Índia – Para além da declaração de Amit Shah: reveses, sobrevivência e o longo percurso da revolução

Índia – Para além da declaração de Amit Shah: reveses, sobrevivência e o longo percurso da revolução

Publicamos abaixo uma tradução não oficial para português do Brasil do artigo “Para além da declaração de Amit Shah: reveses, sobrevivência e o longo percurso da revolução”, veiculado pelo portal internacionalista O Arauto Vermelho a partir de texto enviado por um estudante progressista de Nova Déli. O artigo desmascara o fracasso do velho Estado indiano fascista bramânico-hindutva em sua Operação “Kagaar”, fragorosamente derrotado pelo Partido Comunista da Índia (Maoista), e refuta a fanfarronice do ministro do Interior Amit Shah, que alardeou que até 31 de março de 2026 a Índia estaria livre do “movimento naxalita”. Aplastando essa contrapropaganda reacionária, parte da guerra psicológica e da estratégia de guerra de baixa intensidade da reação indiana e mundial, o texto demonstra que a Guerra Popular dirigida pelo PCI (Maoista) segue viva e que o maoismo não foi liquidado “nem o da pena, nem o do fuzil”.

O artigo afirma que “a Guerra Popular na Índia continua” e desmascara a declaração de Amit Shah como tentativa desesperada de transformar propaganda em realidade: “o que a reação chama de ‘fim do naxalismo’ é apenas sua própria necessidade desesperada de proclamar uma vitória que não alcançou”. Ao mesmo tempo, combate a linha de rendição de Sonu-Satish-Devji, sustentando que os reveses não significam liquidação, mas impõem “fortalecer a luta contra o revisionismo e persistir no caminho de Naxalbari”.

Como se apresenta a Guerra Popular na Índia um mês após o velho Estado indiano declarar o fim do maoismo no país em 31 de março de 2026

No Primeiro de Maio de 2026, foram documentadas pichações revolucionárias em diferentes pontos de Déli, capital da Índia. Isso ocorreu um mês após o velho Estado indiano declarar o 31 de março como “Naxal Mukt Bharat: o fim do maoismo na Índia”. Em seu discurso diante da Lok Sabha – a Câmara Baixa do Parlamento bicameral da Índia – em 30 de março, o ministro do Interior da União, Amit Shah, exaltou a Operação Kagaar: a intensificação da prolongada guerra genocida do velho Estado indiano contra seu próprio povo, com o objetivo de esmagar suas lutas e limpar as florestas ricas em recursos naturais para a pilhagem por seus amos imperialistas. Essa operação, conhecida como a “solução final para o problema maoista”, teve início em 1º de janeiro de 2024 com o assassinato de Mangli, um bebê de seis meses, em Bastar, Chhattisgarh. Desde então, mais de cem mil efetivos paramilitares foram mobilizados para a região, junto a um número ainda maior de policiais, da Força de Segurança de Fronteira, da Guarda de Reserva Distrital, das unidades CoBRA e de outras unidades especiais de contrainsurgência. Durante os últimos 16 meses dessa operação, detenções ilegais de adivasis, bombardeios com morteiros e ataques aéreos, violência sexual e execuções a sangue-frio em supostos confrontos ceifaram quase mil vidas. Contratos de sangue, na forma de memorandos de entendimento, foram assinados com empresas como Mittal, Jindal, Tata, Essar, Posco, Vedanta e outras, para construir minas e estradas sobre os cadáveres dos adivasis. Essa pilhagem descarada de recursos e a caça às bruxas não apenas contra os revolucionários maoistas, mas contra todas as formas de dissidência que se colocam no caminho das corporações mineradoras e de suas ambições parasitárias, é aquilo de que o velho Estado indiano e Amit Shah se vangloriaram em nome do “crescimento econômico e desenvolvimento”, alegando ter acabado com o “naxalismo da pena e do fuzil” em 31 de março. Segundo dados do governo, cerca de três mil maoistas, incluindo alguns dirigentes importantes, renderam-se ao longo do último ano, enquanto muitos dos que se recusaram a depor as armas foram assassinados a sangue-frio. Alguns intelectuais também afirmam que o maoismo não acabou, mas mudou de forma: de um partido clandestino travando a Guerra Popular Prolongada para um partido legal. Mas até que ponto isso é verdade? É sequer possível que o maoismo “mude de forma” e se torne aberto? Como se apresenta a luta de classes na Índia um mês após o velho Estado indiano declarar o país livre da “ameaça maoista”? Estas são algumas das perguntas que tentaremos responder ao longo deste artigo.

Marxismo versus revisionismo: uma breve visão geral

O marxismo é a ciência das leis que regem o desenvolvimento da natureza e da sociedade. É a ciência da libertação do proletariado, que abrirá caminho para a completa libertação da humanidade. E, como afirmou Marx no Manifesto Comunista, isso não é possível sem “a derrubada violenta de todas as condições sociais existentes”. Somente uma luta armada organizada do povo pode derrubar o Estado altamente organizado que trabalha para a burguesia. Lenin reforçou isso em O Estado e a Revolução, enfatizando que “a supressão da burguesia pelo proletariado é impossível sem uma revolução violenta”. Mao desenvolveu isso, afirmando que “o poder nasce do fuzil”, insistindo que a revolução é inseparável da luta armada.

A revolução é um ato de violência e, portanto, não existe marxismo – muito menos maoismo – sem luta armada. Então, por que alguns maoistas rendidos falam de uma mudança em sua forma de luta, passando de uma forma principalmente ilegal para uma completamente legal, enquanto continuam afirmando aderir à linha revolucionária do marxismo-leninismo-maoismo?

Desde que o marxismo existe, ele esteve em luta, primeiro, contra o socialismo utópico e, posteriormente, contra o revisionismo. Os revisionistas são companheiros de viagem pequeno-burgueses da revolução que passaram para o campo da classe dominante. Reconhecem a exploração inerente à sociedade de classes, mas se recusam a se alinhar à revolução proletária, que lhes exigiria sacrifícios e os obrigaria a abandonar seus interesses de classe. Assim, embora se proclamem marxistas – porque o marxismo demonstrou ser a única ciência verdadeira para a libertação da humanidade –, fecham os olhos para o fato de que as contradições antagônicas só podem ser resolvidas por meio da guerra, e se voltam ao reformismo e à colaboração de classes. Grande parte da pequena burguesia passa para esse campo, especialmente em épocas de revés do movimento revolucionário, devido à natureza vacilante dessa classe. À medida que o povo em luta cresce ideológica, política e organizativamente sob a bandeira vermelha do marxismo, as classes dominantes tremem de medo ao ver se aproximar sua derrota histórica. Nesses momentos, os revisionistas distorcem o marxismo e o desviam de sua essência. É assim que os revisionistas ajudam e, por fim, caem no campo da classe dominante. A luta contra o revisionismo é, portanto, a luta das massas exploradas e oprimidas contra as classes dominantes. Por isso Marx travou uma dura luta contra Lassalle, Bakunin e os blanquistas, e Lenin refutou Bernstein e identificou os mencheviques – que defendiam um partido aberto – como a maior ameaça interna ao movimento. Lenin demonstrou nessa luta que insistir na transição ao socialismo por meios parlamentares pacíficos nada mais é que traição ao proletariado. Mao levou isso adiante na luta contra o revisionismo de Khruschov e Lin Piao. O levantamento de Naxalbari na Índia, dirigido pelo camarada Charu Mazumdar, foi uma luta não apenas contra os latifundiários e o velho Estado indiano, mas também contra o oportunismo do PCI e do PCI(M). Assim, a história do marxismo sempre foi a história da luta contra o revisionismo.

A crise no movimento revolucionário indiano e a luta do PCI (Maoista) contra a linha revisionista de rendição

Ainda hoje, o oportunismo-liquidacionismo-revisionismo continua assolando o movimento comunista indiano, e essa é precisamente a ameaça interna que ele enfrenta: maior que o ataque militar do inimigo sob a Operação Kagaar ou qualquer operação semelhante. A história nos ensina que existem duas linhas políticas paralelas que se contrapõem entre si pelo Poder político. Uma linha foi traçada por revolucionários comunistas como Marx, Lenin, Stalin, Mao, Charu Mazumdar, Kanhai Chatterjee, Basvaraju, Raju Da, Kosa Da, Renuka, Kishan Da, Hidma etc., enquanto a outra linha é traçada por traidores como Bernstein, Kautsky, Lin Piao, Prachanda, Sonu, Satish, Devji, Venugopal, Kobad Ghandy, Balraj, Prashant Rahi etc. Os defensores da segunda linha são agentes inimigos oportunistas que atacam a linha política proletária com o objetivo de enfraquecê-la e, posteriormente, aniquilá-la. A linha política correta só surge por meio da luta contra os elementos oportunistas e revisionistas. O PCI (Maoista) compreendeu que a camarilha Sonu-Satish-Devji, responsável por instigar a linha de rendição, deposição das armas e desintegração das fileiras revolucionárias em meio à campanha de cerco e aniquilamento contra o partido e o exército, não são amigos do povo. São traidores e agentes inimigos disfarçados de revolucionários.

Depois que Sonu fracassou em tornar o partido aberto e legal por meio de seu comunicado de imprensa e de suas declarações, entregou seu AK-47 ao representante fascista do BJP-RSS, o ministro-chefe de Maharashtra. Em uma entrevista a um importante jornal em inglês, Devji afirmou que seguia defendendo o marxismo-leninismo-maoismo e que trabalharia por meios legais para alcançar os objetivos políticos do partido. Ironicamente, também chamou Sonu de traidor, ao mesmo tempo em que prometia trabalhar para tornar o partido revolucionário aberto e legal e pedir ao governo que suspendesse a proibição que pesa sobre ele. Qualquer pessoa familiarizada com os fundamentos do marxismo-leninismo-maoismo compreenderá que o partido comunista não pode ser legal e aberto. A resposta do camarada Lenin à política de rendição convenientemente defendida por Devji é: “Quem se manifesta na imprensa legal contra a ‘clandestinidade’ ou a favor do ‘partido aberto’ simplesmente desorganiza nosso partido; a essas pessoas não podemos considerar senão como inimigos encarniçados do partido.” – camarada Lenin, no Relatório à Conferência de Bruxelas.

O medo, disse o camarada Marx, é a característica distintiva do oportunismo. Os camaradas Basavaraju, Raju Da, Kosa Da e Hidma enfrentaram essa mesma situação, mas escolheram tornar-se mártires da revolução. Para eles, sua política era mais preciosa que sua própria pele. Mas para pessoas como Sonu e Devji, essa não era uma opção; eles escolheram o liquidacionismo. Falando sobre os liquidacionistas, o camarada Lenin afirmou: “O liquidacionismo é um oportunismo que chega ao extremo de renunciar ao Partido. É evidente que o Partido não pode existir se inclui aqueles que não reconhecem sua existência. É igualmente compreensível que a renúncia à ‘clandestinidade’ nas condições atuais seja a renúncia ao antigo Partido.” Os povos do mundo haviam desmascarado Sonu e, portanto, para confundir as fileiras dos revolucionários, a classe dominante teve de lançar mão da figura de Devji. Assim como Sonu, o Partido Maoista também desmascarou Devji como inimigo encarniçado do proletariado e traidor de ordem ainda superior. Deixaram claro que Devji é outro Sonu, mas com revestimento revolucionário, e travaram uma aguda luta ideológica contra a linha de rendição, contra aqueles que queriam quebrar o partido da classe operária. Os revolucionários indianos reiteraram, uma vez mais, que ao longo de todo o período da Revolução de Nova Democracia, a luta armada será a forma principal de luta e o exército, a forma principal de organização. Todos os esforços nos movimentos de massas tornam-se inúteis se, em última instância, não servem à Guerra Popular para despedaçar as próprias estruturas da exploração do homem pelo homem.

Embora tenha declarado a Índia “livre de maoistas”, o imperialismo, afundado em crise, está cada vez mais inquieto e tenta usar a guerra psicológica contra a guerra revolucionária, buscando ainda forçar os revolucionários à rendição. Em meio a todos os obstáculos criados pela classe dominante, seus agentes e os elementos oportunistas-liquidacionistas-revisionistas, os revolucionários marcham adiante pelo caminho da Revolução de Nova Democracia – Socialismo – Comunismo. O Partido Comunista da Índia (Maoista) expulsou os traidores e segue pelo caminho da Guerra Popular Prolongada: o caminho traçado pelos bravos mártires. Portanto, embora o movimento maoista na Índia tenha sofrido enormes perdas, as três armas mágicas – o partido, o exército e a frente única – seguem existindo, travando uma luta aguda contra o oportunismo-liquidacionismo-revisionismo e sustentando bem alto a gloriosa bandeira do marxismo-leninismo-maoismo.

A Guerra Popular na Índia continua!

Se caíres
no crepúsculo de uma tarde,
deves cair como um sol,
e atrás de ti milhares de estrelas cadentes.

Em 13 de abril, Rangaboina Bhagya, conhecida como camarada Rupi, recusou-se a se render diante do velho Estado indiano fascista bramânico-hindutva e entregou sua vida em um confronto em Kanker, Chhattisgarh, sustentando a linha revolucionária da luta armada. Ela era comandante do Exército Guerrilheiro Popular de Libertação (EGPL). Rupi era uma integrante de Comitê de Área do PCI (Maoista), de 46 anos, que havia deixado sua aldeia no distrito de Siddipet, em Telangana, para servir como revolucionária profissional em tempo integral aos 24 anos. Após seu martírio, o velho Estado indiano reteve seu corpo por 48 horas antes de entregá-lo. Milhares de pessoas participaram de seu funeral em sua cidade natal, Telangana, marchando e entoando palavras de ordem de glória à Guerra Popular e à sua heroína tombada, Rupi. Os camponeses entoavam “Bhagya (Rupi) é imortal”, e faixas foram penduradas por toda a aldeia em homenagem a Rupi. Ela se recusou a trair a revolução e entregou sua vida, permanecendo para sempre imortal nos corações do povo. Sua vida e seu fim servem como testemunho ou metáfora de que o espírito da revolução ou do maoismo jamais pode ser desfeito.

Dois dias depois, em 15 de abril, as forças de segurança do velho Estado cercaram o membro do Birô Político maoista Misir Besra e seu destacamento na floresta de Saranda, no distrito de West Singhbhum, em Jharkhand, a partir de informações fornecidas por capangas do Comitê Tritiya Prastuti (TPC). O TPC é uma milícia criminosa reacionária, dissidente e apoiada pela polícia, que opera em Jharkhand e serve aos interesses do velho Estado indiano, dos empreiteiros, do capital minerador e das elites locais, dividindo o povo oprimido por linhas de casta, praticando extorsão, trabalho de informante e contrainsurgência contra as forças revolucionárias. No fogo cruzado entre os maoistas e as forças armadas do velho Estado em Saranda, ao menos seis integrantes da CoBRA ficaram feridos, segundo dados do governo – o que significa que o número real pode ser maior –, e o destacamento de Misir Besra retirou-se daquele local. Esse incidente ecoou a palavra de ordem da Guerra Popular Prolongada através das densas florestas de Jharkhand e por todo o mundo, demonstrando que o maoismo está vivo e se recusa a se render diante do inimigo. Como nada obtiveram da operação, o velho Estado indiano, desesperado e tomado de pânico, reagiu à derrota disfarçando os quatro capangas do TPC – que haviam fornecido as informações – de maoistas e assassinando-os em um falso confronto em Chatra, Jharkhand.

Recentemente, em 2 de maio, durante a operação estatal de dominação de área, quatro integrantes da Guarda de Reserva Distrital – o exército contrarrevolucionário dos maoistas rendidos – morreram na explosão de um artefato explosivo improvisado (IED) na fronteira entre Kanker e Narayanpur, na região de Bastar, em Chhattisgarh.

À medida que se agudiza a crise do imperialismo, o povo em todo o país sai às ruas e luta de forma militante. Em Sijimali, Odisha, os adivasis vêm organizando vigílias contínuas de 24 horas nas colinas, protestos, bloqueios de estradas e acampamentos de resistência em suas florestas para impedir a tomada ilegal de suas terras pela Vedanta para a mineração de bauxita. Em abril deste ano, mulheres se colocaram na linha de frente com machados nas mãos para deter a construção da estrada ligada ao projeto minerador.

Nos distritos de Panna e Chhatarpur, em Madhya Pradesh, comunidades adivasis e camponesas resistem ao projeto de interligação dos rios Ken e Betwa, que submergiria aldeias, deslocaria milhares de famílias e destruiria a floresta. Os moradores dessas aldeias ocuparam estradas e postos de controle florestais, paralisaram as obras, organizaram concentrações de massas, mantiveram acampamentos de protesto durante toda a noite e se recusaram a ser evacuados. Centenas de mulheres realizaram o Chita Andolan – protesto da pira funerária –, deitando-se sobre piras simbólicas para mostrar que o deslocamento equivale, para elas, a uma sentença de morte. As mulheres que participaram desse protesto declararam que tomarão as armas e se unirão aos naxalitas se a Vedanta não recuar. Em Noida, milhares de trabalhadores industriais protestaram por salários mais altos e melhores condições de trabalho. Esses trabalhadores bloquearam rodovias e estradas industriais, paralisaram zonas fabris, ocuparam cruzamentos, enfrentaram barricadas policiais, lançaram pedras, incendiaram veículos e danificaram propriedades da empresa e da polícia. Tamanho foi o terror do velho Estado indiano diante dos trabalhadores ultrapassando os estreitos limites do sindicalismo legal e assumindo uma luta militante que, apenas algumas semanas após declarar o país “livre de naxalitas”, começou a ver o espectro de Naxalbari nesse protesto dos trabalhadores de Noida. Fiel à sua natureza fascista compradora, o velho Estado respondeu a todos esses protestos com repressão brutal. Em 1º de maio, Dia Internacional dos Trabalhadores, pichações revolucionárias em defesa do marxismo-leninismo-maoismo foram documentadas em diferentes pontos da capital, Déli. Essas pichações também incluíam a palavra de ordem “Ghar Ghar Se Hidma Niklega”, reiterando que os revolucionários não morrem, multiplicam-se!

Tudo isso demonstra não apenas que o PCI (Maoista) se recusa a se curvar diante do inimigo e segue travando a luta armada, mas também que a fé do povo nele permanece viva. As chamas de Naxalbari continuam ardendo por toda a Índia, e o velho Estado indiano fracassou miseravelmente em sua “guerra final” contra o movimento revolucionário. As afirmações de triunfo contra o PCI (Maoista) feitas pelo ministro do Interior da União, Amit Shah, em 30 e 31 de março ficaram, portanto, desmentidas.

Exércitos derrotados aprendem bem!

“Que os liberais e intelectuais apavorados desanimem após a primeira batalha verdadeiramente massiva pela liberdade, que repitam como covardes: não sigam por onde já foram derrotados antes, não voltem a trilhar esse caminho fatal. O proletariado consciente de classe lhes responderá: as grandes guerras da história, os grandes problemas revolucionários, só foram resolvidos porque as classes avançadas voltaram ao ataque uma e outra vez; e alcançaram a vitória depois de aprender as lições da derrota. Exércitos derrotados aprendem bem. As classes revolucionárias da Rússia foram derrotadas em sua primeira campanha, mas a situação revolucionária permanece. Sob novas formas e por outros caminhos, às vezes muito mais lentamente do que desejaríamos, a crise revolucionária aproxima-se uma vez mais, amadurece novamente. Devemos levar adiante a tarefa prolongada de preparar massas maiores para a crise revolucionária; essa preparação deve ser mais séria, levando em consideração tarefas mais elevadas e concretas; e quanto mais exitosamente cumprirmos essa tarefa, mais certa será nossa vitória na nova luta.”

– Camarada Lenin, O ano da reação

A crise que o movimento revolucionário indiano enfrenta hoje não é nova para o comunismo. O movimento revolucionário russo enfrentou crise semelhante após 1905. O Estado czarista havia intensificado a repressão e o terror contrarrevolucionário, enquanto dentro do movimento do partido emergiram o oportunismo-liquidacionismo-revisionismo, com alguns elementos buscando abandonar o trabalho revolucionário clandestino em favor do legalismo e da adaptação às estruturas parlamentares burguesas. Havia falta de coordenação centralizada entre os comitês. Os bolcheviques superaram isso lutando contra a linha do oportunismo-liquidacionismo-revisionismo e reconstruindo um partido disciplinado, clandestino, ideologicamente unido, baseado no centralismo democrático e enraizado na luta de classes. Assim, em pouco mais de uma década, as mesmas forças que haviam sido declaradas esmagadas e derrotadas retornaram com maior força, varreram o czarismo e o domínio burguês por meio das Revoluções de Fevereiro e Outubro de 1917, e abalaram os fundamentos do mundo.

Os reveses em um movimento revolucionário não são interrupções acidentais, mas parte normal do desenvolvimento histórico impulsionado por contradições. A mudança social não avança em linha reta e sem obstáculos; ao contrário, o desenvolvimento se dá por meio de conflitos, retrocessos, rupturas e saltos. Todo movimento revolucionário contém contradições internas entre forças avançadas e atrasadas, linhas políticas corretas e incorretas, organização e espontaneidade, bem como contradições externas com as classes dominantes e o Estado. Um revés pode enfraquecer temporariamente o movimento, mas também expõe debilidades, põe à prova linhas políticas, elimina elementos instáveis e desenvolve ainda mais o movimento revolucionário ideológica, política e organizativamente. Derrotas e reveses temporários tornam-se momentos por meio dos quais o movimento revolucionário se transforma e prepara as condições para avanços futuros.

O movimento comunista indiano enfrenta hoje uma situação semelhante à que os bolcheviques enfrentaram após 1905. Os revolucionários indianos podem estar hoje em uma posição débil, mas essa debilidade não tem caráter estratégico; estrategicamente, seguem a linha política correta e, portanto, a lei da ciência explica que se levantarão para destruir as três grandes montanhas – o imperialismo, o capitalismo burocrático comprador e o feudalismo – que esmagam o povo desse país e do mundo. A razão desse revés temporário não é a repressão estatal, mas os elementos oportunistas-liquidacionistas-revisionistas no interior do movimento revolucionário, e uma luta contínua vem sendo travada contra eles. O partido do proletariado é como um organismo vivo, que preserva e fortalece sua vitalidade revolucionária por meio da constante regeneração de suas células. Para o movimento revolucionário indiano, as ideias errôneas derrotadas na luta de duas linhas e os oportunistas-liquidacionistas-revisionistas que tentaram tornar o partido aberto são como células sanguíneas mortas que foram eliminadas, enquanto o corpo do partido vive para desenvolver e fazer avançar a luta pela libertação. A Guerra Popular no país continua, e continuará, pelo caminho traçado por Marx, Engels, Lenin, Stalin, Mao e pelos numerosos mártires do movimento revolucionário indiano, até que as massas exploradas e oprimidas afoguem o Estado fascista no sangue que ele derramou e alcancem a vitória. O sangue dos combatentes populares tombados nutrirá a Guerra Popular!