderno que afirma que a linguagem se transforma em um jogo no qual a pessoa que dispõe de maiores recursos frequentemente determina a verdade. Derrida afirma que a linguagem é uma ferramenta de controle. Para enfrentar aquilo que chama de hierarquia violenta, propõe a desconstrução, que consiste em ler no texto aquilo que o autor pode ter querido dizer ou não. Segundo ele, isso pode ser feito sem investigar a intenção do escritor, pois, para Derrida, o autor está morto. Essa teoria serviu de sustentação à política oportunista.
Eles começaram a desconstruir a linguagem do HC sem se preocuparem em compreender a intenção ou o motivo existente por trás dela, concentrando-se em suas expressões simbólicas. Isso satisfaz suas necessidades oportunistas. Nada menos que o próprio Foucault chamou a escrita de Derrida de “obscurantismo terrorista”. Foucault afirmou a respeito de Derrida: “Ele escreve de maneira tão obscura que não se pode dizer o que está afirmando – essa é a parte obscurantista. Depois, quando é criticado, pode sempre responder: ‘Você não me compreendeu; você é um idiota’. Essa é a parte terrorista.” Derrida emprega a armadilha mais antiga da escola sofista da filosofia. Isso explica o amor por Derrida no campo oportunista. Com Derrida, pode-se subverter qualquer lógica e transformá-la num jogo sem sentido de palavras e símbolos. Os oportunistas utilizam isso em benefício próprio. Atacam a linha política correta no Partido com essa arma. Dizem que a linguagem é ditatorial e que, portanto, o conteúdo de tudo o que está sendo dito perde qualquer significado.
Como muitas das comunicações com esses oportunistas ocorreram por meio de cartas, alguns de nossos camaradas desenvolveram a compreensão de que a própria prática de escrever cartas teria complicado o problema. Acreditavam que a comunicação por cartas criava confusões e mal-entendidos que somente poderiam ser resolvidos em reuniões presenciais. Essa compreensão também contém alguns traços de pós-modernismo. O problema não está nas cartas. Todos sabemos que a história do movimento comunista mundial registrou o melhor uso das cartas para orientar o movimento e os camaradas envolvidos nele. O problema encontra-se na linha política do oportunista, a serviço da qual ele utiliza a linguagem pós-moderna para atacar a linha política e a direção do Partido.
Outra questão muito grave levantada pelos oportunistas de nosso tempo relaciona-se à estrutura. Sua posição sobre ela nada mais é que o pós-estruturalismo disfarçado de marxismo. Os pós-estruturalistas consideram que, na sociedade tradicional, o Poder estava centralizado e organizado no interior das estruturas. Veem a estrutura como algo inerentemente poderoso, excludente e opressivo. Contra isso, reivindicam a escolha individual e a liberdade radical. Por essa razão, não constroem estrutura alguma; limitam-se a atacar e desconstruir as estruturas existentes. Quando aplicada à prática comunista, essa concepção produz oportunistas que não realizam reuniões partidárias, não formam novas estruturas e mantêm deliberadamente amorfa a estrutura existente. Desse modo, asseguram que o Poder não se centralize na estrutura partidária. O único Poder que continua se centralizando e tornando-se onipresente é o Poder do Estado, o Poder das classes dominantes. Enquanto isso, permite-se que o Poder proletário, concentrado no Partido Comunista, se enfraqueça. Aquilo que permanece no lugar do Partido Comunista é uma postura individual ditatorial: a burocracia concentrada numa única pessoa, sem qualquer prestação de contas ou responsabilidade, que afirma estar sempre correta. Nesse processo, o indivíduo substitui o coletivo. Assim, observamos como o pós-modernismo fortalece a linha política burguesa no interior do movimento comunista.
A última questão dessa série relaciona-se às teorias pós-modernas sobre “gênero” e sexualidade. A célebre formulação pós-moderna nesse terreno é: “mais sexo, mais liberdade”. Nada expressa melhor sua posição. Os pós-modernos, particularmente Foucault, atacaram a concepção vitoriana moderna sobre sexo e sexualidade. Foucault definiu o “gênero” como construção social. Posteriormente, outra pós-moderna, conhecida por sua infame teoria queer, sustentou que o “gênero” é uma representação e pode assumir qualquer forma segundo as experiências pessoais. O emprego da palavra “gênero”, em vez da palavra biológica “sexo”, passou a ser considerado progressista, enquanto o uso do termo “sexo” era classificado como determinismo biológico e modernista. O “gênero” representava a fluidez e a aleatoriedade próprias da perspectiva filosófica pós-moderna, abrindo espaço para a lógica neoliberal do mercado. Mudar de gênero de acordo com a escolha individual tornou-se algo comum. Novamente, o centro estava na escolha individual e na liberdade radical a ser exercida.
Isso explica por que Butler afirma que o indivíduo deve sempre questionar sua identidade de gênero, duvidar dela e redefini-la. A realidade material foi inteiramente negada; em seu lugar permaneceram a ficção e a abstração. O aspecto crítico mais importante do pós-modernismo é seu ataque à lógica, à racionalidade e à razão, ao mesmo tempo que privilegia as emoções, os sentimentos, os desejos e o prazer. Em Problemas de gênero, Butler utiliza o conceito de queer para definir qualquer coisa que subverta a matriz de Poder predominante. A palavra queer é um termo ambíguo no qual pode ser inserido tudo aquilo que o mercado seja capaz de imaginar ou que possa ser comprado no mercado. Entretanto, alguns setores do oportunismo de direita não enxergam qualquer problema nisso. Consideram a teoria queer um complemento do marxismo. Muitos intelectuais oportunistas, como Hardt e Negri, começaram a afirmar que o prazer integra as forças produtivas e que, portanto, a definição de queer e os conceitos construídos ao seu redor constituiriam concepções libertadoras para as forças produtivas. Nunca antes se produziu semelhante vulgarização do marxismo. Talvez nunca a presença do marxismo entre o povo tenha sido tão débil como atualmente.
Em oposição direta à concepção pós-moderna predominante sobre sexo e sexualidade, nosso Partido sustentou que as palavras “gênero” e queer constituem conceitos pós-modernos imperialistas patrocinados pelo mercado burguês. Por isso, devem ser contrapostos à palavra “sexo”, empregada para descrever os aspectos biológicos e sociais do sexo. Nosso Partido também sustentou que uma mudança de sexo somente deve ser considerada quando existirem condições biológicas substanciais que fundamentem o desejo de realizá-la. Na ausência dessas condições, semelhante desejo constitui, fundamentalmente, uma tendência ideológica pós-moderna impulsionada pelo mercado e patrocinada pelo imperialismo. Diante da inexistência de uma posição plenamente definida sobre a questão da mudança de sexo, nosso Partido não autoriza seus membros a realizá-la. Contudo, a posição exposta acima constitui uma orientação geral aplicável tanto ao povo quanto aos quadros, pois continuará sendo nosso princípio orientador mesmo que o Comitê Central venha a conceder o direito à mudança de sexo. Além dessa posição firme, o Partido prosseguiu em sua luta contra as práticas sexuais anárquicas imperialistas. Definiu o oportunismo sexual como o oportunismo no terreno das práticas sexuais: atos sexuais desprovidos da ideologia proletária. O oportunista sexual é impulsionado por uma lógica de prazer e gozo espontâneos, pós-moderna e pequeno-burguesa, dirigida pelo imperialismo. Os intelectuais pós-modernos promovem semelhantes práticas sexuais, enquanto os oportunistas se agarram a elas. Quando a política se desvia, todos os aspectos da vida acompanham esse desvio. Em cada curva, a ideologia pós-moderna sustenta o oportunista. Juntos avançarão e juntos cairão. Os oportunistas pós-modernos não possuem lugar no Partido herdeiro do camarada Marx, do camarada Lenin e do camarada Mao. Devem ser expurgados para que o Partido faça renascer seu trabalho.
Conclusão
O oportunismo, como tendência, desvio ou linha no interior de um Partido Comunista, constitui o reflexo da ideologia das classes dominantes. É mais perigoso que a bala do inimigo, e o método para eliminá-lo de nosso Partido é a luta ideológica ativa. Precisamos reconsiderar nossas concepções sobre a luta de classes. Muitos de nossos camaradas alimentaram a ilusão de que a luta armada é o único tipo de luta de classes. É correto afirmar que a luta armada é a forma mais elevada da luta de classes. Mas, se nos tornarmos liberais na frente ideológica e não considerarmos a luta nesse terreno como parte da luta de classes, estaremos condenados a perder a luta na frente armada. Ninguém conhece essa verdade melhor que as classes dominantes. Por isso, elas são mais ativas no plano psicológico. Em seu desespero para atacar a ideologia do proletariado, as classes dominantes encontraram uma nova arma no pós-modernismo. Essa arma é mais afiada que o empiriocriticismo do século XX. Para derrotá-la, precisamos aguçar nossa compreensão do marxismo-leninismo-maoismo. Se conseguirmos localizar as tendências pós-modernas no interior de nossas estruturas partidárias, enfraqueceremos os oportunistas e as tendências oportunistas. Somente a luta ideológica ativa de classe poderá nos auxiliar na tarefa de eliminar as tendências pós-modernas oportunistas do movimento comunista. O inimigo conduz uma ampla campanha para nos destruir tanto física quanto ideologicamente. Em tempos como estes, recordemos o camarada Lenin, que afirmou: “Diante de nós, diante dos pequenos grupos de socialistas refugiados na ‘clandestinidade’ russa, através da vasta Rússia, encontra-se o gigantesco mecanismo de um poderosíssimo Estado moderno, que mobiliza todas as suas forças para esmagar o socialismo e a democracia. Estamos convencidos de que terminaremos por destruir esse Estado policial, pois todos os setores sadios e ascendentes do povo estão a favor da democracia e do socialismo. Mas, para travar uma luta sistemática contra o governo, devemos elevar ao máximo grau de perfeição a organização revolucionária, a disciplina e a técnica da ação clandestina.” Essas palavras do camarada Lenin explicam nossa tarefa central na atualidade. Com firme convicção no marxismo-leninismo-maoismo, marchemos rumo ao futuro luminoso que se encontra diante de nós.
1 Nota do tradutor: “ji” é um sufixo honorífico empregado em línguas do Sul da Ásia, acrescentado ao nome de uma pessoa como forma de respeito.
2 Nota do tradutor: chela é uma palavra utilizada na tradição hindu para designar um discípulo; em alguns contextos, também se emprega shishya.

