Proletários de todos os países, uní-vos!
Nota do blog: Publicamos tradução não-oficial para português do Brasil do documento “Desmascarar, rechaçar e derrotar a camarilha renegada e liquidacionista de Gopal Mishra e Prashant Rahi!”, publicado pela revista revolucionária indiana Nazariya. Trata-se de leitura fundamental, pois, ao desmascarar a linha liquidacionista, oportunista e revisionista que busca destruir a Guerra Popular e a vanguarda proletária na Índia, os maoistas indianos – e a revista Nazariya, que populariza a polêmica às grandes massas – desmascaram os “argumentos” de toda a direita revisionista que se fantasia de “maoista” no MCI.
Estes, quer seja na Índia ou em outras partes do mundo, se escandalizam com o “dogmatismo” dos maoistas, que afirmam a universalidade da Revolução de Nova Democracia para os países oprimidos pelo imperialismo e a vigência da Revolução Agrária; com o “militarismo” e o “obscurantismo” dos maoistas que afirmam que a luta armada é a forma principal de luta, que todas as demais se coordenam direta ou indiretamente com ela, que o Exército Guerrilheiro é a forma principal de organização, e que o Partido deve estar no centro desta luta, imerso na clandestinidade e profundamente emboscado nas massas, combinando a rede secreta e o trabalho ilegal com o trabalho aberto e legal; com a “intolerância sectária” dos maoistas, vejam vocês, por aplicarem com firmeza o centralismo democrático e não se permitirem chantagear pelo “anarquismo do senhor distinto”, como dissera Lenin, ou pelo fato dos maoistas não tolerarem a delação e a traição, não aceitarem a entrega de segredos do Partido revolucionário à polícia direta ou indiretamente, por não aceitarem que indivíduos ambiciosos criem uma quinta-coluna, movimentos-fantasmas paralelos para servir de base social para a polícia. Essa tem sido a prática, incorrigível, de elementos como Balraj, Gopal Mishra e Prashant Rahi, conforme denuncia o PCI (Maoista), tal como se passou com a camarilha de Sonu-Satish-Devji.
Balraj, como um parasita, levantou seu ataque fraudulento contra a ideologia do proletariado, fortemente defendida pela Ideologia, Programa e LPG do PCI (Maoista). Balraj, quando teve seu “ego feudal ferido”, como destaca a Nazariya, começou a conduzir atividades antipartido, liquidacionistas e conspiratórias; “recusou-se a passar à clandestinidade, apesar de ser membro do Birô Político, porque não estava disposto a mudar sua concepção e enfrentar as dificuldades e sacrifícios exigidos de um revolucionário profissional”; “levantou falsos debates para ocultar seu próprio revisionismo e sua política de classe não proletária”. Foi Balraj quem acusou o PCI (Maoista) de “concentrar-se demasiadamente na linha militar e não dar atenção à construção de movimentos de massas”, contra o que classificava de primazia da militarização no Partido e sua clandestinidade em falsa contraposição à ligação com as massas. E, “quando suas linhas começaram a ser derrotadas nas estruturas partidárias, ele e seus seguidores passaram a dizer que não havia lugar para o debate dentro do Partido e começaram a reunir forças para tentar criar um Comitê Central paralelo”. Traidor, liquidacionista, quinta-coluna e peso morto sobre a Terra: este é Balraj, o homem que morreu antes de morrer!
Gopal Mishra não teve desempenho menos nefasto. Além de defender Balraj e sua linha oportunista, liquidacionista e revisionista, dedicou-se particularmente a “construir organizações paralelas em algumas universidades onde não existiam organizações revolucionárias, buscando desviar para si os estudantes simpáticos à política do MLM e da Revolução de Nova Democracia”, e “construir igualmente organizações paralelas em áreas onde já existiam organizações de Nova Democracia”. São novíssimos movimentos-fantasmas que pululam aqui e ali, onde quer que o revisionismo, pressionado pelo acirramento da luta de classes, seus partidários de diferentes pelagens não suportam mais se manter no interior das fileiras revolucionárias e tentam se mostrar como organização própria liquidacionista, um abscesso em supuração, que para esconder seu chorume fétido e enganar, ainda que por pouco tempo, aos desavisados e aos mais novos, serve-se de fraseologias “marxistas” e assacam calúnias contra os revolucionários e a delação covarde dos mesmos. Não sem razão, o PCI (Maoista), como destaca a revista Nazariya, classifica-lhes com o mais duro epíteto: “degenerados!”, causando furor nos que sentem a carapuça servir-lhes perfeitamente.
Prashant Rahi, além do resto, acumula ainda o epíteto de traidor; afinal, nas palavras da revista Nazariya, ele “circula utilizando sua imagem de preso político para imiscuir-se nos assuntos das organizações revolucionárias” e “frequentemente percorre o país tentando utilizar sua imagem para conquistar legitimidade”.
No MCI há organizações que declaram apoiar a Revolução Indiana (sem entusiasmo nenhum, nota-se, pois não se pode se entusiasmar por algo que na verdade reprovam, a saber, a luta armada e tudo que vem junto) e que defendem as mesmas posições que a direita liquidacionista que foi expulsa do PCI (Maoista). Ou seja, defendem a mesma posição que condena que a linha militar – isto é, a luta armada – seja o decisivo da prática do Partido; que condenam a análise maoista do capitalismo burocrático engendrado pelo imperialismo nos países coloniais-semicoloniais sobre a base semifeudal desses e todas as demais posições arvoradas por Balraj e outros diabos. Estes devem ser todos desmascarados, denunciados, condenados e punidos por todos seus crimes contra a Revolução, como o faz o PCI (Maoista). Assim, e só assim, como comprova a experiência histórica, pode a revolução saltar a frente, condição sine qua non para que haja forte impulso ao novo período de revoluções que está entrando a História mundial.
Equipe Editorial
Servir ao Povo
Desmascarar, rechaçar e derrotar a camarilha renegada e liquidacionista de Gopal Mishra e Prashant Rahi!
Nota da revista Nazariya: Este artigo busca contribuir para a luta em curso contra a linha do Oportunismo-Liquidacionismo-Revisionismo que ataca o movimento maoista na Índia. Nossas fontes para os detalhes específicos do atual debate são os comunicados do Comitê de Coordenação Norte (CCN) do PCI (Maoista), disponíveis publicamente. Sempre que são feitas referências a acontecimentos ocorridos nas estruturas do referido Partido e Comitê, nossa fonte é invariavelmente os comunicados mencionados.
Introdução
“Na época atual, o revisionismo é ideologia contrarrevolucionária. Por isso, a luta intrapartidária – a luta entre a ideologia revolucionária e a ideologia contrarrevolucionária – continuará. ‘Unidade, luta, unidade’: isso significa que o revisionismo contrarrevolucionário deve ser combatido e derrotado. Só então a unidade é possível, mas essa unidade não é duradoura. Novas contradições surgirão, o revisionismo tentará aparecer sob novas formas. Por isso, a luta deve ser travada em um novo patamar… O Partido se desenvolverá por meio de lutas constantes, tanto contra o inimigo externo quanto contra tendências estranhas em seu interior. Por meio dessas lutas, o Partido se fortalecerá, atuará como a vanguarda da revolução para servir ao povo, transformar-se e transformar toda a sociedade.” – Charu Mazumdar¹
Os leitores familiarizados com a situação mundial e com a política interna da Índia sabem muito bem que o Movimento Comunista Internacional (MCI) e o movimento revolucionário comunista indiano atravessam uma fase de reveses, ao mesmo tempo em que são assolados internamente por uma profunda crise. Em meio aos ataques ideológicos, políticos e militares dos inimigos por todos os lados, surgiu, no interior do movimento revolucionário indiano, um setor que procura trair os interesses do povo indiano explorado e oprimido, destruir o Partido Comunista, dissolver o exército popular e render-se ao Estado indiano.
As farsas são todas repugnantemente semelhantes. O Estado indiano os exibe como troféus, enquanto eles concedem entrevistas à imprensa falando sobre como finalmente teriam visto a luz da verdade quanto à inutilidade da luta armada e da Guerra Popular Prolongada, abraçando, por fim, a Constituição para “servir ao povo”. Que homens esclarecidos! Os nomes são muitos – Balraj, Sonu, Devji –, todos meras faces do campo do Oportunismo-Liquidacionismo-Revisionismo (OLR). A doença, contudo, é muito mais profunda.
As forças OLR buscam subverter o movimento por dentro, torná-lo impotente diante dos ataques inimigos e desviar o povo do objetivo da revolução e da emancipação. O camarada Lenin combateu implacavelmente os oportunistas, liquidacionistas e revisionistas de seu tempo, tanto na Rússia quanto internacionalmente. O camarada Mao levou adiante essa luta no interior do Partido Comunista da China e, depois, em escala internacional, por meio do Grande Debate contra a camarilha revisionista moderna e social-imperialista que restaurou o capitalismo na União Soviética.
Isso nos chama, a nós, “velhos tolos” que ainda ousamos sonhar em “mover montanhas”, com um mundo livre da exploração e da opressão, a continuar a luta conduzida por nossos grandes mestres. Para avançar, o movimento comunista deve livrar-se da lama OLR que o retém, e essa luta é contínua e interminável, pois o revisionismo é como a Hidra da mitologia grega antiga: corta-se uma de suas cabeças, e outras duas crescem para tomar seu lugar.
A história do desejo e da luta pela emancipação da exploração e da opressão é tão antiga quanto a própria exploração e opressão. Desde que a sociedade humana se dividiu em classes, essas classes lutam entre si, e essa luta de classes tem sido a força motriz da história. Espártaco, nos tempos da escravidão, e Thomas Münzer, nos tempos do feudalismo, entraram nos anais da história como grandes homens que dirigiram exércitos de rebeldes para derrubar as ordens sociais exploradoras de suas épocas.
Contudo, apesar de suas grandes lutas, essa tarefa permaneceu incompleta, pois, ao longo da história, uma ordem social exploradora apenas foi substituída por outra; formas específicas da sociedade de classes foram derrubadas, mas as próprias classes permaneceram. O programa comunista de libertação da humanidade das garras da sociedade de classes, de todas as formas de exploração e opressão, é, portanto, a culminação do longo anseio dos povos oprimidos por libertar-se da exploração e da opressão. Somente o programa comunista é também capaz de superar as contradições dessas lutas de libertação anteriores. De fato, “o comunismo é o enigma da história resolvido, e sabe que é essa solução”.²
Por isso, é evidente que a burguesia, vendo seu céu de liberdade, igualdade e fraternidade ameaçado pela exigência terrena de liberdade real, procuraria com todas as forças tornar esse movimento incapaz de alcançar seus objetivos. Assim, ela corrompe diretamente um setor do movimento revolucionário por meio de subornos, promessas de uma vida melhor etc., ou indiretamente, ajudando a fazer germinar nessas pessoas as sementes já existentes de tendências e ideologias de classes não proletárias.³
O elo principal da cadeia do Oportunismo-Liquidacionismo-Revisionismo é a tendência ao liquidacionismo. O liquidacionismo é a linha que promove a dissolução do Partido Comunista, o único Partido capaz de dirigir o proletariado e todas as massas exploradas e oprimidas rumo à realização do comunismo. O liquidacionista faz isso por meio da “renúncia à clandestinidade”.⁴
Lenin apontou, durante as lutas intrapartidárias do Partido Bolchevique, que somente um núcleo de revolucionários profissionais – comunistas que dedicaram todo o propósito e objetivo de suas vidas à revolução e à libertação dos oprimidos –, permanecendo clandestino e dirigindo o Partido Comunista e a revolução por meio da combinação magistral entre o trabalho ilegal e o legal, pode garantir o êxito da revolução.⁵
Por que isso ocorre, perguntará o leitor? O Partido Comunista não ficaria separado das massas caso suas estruturas permaneçam ocultas e seus membros não participem abertamente dos movimentos de massas? Lenin responde: *“É evidente para todos que o contato com as massas só foi mantido por aqueles que não renunciaram ao passado e sabem como fazer uso do ‘trabalho aberto’ e de todas e quaisquer ‘possibilidades’ […] com o objetivo de fortalecer, consolidar e desenvolver a organização clandestina.”*⁶
O que Lenin defende é que o Partido Comunista mantém sua ligação com as massas não por dissolver-se na atividade legal aberta, mas por preservar sua organização clandestina e utilizar todas as oportunidades legais para fortalecê-la. O trabalho aberto é importante, mas sua importância reside em ser um meio de ampliar a influência do Partido entre as massas, politizá-las, recrutar suas fileiras entre elas, consolidar o aparato clandestino capaz de sobreviver à repressão e fornecer direção ao movimento revolucionário.
Por que, então, um Partido Comunista deve ser clandestino? É preciso partir do fato elementar de que nenhuma classe exploradora na história renunciou à exploração por persuasão. A essência fundamental, a questão central de toda revolução, é a conquista do Poder político.⁷ A luta de classes, em seu sentido final, é a luta entre classes pelo Poder político, pois o Poder político nada mais é que o meio necessário para uma classe transformar ou moldar a sociedade segundo seus interesses de classe. Nenhuma classe, porém, abrirá mão pacificamente de seu monopólio sobre o controle da sociedade. Por isso, o reconhecimento da necessidade de conquistar o Poder político deve estender-se ao fato de que essa conquista somente é possível por meio da guerra.⁸
Mas qual é o objetivo da guerra? Por que alguns exércitos perdem, outros vencem e algumas guerras terminam em impasse? O camarada Mao apontou que o próprio objetivo da guerra é destruir as forças do inimigo, preservando as próprias forças.⁹ Portanto, para que o proletariado saia vitorioso da guerra de classes, deve preservar as suas forças. As forças subjetivas do Partido Comunista não podem ser preservadas se forem expostas diante do inimigo.
Durante as negociações de paz de 2004 entre o governo de Andhra Pradesh e o PCI (ML) Guerra Popular e o PCI (ML) Janashakti, representantes de ambos os Partidos saíram temporariamente da clandestinidade para participar das negociações. A direção da Guerra Popular retornou prontamente ao trabalho clandestino após o fim das negociações, preservando sua clandestinidade e seu funcionamento subterrâneo, enquanto a direção do Janashakti permaneceu aberta. A repressão posterior dirigida contra quadros e dirigentes dos dois Partidos levou aos assassinatos a sangue-frio de dirigentes do Janashakti, entre eles o camarada Riyaz, um dos representantes nas negociações de paz.
Esse é um exemplo que demonstra que um Partido revolucionário não pode abandonar os métodos clandestinos necessários à sua sobrevivência. Também podemos olhar para a história dos Partidos Comunistas da Itália e da Alemanha durante a ofensiva fascista. A falta de clandestinidade teve de ser paga com as prisões e mortes de seus respectivos secretários-gerais, os camaradas Ernst Thälmann e Antonio Gramsci. Essa lição, ensinada pelo camarada Lenin e reafirmada repetidas vezes por todos os comunistas revolucionários, foi conquistada com o sangue do proletariado internacional.
Quando os revisionistas de nosso tempo repetem as velhas cantilenas de liquidar a clandestinidade, isso não é apenas uma deficiência ideológica e política. Eles dançam ao som da classe dominante capitalista-imperialista internacional. Devemos nutrir por esses lacaios do imperialismo nada além de ódio de classe, e eles devem ser vistos como aquilo que são: inimigos de classe.
A luta travada pelos comunistas contra o liquidacionismo não é uma luta fechada. A luta de vida ou morte do movimento comunista e do Partido Comunista é uma questão de vida ou morte para a luta por uma sociedade livre de exploração. Quando os maoistas enfraquecem em Dandakaranya, é o campesinato adivasi que suporta o peso principal. E, se as florestas de Saranda ainda não foram inteiramente entregues aos imperialistas pela burguesia burocrática compradora indiana, isso também se deve aos maoistas que continuam a lutar e não se rendem.
Enquanto o movimento revolucionário permanece fraco, a violência da ordem existente prossegue sem freios. Cada dia traz novas vítimas do ódio comunal e da opressão de castas. Incontáveis mulheres são submetidas à violência sexual. Trabalhadores são atacados e assassinados pela polícia e pelos capangas contratados dos capitalistas por ousarem exigir sequer um salário de sobrevivência. Camponeses são mortos por exigirem a terra que trabalham.
Todos os que desejam ver uma Índia democrática e verdadeiramente livre em suas vidas, assim como as forças de todo o mundo que se opõem ao imperialismo e a toda reação, devem tomar a luta do PCI (Maoista) contra o liquidacionismo como sua própria luta e mobilizar-se para defendê-la. Um golpe contra a reação em qualquer lugar é um golpe contra a reação em todos os lugares.
O Comitê de Coordenação Norte (CCN) do PCI (Maoista) divulgou recentemente diversos comunicados, disponíveis publicamente, lançando uma luta aguda contra as forças OLR.¹⁰ O Comitê expulsou diversos revisionistas que antes integravam essas estruturas, mas estavam envolvidos em atividades antipartido sob a direção de seu chefe, Baccha Prasad Singh, também conhecido como Balraj.
De particular interesse para nós é a declaração divulgada em 28 de fevereiro de 2026, que expulsou Gopal Mishra, também conhecido como Raghu, e Prashant Rahi.¹¹ Essas duas pessoas atuam há muito tempo semeando confusão entre as fileiras do movimento revolucionário e democrático em Déli e realizando sabotagens. Por isso, desejamos utilizar nossa plataforma para tornar públicas e difundir as linhas e atos contrarrevolucionários desses dois renegados.
Balraj – o pai do revisionismo no Norte da Índia
Antes de tratar das linhas e ações de Gopal Mishra e Prashant Rahi, é importante falar um pouco de seu pai ideológico: o revisionista Baccha Prasad Singh, também conhecido como Balraj.¹²
Balraj foi membro do Birô Político do Partido Comunista da Índia (Maoista) e dirigiu o Birô Regional Norte do Partido antes de sua prisão, em 2010. O Birô Regional Norte foi posteriormente dissolvido, em 2013. Depois de sair da prisão, Balraj exigiu ser reintegrado à função de responsável pelo Birô Regional Norte, embora tal estrutura já não existisse.
Quando lhe foi pedido que se apresentasse à direção de outra região e trabalhasse sob sua orientação, seu ego feudal foi ferido, e ele começou a conduzir atividades antipartido, liquidacionistas e conspiratórias. Recusou-se a passar à clandestinidade, apesar de ser membro do Birô Político, porque não estava disposto a proletarizar-se e enfrentar as dificuldades e sacrifícios exigidos de um revolucionário profissional.
Ele levantou falsos debates para ocultar seu próprio revisionismo e sua política de classe não proletária. Exigia a existência de dois comitês centrais: um Comitê Central aberto, encarregado de coordenar o trabalho urbano, e um Comitê Central clandestino, encarregado de coordenar o trabalho rural. Isso equivale, em essência, a negar o papel principal que o trabalho clandestino deve ter numa revolução.
Balraj e seus lacaios sustentavam que o modo de produção semicolonial e semifeudal era uma análise ultrapassada e que o capitalismo teria se desenvolvido em partes da Índia, como Punjab e Haryana. Com base nisso, afirmava que a linha da Guerra Popular Prolongada já não teria validade, porque a resolução da questão da terra não seria mais central para a Revolução Indiana.
Eles alegavam que o PCI (Maoista) se concentrava demasiadamente na linha militar e não dava atenção à construção de movimentos de massas. E, quando suas linhas começaram a ser derrotadas nas estruturas partidárias, passaram a dizer que não havia lugar para o debate dentro do Partido e começaram a reunir forças para tentar criar um Comitê Central paralelo.
Apesar das tentativas contínuas de unificar-se com ele e conduzir uma luta de duas linhas baseada nos princípios, Balraj se recusou a responder a qualquer uma dessas tentativas e deu prosseguimento às suas atividades liquidacionistas. Por fim, o PCI (Maoista) o expulsou em 2023.
Contudo, essa não foi a última sombra de Balraj dentro do Partido. Conforme noticiado no comunicado do CCN de 24 de janeiro de 2026, Balraj havia construído e cuidadosamente preparado uma rede de infiltrados, secretamente inseridos no Partido, para dar continuidade a suas atividades liquidacionistas em sua ausência. Isso segue os métodos conspiratórios de Lin Piao.
Lin foi vice-presidente do Partido Comunista da China. Apresentava-se publicamente como revolucionário, mas conspirava e criava frações secretas dentro do Partido, há portas fechadas, para usurpar a revolução. Balraj e sua rede de infiltrados seguem caminho semelhante, buscando usurpar secretamente o Partido a partir de dentro.
Esses liquidacionistas realizaram uma reunião secreta em 2023, na qual aprovaram uma resolução segundo a qual a unidade política e organizativa com as estruturas partidárias do Norte da Índia não seria de modo algum possível, e buscá-la seria uma atitude sem princípios.
O revisionismo de Balraj representa grande perigo para o Partido e para o campo revolucionário, mesmo após sua expulsão. Devemos manter a máxima vigilância para identificar e desmascarar tais elementos das classes dominantes no interior das organizações revolucionárias. Por isso, todos os oportunistas, liquidacionistas e revisionistas que levantam a cabeça hoje, especialmente no Norte da Índia, devem ser vistos como continuadores da linha política antipartido de Balraj.
Gopal Mishra, também conhecido como Raghu – lacaio de Balraj
Gopal Mishra, também conhecido como Raghu, era um ativista sindical que atuava em Déli. Em 2010, ele foi preso com sua esposa por uma equipe dirigida pela Célula Especial da Polícia de Déli, sob a acusação de ser secretário do Comitê Estadual de Déli do Partido.
Depois de sair da prisão, em vez de apresentar sua autocrítica ao reunir-se com os camaradas, continuou a realizar trabalho paralelo por conta própria, com base em suas compreensões políticas incorretas, e se uniu ao grupo de Balraj. Um representante do grupo de Gopal Mishra participou da reunião liquidacionista realizada em 2023, deixando cair suas máscaras.
Gopal Mishra e seu grupo, ecoando a linha de Balraj, recusam-se a aceitar que o caminho da revolução na Índia semicolonial e semifeudal é a Revolução de Nova Democracia por meio da Guerra Popular Prolongada. Em Déli, sua principal área de atividade – talvez “área de sabotagem” seja a expressão mais adequada –, eles têm ajudado o Estado ao interromper o trabalho das organizações revolucionárias e caluniar camaradas.
Eles classificaram o camarada G.N. Saibaba como ditatorial e autoritário e fizeram tudo ao seu alcance para isolá-lo, justamente porque ele sempre sustentou uma linha marxista-leninista-maoista firme e correta contra todas as formas de desvio. Empenharam-se para isolar o camarada Saibaba e sabotar o grande trabalho que ele realizava ao denunciar a guerra contra o povo. Adotaram a mesma postura contra todos os camaradas e simpatizantes que sustentaram e defenderam diante deles a correta linha MLM.
Seus integrantes participaram descaradamente da prática de tachar de vermelhas as organizações revolucionárias [Nota do Tradutor: red-tagging, é a prática de acusar organizações de vínculo com o PCI(Maoista)] e propagaram contra ações de agitação e propaganda conduzidas por organizações revolucionárias de Déli em apoio à Revolução de Nova Democracia em curso. Chegaram a ameaçar estudantes com graves consequências caso ingressassem em organizações revolucionárias de massas orientadas pela correta linha MLM.
Também construíram organizações paralelas em algumas universidades onde não existiam organizações revolucionárias, buscando desviar para si os estudantes simpáticos à política do MLM e da Revolução de Nova Democracia. Construíram igualmente organizações paralelas em áreas onde já existiam organizações de Nova Democracia.
Mas, apesar de suas táticas absolutamente desavergonhadas e desorganizadoras, tão comuns entre os liquidacionistas, o movimento revolucionário continuou a trabalhar segundo a correta linha marxista-leninista-maoista e continuará a fazê-lo, combatendo todos esses elementos OLR.
Seu grupo também oferece abrigo seguro a agentes do Estado e a pessoas expulsas de organizações de Nova Democracia, inclusive pessoas expulsas por assédio sexual e outras práticas contrárias às mulheres. Em dado momento, tornou-se relativamente comum que esses indivíduos praticassem atos contra as mulheres, que as estruturas revolucionárias das quais participavam tomassem as medidas cabíveis e definissem uma punição e, então, esses indivíduos corressem até Gopal Mishra, que os receberia de braços abertos.
Gopal Mishra, embora em palavras ainda alegue buscar unidade com o campo revolucionário, espalha calúnias contra a direção do movimento revolucionário em Déli. Mesmo depois da reunião liquidacionista, o comunicado do CCN afirma que foram feitos todos os esforços para conduzir a luta política com ele, buscar unidade e ganhá-lo para o lado revolucionário. Contudo, foi ele quem não deixou margem para tais esforços, recusando-se a encontrar qualquer camarada.
Suas atividades antipartido, desorganizadoras e liquidacionistas o tornam, como corretamente afirma o CCN em seu comunicado, uma ameaça ao movimento revolucionário não menor que Balraj.
Além disso, Gopal Mishra também esteve envolvido na arrecadação de recursos junto a simpatizantes revolucionários e massas em nome do Partido Maoista. Isso nada mais é que corrupção. Por um lado, ele se recusa a submeter-se à disciplina partidária, espalha calúnias liquidacionistas contra o Partido, sua direção e as organizações revolucionárias; por outro, procura as massas para pedir recursos em nome do Partido.
O revisionista degenerado sempre se rebaixa a práticas desse tipo. Pedimos aos simpatizantes e camaradas que não caiam em suas mentiras. O dinheiro e a ajuda que o movimento revolucionário recebe das massas são usados para fortalecer a revolução e servir aos interesses das massas. Os recursos desviados das massas pelas forças OLR serão inevitavelmente utilizados para fortalecer suas atividades contrarrevolucionárias e antipovo.
O delator e o revisionista – uma união feita no inferno
Prashant Rahi, que há muito tempo levantava suspeitas entre as organizações revolucionárias de Déli, inclusive em nossa própria revista, foi desmascarado no comunicado do CCN como agente do Estado e traidor. O camarada Saibaba, antes de falecer, havia transmitido aos camaradas que esse traidor estava envolvido em delações e na prisão de diversos camaradas no caso de Saibaba.
Mesmo antes de sua prisão, Rahi estava envolvido em atividades antipartido e contrarrevolucionárias, interferindo nos assuntos de outros estados, construindo organizações paralelas às organizações revolucionárias já existentes etc., razão pela qual foi submetido a medidas disciplinares.
Prashant Rahi circula utilizando sua imagem de preso político para imiscuir-se nos assuntos das organizações revolucionárias. Inclusive no caso de nossa revista, ele tentou diversas vezes nos tachar de vermelho [NT: novamente red-tagging, acusação de vínculo com o PCI(Maoista)]. Quando estudantes foram presos durante os protestos contra a poluição do ar em Déli, ele comparecia ao tribunal durante as audiências e levava à parte os pais dos ativistas – que já eram hostis à ideia de que seus filhos fizessem militância – para conversar separadamente com eles, o que também levantou suspeitas.
Apesar das inúmeras tentativas dos camaradas de alertar Gopal Mishra e sua camarilha para que não se relacionassem com Prashant Rahi e lhes informar que ele era um agente do Estado e delator, eles continuaram a associar-se a ele e a abrir-lhe espaço.
Prashant Rahi é, de fato, a face “revolucionária” do grupo de Balraj. Ele frequentemente percorre o país tentando utilizar sua imagem para conquistar legitimidade, que é então aproveitada pela quadrilha de Gopal Mishra e pelo restante do grupo de Balraj para obter legitimidade para si próprios.
Por isso, é perigoso que organizações revolucionárias lhe forneçam qualquer tribuna, pois isso lhe daria legitimidade diante das massas, que ele utilizaria para prosseguir suas atividades contrarrevolucionárias. Apelamos às organizações revolucionárias que, sem saber, possam ter-lhe dado espaço no passado para que não repitam esse erro.
Conclusão
A luta para fazer avançar a Revolução de Nova Democracia é inseparável da luta contra o OLR. Todo revolucionário deve seguir o caminho da transformação revolucionária contra o caminho da capitulação. A vitória na revolução somente pode ser alcançada por meio da luta contra as forças que tentam impedir o avanço revolucionário, incluindo tanto os inimigos externos quanto os internos.
Em 1924, o camarada Stalin afirmou:
“Nosso Partido conseguiu alcançar unidade interna e coesão sem precedentes em suas fileiras principalmente porque foi capaz, a tempo, de purgar-se da poluição oportunista, porque foi capaz de livrar suas fileiras dos liquidacionistas e mencheviques. Os Partidos proletários desenvolvem-se e se fortalecem depurando-se dos oportunistas e reformistas, dos social-imperialistas e social-chauvinistas, dos social-patriotas e social-pacifistas.”– J. V. Stalin¹³
Pedimos aos camaradas, às massas revolucionárias e aos simpatizantes que não deem nenhum espaço a Gopal Mishra e seus comparsas, incluindo Prashant Rahi, apresentado pelo comunicado do CCN como agente do Estado e delator, e que desmascarem, isolem e empreendam ação militante contra esses traidores antipovo.
Aos que procuram juntar-se ao circo liquidacionista de Balraj, Gopal Mishra e companhia, advertimos que corrijam seu rumo antes que seja tarde demais. Aos estudantes, jovens e pessoas que aspiram à Revolução de Nova Democracia, mas foram enganados por esses traidores e hoje participam das organizações paralelas criadas por eles para desviá-los, apelamos que se rebelem contra sua direção revisionista estabelecida e se incorporem às organizações revolucionárias genuínas, ou transformem essas organizações em organizações revolucionárias.
Há apenas um movimento revolucionário neste país, e todas as justificativas que eles apresentam para explicar porque suas organizações se encontram separadas das organizações revolucionárias existentes são mentiras destinadas a enganá-los.
Ergamos alto a bandeira vermelha do Marxismo-Leninismo-Maoismo e levemos adiante o movimento revolucionário. Travemos uma luta intransigente contra o Oportunismo-Liquidacionismo-Revisionismo, no espírito de Marx, Engels, Lenin, Stalin, Mao, Charu Mazumdar, Kanhai Chatterjee e de inúmeros outros comunistas que deram suas vidas pela causa de conquistar uma sociedade livre de exploração.
Notas
1. Charu Mazumdar. Por que devemos formar o partido agora? (1969).
2. Karl Marx. Manuscritos econômico-filosóficos de 1844. (1844).
3. Os comunistas também fazem parte desta sociedade; não lutam por um mundo melhor colocando-se acima dele. “Ninguém pode se colocar acima das classes em guerra, pois ninguém pode se colocar acima da raça humana.” (Bertolt Brecht, Pequeno Organon para o Teatro, 1949).
Para poder continuar a lutar pela transformação deste mundo, os comunistas devem lutar constantemente também para transformar a si próprios. O reconhecimento da persistência do sistema que enfrentamos e da necessidade de combatê-lo é incompleto sem o reconhecimento de que as ideias desse sistema são muito mais persistentes e difíceis de erradicar e, por isso, devem ser combatidas de modo ainda mais implacável.
É verdade que a transformação completa do indivíduo somente é possível mediante a transformação radical da sociedade; mas é igualmente verdadeiro que o indivíduo não poderá participar plenamente dessa transformação radical sem lutar conscientemente contra as concepções das classes exploradoras presentes em seu próprio interior. Caso isso não seja reconhecido, a passagem de camarada a renegado parecerá também um mistério.
Ver também: A compreensão básica do Partido Comunista, Partido Comunista da China, Instituto Norman Bethune, 1976; e A burguesia no interior do Partido sob o socialismo, de Qin Zhengxian, 1976.
4. V. I. Lênin. Questões controversas: um partido aberto e os marxistas. (1913).
5. Lenin travou uma luta aguda e prolongada contra os mencheviques e outros liquidacionistas para defender o caráter clandestino e subterrâneo do Partido Comunista, estabelecendo a relação dialética entre o trabalho legal e ilegal, que o Partido Comunista deve combinar habilmente, tomando o trabalho ilegal como principal. Para melhor compreensão, ver: Tony Cliff, Lenin 1: Construindo o Partido (1893–1914).
6. V. I. Lênin. Questões controversas: um partido aberto e os marxistas. (1913).
7. V. I. Lênin. Uma das questões fundamentais da revolução. (1917).
8. Mao Tsetung. Problemas da guerra e da estratégia. (1938).
9. Mao Tsetung. Sobre a guerra prolongada. (1938).
10. As declarações do NCC podem ser consultadas publicamente em redspark.nu.
11. Comunicado de imprensa oficial do NCC do CPI (Maoísta), datado de 28/02/2026.
12. Ver: “Exposing the Modern Revisionist Line of ‘Balraj’ and Lackeys as the Ideological Wing of Operation SAMADHAN-Prahar (Firmly Resolve to Forge the Path of NDR!)”, “Expondo a linha revisionista moderna de ‘Balraj’ e seus lacaios como a ala ideológica da Operação SAMADHAN-Prahar (Decididos a forjar o caminho da RDN!)”, da revista Nazariya. (2024).
13. J. V. Stalin. Capítulo VIII: O Partido. Fundamentos do leninismo. (1924).
Para leituras adicionais sobre a história e o presente do liquidacionismo no MCI, ver: Amit Bhattacharyya, Storming the Gates of Heaven: The Maoist Movement in India: a Critical Study, 1972–2014, Setu Prakashan, 2016; e Documentos do PCCh – O Grande Debate, volumes 1 e 2, Foreign Languages Press, Paris.
Por Rudra, integrante do Comitê Editorial da Revista Nazariya.

