Nota do blog: Publicamos tradução de um artigo publicado pelo periódico turco Yeni Demokrasi sobre o martírio de diversos dirigentes maoistas na Índia, entre eles o Camarada Basavaraj e o Camarada Sudhakar.

Turquia: Nossa Estrela Polar é uma só!
Os dias andam pesados. Os dias chegam com notícias de morte. Os mais belos mundos, queimamos com nossas próprias mãos e, em nossos olhos, perdemos as lágrimas, deixando-nos um pouco tristes e firmes, nossas lágrimas se foram, e, por conta disso, esquecemos de perdoar... O destino será alcançado coberto de sangue. E a vitória, quando nada mais for passível de perdão, será arrancada e conquistada com a ponta das unhas… – Nazım Hikmet
O Secretário-Geral do Partido Comunista da Índia (Maoista), Camarada Basavaraj, depois o Camarada Sudhakar e tantos outros… Agora, que o mundo inteiro pare por um minuto e saúde nossos camaradas. E que volte a girar, pois de todo modo assumiremos o leme.
Estamos sob o mesmo céu, mesmo que separados por 5.300 quilômetros: nossa Estrela Polar é uma só! Tensionamos nossos arcos para nos tornarmos flechas de fogo que perfurarão o peito do capitalismo imperialista. Os corações de todos os maoistas e revolucionários também batem pela Índia.
Estapeamos toda a história na face daqueles que usam “maoista” como insulto. Temos uma história diante da qual até os cegos e surdos se assustam um pouco, sentem certa inveja, mas, no fim, são obrigados a respeitar. São os maoistas que se rebelam contra o revisionismo em todo o mundo. Que aqueles que hoje levantam bandeiras brancas, conclamam o povo a tomar o lado dos soberanos, e dizem que “o socialismo acabou”, saibam muito bem: os maoistas seguem em combate.
Os Partidos Comunistas contribuem ao Movimento Comunista Internacional dirigindo as revoluções em seus próprios países. Nós também temos o dever de dirigir a revolução em nosso país. Essa é, antes de tudo, nossa responsabilidade internacional na Revolução Proletária Mundial.
O maoismo nos dá milhares de experiências que demonstram a importância do vínculo entre a direção e o povo. A Revolução Chinesa é nossa experiência mais avançada. A Grande Revolução Cultural Proletária acendeu o pavio das Guerras Populares na Índia, no Peru, nas Filipinas e em nosso próprio país. O Camarada Mao chamou o povo de “a força motriz da história universal” e afirmou que o êxito só é possível com o apoio das massas.
Nossos camaradas na Índia demonstram, de forma bastante clara, o vínculo que os pioneiros comunistas estabelecem com as massas. Um vínculo simples, paciente e contínuo, mas também impressionante, poderoso e inquebrantável.
Os maoistas não se limitam a dirigir os povos apenas teoricamente, mas também integram a teoria à prática com o povo. Sabem como se integrar com o povo, como guiá-lo como um maestro conduz sua orquestra. Um verdadeiro maoista entende que a Guerra Popular não ocorrerá “sem o povo”, e age com base nisso. Hoje, a Guerra Popular na Índia reafirma: os maoistas se apoiam nas massas com profundo senso de dever!
O exemplo de Lalgarh nos ensina muito. Por que Lalgarh? Expliquemos com as palavras do Camarada Purnendu Sekhar Mukherjee:
“O movimento de Lalgarh demonstrou que a política maoista não se resume a uma batalha por meio da luta armada para tomar o governo do Estado. O caminho de Naxalbari é construir um sistema socioeconômico alternativo, erguido pelo próprio povo. Esse sistema não é moldado pelas exigências do capital internacional, mas sim pelas necessidades locais e as ideias do povo. O desenvolvimento deve ocorrer de acordo com a vontade e as necessidades do povo, e não por imposições externas.”
Sabemos que o progresso não ocorrerá em um caminho apartado das massas, e que não pode haver avanço na revolução sem a integração com as massas. Não é, de forma alguma, uma coincidência que, hoje, dezenas de milhares participem dos funerais dos nossos camaradas na Índia; que o povo participe das organizações, contribua na gestão do processo, trabalhe abnegadamente, e que todos os setores do povo tenham entregado seus corações a essa causa.
Essa é a vitória do maoismo, especialmente dos maoistas indianos. As massas encontram-se no Partido Comunista, o protegem como um bem precioso e o desenvolvem. Essa é também a realidade indiana: as massas, sob direção do Partido Comunista, viram as luzes da libertação.
A luz se funde ao fogo. Queimamos, fomos queimados. Não só os nossos corações arderam – nossa consciência também. A luz cresceu, brilhou mais e iluminou mais fundo. Aos que se alegram com a morte de um de nós pelo fogo: saibam que nos tornamos o próprio fogo na consciência do povo. Nossa força e nossos sonhos rugem na tocha empunhada pelas mãos do povo.
E o fogo nunca foi tão carregado de significado desde quando foi descoberto. Ser o fogo, estar em chamas e incendiar é parte do que somos. Num hotel em Sivas, numa casa adivasi em chamas, no corpo sem vida de Basavaraj em Narayanpur; no alto de uma montanha em Dersim, num coquetel molotov contra o inimigo, numa bala pronta para ser disparada… Mas, como dissemos: somos o fogo – quer sejamos a chama, quer sejamos os queimados. Naxalbari, temperada em fogo, jamais se quebrará!


