Nota do blog: Publicamos tradução não oficial, inédita para português do Brasil, do documento de balanço organizativo interno do Partido Comunista do Peru (PCP) de sua III Conferência Nacional – realizada em julho de 1983, em meio às tormentas revolucionárias da Guerra Popular no Peru –, na qual examinou-se a aplicação da Primeira Campanha de Conquistar Bases e apresentou-se o novo Plano de Conquistar Bases de Apoio.
Na primeira parte do documento, avaliam-se as ações da Primeira Campanha como contundente resposta às forças repressivas do velho Estado peruano e “um golpe político, militar e econômico contra a reação”. Em seguida, trata-se da reorganização do Partido e do problema de desenvolvimento do poder, especificando a construção dos órgãos do Novo Poder (Comitês Territoriais, Comitês Populares, Frente de Desenvolvimento da Revolução Popular, Assembleias, etc.), do Exército Guerrilheiro Popular (EGP) e de sua instrução ideológico-política e militar para organizar, produzir e combater, como também de outros aspectos da organização da vida das massas, por exemplo, a produção, o comércio, a Educação e a Saúde, tudo isso sob a direção do Partido, que “será a espinha dorsal do Exército e o sustentáculo do novo Estado”.
Na segunda parte, destaca-se a importância de “combater a negligência em relação ao político e ideológico” atentando-se às Cinco Necessidades: Centralismo Democrático, Clandestinidade, Disciplina, Segredo e Vigilância. Também trata-se do problema da construção política e militar do EGP, do adestramento, da voz de comando e do valor inestimável da disciplina e da organização. Com base nos aportes de Lenin e do Presidente Mao, destaca-se a Milícia Popular como “o instrumento-chave para conjurar a restauração”, pois “um exército independente, apartado do povo, pode usurpar o poder”. Ademais, ressalta-se a necessidade de “desenvolver o trabalho político para construir a unidade operário-camponesa” e que, “no campo, o problema é desenvolver a guerra camponesa dirigida pelo Partido para constituir Bases de Apoio”.
Por fim, há uma magistral intervenção do Presidente Gonzalo, Chefatura do PCP e da Revolução Peruana, em que pontua que a fonte dos inúmeros problemas enfrentados na frágua da Guerra Popular “está no nascimento, no desenvolvimento, no embate do novo”, que cada problema “é uma contradição que, por meio de unidade e luta, gera o novo”, e que “quem quer o novo, quer os problemas novos e deve querer resolvê-los”. “Por isso, quem quer um mundo novo, quer a luta armada e a Guerra Revolucionária, pois é a única maneira de resolver o problema da conquista de um mundo novo.” Também aponta que é impossível marchar rumo ao Comunismo “sem um grande custo histórico… e sem derramar sangue”, o que “é simplesmente parte da cota de sangue e do sacrifício que medimos historicamente em função da meta que estamos cumprindo”. Posteriormente, destaca que, dentre as muitas verdades do marxismo, “uma delas é fundamental e, se quisermos, resume toda a nossa concepção”: que “A rebelião se justifica”, que “Rebelar-se é justo”, frase que condensa a história das massas e que é por elas entendida perfeitamente: “As massas entendem isso muito bem. Não se pode enchê-las com grandes concepções que só as confundem; a elas, devemos transmitir grandes verdades”.
Este documento trata, portanto, de aspectos fundamentais para a formação política e ideológica de todos os comunistas e revolucionários, da forja combatente daqueles que querem um mundo novo e, logo, querem a luta armada, a guerra camponesa revolucionária, a Guerra Popular dirigida pelo destacamento de vanguarda da classe operária, o Partido Comunista guiado pela todo-poderosa ideologia científica do proletariado internacional, o marxismo-leninismo-maoismo, principalmente maoismo, com os aportes de validez universal do Presidente Gonzalo.
Equipe Editorial
Servir ao Povo

III CONFERÊNCIA NACIONAL DO PARTIDO COMUNISTA DO PERU
Julho de 1983
“Quem não teme morrer cortado em mil pedaços, se atreve a despedaçar o imperador.”
“A rebelião se justifica.”
AGENDA (duas partes)
- Balanço da aplicação da Primeira Campanha de Conquistar Bases.
- Ações da Primeira Campanha.
- O cumprimento das quatro tarefas.
- Perspetiva e desenvolvimento do Comitê.
- O novo Plano de Conquistar Bases de Apoio.
- Contexto nacional e internacional.
- Desenvolvimento das quatro tarefas.
- Segundo Plano de Conquistar Bases de Apoio.
INTRODUÇÃO
“Em nome da Direção Nacional, saudamos os camaradas que cumpriram a Primeira Campanha; estendemos aos camaradas presentes, e a cada um individualmente, e através de vocês aos dirigentes ausentes, aos quadros do Partido e aos militantes, nossa fervorosa saudação revolucionária a todos os membros combatentes do Exército Guerrilheiro Popular; assim como saudamos com o mais alto reconhecimento o nosso povo, o nosso campesinato pobre, que será cada vez mais a ‘Muralha de Bronze’ da qual nos falou o Presidente Mao.
“Saudamos nosso proletariado, nossa classe revolucionária, da qual somos seu próprio sangue; essa classe cujos interesses servimos, sendo membros do Partido Comunista. Todos devemos gravar isso profundamente na alma, e cada um de nós deve assimilar cada vez mais que servimos aos interesses do proletariado, pois, do contrário, não seríamos comunistas. Se empunhamos as armas, é para a glória e a serviço do proletariado, e desse processo de luta surgirá a nova classe dirigente, através de nosso Partido.
“Não podemos deixar de saudar jubilosamente a forma como nosso povo apoia nossa luta armada e vibra com as ações. É isso que recebemos, o calor vibrante do nosso povo, que nos permite avançar e continuará nos permitindo fazê-lo.
“Saudamos o proletariado internacional, cuja vigência é produto da luta invencível do marxismo-leninismo-maoismo; em síntese, do marxismo, sem o qual não há luz sobre a terra. Saudamos as lutas de todos os povos da terra, dos milhões e milhões de seres que lutam e que, para nossa alegria, são cada vez mais numerosos. O que estamos vendo no mundo é a expressão das massas que disseram ‘Basta!’ e se levantaram para combater e lutar como nunca antes.
“Concluo esta saudação, em nome da Direção do Partido e em meu próprio nome, expressando mais uma vez aos camaradas nossa mais profunda e fervorosa saudação comunista.”
I. BALANÇO DA APLICAÇÃO DA PRIMEIRA CAMPANHA DE CONQUISTAR BASES DE APOIO
“As coisas do mundo são complexas e são decididas por diversos fatores; devemos examinar os problemas sob diferentes aspectos, e não apenas um.”
“É sabido que, ao realizar qualquer coisa, a menos que compreendamos as circunstâncias reais, sua natureza e suas relações com outras coisas, não conheceremos as leis que as regem, nem saberemos como agir, nem poderemos alcançar um desfecho bem-sucedido.”
1. Ações da Primeira Campanha
O problema de como a ação foi conduzida. Devemos observar os cinco pontos para a preparação da próxima Campanha:
- Movimento Político. Na preparação, o segredo militar foi revelado. Hoje, estamos nos mobilizando com a Terceira Conferência Nacional.
- Retirada do Exército Vermelho e do povo. Retirada para onde?
- Abastecimento. Deve estar bem planejado.
- Recrutamento. Não obrigar. Promover a incorporação frente a deserção. Oferecer possibilidades de recuperação para aqueles que possam se tornar traidores devido a pensamentos de capitulação.
- Medidas contra agentes infiltrados no Partido. Reeducar ou decapitar? Se for a última opção, deve-se manter silêncio.
Foi um golpe certeiro contra a reação; mais uma vez, a pegamos dormindo. A luta contra o reestabelecimento se deu e as respostas são analisadas em três partes.
A resposta se concentrou na luta contra o reestabelecimento, o que lhes desferiu um duro golpo político e militar. Político, porque destruímos o seu velho poder local. Militar, porque aniquilamos suas mesnadas1 (utilizaram gamonais2).
Houve repercussão nacional e internacional. Destruímos seu plano de fortalecer o gamonalismo3 através do uso de suas mesnadas, tendo como coluna vertebral as Forças Policiais.
A resposta foi dada em três partes. No Comitê Regional do Centro e no Comitê Metropolitano, houve luta; manejamos o fustigamento, a sabotagem e utilizamos o Exército Guerrilheiro Popular.
Por que não foram desferidos golpes mais contundentes? Principalmente devido à falta de reconhecimento. Além disso, no desenvolvimento da Guerra de Guerrilhas de movimentos, um problema foi identificado: temos certa relutância em confrontar as forças inimigas para aniquilá-las. Talvez isso também se deva ao fato de que o inimigo chegava e partia rapidamente (realizavam pequenos cercos).
Portanto, é necessário romper com essa indefinição. É preciso avançar para o aniquilamento.
Tudo isso ocorreu dentro de um manejo magistral da situação política pelo c. Gonzalo; as ações foram preparadas com base na viagem de Belaúnde, e os acontecimentos representaram um golpe político, militar e econômico contra a reação. Houve repercussões nacionais e internacionais, resultando em total desprestígio do partido do governo (AP) (Luisiana, La Raya, Allpachaca, Cusco, AP – Lima – DICOTE). É Guerra de Guerrilhas de movimentos. A resposta a Uchuraccay foi Bayer.
O Partido deu o salto; o problema agora é cuidar da pele.4 Plano Complementar: as ações foram de baixo nível.
(PROBLEMAS)
RENEE novamente questiona o Partido, diz que o Partido é revisionista, mas no final fez autocrítica (assinala que o c. Gonzalo está aburguesado). Ele planteia um novo poder, uma nova Direção e cooptação de dirigentes, não o poder único do c. Gonzalo.
Na prática, a Direção sujeitou-se ao Plano de Direção no que diz respeito à luta; o problema é que ainda se continua negando a abertura de Bases de Apoio e há um menosprezo pelo aspecto militar. A Chefatura é quem dirige o rumo dos acontecimentos.
2. O Cumprimento das Quatro Tarefas
Na reorganização do Partido, analisam-se os planos de reconstrução, que são seis:
- Ideológico.
- Político.
- Organizativo.
- Direção.
- Luta de duas linhas.
- Trabalho de massas.
O Partido será o eixo de tudo. Será a espinha dorsal do Exército e o sustentáculo do novo Estado. O Partido dirige tudo.
Devemos incorporar mais militantes do campesinato ao Partido.
A Célula Territorial deve ter Responsável e Sub-responsável; Secretário e Subsecretário, nove militantes. Tem sob sua responsabilidade a luta de classes de massas, isto é, através dos Organismos Gerados.
Exemplo: papel militar e poder; formar Bases de Apoio, Células.
A Célula do Comitê de Célula dirige a luta de classes e tem sob sua responsabilidade vários Comitês Populares coordenados; dirige as forças locais. Tem um Primeiro Responsável.
Como se forma um Comitê Popular? São designados dois comunistas do Partido como Secretários ou Comissários de Segurança. Têm a função de forjar novos militantes comunistas, administradores e mandos militares.
Construção do Exército Guerrilheiro Popular: deu-se um grande salto ao passar de massas desorganizadas para massas organizadas e armadas. Até agora, não formamos sua direção, e devemos fazê-lo; direção do mando político, do mando militar, das Companhias e das Células (quatro militantes). Devemos dar o salto até o nível de Companhias e formar sua direção.
Temos que nos preocupar com a instrução ideológico-política. A instrução militar é realizada duas vezes por semana. A instrução deve apontar para:
- Organizar o movimento de massas.
- Produzir.
- Combater.
Sua organização está nessas três forças que devem ser vistas como uma única unidade; assim, superaremos erros anteriores, nos quais não houve coordenação.
Frente de Desenvolvimento da Revolução Popular: “O poder se conquista com a violência e se mantém com a ditadura” (Mao). Devemos fortalecer ainda mais, devemos mobilizar os 90%. Esta Frente é a chave, e seu estabelecimento é a base da aliança operário-camponesa e da pequena burguesia; tudo isso sob a direção do Partido.
Ter bem em conta o problema do desenvolvimento do poder. O problema de massas se resume, por enquanto, à construção do poder. O principal é que sabemos o que as massas sofrem e quais são suas reivindicações; a questão agora é como mobilizá-las através da ação armada para tomar o poder. Nesse sentido, durante esta etapa, devemos:
- Prestar profunda atenção aos interesses das massas e, portanto, desenvolver a produção.
- Preocupar-nos com o problema do comércio, da troca. A troca não é uma novidade, o que precisa ser feito é desenvolvê-la.
Devemos ver o problema da arreragem,5 como base do cerco econômico. Sobre essa atividade, temos uma ideia concreta desde a investigação realizada em 1979 em Andahuaylas e Cangallo; para ela são necessárias pouquíssimas pessoas e o sal está em toda a serrania.6
Controlar o comércio traz vantagens, mas se o novo Poder proibisse o comércio, limitaria boa parte das atividades da pequena burguesia na zona.
Como devemos organizar a vida das massas? Temos que manter a clandestinidade; nesse sentido, os cinco Comissários são fundamentais no trabalho de massas. Por outro lado, dizer Comissário significa militante comunista e é, portanto, renovável a qualquer momento; não há cargos próprios porque isso gera burocracia. Atualmente, não há um tempo limite para as atividades dos Comissários.
Quanto maior o número de organismos, maiores os problemas. Devemos ter em conta o primeiro, segundo, terceiro nível e o organismo gerado popular, que têm a ver com o progresso regular da luta de massas e do organismo popular.
Quanto à luta de classes, temos que vê-la ligada às Assembleias e preocupar-nos mais com o campesinato pobre, e que o Movimento de Camponeses Pobres não marche sozinho.
Uma massa camponesa apenas revoltada não é suficiente; uma massa é invencível quando está organizada; uma massa é frágil quando não está organizada.
A luta armada certamente não é uma cobertura que justifique descumprir as outras tarefas; devemos resolver tudo acertadamente, dando o máximo de nós mesmos.
Já planteamos que as Assembleias, baseadas nos organismos gerados, são o embrião da República de Nova Democracia, e sua criação deve seguir três direções:
- Condução.
- Direção.
- Organização.
Sobre a Educação: A norma é educação e trabalho; devemos educar não apenas as crianças, mas também os adultos. O critério ideológico que orienta a educação deve ser o marxismo-leninismo-maoismo.
Vemos como o Governo está abandonando o campesinato, então devemos preencher esse vazio. Em primeiro lugar, devemos ensiná-los a ler e escrever em espanhol, nada de quéchua; isso deve ser visto em perspectiva.
A educação merece nossa atenção especial, pois é um campo que a reação está nos entregando de bandeja. Devemos ensinar a História do Partido (sua constituição e reconstituição), os dois Poderes, explicar as ações, ensinar as operações e a planificá-las; as quatro operações aritméticas, tudo o que se chama natureza, sobre as classes sociais; ensinar o marxismo-leninismo-maoismo, Pensamento-Guia; ensinar nossa maneira de ver o mundo, que está nas mãos dos homens e será transformado por eles. Ensinar que existem duas histórias: a história do povo, que é indeclinável e jamais se deixará submeter, e a outra história, a dos vice-reis, que deve ser desmascarada.
Ensiná-los a trabalhar; eles têm que estudar e trabalhar; ensinar que o trabalho é digno, que mãos calejadas não são uma infâmia; explicar que há operários que são, em sua maioria, de origem camponesa.
Ensiná-los a manejar armas, a saber defender-se e cumprir missões; contar as experiências do assalto ao Posto de Vilcashuamán.7 Falar sobre a necessidade de trabalhar todos unidos para destruir a reação; aos mais velhos, plantear o problema agrário e a arte de como golpear o inimigo para derrotá-lo.
Devemos ter em conta que se semearmos nas mentes que estão florescendo, quem poderá enganá-las? Essa tarefa é fundamental e não tem nada de difícil, vamos fazê-la.
Ter em mente que tudo isso é em função da guerra popular e em defesa do povo.
É importante não recusar que celebrem suas cerimônias tradicionais, que o façam; mas bem, há que explicar a importância de datas como o 7 de outubro de 1928, o 3 de dezembro, dia do Exército Vermelho, o aniversário do c. Gonzalo, o nascimento de Mao, etc.
Não se deve lhes falar dos desertores, delatores, traidores, etc.
Conquistemos as mentes da gente do povo e elas agirão conforme as ideias que forem nelas impressas. É por isso que na educação devemos insistir na ideologia; explicar por que agimos, o que é o Partido, a classe e a necessidade de nos basearmos em nossos próprios esforços.
Quanto à Saúde, o herbolarismo8 e o kit de primeiros socorros são fundamentais; no primeiro, somos imensamente ricos. Precisamos desenvolver ações massivas de saúde nas áreas camponesas sob controle. Todo o problema de saúde dos países atrasados está relacionado a doenças estomacais e respiratórias. Para vencer a tuberculose, é imprescindível uma boa alimentação.
É importantíssimo que cuidemos de nossos militantes médicos.
Temos que formar Centros de Resistência centrando-nos no proletariado como eixo; as bases devem ser os bairros e favelas; tudo isso em função da criação das futuras Milícias Populares.
Temos o Plano Piloto Ayacucho-Lima, o problema é que temos pouca experiência.
Em relação ao Grande Plano, este se desenvolverá durante o curso da guerra.
Podemos concluir que a Primeira Campanha foi um sucesso retumbante. Em primeiro lugar, cumprimos o que acordamos, e o fundamental foi cumprido com a resposta contundente e imediata que logramos. Teve sua peculiaridade, se deu em três partes. Assim, a resposta foi contundente, uma pancada surpreendente, um seguro e certeiro golpe político-militar. Nós os pegamos dormindo mais uma vez. Eles temiam mais o nosso famoso Plano de acabar com seus Postos e redutos, e enquanto montavam seu plano de defesa, os fizemos explodir em pedaços.
Em segundo lugar, restou-lhes o plano de fortalecer o gamonalismo e o poder local, por meio de seus gamonalillos9 mesnados, tendo como espinha dorsal os Sinchis10 e as Forças Armadas; no entanto, nossa ação foi um golpe certeiro contra todos os três juntos.
II. O NOVO PLANO DE CONQUISTAR BASES ARMADAS
- Contexto nacional e internacional.
- Desenvolvimento das quatro tarefas.
Elevar o orgânico ao nível de Direção Política. “Se não elevarmos o orgânico ao nível de Direção Política, não poderemos avançar como corresponde” (Stalin).
Planteamos ter isso em conta na reorganização do Partido; trata-se da militarização do Partido, e isso se desenvolve por partes, conforme avance a luta armada. Como consequência, isso exige organização, pois sem organização não se poderão cumprir esses saltos.
Em relação aos três instrumentos e à República de Nova Democracia, devemos nos esforçar, lutar e garantir que o Partido avance para ser o centro e a Direção Única da Revolução; isso é de importância estratégica, e devemos estar firmemente convencidos de que o Partido deve dirigir.
Devemos combater a negligência em relação ao político e ideológico, pois isso prejudica a revolução e a direção da luta armada. Nesse sentido, devemos atentar para as cinco necessidades:
- O Centralismo Democrático. Aplicar firmemente a centralização estratégica e a descentralização tática.
- A Clandestinidade. Trata-se essencialmente de manter as bandeiras da rebelião. A bandeira da luta armada não pode ser arriada; devemos nos preocupar com a clandestinidade do Partido para que ele seja uma organização que atue em todas as circunstâncias.
- A Disciplina. Ser rigorosos na compreensão da disciplina; não se pode permitir afastamento, oposição e muito menos a negação dos Acordos sancionados pelo Comitê Central. Nisso devemos ser extremamente categóricos e isso se aplica a todos os aparatos partidários.
- O Segredo. O segredo partidário, e principalmente o segredo militar, é vital, não podemos permitir que seja violado; refletir seriamente sobre a necessidade do máximo segredo e, se for militar, levar em conta o nível do segredo.
- A Vigilância. A cada dia torna-se mais necessária, especialmente no campo militar. Prevenir-se da infiltração, esse é um problema que deve nos preocupar seriamente; jamais baixar a vigilância, nunca permitir que o inimigo nos surpreenda.
Em síntese, devemos cumprir rigorosamente as normas do Partido e sujeitarmo-nos com firmeza e sem hesitação à sua política, aos seus acordos, e aplicar e encarnar o Pensamento-Guia. Essa encarnação é de importância estratégica, caso contrário não nos desenvolveremos como comunistas, como verdadeiros comunistas. Como vamos considerar seriamente a pouca preparação ideológica e política? Como vamos manter o Partido e a direção da Revolução? Devemos pensar seriamente sobre esses problemas.
TEMAS:
- O imperialismo e a ascensão do Socialismo. LENIN.
- A bancarrota da Segunda Internacional (Cap. VIII). LENIN.
- Sobre o Partido Revolucionário de novo tipo. LENIN.
- Questões sobre a Filosofia. LENIN.
- Questões sobre o trabalho de massas. MAO. Unidade de pensamento e unidade de ação. c. GONZALO.
Quanto ao Exército Guerrilheiro Popular: Sua construção está marchando; devemos nos preocupar com sua construção. Sua constituição é principalmente política, mas a construção militar com o adestramento também é necessária. Tanto a disciplina quanto a organização são de valor inestimável.
Há erros grosseiros quando se diz “venham” e eles não vêm, pois uma expressão de disciplina é seguir a voz de comando. Não se forja um exército sem base ideológico-política, que é fundamental, e sem organização e disciplina não há Exército Popular.
Uma força armada deve ser adestrada para aumentar sua belicosidade; devemos prepará-la para elevar sua combatividade. Com ideologia e instrução, eleva-se a capacidade de combate (isso não é gritar); os mandos devem comandar instruindo. “Quem grita, grita por desespero” (Fidel Castro).
Deve haver unidade entre os mandos e os comandados.
Devemos igualmente nos preocupar com a Direção, não apenas no exército, mas também no Partido; isso é fundamental, é chave; no exército, ainda mais, e no Partido é definitiva.
Outro problema é a preocupação com a preservação e proteção da direção; isto é, da proteção a certos níveis.
No exército, devemos dar importância prioritária à Força Principal. Temos que organizar a força base da Frente de Libertação, entendendo que a fonte para a formação do exército guerrilheiro é a milícia; assim, teremos uma força ampla e desenvolvida. Devemos ter em mente o que disse Lenin sobre a Milícia Popular: homens e mulheres capazes de manejar armas. O problema é quando a milícia é baseada apenas nos homens. Lenin planteia três funções:
- Polícia.
- Administração.
- Exército.
Dessa forma, temos o instrumento-chave para conjurar a restauração. Um exército independente, apartado do povo, pode usurpar o poder. Exemplos: China, exército revisionista; Rússia de Kruschov, exército revisionista.
Por que Lenin formou exército e milícia? Pelas necessidades da guerra. Sua ideia era formar o exército miliciano nas suas três formas, mas sempre sob o controle do Partido. O Presidente Mao desenvolveu a milícia assumindo a função do Exército, e houve uma dura luta acerca de quem dirigia a milícia: o exército ou o Partido. O Presidente Mao formou uma milícia de oitenta milhões, embora não se tenha atingido o armamento total dela; o exército tinha quatro milhões de homens.
Pode o exército peruano enfrentar cinquenta mil soldados? Não; sob pena de abandonar os pontos estratégicos do país que estão sob sua responsabilidade. Sabemos, portanto, do que estamos falando; se montarmos um Exército Guerrilheiro Popular, não haverá força que nos derrote.
Quem dirige a milícia é o Partido; é por isso que quem dirige é o Comando Territorial, e não o Exército.
Na teoria marxista sobre a força armada, até agora o problema da Milícia não foi solucionado; quem mais avançou nisso foi o Presidente Mao, que formou milícias sem armas, para que elas próprias se armem e fabriquem suas armas. A milícia popular é incorporada ao exército quando assume funções de exército de Estado e de polícia; sua tarefa é impor barreiras à restauração, enquanto o Exército é a força organizada principal.
TEMAS:
- Informe sobre o Comando Central de Ayacucho (de forma geral).
- Informe do Comando Central de Ayacucho (em partes, mas em termos gerais).
- Obras militares do Presidente Mao. Citações.
- A luta nas Montanhas Tchincam.
- Uma faísca pode incendiar toda a pradaria.
- Problemas estratégicos da guerra revolucionária na China.
- Problemas estratégicos da guerra de guerrilhas contra o Japão.
- Sobre o problema militar. Provérbios.
- Documentos informativos da Primeira Conferência.
- Documentos informativos da Segunda Conferência (bomba-relógio).
Frente Revolucionária de Desenvolvimento Popular: O trabalho deve ser desenvolvido principalmente entre o campesinato.
É fundamental, nesse sentido, o estabelecimento das Bases de Apoio; o proletariado está representado pelo Partido e, tendo avançado em nossa atividade, devemos desenvolver o trabalho político para construir a unidade operário-camponesa. Vamos construí-la; atualmente, predomina o critério de unir os 90%, e isso implica unir o povo para a defesa dos seus interesses, da sua vida, da satisfação das suas necessidades, do seu futuro; é por isso que levantamo-nos em armas.
Hoje, a reação, por meio de seus sequazes e forças armadas reacionárias, agride o povo em geral, assassina, rouba, etc. No campo, está aplicando a política de colocar camponeses contra camponeses e pressiona os camponeses a matar os “terroristas”, a nos matar (agitam, chantageiam, ameaçam) e, assim, querem transformar o camponês em assassino ou assassinado.
Devemos, portanto, combater essa ação da reação, que busca transformar os camponeses em assassinos de seus irmãos de classe que lutam pela revolução social; devemos combater o flagelo social dos delatores e traidores. Se não o fizermos, amanhã a reação aplicará a mesma pressão sobre os operários e trabalhadores da cidade, para beneficiar a si mesma e tentar fazer com que as massas se suicidem como classe.
Diante disso, levantamos as bandeiras da revolução e lutamos por ela e pelos interesses das massas; essa é a política que devemos aplicar.
Temos, portanto, de diferenciar perante as massas que existem duas políticas: a nossa, que serve ao povo (isso é importante de se apresentar ao campesinato ou às massas), e a política da reação.
Também precisamos estabelecer uma clara diferença de classe no campo; devemos nos dirigir politicamente ao campesinato pobre principalmente e buscar unir os trabalhadores do campo, inclusive os camponeses médios.
No campesinato, é necessário diferenciar entre o de “velho tipo” e o novo; o de velho tipo defende as formas feudais; por isso, devemos nos concentrar em isolar os gamonais e seus lacaios.
É preciso unir o camponês contra a agressão da reação e de suas Forças Policiais, unir contra a agressão do governo, unir contra a agressão e exploração do Estado.
A chave de toda nossa ação é unir as massas camponesas contra os gamonais e seus lacaios, pois essa é a base por meio da qual operam o Estado e suas forças repressivas. O plano da reação é fortalecer o Poder Local, dotando-o de mesnadas (“corpos parapoliciais”) e apoiado pelas Forças Armadas e Forças Policiais. Temos que golpear o gamonalismo porque sua base é frágil; isso implica, obviamente, enfrentar a reação. Com essas ações, minamos e confrontamos o Estado e preparamos nosso Partido para assumir seu papel no campo.
No campo, o problema é desenvolver a guerra camponesa dirigida pelo Partido para constituir Bases de Apoio. Nunca mais deve se repetir o que aconteceu em Lucanamarca e nas alturas de Huanta; isso é uma expressão de má política, não se pode agir assim. É preciso investigar bem, não devemos expressar formas de extremismo, é um erro aplicar o raio de ataque porque isso pode gerar consequências políticas graves. Precisamos tirar lições dessas experiências e avaliar se nossos atos correspondem ou não ao objetivo de unir o povo para sua defesa e pela Revolução Armada. Há ações contraproducentes; devemos nos esforçar para agarrar o elo da política correta, fazer um intenso trabalho de doutrinação. Os excessos podem ser aceitos, mas o extremismo, jamais.
É preciso dar grande importância ao campesinato pobre, pois ele constitui um Estado em formação; avançar no desenvolvimento da construção das Bases de Apoio e da função de tipo estatal.
ESCOLAS POPULARES:
- Sobre a Guerra. Provérbios.
- Citações do Presidente Mao. Guerra Popular.
- José Carlos Mariátegui.
- O Estado e a Revolução.11
- Lenin e a luta armada.
- Dois Artigos Importantes.12 Desfecho da operação.
- Informe sobre os quatro marcos e sobre a luta armada.13 Pensamento Militar.
- Processo de reconstituição do Partido, principalmente.
- Situação política; dois caminhos: democrático e burocrático. (Crescente protesto popular).
- Organizar o estudo dos cinco documentos.
SÍNTESE:
Quatro Formas de Luta:
- Guerra de guerrilhas.
- Sabotagem.
- Terrorismo seletivo.
- Guerra psicológica.
Onze Formas de Procedimento:
- Agitação (pintura de bandeiras, etc.).
- Mobilização (assembleias, ações, Plano).
- Sabotagem.
- Assaltos.
- Levantamento de colheitas.
- Enfrentamentos armados.
- Ação guerrilheira (luta contra destacamentos, ataques surpresa, fustigamento, desestabilização).
- Motins.
- Tomada de povoados.
- Política de fuga.
- Terrorismo seletivo.
- Questionam o Plano do Presidente Gonzalo. Questionam a Direção. Se não for o Plano do Presidente Gonzalo, então que Plano se aplica?
- Aplica-se o Plano da Direção; na prática, são os direitistas que estão assumindo a direção.
- Negam o poder, nós não questionamos a Direção. Para quem queremos o poder? Para alguns indivíduos? Não. Nós lutamos pelo poder para o proletariado e o povo.
- Nós: a) aplicamos um único Plano, que é o do Presidente Gonzalo; e b) temos uma única direção, que é a Direção do Presidente Gonzalo e do Partido. Lutamos por um poder não para indivíduos, mas para o povo.
TAREFAS:
- Esforçar-se para cumprir cabal e completamente o Plano da Direção.
- Fazer uma contracampanha às Eleições Municipais.
- Os Comitês devem se empenhar tenazmente em sua atividade; preparar e executar a conquista de novas terras para plantios coletivos (colheitas). Fazer ordenamentos de tipo militar, claros e precisos:
- Direção é Direção; comando é comando.
- Derrubar – quando violam princípios e normas.
- Substituir – em caso de incapacidade.
- Sancionar – quando não se cumprem tarefas.
INTERVENÇÕES:
Analisamos e estudamos os Informes. Quanto aos problemas, é preciso perguntar sobre os decorrentes do novo Estado, desta Revolução Popular e da Nova República que estamos construindo.
Nunca antes se havia construído uma República Popular; é a primeira vez que isso ocorre em nosso país, e isso cria um estado de coisas completamente novo.
Outro aspecto dos nossos problemas é a construção do Exército Guerrilheiro; nunca antes houve em nosso país um Exército Guerrilheiro Popular. Existiram exércitos libertadores, como o exército de San Martín, exércitos camponeses, como o de Túpac Amaru, e outros exércitos similares, mas nunca houve um Exército Guerrilheiro Popular, do proletariado, dirigido pelo proletariado segundo seus princípios e normas. É um exército totalmente novo.
Podemos ver que há também problemas decorrentes da militarização do Partido; isto é, da reorganização geral do Partido. Embora conheçamos os problemas, na medida em que a militarização foi planteada desde 1979, ou seja, na Primeira Conferência Nacional Ampliada, nunca antes tivemos que enfrentar tal problema de maneira concreta. Portanto, esse também é um problema novo.
A principal fonte dos problemas mais importantes é a luta armada. Isso implica, concretamente, conquistar Bases de Apoio, e nunca antes no país se havia lutado para conquistar Bases; por isso estabelecemos quatro tarefas.
Podemos olhar os problemas por outro ângulo; a luta de classes é uma realidade concreta. Nunca antes no país se havia enfrentado uma crise tão profunda que se elevou ao nível da Luta Armada, dirigida pelo proletariado. A luta de classes sob essa perspectiva também é um problema novo. Como conclusão, podemos dizer que, de fato, temos muitos problemas. Qual é a fonte desses problemas? A fonte está no nascimento, no desenvolvimento, no embate do novo. O Partido, dirigentes, quadros e militantes, os que conformam o Exército Guerrilheiro Popular, os filhos do povo que combatem lado a lado com ele, enfim, todos nós nos forjamos como desenvolvimento do novo. É o surgimento, o desenvolvimento em meio à luta, do novo.
Com o início da luta armada (ILA), podem surgir questionamentos como: “Quero a revolução, mas não quero os problemas da revolução.” Na realidade, quem quer o novo, quer os problemas do novo, ainda mais quando se trata dos problemas da transformação definitiva do nosso país, façanha nunca antes vista.
É verdade que há problemas, muitos problemas, mas são problemas do novo; o novo surge em meio às dificuldades, sempre será assim. Se olharmos as coisas objetivamente, veremos que a criação do novo, do inédito, é a própria fonte dos problemas que enfrentamos hoje. Devemos, portanto, resolver os problemas para construir o novo, exatamente como estamos fazendo em nosso país. Essa é a ideia inicial para que qualquer Comitê que analise essa questão possa expressar sua opinião.
Stalin disse: “É preciso perguntar de que tipo são os problemas, se são problemas de colapso, de destruição, no sentido do que é velho; ou se são problemas de desenvolvimento, de crescimento, em síntese, do que é novo.” Respondemos clara e firmemente: são problemas do novo, do definitivo, do grandioso. É importante ter isso em mente, pois às vezes, diante de tantos problemas, podem se sentir sobrecarregados, ou, quando eles surgirem, não saber por onde começar. Em todo caso, a questão está em enxergar a fonte: a construção do novo, o glorioso parto da nova Ordem Social que estamos erguendo sobre bases sólidas.
Hoje em dia, não há nada que não envolva problemas e dificuldades. De acordo com o Presidente Mao, “um problema é uma contradição não resolvida”, e a contradição rege tudo, desde o mais complexo até o mais simples. Portanto, não devemos estranhar que hajam problemas. O problema é uma contradição que, por meio de unidade e luta, gera o novo, e é isso que rege tudo o que existe.
Portanto, bem-vindo seja o grandioso salto que estamos dando na Construção de Bases de Apoio e em tudo o que isso implica; bem-vindos os problemas, pois são uma necessidade na construção heroica, no que estamos fazendo. Devemos captar a riqueza de um ditado conhecido em nossa língua: “Quem quer o céu azul, que pague o preço.” Assim é a vida, essa é a contradição. Quem quer o novo, quer os problemas novos e deve querer resolvê-los. Isso também ocorre na luta de duas linhas (L2L), especialmente na solução dos problemas sobre a Luta Armada; quem quer o novo, quer os problemas que isso acarreta, e o novo tem caráter de classe.
É claro que fazer o novo não é senão a concretização daquilo que os povos fazem hoje no mundo, sob a direção do proletariado, representado pelo Partido Comunista, isto é, pelos Partidos marxistas-leninistas-maoistas; isso é o único e verdadeiramente novo, pois, neste estágio do processo histórico, não podemos acreditar que outras classes, que não o proletariado, poderiam gerar autenticamente o novo. Repito: sob a direção do Partido Comunista, pelo marxismo-leninismo-maoismo, o novo tem caráter de classe e a revolução é a força motriz do novo. A revolução é a principal forma de desenvolvimento do novo, e assim estamos vendo em nosso país, em nosso Estado de Nova Democracia e nos problemas gerados por sua construção. Estamos enfrentando problemas, problemas do novo, complicados, que crescem a cada dia, e isso se deve à própria construção do novo que estamos realizando em nosso povo, no país, mediante a Revolução Armada dirigida por nosso Partido.
Por isso, essa transformação operada através da Guerra Revolucionária deve ser compreendida com essa postura, e esse deve ser o critério que norteia a solução dos nossos problemas.
O que estamos desenvolvendo no país? Estamos criando o novo como parte da revolução mundial, que o proletariado dirige desde 1917; é isso que estamos fazendo. Os problemas que estamos enfrentando e resolvendo com firmeza e decisão fazem parte da grandiosa tarefa que os séculos e a história confiaram à classe do proletariado, e a criação do Comunismo terá que passar pelas etapas que forem necessárias.
No nosso caso específico, terá que passar pela etapa da Revolução Democrática Nacional e na sua forma superior de desenvolvimento, a guerra revolucionária. Devemos estar seguros e ter uma visão histórica desse processo para compreender nossa tarefa. Nunca antes se apresentou tarefa tão elevada como a de derrubar o poder dos exploradores e centralizar definitivamente o poder do proletariado para marchar rumo ao Comunismo.
Por isso, de um lado, como indivíduos, parte da classe, nos sentimos imensamente felizes por sermos uma gota dentro desse poderoso turbilhão; nos alegramos por combater até derrubar todos os exploradores. Os que virão depois terão outras tarefas; nós estamos lançando os alicerces, as primeiras milícias, as próprias bases do grandioso edifício que nasce e que resplandecerá para sempre.
Será uma nova era, a era da liberdade dos livres, da felicidade mundial, de um mundo sem classes, que terá suas leis e metas a conquistar, mas que será um mundo diferente.
Quando pensamos assim, não podemos deixar de refletir e dizer, diante dos problemas: “Bem-vindos!”, porque são parte da grandiosa tarefa. A realidade nos conduziu, como combatentes do presente, a concretizar uma imensa e gloriosa tarefa, e como levá-la adiante só é possível através das armas, a questão é que tudo será conquistado pelos fuzis, para fazer da terra um paraíso; não um paraíso no céu, mas na terra.
A partir dessa posição elevada, devemos compreender o significado do papel histórico que estamos analisando, para que o proletariado, a classe, cumpra-o dirigido por seu Partido Comunista. Já bem disse: “Quem quer o novo, quer os problemas do novo” e “quem quer os problemas do novo, que resolva os problemas do novo”. Por isso, quem quer um mundo novo, quer a luta armada e a Guerra Revolucionária, pois é a única maneira de resolver o problema da conquista de um mundo novo.
Há 2.500 anos foi dito que a guerra é o pai de todas as coisas; a guerra é a força motriz autenticamente transformadora – bela expressão. Nosso marxismo-leninismo-maoismo elevou essas palavras tão profundas ao nível de uma verdade científica, testada e comprovada em mais de cem anos de luta do proletariado.
“Quem diz guerra, diz sacrifício” (primeira consigna da guerra).
“Quem diz sacrifício, diz agora ou nunca”.
A guerra é cruenta. As guerras revolucionárias são cruentas. A guerra revolucionária do proletariado é extremamente cruenta. A guerra revolucionária na América Latina é extremamente cruenta.
Estamos no período do colapso de duas potências imperialistas, de dois grandes monstros históricos, e isso ocorre porque, diante dessas bestas históricas, se levantam, como contraparte, milhares e milhões de massas do mundo, principalmente o proletariado, sob a direção de seu Partido Comunista.
Assim, a guerra para criar principalmente o novo também engendra grandes dificuldades. Portanto, não se deve esperar cumprir uma tarefa histórica sem um grande custo histórico, nem construir um novo Estado sem uma grande guerra revolucionária, sem conquistar montanhas e sem derramar sangue. No fim das contas, é um derramamento de sangue exigido pela quantidade de sangue já derramada ao longo de séculos de exploração e opressão, em períodos pacíficos que Lenin chamou de “períodos de degola”. Por isso, na guerra revolucionária, o sangue derramado é menor do que nos “períodos de degola”.
Em síntese, estamos construindo, com as armas nas mãos, o novo em nossa Pátria, e essa grandiosa tarefa engendra novos problemas – problemas que não são mais do que montanhas a serem escaladas para a conquista definitiva da luz; para abolir e destruir de uma vez por todas o velho em nossa pátria e para entronizar a direção e a ideologia planteada pelo proletariado através de seu Partido. Para construir o novo no Peru, estamos lançando bases sólidas e firmes.
Nossa Força Armada Revolucionária entrou em seu meio ano de combate contra a Força Armada reacionária, empunhando a Bandeira e sob a direção inabalável do Comando das Bases Armadas. Entramos em um Grande Salto, sem precedentes, nunca visto ou alcançado no Peru, e que representa um decisivo avanço rumo ao derrubamento do Estado reacionário. São aproximadamente 150 anos de Estado reacionário no Peru, e nós estamos demolindo-o para construir uma República Popular, sob a direção do Partido, através da Guerra Camponesa e tudo em função da ditadura do proletariado, até alcançar o grande mito: o Comunismo, a sociedade sem classes.
Então, camaradas, avaliemos os desafios que precisamos enfrentar como parte da classe, tal como somos, como classe organizada, como Partido que dirige voluntária e eficientemente, com prudência; como Partido que pensa nos problemas, que sacrifica seu sangue pelo povo e entrega o máximo de seus esforços. Por isso, devemos sempre comparar a grande tarefa que estamos plasmando com a meta histórica que buscamos alcançar.
Comparemos bem, avaliemos com precisão e, assim, não haverá ninguém que possa dizer que os sacrifícios que fazemos são excessivos; não haverá ninguém com visão histórica clarividente, com alma de comunista, que possa nos dizer que o preço que estamos pagando é alto ou severo demais. Não haverá revolucionário que diga que já fizemos demais, que o preço é excessivo; ninguém, ninguém poderá nos dizer isso diante da nossa Luta Armada.
Há tempos, fizemos uma reflexão: quanto nos custará a revolução em vidas? (em vidas preciosas, porque as vidas do povo são preciosas). Queremos meio milhão de homens que compreendam as condições históricas em que nos desenvolvemos e verão que não é um cálculo exagerado. E, se fosse, devemos nos preparar para os piores cenários. Bem valeria que a Revolução custasse 50.000 vidas valiosas e heroicas. Bem valeriam essas vidas por um ano de luta vitoriosa contra as Forças Armadas reacionárias. Diante das Forças Policiais, forças de repressão nacional, tivemos um ano de enfrentamentos nos quais aprendemos como nunca antes e avançamos em nossa compreensão do inimigo; agora, teremos que aprender mais e mais.
As circunstâncias concretas nos plantearam uma grande resposta. Pergunto-me: quantos combatentes já deram sua vida? Não passam de cem. Quantos filhos das massas, do campesinato, foram vilmente massacrados? Talvez, camaradas, os reacionários os matem como se fossem moscas, e muito poucos deles cairão. Há pouco, o ministro declarou, criticando a chamada esquerda: “fazem muito alarde pelos mortos nas fileiras dos delinquentes subversivos” (o termo “delinquentes” é uma infâmia, enquanto “subversivos” é uma glória). “Subversão” é uma bela palavra, pois vem de “subverter”, ou seja, derrubar o que está acima, destruir a exploração dos de cima, lutar para derrubar os exploradores. Como alguém pode ser delinquente e subversivo ao mesmo tempo? Somos o martelo da história, como subversivos, e a palavra “delinquente” é uma infâmia do governo.
Omitem os protestos dos membros das Forças Armadas pela forma como os estamos combatendo e pelo número de seus mortos e feridos. Eles escondem tudo. Briceño,14 “o peixe morre pela boca”, jogamos a isca e ele mordeu como um idiota; agora, eles estão recebendo o que merecem, estamos golpeando forte. Disseram que nos matariam em Ayacucho, que continuem dizendo, isso não nos preocupa. Depois, afirmaram que não tiveram nenhuma baixa. Quantos foram? Foram vinte, e esses mortos são inimigos, são filhos malditos que se voltaram contra sua própria mãe, o Povo. Nós estamos combatendo, e nossos militantes estão caindo, a maioria deles vindo do povo; isso nos dói, e entendemos que faz parte do sacrifício. Mas devemos cumprir nosso Plano e, nas circunstâncias específicas atuais, devemos avançar contra os reestabelecimentos, contra as restaurações, contra esse plano sinistro que eles puseram em marcha. Eles estão armados até os dentes, e nós, com nossas velhas armas tradicionais, mas contundentes.
O Comitê Central planteia que marchamos rumo ao holocausto; acreditaram que estávamos em Israel, mas isso foi com os judeus. Aqui estão morrendo guerrilheiros, e não são cem nem mil; o nosso caso não é um holocausto, é simplesmente parte da cota de sangue e do sacrifício que medimos historicamente em função da meta que estamos cumprindo. É um modesto, modesto sacrifício – está claro –, um modesto sacrifício dentro das leis da guerra. E é um princípio, aceito pelo Partido, que, em uma guerra, não se pode sempre conservar as forças se o objetivo é destruir as forças do inimigo.
Esta é uma realidade, e o Partido aponta com precisão que, com esse sacrifício, estamos multiplicando nossas forças; se as partes mais atingidas são compostas pelos filhos do povo, para cada um que cai há cem que se incorporam. Certamente, as mortes de nossos combatentes e do povo nos doem, obviamente nos doem profundamente e nos causam um grande dano; mas o resultado está comprovado e confirma a lei histórica de que venceremos porque somos o povo.
O marxismo tem, como disse o Presidente Mao, muitas verdades; uma delas é fundamental e, se quisermos, resume toda a nossa concepção: “A rebelião se justifica”. Assim ensinou o Presidente Mao, e ele disse:
- Mao se opôs a toda a opinião predominante anterior, que pregava que a missão do proletariado era outra e buscava a subjugação das massas (mas a luta armada não será derrotada).
- Mao ensinou e demonstrou que a rebelião se justifica contra os reacionários, para derrubá-los, e que as massas têm esse direito, um direito inalienável.
Essa é a grande verdade: a rebelião se justifica. Logo, justifica-se a Guerra Camponesa Revolucionária; a rebelião se justifica contra os reacionários. Isso é muito importante porque, quando o Partido começou a mobilizar o campesinato, não planteamos uma rebelião de palavras, mas sim uma rebelião armada, a rebelião das massas armadas. Isso é fundamental. O Presidente Mao é justo e correto.
A reação sempre pregou às massas qual era a sua missão, com o propósito de subjugá-las; o marxismo, por outro lado, lhes ensina a rebelião. O Partido é o instrumento que semeia a rebelião em suas mentes e o faz mobilizando-as, levantando-as em armas para destruir toda a velha ordem, para não deixar pedra sobre pedra da velha ordem social e construir, cabal e completamente, a nova ordem. Essa é a nossa grande tarefa; isso é o primeiro que devemos fazer, e hoje, mais do nunca, devemos gravá-lo profundamente em nossas mentes.
A rebelião se justifica, e no país a rebelião é rebelião armada das massas, principalmente camponesas; é a luta armada dirigida pelo Partido. Em nosso país, aplicamos essa consigna porque ela é justa e correta.
Os camponeses entendem isso? As massas entendem isso? Claro que entendem. É uma frase muito simples que condensa uma profunda verdade marxista, inserida no desenvolvimento da vida cotidiana e capaz de gerar grandes processos: “fazer tremer a ordem social, derrubar os velhos impérios”. “A rebelião se justifica” é uma frase que condensa a história das massas e, por isso, uma grande verdade. As massas entendem isso muito bem. Não se pode enchê-las com grandes concepções que só as confundem; a elas, devemos transmitir grandes verdades, e é aqui, nessas frases simples, que as massas devem começar a aprender o marxismo – esse deve ser o seu grande começo.
O Presidente Mao dizia: “As massas entendem isso perfeitamente”.
É muito importante que os camaradas concordem nisso: os camponeses pobres são os melhores, são os que melhor compreendem a Revolução Popular, os que melhor compreendem o novo e, por isso, seus corações alegram-se e regozijam-se em meio às dificuldades que enfrentam. A alegria deles é bela, ilumina seus olhos. O poder não é estranho aos camponeses; são eles que melhor compreendem essas grandes verdades incontestáveis.
A primeira grande verdade que devemos semear nas massas é a rebelião; hoje, mais do que nunca, devemos semear essa verdade nas férteis mentes do povo, principalmente no campesinato pobre. Devemos, sem dúvida, semear essa verdade em todos, nas crianças, nas mulheres, nos idosos; sobretudo nas crianças, porque elas estão se abrindo para a vida, e, fundamentalmente, nos jovens.
Disse um poeta que a mulher aprende a ser mulher na cozinha. Isso é uma absurda estupidez; o povo e, dentro dele, as mulheres, devem escolher o poder.
O campesinato não precisa de tantas lições; só precisa que lhe sejam dadas grandes verdades. Por isso, repito: acredito que a primeira verdade que devem entender e jamais esquecer é que a rebelião se justifica! Por que planteamos isso? Porque dentro do Partido ainda há aqueles que questionam essa consigna, negando, com isso, a essência do marxismo-leninismo-maoismo. Por que negam a necessidade da rebelião? Por que negam o direito do povo a concretizar, pelas armas, a luta pelo poder de classe? Daria a impressão de que esses camaradas que questionam a consigna preferem insistir no caminho oportunista das eleições.
Aqui no Peru, os falsos mariateguistas, os Miristas,15 negam que seja possível aplicar o plano de cercar as cidades pelo campo; esquecem que o Presidente Mao, desde os anos 30, formulou essa concepção fundamental de seu pensamento militar. Que política eles querem que apliquemos e preguemos? Parece que querem que pratiquemos o eleitoralismo sancho-pancesco,16 o eleitoralismo bastardo. Eles não dizem que a rebelião se justifica, apesar de fingirem pregá-la para enganar o povo; no fundo, só querem as urnas.
Marx disse: “Com a insurreição não se brinca”; uma vez iniciada a luta, não se pode abandoná-la até alcançar a vitória. Nós, seguindo as sábias palavras de Marx, podemos afirmar com convicção: “A rebelião se justifica!” Essa é uma grandiosa bandeira, que se imprime com força nas bases, que faz com que os homens se movam, as vontades se organizem. É uma bandeira erguida que jamais será arriada. Por isso, essa consigna significa: amanhã triunfarei, amanhã tomarei o poder, semearei a revolução no mundo, fomentarei a rebelião e a entronizarei com minha própria vida, para que o proletariado possa tomar o poder e esmagar a reação.
Por isso, continuaremos nossa luta até acabar com as classes inimigas, e prosseguiremos até construir o Comunismo. Quando chegar o Comunismo, nossa luta terá terminado, pois com ele desaparecerão as classes, incluindo o proletariado; desaparecerá até mesmo o Partido, e surgirão novas formas de rebelião – mas, dessa vez, na forma da construção de um novo destino, de uma nova sociedade.
Notas do Tradutor (N.T.):
1 Mesnada – tropa mercenária. – N.T.
2 Gamonal é um cacique branco, normalmente um latifundiário, que domina uma aldeia uma zona rural. Age como um senhor feudal. – N.T.
3 Gamonalismo é um fenômeno peruano comparável – com particularidades – ao coronelismo no Brasil, baseado na concentração da terra e no domínio político, militar, econômico e ideológico dos camponeses pelos latifundiários. – N.T.
4 No original “cuidar el pellejo”, que significa preservar a própria vida ou segurança, neste contexto, a integridade do Partido. – N.T.
5 Do espanhol “arrieraje”, sistema de transporte de mercadorias por tropeiros e mulas, herança dos tempos coloniais e base do cerco econômico e manutenção das relações econômicas (troca e comércio) semifeudais no campo do Peru e outros países da América Latina. No Peru, consistiu no principal meio de transporte terrestre comercial na colônia, pelo qual todos os tipos de produtos eram transportados dos centros de produção para as minas ou cidades, realizado por curacas, mestiços e pequenos comerciantes. – N.T.
6 Cadeia de montanhas e serras em grande extensão; cordilheira.
7 A tomada de Vilcashuamán foi um assalto realizado pelos guerrilheiros comunistas peruanos à cidade de Vilcashuamán, no Peru, em 22 de agosto de 1982. O ataque durou cinco horas, concentrou-se no posto da Guarda Civil local. Posteriormente, os guerrilheiros realizaram um comício na praça principal, defendendo o Presidente Gonzalo e a República Popular de Nova Democracia, e também distribuíram mantimentos saqueados entre os moradores. – N.T.
8 Uso de ervas medicinais. – N.T.
9 Gamonalillos – Gamonais de menor poder econômico porém abusivos. – N.T.
10 Guarda Civil ou Sinchis, hostes paramilitares treinadas pelo imperialismo norte-americano como força militar de contrainsurgência. – N.T.
11 No original contido no 3º tópico: “José Carlos Mariátegui. El Estado y la Revolución.” Logo, também pode referir-se ao texto de formação política “Mariátegui, Estado y Revolución” [“Mariátegui, Estado e Revolução], um compilado de citações das obras de Mariátegui, publicado em Bandera Roja nº 49, em junho de 1978. – N.T.
12 Dois Artigos Importantes, “Grande conceito estratégico” e “A estratégia revolucionária do povo seguramente triunfará sobre a estratégia contrarrevolucionária do imperialismo norte-americano”, publicados em formato de livreto em agosto de 1982. – N.T.
13 Ver Partido Comunista do Peru, “Conclusões do Processo da Luta Armada”, 1984.
14 General Carlos Briceño Zevallos, à época Comandante Geral do Exército Peruano e Presidente do Comando Conjunto das Forças Armadas reacionárias. – N.T.
15 Referente ao Movimento de Esquerda Revolucionária (Movimiento de Izquierda Revolucionaria, MIR), antro de revisionistas inspirados pelo foquismo cubano. – N.T.
16 Típico de Sancho Pança, escudeiro de Dom Quixote; que lhe falta inquietação, acomodado, preguiçoso, ardiloso, conformista, caráter caracterizado na obra de Miguel de Cervantes. – N.T.

