‘Desmascarar os intentos liquidacionistas de estrangular o conteúdo da luta agarrando-se às formas e aos métodos’ (Revista Nazariya, setembro de 2026)

Nota do blog: Publicamos a seguir o artigo “Desmascarar os intentos oportunistas-liquidacionistas de estrangular o conteúdo da luta contra o liquidacionismo agarrando-se às formas e aos métodos”, da revista Nazariya, de 2 de setembro. Trata-se de um importante documento, que repercute e populariza a luta de duas linhas que os maoistas indianos contra os liquidacionistas, revisionistas e traidores. Estes últimos, manobram, na Índia, buscando escapar dos poderosos golpes que a esquerda lhes desfere. A revista, ao popularizar esse embate ideológico, destaca que “a luta de duas linhas entre os revolucionários comunistas e os oportunistas-liquidacionistas-revisionistas está sendo travada em nível de guerra”. O cerne do combate ideológico é contra os liquidacionistas, àqueles elementos pequeno-burgueses nas fileiras do Partido Comunista que “quando o proletariado exigiu sacrifícios, em vez de se tornarem porta-bandeiras do MLM e do PCI (Maoista), baseado nele, tornaram-se traidores” e “deram as costas, fugiram e foram sentar-se no colo das classes dominantes”. Mesmo a quem e a que se aplica o epíteto “traidores”, é alvo da luta no movimento comunista e revolucionário indiano: “É correto chamar Seema e Vishwavijay de traidores? De maneira ainda mais fundamental, coloca-se a pergunta: quem deve ser chamado de traidor?”. Assim indagam os conciliadores com os trânsfugas recebendo contundente resposta da nota:“Na atual luta contra o Oportunismo-Liquidacionismo-Revisionismo, essa se tornou uma das questões mais controversas”. “Trabalhar contra a linha do Partido, tentar desintegrá-lo e destruir sua existência clandestina também é traição”.

Sobre os pequenos traidores e os grandes triadores, esclarece a nota (grifo nosso): “Como consequência, algumas pessoas começaram a cometer o erro de considerar traição apenas algo desse nível. Quando a Students for Society – SFS travou luta contra o liquidacionista Harman, alguns diziam: Harman é grande o bastante para ser chamado de traidor? Harman é grande o bastante para ser comparado a Venugopal? Harman é grande o bastante para que se publique uma declaração diante do povo contra ele? A Students for Society – SFS respondeu de modo muito firme: Venugopal mentiu e levou consigo armas e quadros; Harman levou nossa página do Facebook. Cada qual fez aquilo que estava ao alcance de suas forças. Venugopal era um grande traidor, portanto cometeu uma grande traição; Harman era um pequeno traidor, portanto cometeu uma pequena traição. Mas traição houve, não houve? Traição é traição – seja pequena ou grande. Todos compreenderam que Harman havia, de fato, cometido traição. Como resultado, a contrapropaganda dos traidores oportunistas-liquidacionistas-revisionistas não prosperou. A maioria das pessoas rompeu com o liquidacionismo de Harman e passou a apoiar o movimento revolucionário.”

O próprio liquidacionismo, quando em sua forma plena, é uma forma de traição, como dissera Lenin, citado pela Nazariya: “Liquidacionismo é a tentativa, por parte de um grupo de intelectuais do Partido, de liquidar – isto é, dissolver, destruir, abolir, eliminar – a organização existente do Partido”, e especifica: “naturalmente, o liquidacionismo possui um vínculo ideológico com a deserção (traição), com a renúncia ao programa e à estratégia, com o oportunismo. (…) O liquidacionismo é aquela modalidade de oportunismo que chega até a renúncia ao Partido”. Não sem razão, destaca a revista: “para impedir a construção de uma verdadeira organização bolchevique, baseada numa correta linha revolucionária fundamentada nos princípios do MLM e dotada de férrea disciplina, os mencheviques acusaram o camarada Lenin de autocrata e ditador”. Naturalmente, assim se passa com a esquerda também no PCI (Maoista), como, por óbvio, em todo lugar donde a situação revolucionária provoca a dissensão dos elementos oportunistas, fracos, cagões, chorões, arrivistas, manipuladores, narcisistas, personalistas que diante do perigo da Revolução se convertem em dóceis convivas dos círculos liberais burgueses, pelos quais suspiram em segredo porquanto pertencem às fileiras do Partido e aberta e descaradamente ao desertarem. É o caso de Vishwavijay e Seema, quem “percorria o país fazendo grandes proclamações em nome do movimento revolucionário e colhendo abundantes elogios, enquanto, na prática, considerava-se livre da ideologia e da política do Partido e da disciplina partidária delas baseada”, que “considera trabalhar entre os camponeses pobres e sem terra uma tarefa extremamente tediosa” e que se distinguiam por “jamais elevar sua prática para servir à revolução por meio da crítica e da autocrítica”, pois, “sempre que eram criticados pelos camaradas, enchiam-se de arrogância feudal e interpretavam qualquer crítica feita por um camarada como um ataque” e, por fim, “com a intenção de isolar os próprios camaradas que os haviam criticado, lançavam campanhas de difamação contra eles”. Esses são os expoentes mais novos do liquidacionismo, da traição e da delação ao PCI (Maoista). Mas não são exclusivos à Índia. Em toda parte, surgem esses elementos, ratos, sim! – com perdão aos roedores –, subprodutos que são da estratégia contrainsurgente do imperialismo e da reação em cada país, que mostram sua face horrenda na medida em que a situação demanda um salto. Não passam de criaturas apodrecidas de capitulação e covardia, sempre muito bem justificada (o ser humano é o único dentre os seres vivos que precisa de motivo, ainda que falso, para tudo o que faz, não é?). Criaturas, enfim, recrutadas, objetiva ou mesmo subjetivamente, a serviço da contrarrevolução e que serão, uma a uma, e invariavelmente varridas para a lata do lixo da história pela revolução.

E o último ato dos liquidacionistas traidores é, veja só, inverter a culpa e acusar de delação, nas barras dos tribunais da reação, àqueles que denunciam sua traição e colaboração com a polícia, acusando à esquerda ainda politicamente de “violar os critérios de clandestinidade”. Patético e sorrateiro, ao mesmo tempo. A própria Nazariya cita o exemplo de Ravi Narla, que “foi o primeiro a ousar lançar essa pergunta para criar confusão nas fileiras revolucionárias. Ravi Narla trabalhou ativamente e na clandestinidade durante anos no PCI (Maoista). Depois foi preso. Será que a causa de sua prisão não foi justamente sua compreensão superficial dos métodos de trabalho clandestino? E o fato de, mesmo depois de sair da prisão, não ter voltado à clandestinidade não apontaria para a mesma coisa?”. São coisas a se refletir.

Equipe editorial

Servir ao Povo

Desmascarar os intentos oportunistas-liquidacionistas– revisionistas de estrangular o conteúdo da luta contra o liquidacionismo agarrando-se às formas e aos métodos

Revista Nazariya
(2 de setembro de 2026)

Quando, sob a direção do camarada Lenin, o Partido Bolchevique trabalhava incansavelmente para proporcionar a direção do proletariado no processo de aplicar o marxismo à prática para levar a cabo a Revolução Russa, teve de enfrentar ataques em todas as frentes. Em particular, depois do fracasso da Revolução de 1905, quando o camarada Lenin assumiu a grande tarefa histórica de construir um Partido Bolchevique de novo tipo, lutando contra os elementos oportunistas-liquidacionistas-revisionistas, estes desencadearam uma feroz campanha contra ele. Lançavam todo tipo de acusações para difamar o camarada Lenin e outros dirigentes do Partido Bolchevique. Para impedir a construção de uma verdadeira organização bolchevique, baseada numa correta linha revolucionária fundamentada nos princípios do MLM? e dotada de férrea disciplina, os mencheviques acusaram o camarada Lenin de autocrata e ditador. Alegavam que, em nome da construção do Partido, ele queria expulsar aqueles que discordavam dele e formar um grupo de seguidores cegos que apenas reproduzisse suas ideias. Como o camarada Lenin recusava qualquer tipo de unidade com os elementos liquidacionistas, também o rotularam de sectário e fracionista. Não bastasse isso, durante as violentas manifestações ocorridas em Petrogrado nos dias de Julho de 1917, o Governo Provisório russo declarou o camarada Lenin um espião alemão. Indo ainda mais longe, poucos meses depois da realização, em 1917, da Revolução de Outubro que abalou o mundo sob a direção do camarada Lenin e de seu Partido Bolchevique, um grupo oportunista conspirou para assassiná-lo e, em 30 de agosto de 1918, realizou contra ele um atentado que pretendia ser fatal. Esses oportunistas não conseguiram matar o camarada Lenin naquele dia e tampouco conseguem matá-lo hoje. Apesar de incontáveis ataques, o camarada Lenin continuou lutando até o fim, sem parar e sem se cansar. Hoje, como dirigente, mestre e guia do proletariado mundial e dos revolucionários comunistas, o camarada Lenin continua orientando a Revolução Comunista Mundial. O grande movimento comunista revolucionário que prossegue na Índia sob a direção do PCI (Maoista) também avança sob sua orientação. Extraindo ensinamentos, em particular, da luta travada pelo camarada Lenin entre 1906 e 1914, o PCI (Maoista) desencadeou, no período atual, uma intensa campanha contra o Oportunismo-Liquidacionismo-Revisionismo. À luz da nova tarefa central definida pelo Partido em agosto de 2024, a direção partidária assumiu a tarefa de construir um Partido baseado no estilo de trabalho leninista, expulsando, um após outro, os elementos oportunistas-liquidacionistas-revisionistas. Por isso, não é exagero afirmar que a luta de duas linhas entre os revolucionários comunistas e os oportunistas-liquidacionistas-revisionistas está sendo travada em nível de guerra. Como parte dessa luta, recentemente, quando o Partido expulsou Seema e Vishwavijay devido às atividades liquidacionistas que haviam realizado, desmascarou-os perante o povo e os elementos ativos das massas apoiaram essa ação partidária, surgiram algumas questões no campo revolucionário. É a elas que procuraremos responder aqui.

Do Ravi ao Ganges: mudaram as línguas, mudaram as regiões, mas não mudaram as práticas dos liquidacionistas

No período atual, o movimento revolucionário indiano e o Partido que o dirige enfrentam uma grave crise. Em meio à feroz repressão desencadeada pelo Estado indiano sob a Operação Kagaar, essa crise veio à tona principalmente, por um lado, com o surgimento de traidores oportunistas-liquidacionistas-revisionistas e, por outro, com a perda de dirigentes do PCI (Maoista). Elementos pequeno-burgueses que os revolucionários comunistas contavam entre as fileiras de seu Partido e consideravam parte de sua força, quando chegou o momento, deram as costas, fugiram e foram sentar-se no colo das classes dominantes. Quando o proletariado exigiu sacrifícios desses elementos pequeno-burgueses, em vez de se tornarem porta-bandeiras do MLM e do PCI (Maoista), baseado nele, tornaram-se traidores. Renegados como Venugopal, Satish, Devji, Balraj, Raju, também conhecido como KP, e Joginder Singh são exemplos disso. Após o anúncio feito recentemente em comunicado de imprensa do PCI (Maoista), dois novos nomes – Seema e Vishwavijay – constituem os exemplos mais recentes. Aqueles que vínhamos contando como ovelhas eram, na verdade, lobos em pele de cordeiro. Por isso, o Partido desencadeou agora uma campanha especial para separar do rebanho os lobos vestidos com pele de cordeiro, a fim de retirar o movimento revolucionário da crise.

Desde que o PCI (Maoista) expulsou os liquidacionistas Seema e Vishwavijay e apresentou sua verdadeira natureza a todo o campo comunista revolucionário, passou a ser amplamente levantada a questão: é correto chamar Seema e Vishwavijay de traidores? De maneira ainda mais fundamental, coloca-se a pergunta: quem deve ser chamado de traidor? Na atual luta contra o Oportunismo-Liquidacionismo-Revisionismo, essa se tornou uma das questões mais controversas. De modo geral, algumas pessoas no movimento comunista revolucionário têm considerado traidor apenas aquele que, ao se render, entrega ao inimigo informações secretas do Partido, armas etc., ou que delata dirigentes partidários, transmitindo informações secretas ao inimigo e provocando sua morte ou prisão. Há unanimidade de que Venugopal cometeu traição ao render-se com armas, ao preparar outros camaradas para a rendição alegando falsamente tratar-se de uma decisão partidária e ao atacar a linha do Partido. A traição cometida por Venugopal em outubro de 2025 é uma traição da mais elevada ordem. Venugopal estabeleceu um novo recorde de traição. O fato de a Janatana Adalat não ter podido tomar a devida medida contra a traição de Venugopal incomoda hoje todo o campo revolucionário. Como consequência, algumas pessoas começaram a cometer o erro de considerar traição apenas algo desse nível. Quando a Students for Society – SFS travou luta contra o liquidacionista Harman, alguns diziam: Harman é grande o bastante para ser chamado de traidor? Harman é grande o bastante para ser comparado a Venugopal? Harman é grande o bastante para que se publique uma declaração diante do povo contra ele? A Students for Society – SFS respondeu de modo muito firme: Venugopal mentiu e levou consigo armas e quadros; Harman levou nossa página do Facebook. Cada qual fez aquilo que estava ao alcance de suas forças. Venugopal era um grande traidor, portanto cometeu uma grande traição; Harman era um pequeno traidor, portanto cometeu uma pequena traição. Mas traição houve, não houve? Traição é traição – seja pequena ou grande. Todos compreenderam que Harman havia, de fato, cometido traição. Como resultado, a contrapropaganda dos traidores oportunistas-liquidacionistas-revisionistas não prosperou. A maioria das pessoas rompeu com o liquidacionismo de Harman e passou a apoiar o movimento revolucionário.

O que foi exposto acima permite distinguir graus maiores ou menores de traição, mas ainda não esclarece o que propriamente deve ser chamado de traição. O camarada Lenin explicou isso com toda clareza:

“Os liquidacionistas são intelectuais pequeno-burgueses enviados pela burguesia para semear a corrupção liberal entre os operários. Os liquidacionistas são traidores do marxismo e traidores da democracia. No caso deles, a palavra de ordem da ‘luta por um partido aberto’ – tal como no caso dos liberais e dos narodniks – serve apenas para encobrir sua renúncia ao passado e seu rompimento com a classe operária.” (Do artigo do camarada Lenin, “Questões controversas: um Partido aberto e os marxistas”)

Liquidacionista e traidor são, no período atual, sinônimos. Aqueles que são liquidacionistas também são traidores. Traição não consiste apenas em entregar as armas ao inimigo e ajoelhar-se diante dele. Trabalhar contra a linha do Partido, tentar desintegrá-lo e destruir sua existência clandestina também é traição. Somente pode assimilar isso quem compreende corretamente a importância decisiva do Partido Comunista para o êxito da revolução: antes, durante e depois da revolução, na luta histórica pela instauração do comunismo, o Partido Comunista desempenha o papel de vanguarda do proletariado.

O curioso é que chamar alguém de “traidor” provoca muito mais alvoroço do que chamá-lo de “liquidacionista”. Isso ocorre porque, tão logo se diga “traidor”, amplas massas do país compreenderão imediatamente quem são essas pessoas e as isolarão socialmente. Mas não está longe o dia em que as amplas massas da Índia compreenderão também o que é o liquidacionismo e darão uma lição até nos maiores liquidacionistas. Essa ilusão dos traidores também logo será desfeita.

Chegamos agora a Seema e Vishwavijay. Também no caso deles são levantadas perguntas semelhantes às acima. Alguns elementos enganados pela linha oportunista-liquidacionista-revisionista de Seema e Vishwavijay perguntam: é correto chamá-los de traidores? Não foi errado o Partido desmascará-los antes que sua linha estivesse formada? Eles são tão grandes quanto Kautsky para que o Partido desencadeie uma campanha contra eles? Foi correto publicar um comunicado ao povo contra eles? Deveria o Partido, em seu comunicado, ter feito comentários pessoais dirigindo-se a eles como “you/você/ji”? É correto expulsar Seema e Vishwavijay mediante uma campanha desse tipo antes que o movimento revolucionário se encontre numa situação de ascenso? Por que todos estão contra nós? Foi correto uma organização de massas assumir posição contra Seema e Vishwavijay?

Examinaremos essas questões uma a uma.

Primeiro: é correto ou incorreto chamar Seema e Vishwavijay de traidores? – Sempre que, em tempos de crise partidária, essa questão se colocar diante de nós, devemos retornar à definição de liquidacionismo aprovada pela Conferência de 1908 do Partido Operário Social-Democrata da Rússia (POSDR), segundo a qual: “Liquidacionismo é a tentativa, por parte de um grupo de intelectuais do Partido, de liquidar – isto é, dissolver, destruir, abolir, eliminar – a organização existente do Partido e transformá-la, a qualquer preço, inclusive ao preço da renúncia ao programa, à estratégia e às tradições – isto é, à experiência passada – do Partido, numa organização frouxa que funcione legalmente – isto é, de acordo com a lei, ‘abertamente’.”

Para explicar isso mais detalhadamente, o camarada Lenin interpretou essa decisão em um de seus artigos da seguinte maneira: “Sua essência é a renúncia à organização clandestina (OC), sua liquidação e sua transformação, a qualquer preço, numa organização desorganizada que funcione legalmente… Naturalmente, o liquidacionismo possui um vínculo ideológico com a deserção (traição), com a renúncia ao programa e à estratégia, com o oportunismo… O liquidacionismo é aquela modalidade de oportunismo que chega até a renúncia ao Partido.”

Para compreender o liquidacionismo numa única frase, o camarada Lenin afirmou, no Projeto de plataforma para o IV Congresso da Região Letã: “Subestimar o trabalho clandestino é liquidacionismo.”

A questão passa então a ser: pode-se ou não qualificar Seema e Vishwavijay como liquidacionistas? Seema e Vishwavijay não tentaram, juntos, liquidar o Partido Comunista? Os traidores Seema e Vishwavijay ousaram subestimar o trabalho clandestino. Para que uma linha se forme, são necessários uma ideologia, um programa e uma estrutura organizativa. Desde 2024, os traidores Seema e Vishwavijay vinham trabalhando nos três aspectos. Rompendo com a linha aprovada no Congresso de Unidade–IX Congresso de 2007, assumiram uma linha paralela ao Partido, tendo o revisionismo – baseado na ideologia das classes dominantes, no bramanismo e no pós-modernismo – como fundamento ideológico; os movimentos de massas abertos e legais, economicistas e reformistas, como programa; e uma estrutura organizativa antipartido. Encontraram-se com uma agente da CIA e tentaram criminosamente desorientar as fileiras revolucionárias contra o Partido que dirige o movimento revolucionário. O comunicado de imprensa publicado pelo Comitê de Coordenação Norte (NCC) do PCI (Maoista) contém, em detalhes, todo o registro de suas atividades liquidacionistas. Seema, Vishwavijay ou qualquer liquidacionista que os apoie tem coragem de responder politicamente, ponto por ponto, ao comunicado publicado pelo Partido? Depois que os traidores Seema e Vishwavijay chegaram ao ponto de negar até mesmo terem sido membros do Partido, tornou-se claro que nenhum deles possui coragem para responder politicamente, ponto por ponto, ao comunicado do PCI (Maoista). Em seu artigo O colapso da Segunda Internacional, o camarada Lenin afirmou que, “…quando vários batalhões passam para o lado do inimigo, é preciso nomeá-los e marcá-los como traidores…”. Por isso, os revolucionários comunistas não devem hesitar em chamar Seema e Vishwavijay de liquidacionistas traidores.

Na luta entre duas linhas dentro do Partido, podemos distinguir a linha oportunista da linha marxista por meio dos três grandes estilos de trabalho ensinados pelo camarada Mao: integrar a teoria à prática, manter vínculos estreitos com as massas e praticar a crítica e a autocrítica. Aplicando a Seema e Vishwavijay o critério desses três grandes estilos de trabalho, examinemos brevemente cada aspecto.

  1. Havia uma distância da terra ao céu entre a teoria e a prática dos traidores Seema e Vishwavijay. De um lado, Seema percorria o país fazendo grandes proclamações em nome do movimento revolucionário e colhendo abundantes elogios, enquanto, na prática, considerava-se livre da ideologia e da política do Partido e da disciplina partidária nelas baseada. De outro lado, Vishwavijay “ji” não se cansava de dizer aos demais camaradas que “o camarada Mao serve para nos mostrar um espelho”, mas jamais olhava, no espelho apresentado pelo camarada Mao, para sua própria imagem oportunista. Como resultado, ambos acabaram caindo no pântano do liquidacionismo.
  2. Ambos tinham grandes dificuldades para construir vínculos estreitos com as massas. Basta abrir seus perfis no Facebook e continuar rolando a tela. Acreditem: chegarão à mesma conclusão. Para eles, trabalhar entre os camponeses sem terra e pobres era uma tarefa extremamente tediosa. Sentiam-se sufocados nas vielas dos bairros operários e nos cômodos onde vivem os trabalhadores. Jamais abandonaram sua confortável vida pequeno-burguesa. Suas reclamações aos camaradas por privilégios especiais e seu desejo de receber tratamento privilegiado demonstram isso. O camarada Mao afirmou que verdadeiro revolucionário é somente aquele capaz de integrar-se aos camponeses sem terra e pobres das aldeias. Jamais aplicaram em suas vidas esse ensinamento do camarada Mao, pois, para eles, integrar-se aos camponeses sem terra e pobres nunca passou do terreno da imaginação. Em contrapartida, estreitaram relações com o sistema judiciário semicolonial e semifeudal e envolveram-se em ações judiciais contra revolucionários comunistas e jornalistas democráticos. Nessas condições, não seria exagero se acabassem convertendo-se em lacaios do governo no caso de “revivificação do NRB”. Portanto, também fracassaram nesse critério.
  3. Seema e Vishwavijay jamais aprenderam a elevar sua prática para servir à revolução por meio da crítica e da autocrítica. Haviam praticamente jurado permanecer longos períodos sem coordenação com o Partido e sem participar de suas estruturas, isto é, juraram ser liquidacionistas. Resolver as questões por meio da crítica e da autocrítica dentro das estruturas partidárias estava ainda mais distante deles. Não pode haver dúvida de que, para ser revolucionário comunista, é indispensável ser membro do Partido Comunista; e, para ser membro do Partido, é indispensável participar regularmente de suas estruturas. Em outras palavras, quem não participa das estruturas do Partido pode ser qualquer outra coisa, mas não um revolucionário comunista. Uma característica do elemento pequeno-burguês é querer conservar seu nome na lista dos revolucionários comunistas, ao mesmo tempo que teme enfrentar os desafios de participar das estruturas. Isso se aplica perfeitamente a Seema e Vishwavijay. Além disso, sempre que eram criticados pelos camaradas, enchiam-se de arrogância feudal e interpretavam qualquer crítica feita por um camarada como um ataque. Por fim, com a intenção de isolar os próprios camaradas que os haviam criticado, lançavam campanhas de difamação contra eles. Ao mesmo tempo, continuavam realizando a façanha de recorrer a emoções feudais para escapar das críticas.

Seema e Vishwavijay fracassaram, um por um, nos três grandes estilos de trabalho e, em seu lugar, adotaram três estilos de trabalho de baixíssimo nível: marxismo na boca e liquidacionismo debaixo do braço; convívio restrito a meia dúzia de intelectuais liberais charlatães; e, embriagados de arrogância feudal, considerar a si próprios reis e todos os demais meros instrumentos. Assim traíram o movimento revolucionário. E quem trai será chamado de traidor. Para conhecer em detalhes as atividades liquidacionistas realizadas por Seema e Vishwavijay, deve-se ler o artigo recentemente publicado na revista Nazariya. Um estudo sério de tudo isso a partir do ponto de vista do proletariado conduzirá qualquer pessoa à conclusão de que as atividades realizadas por Seema e Vishwavijay não decorrem simplesmente de tendências não proletárias existentes neles, nem de algum desvio menor, mas de uma linha oportunista de direita clara, definida e paralela, que já percorreu o caminho até o liquidacionismo. Por isso, podemos afirmar que é completamente falsa a alegação de que o Partido teria desmascarado Seema e Vishwavijay antes que sua linha estivesse formada.

O surpreendente é que, mesmo depois de, imediatamente após o comunicado do PCI (Maoista), os traidores Seema e Vishwavijay terem chamado o NCC de agente do Estado e desencadeado todo tipo de ataque, inclusive apresentando processos de difamação contra revolucionários comunistas e jornalistas democráticos, ainda assim seja levantada semelhante questão. A própria intenção por trás dela torna-se uma questão que os revolucionários comunistas têm todo o direito de formular: qual é, afinal, a intenção por trás de afirmar hoje que foi errado desmascarar Seema e Vishwavijay antes que sua linha estivesse formada?

Eles são tão grandes quanto Kautsky para que o Partido desencadeie uma campanha contra eles?

Seema e Vishwavijay não são tão grandes quanto Kautsky; são formas mais desenvolvidas do traidor Kautsky. Isso porque Kautsky foi um produto da fase inicial do capitalismo, enquanto Seema e Vishwavijay são produtos da época da fase superior do capitalismo – o imperialismo. Kautsky deformou o marxismo; Seema e Vishwavijay deformaram a forma desenvolvida do marxismo, o “Marxismo-Leninismo-Maoismo”, e introduziram no interior do Partido, mediante uma política revisionista, a ideologia das classes dominantes. Aprendendo com o revisionismo de seu avô Kautsky e de seu pai Khruschov, rejeitaram a luta armada necessária à realização da revolução e adotaram o caminho da conciliação de classes baseado na coexistência pacífica. Na época do imperialismo, com a mudança da realidade material concreta, numa sociedade indiana semicolonial e semifeudal, Seema e Vishwavijay dispõem agora de armas ideológicas sob a forma do bramanismo e do pós-modernismo. Além disso, possuem armas como Facebook, WhatsApp etc. – que Kautsky não possuía – por meio das quais desenvolvem atividades antipartido, contrarrevolucionárias e antipovo. A própria pergunta revela sua bancarrota intelectual e torna clara sua posição de classe. Devido à sua posição de classe, setores do campesinato médio, sob o pretexto de combater as forças feudais, acabam amaldiçoando os próprios camponeses sem terra e pobres. Empregam artimanhas para apresentar a luta contra a grande classe latifundiária feudal como algo inútil e insignificante. Esses elementos oriundos dos estratos médios do campesinato procuram, dentro do movimento comunista revolucionário, apresentar a luta contra os elementos liquidacionistas como inútil e insignificante, para não precisarem lutar e poderem salvar a própria pele.

Foi correto publicar um comunicado de imprensa contra Seema e Vishwavijay?

Se essa pergunta está ligada a saber se eles são ou não traidores/liquidacionistas, ou se seria necessário esperar que se tornassem tão grandes quanto Kautsky para lançar uma campanha contra eles, já respondemos acima. Quem enxergar Seema e Vishwavijay como traidores e como formas desenvolvidas de Kautsky no atual movimento comunista revolucionário chegará inevitavelmente à conclusão de que era extremamente necessário publicar um comunicado contra eles e esclarecer a situação diante do povo. Caso contrário, sem uma declaração formal que esclarecesse sua situação, continuariam executando atividades antipartido dentro do campo comunista revolucionário em nome do próprio Partido. É necessário chamar a atenção para o fato de que, antes de o Partido publicar o comunicado, eles já percorriam diversos lugares realizando ativamente ações contra o Partido. Agora, depois do comunicado publicado pelo Partido, não resta nenhuma ambiguidade no campo comunista revolucionário a respeito de Seema e Vishwavijay. Pelo menos já não podem realizar atividades antipartido em nome do Partido. E qualquer pessoa que mantenha relações com eles e, ao mesmo tempo, afirme ser revolucionária comunista acabará automaticamente desmascarada diante do povo. É possível que aqueles que levantam essa questão também temam exatamente isso.

Deveria o Partido, em seu comunicado, ter feito comentários pessoais dirigindo-se a eles como “You/você/ji”?

Numa sociedade de classes, toda coisa “pessoal” possui sua própria política. Cada indivíduo representa, de uma forma ou de outra, determinada classe e procura, com todas as suas forças, realizar os interesses de sua classe. Por isso, essa é uma pergunta ilegítima. O próprio Partido explicou em seu comunicado que “Balraj é uma força política em toda a sua mente e seu corpo, e essa força política é traidora da linha do proletariado.” Da mesma maneira, Seema e Vishwavijay também constituem, em sua mente e em seu corpo, uma força política, e essa força política é traidora da linha do proletariado. É dever dos revolucionários comunistas opor-se a tudo aquilo que se coloca contra o proletariado. Portanto, o proletariado e as amplas massas não devem hesitar em empregar todos os métodos possíveis para combater a linha oportunista-liquidacionista-revisionista dos traidores Seema e Vishwavijay. Qualquer hesitação desse tipo nasce do liberalismo; do liberalismo nasce o oportunismo de direita; e do oportunismo de direita nasce o liquidacionismo, isto é, a traição.

É correto, numa situação de refluxo do movimento revolucionário, desencadear uma campanha desse tipo e expulsar Seema e Vishwavijay?

Precisamente numa situação de refluxo do movimento revolucionário, desencadear uma campanha desse tipo e expulsar Seema, Vishwavijay e outros elementos semelhantes é uma precondição para levar o movimento revolucionário ao ascenso e transformá-lo em revolução. Depois do fracasso da Revolução de 1905, o camarada Lenin destruiu o Oportunismo-Liquidacionismo-Revisionismo e construiu um Partido de novo tipo – aquilo que hoje todos conhecemos como Partido leninista –, dirigindo a revolução na Rússia. As revoluções só puderam triunfar onde foi possível construir um Partido desse tipo. Na China, a revolução pôde ser levada vitoriosamente a cabo sob a direção do camarada Mao precisamente porque ele construiu um Partido leninista e dirigiu a revolução chinesa. Digam-nos: em que país foi possível realizar a revolução sem lutar contra elementos oportunistas-liquidacionistas-revisionistas? Não encontrarão nenhum país desse tipo no mapa do mundo. Os elementos oportunistas-liquidacionistas-revisionistas tiveram um papel muito grande no atual revés temporário do movimento revolucionário indiano. Para compreender essa questão em detalhes, devem ser lidos, no número 6 da revista Nazariya, o artigo relacionado ao “papel do camarada Lenin” e o artigo A crise do movimento revolucionário e nossas tarefas.

Foi correto uma organização de massas assumir posição contra Seema e Vishwavijay? Isso não viola o método de trabalho clandestino?

A intenção evidente por trás dessa pergunta é paralisar as organizações revolucionárias de massas, impedindo-as de realizar propaganda e agitação revolucionárias. Ravi Narla foi o primeiro a ousar lançar essa pergunta para criar confusão nas fileiras revolucionárias. Ravi Narla trabalhou ativamente e na clandestinidade durante anos no PCI (Maoista). Depois foi preso. Será que a causa de sua prisão não foi justamente sua compreensão superficial dos métodos de trabalho clandestino? E o fato de, mesmo depois de sair da prisão, não ter voltado à clandestinidade não apontaria para a mesma coisa? Ele não sabe qual é o papel das organizações revolucionárias de massas na Revolução de Nova Democracia? Esqueceu o debate das décadas de 1980 e 1990 sobre o papel das organizações revolucionárias de massas, durante o qual os revolucionários comunistas traçaram uma clara linha de demarcação contra o oportunismo de direita da PDSU e fundaram a Radical Students Union? Ele chegou a ignorar aquilo que está exposto sobre as organizações de massas na Estratégia e Táticas do Partido em que trabalhou durante anos. Qual é a política por trás desse esquecimento e dessa omissão? Ravi Narla não deveria esquecer a afirmação do camarada Lenin de que aqueles que apoiam os oportunistas também são oportunistas.

Por que todos estão contra nós?

Em primeiro lugar, deve ficar claro que é uma mentira completa afirmar que todos estão contra nós. Os fatos estão sendo manipulados para desmoralizar os revolucionários comunistas que lutam contra o Oportunismo-Liquidacionismo-Revisionismo. A realidade material, porém, é que os revolucionários comunistas, os simpatizantes e a maioria do povo encontram-se num processo de unidade na luta contra o Oportunismo-Liquidacionismo-Revisionismo. Não conseguimos todos enxergar esse processo ocorrendo nas terras da Índia? Vemos que, de um lado, o setor revolucionário da pequena burguesia, para fazer a revolução, está ou proletarizando-se no interior do Partido ou encontra-se no processo de vincular-se a ele; de outro lado, o Partido Comunista prossegue a luta contra os elementos pequeno-burgueses reacionários que desertaram. Como os gritos e lamentações desses intelectuais pequeno-burgueses desertores podem ser convertidos no único critério para decidir se o Partido Comunista está certo ou errado? Podem Seema e Vishwavijay, agora do lado de fora, chegar a uma conclusão isenta de preconceitos sobre a luta travada pelo Partido Comunista contra Seema e Vishwavijay, que foram expulsos de dentro para fora? A resposta é “não”, pois suas raízes remontam a Bernstein. Esses elementos reacionários não podem servir de critério para determinar se o Partido está certo ou errado. O critério deve ser saber se o Partido Comunista está ou não avançando pelo caminho da Guerra Popular Prolongada para realizar vitoriosamente a Revolução de Nova Democracia, lutando contra o Oportunismo-Liquidacionismo-Revisionismo no processo de arrancar pela raiz as classes dominantes. Falando especificamente da etapa atual da luta contra o Oportunismo-Liquidacionismo-Revisionismo, o critério do êxito do Partido Comunista deve ser a expulsão dos elementos oportunistas-liquidacionistas-revisionistas e a formação, em grande número, de quadros e dirigentes clandestinos do Partido.

Até a vitória da revolução, o Partido que dirige o movimento revolucionário permanecerá numa posição mais fraca. É a influência das classes dominantes que prevalece entre as amplas massas. À medida que o Partido Comunista e o movimento revolucionário se fortaleçam, enfraquecerá a influência das classes exploradoras e opressoras sobre o povo. Os revolucionários comunistas devem evitar, em nome de incorporar as amplas massas, enfraquecer a luta contra o Oportunismo-Liquidacionismo-Revisionismo e cair no seguidismo diante das massas. Por isso, os verdadeiros revolucionários comunistas devem enfrentar firmemente essa luta contra o Oportunismo-Liquidacionismo-Revisionismo, sem se desmoralizar sequer por um instante. O grande dirigente do proletariado, camarada Lenin, ensinou que, no processo de luta contra o liquidacionismo, mesmo que nem um único operário venha nos apoiar, ainda assim devemos continuar lutando firmemente contra o liquidacionismo. Inspirando-se no camarada Lenin, os revolucionários comunistas devem prosseguir a luta implacável contra o Oportunismo-Liquidacionismo-Revisionismo. Se agentes das classes dominantes chamarem os revolucionários comunistas de agentes do Estado, de ditadores, de sectários ou qualquer outra coisa, os revolucionários comunistas não devem se intimidar. Aqueles que procuram deixar essa luta de lado questionando sua relevância precisam compreender que a posição socioeconômica de cada indivíduo determina sua política e sua ideologia. Por isso, devem dedicar uma atenção ainda maior à própria proletarização.

Este artigo foi escrito por Kishan. – Ed.