Nota do blog: A seguir publicamos trecho do documento de 1923, “A propósito da discussão, de Rafail, dos artigos de Preobrazhenski e Sapronov e da carta de Trotski”, de J. V. Stalin. O trecho específico desmascara o charlatanismo de Trotsky de querer opor a juventude à velha guarda bolchevique, no intuito de fazer frente com o bloco da oposição ao Comitê Central e minar a autoridade deste. Stalin desmascara a carta em que o menchevique Trotsky dirige tais ataques velados, demonstrando sua demagogia com a juventude a serviço de encobrir seu oportunismo, cujo objetivo era enfraquecer o Partido, fortalecer seus inimigos, destituir todo o sistema de Direção do Partido eleitos e ratificados nos X, XI e XII Congressos do Partido, dois dos quais dirigidos diretamente por Lenin, e promover a si e outros da “Oposição” em seu lugar.
A carta de Trotski1
A resolução do Comitê Central e da Comissão Central de Controle, sobre a democracia interna no Partido, publicada a 7 de dezembro, foi aprovada por unanimidade. Trotski votou por esta resolução. Por isso, era de supor que os membros do Comitê Central, inclusive Trotski, formariam uma frente-única, convidando os membros do Partido a apoiar por unanimidade o Comitê Central e a sua resolução. Os fatos, entretanto, não confirmam esta suposição. Trotski enviou, há dias, uma carta às conferências do Partido, que não pode ser interpretada de outro modo, senão como uma tentativa para enfraquecer o desejo de unidade dos membros do Partido no apoio ao Comitê Central e às suas posições.
Julgai por vós mesmos.
Depois de aludir ao burocratismo do aparelho do Partido ao perigo de degeneração da velha guarda, isto é, dos leninistas, núcleo principal do nosso Partido, escreve Trotski:
“No curso da História se observou mais de uma vez a degeneração da ‘velha guarda’. Tomemos o exemplo histórico mais recente e sugestivo: os chefes e os partidos da II Internacional. Sabemos que Wilheim Liebknecht, Bebel, Singer, Victor Adler, Kautsky, Bernstein, Lafargue, Guesde e outros foram discípulos diretos e imediatos de Marx e Engels. Sabemos, porém, que todos esses chefes – alguns em parte, e outros, inteiramente – degeneraram no oportunismo”…
“Devemos dizer – precisamente nós, os “velhos” – que a nossa geração, que tem exercido, como é lógico, o papel dirigente no Partido, não oferece, contudo, por si mesma, nenhuma garantia contra o debilitamento paulatino e imperceptível do espírito proletário e revolucionário, se se permite que continuem a acentuar-se e a consolidar-se no Partido os métodos políticos do aparelho burocrático, que transformam a jovem geração num material passivo para a educação e inevitavelmente estabelecem o divórcio entre o aparelho e as massas, entre os velhos e os moços” … “a juventude é o barômetro mais fiel do Partido e reage do modo mais sensível ao burocratismo do Partido”… “a juventude deve conquistar as fórmulas revolucionárias através da luta”…
Em primeiro lugar, devo desfazer um possível mal-entendido. Trotski, como se vê pela sua carta, se considera membro da velha guarda bolchevique e, por conseguinte, se manifesta disposto a aceitar para si as possíveis acusações que possam recair sobre os ombros da velha guarda, se na realidade esta tomar o caminho da degeneração. É preciso reconhecer que esta disposição para o sacrifício é, indubitavelmente, um gesto de nobreza. Mas, devo defender Trotski do próprio Trotski, de vez que, por motivos compreensíveis, ele não pode e não deve ser responsabilizado pela possível degeneração dos quadros principais da velha guarda bolchevique. O sacrifício é, certamente, uma boa coisa, mas precisariam deste sacrifício os velhos bolcheviques? Creio que não.
Em segundo lugar, não se compreender como se pode colocar no mesmo plano oportunistas e mencheviques como Bernstein, Adler, Kautsky, Guesde e outros e a velha guarda dos bolcheviques que tem lutado incessantemente e continuará lutando contra o oportunismo, contra os mencheviques, contra a II Internacional. Como se explicam e para que servem esta confusão e esta balbúrdia, se se levam em conta os interesses do Partido, e não as considerações secundárias, cuja finalidade não é de modo algum defender a velha guarda? Como interpretar estas alusões ao oportunismo em relação aos velhos bolcheviques, que se formaram na luta contra o oportunismo?
Em terceiro lugar, não creio de modo algum que os velhos bolcheviques estejam absolutamente a salvo do perigo de degeneração, assim como não teria razões para afirmar que estamos absolutamente a salvo, por exemplo, de um terremoto. Devemos e podemos admitir este perigo como possível. Mas, significa isto que o perigo seja real, atual? Creio que não. O próprio Trotski não trouxe nenhum dado capaz de comprovar que o perigo de degeneração é um perigo real. No entanto, existem no seio do Partido elementos que podem constituir efetivamente um perigo de degeneração para alguns setores do nosso Partido. Refiro-me a uma parte dos mencheviques, que se viram obrigados a ingressar no nosso Partido e que ainda não superaram os velhos hábitos oportunistas. Eis o que escreveu, a propósito destes mencheviques e deste perigo, o camarada Lenin no período da depuração no nosso Partido:
“Todo oportunista se distingue por sua capacidade de adaptação… e os mencheviques, como oportunistas, se adaptam, por assim dizer, ‘por princípio’, à corrente dominante entre os operários, se mimetizam com a lebre que se torna branca no inverno. É preciso reconhecer e levar em conta esta peculiaridade dos mencheviques. E tê-la em conta significa depurar o Partido de cerca de 99 por cento de todos os mencheviques que aderiram ao Partido Comunista Russo, depois de 1918, isto é, quando a vitória dos bolcheviques se delineava, em primeiro lugar, provável e depois indubitável”i (v. vol. XXVII, pág. 13).
Como pode ocorrer que Trotski, perdendo de vista este e outros perigos semelhantes, realmente existentes, tenha posto em primeiro plano um perigo possível, o perigo de degeneração da velha guarda bolchevique? Será possível fechar os olhos, pondo em primeiro plano o perigo que, falando com propriedade, não é real, mas apenas possível, se se tem em mente os interesses do Partido e não se quer abalar a autoridade da maioria do Comitê Central, que representa o núcleo dirigente da velha guarda bolchevique? Não é porventura claro que esse “procedimento” só pode levar água ao moinho da oposição?
Em quarto lugar, de onde tirou Trotsi essa contraposição entre os “velhos” que podem degenerar e os “jovens” que são “o barômetro mais fiel” do Partido, entre a “velha guarda” que se pode burocratizar e a “jovem guarda” que deve “conquistar as fórmulas revolucionárias na luta”? De onde tirou essa contraposição e para quê serve? Por acaso a juventude e a velha guarda não marchariam sempre em frente única contra os inimigos internos e externos? A unidade dos “velhos” e dos “jovens” não representa porventura a força principal de nossa revolução? Como se explica essa tentativa para destronar a velha guarda e afagar demagogicamente a juventude, para criar e ampliar uma brecha entre estes destacamentos fundamentais do nosso Partido? Para que serve tudo isso, se se pensa nos interesses do Partido, na sua unidade e coesão, e não em abalar esta unidade em favor da oposição?
Será esta uma maneira de defender o Comitê Central e a sua resolução sobre a democracia interna do Partido que, ademais, foi aprovada por unanimidade?
Aliás, Trotski evidentemente não se atribuiu essa tarefa ao enviar a sua carta às conferências do Partido. É evidente que era outra a sua intenção, a saber: apoiar diplomaticamente a oposição na sua luta contra o Comitê Central.
Assim se explica a marca de duplicidade que caracteriza a carta de Trotski.
Trotski faz bloco com os defensores do centralismo democrático2 e com uma parte dos comunistas de “esquerda”: eis o significado político da ação de Trotski.
“Pravda” (“A Verdade”), n. 285.
15 de dezembro de 1923.
Assinado: J. Stálin.
1Transcrito do original: “A propósito da discussão, Rafail, dos artigos de Preobrazhenski e Sapronov e da carta de Trotski”, J. V. Stalin, Obras, vol. 5, p. 319, Ed. Editorial Vitória, Rio 1954.
2Aqui, Stalin se refere aos que se opunham à Resolução dos X, XI e XII Congresso do partido bolchevique, que proibia a continuação da existência de grupos e frações internas, proposta feita por Lenin. Este grupo se autodenominou como “defensores do centralismo democrático”, ao julgar que a inexistência de frações violava tal princípio leninista, mas sem jamais terem apresentado como e porquê. (Nota de Servir ao Povo)
iVide Lenin, Sobre a depuração do Partido – Obras Escolhidas, em dois volumes, Edizione in Lingue Estere, Mosca, 1948, vol. Iim pág. 869.

