A falsa autocrítica da UOC e a sua cumplicidade política com a traição da camarilha revisionista de Sonu-Satish-Devji

Proletários de todos os países, uní-vos!

A falsa autocrítica da UOC e a sua cumplicidade política com a traição da camarilha revisionista de Sonu-Satish-Devji

Equipe Editorial Servir ao Povo – Brasil

Maio de 2026


Viva a Revolução de Nova Democracia na Índia, a guerra popular prolongada e o PCI(Maoista)!

“A segunda tendência [que afirma que a Índia se transformou um uma sociedade capitalista] elabora que o imperialismo patrocinou um modelo de ‘desenvolvimento’ internacional. [Esta tendência] argumenta que a classificação feita pelo Partido Maoista poderia ser aplicada ao final da década de 1960, mas que no presente o ‘feudalismo’ está completamente enfraquecido e que em larga medida as relações de produção capitalistas dominam o setor agrícola. Por isto, [esta tendência] tenta provar teoricamente que a Revolução Agrária Armada nas áreas rurais não tem vigência. Esta posição é sustentada por certos renegados que traíram o partido Revolucionário, o povo e a revolução e servem ao inimigo em seu propósito. Eles adotam a difamação e fazem alarido sobre a linha do Partido e fazem vãs tentativas de criar confusão no campo revolucionário.” (negritos nossos)

Partido Comunista da Índia (Maoista) – PCI(Maoista)

Changes in Relations of Production in India – Our Political Program, 2021

O dia 28 de março de 2026, foi um importante marco da solidariedade internacional e do internacionalismo proletário. Em dezenas de cidades, em todos os continentes, organizações de massas democráticas, populares e revolucionárias, partidos comunistas maoistas, intelectuais honestos e progressistas, em diversas manifestações foram às ruas denunciar e rechaçar o velho Estado indiano e o regime fascista bramânico hindutiva de Modi e sua genocida “Operação Kagaar”, em defesa da Revolução de Nova Democracia na Índia e da heroica Guerra Popular dirigida pelo grandioso Partido Comunista da Índia (Maoista), o PCI(Maoista). O FACAM, Fórum Contra a Corporativização e a Militarização, organização democrática revolucionária da Índia, convocou desde o início deste ano mobilizações de massas para o 28 de março, como Dia Internacional contra a Operação Kagaar. Operação de guerra com a qual o regime fascista indiano desencadeou há mais de ano, anunciando seu vão propósito de destruir o movimento revolucionário maoista nesse país mais populoso do mundo.

A “Operação Kagaar” tem sido a maior campanha de cerco e aniquilamento movida pela reação indiana por terra e ar contra a Guerra Popular na Índia. O inimigo, movendo grandes contingentes de forças militares, policiais e paramilitares, bem como todo tipo de meios de guerra, cercou as extensas zonas guerrilheiras nos campos e florestas da Índia, visando principalmente aniquilar a direção do histórico movimento revolucionário surgido do Levantamento Camponês de Naxalbari, Bengala Ocidental (1967), processo resultante da luta implacável contra o revisionismo, liderada pelo camarada Charu Mazumdar. Isto é, aniquilar os quadros e dirigentes do PCI(Maoista), em particular os membros do seu Comitê Central, os mandos do Exército Guerrilheiro Popular de Libertação (EGPL), dirigentes dos Governos Revolucionários e das organizações de massas. Em maio de 2025, o secretário-geral, do PCI(Maoista), Camarada Basavaraj caiu em combate, numa longa batalha em que as forças do EGPL buscavam romper uma extensa operação de cerco das reacionárias forças armadas do velho Estado indiano.

As hordas de assassinos (forças armadas do velho Estado indiano e suas forças auxiliares de polícias e bandos paramilitares) entraram nas aldeias, principalmente dos Advasis, mas não só, aplicando as conhecidas táticas de terror sobre as massas com prisões, torturas e execuções sumárias castigando-as por suposta ligação com a guerrilha naxalita, para intimidá-las a não se vincular com ela e no objetivo de arrancar informações das mesmas.

Ademais de contar com as forças mais treinadas da reação indiana, a “Operação Kagaar” buscou fortalecer por todos os meios a propaganda das posições revisionistas que negam o caráter semicolonial-semifeudal da Índia e a necessidade da revolução de nova democracia e atacam a estratégia e táticas do PCI(Maoista), tanto no país como no exterior, visando encorajar a deserção nas fileiras do Partido e do EGPL, já contando com informações de capituladores e traidores. Numa conspiração com renegados como Balraj, publicistas revisionistas como o web-“maoista” Abhinav Sinha e principalmente com a camarilha de traidores Sonu1-Satish-Devji na direção do Partido, por longo período o velho Estado indiano se serviu deste bando da linha oportunista de direita, revisionista e capitulacionista, como sua quinta-coluna na direção do Partido, em seu vão intento de destruir a direção revolucionária. A atuação desta quinta-coluna causou grandes prejuízos e danos ao PCI(Maoista). Tudo indica que foi a camarilha do traidor Sonu, como membro do Birô Político do CC e responsável pelo trabalho internacional do Partido, quem entregou para a reação códigos de comunicação, pontos de enlaces, nomes de dirigentes e locais estratégicos do trabalho de direção, delatou importantes segredos do Partido, o que explica a rapidez com que membros do CC e mandos do EGPL foram cercados, assassinados ou sequestrados. Assim como foi entregue aos serviços da reação o local exato que se encontrava o Camarada Basavaraj, em que ele e sua unidade de segurança foram surpreendidos, cercados e mortos em combate.

Além dos danos militares, das quedas e rendições emuladas e forçadas pela ação solerte, deletéria e enganosa do traidor Sonu, como todo revisionista, ele tentou revestir sua capitulação com falsas justificativas, buscando gerar o máximo de confusão e danos ao campo da revolução. Sonu passou a defender abertamente, com o patrocínio do velho Estado indiano, contando com a difusão dos monopólios de comunicação reacionários, sua podre linha revisionista de direita, na qual atacava a direção do PCI(Maoista), acusando-a de dogmatismo, sectarismo e esquerdismo. Buscando minar a estratégia da Guerra Popular Prolongada e o caminho do cerco da cidade pelo campo, Sonu passou a advogar que a Índia não era mais um país semifeudal, e que o trabalho nas cidades seria mais importante do que no campo.

A linha traidora de Sonu foi firmemente derrotada pelo CC do PCI(Maoista) no final do ano passado. Em contundentes declarações, o Partido reafirmou-se na ideologia do proletariado internacional, o marxismo-leninismo-maoismo, nos Princípios e Programas e Linha Política Geral do PCI(Maoista). O bando de Sonu, Satish, Devji e Balraj foi expulso do Partido e seus cabecilhas declarados como inimigos do povo e da revolução.

A firme defesa do caminho revolucionário desfraldado pelo CC do PCI(Maoista), o sacrifício heroico do Camarada Basavaraj e a necessidade urgente de defesa da Guerra Popular na Índia impulsionaram a um novo patamar a solidariedade internacional ao PCI(Maoista). Por sua vez, a convocação do Fórum Contra a Corporativização e Militarização, FACAM, foi um fator decisivo, pois deu às manifestações internacionais uma correta direção, deslindando com os oportunistas que no exterior traficam com o nome do Partido, com a guerra popular que ele dirige, bem como com a solidariedade a outras guerras populares e lutas de libertação nacional de outros países, para se fazer passar por revolucionários e contrabandearem para as fileiras do MCI suas posições direitistas e revisionistas. Por muitos anos, a campanha de solidariedade à revolução indiana foi sabotada por um grupelho de organizações com atuação mais virtual do que real, cujas atividades não são mais que tráfico com as guerras populares na busca de protagonismo de internet por atrair desavisados para sua órbita. Foi assim com a guerra popular no Peru e no Nepal enquanto estas estavam ganhando, e que a partir dos pesados golpes sofridos pela primeira com a patranha das “Cartas de Paz” da LOD, voltou suas costas a ela; e, no mesmo estilo e prática, passou à segunda, a qual foi golpeada com a capitulação e deposição das armas pelo traidor Prachanda, para logo tentar montar no prestígio da guerra popular na Índia. Desta feita, através de usurpar a direção do Comitê Internacional de Apoio à Guerra Popular na Índia-CIAGPI, reduzindo-o ao minúsculo grupo que restringia sua ampliação a forças democráticas, progressistas e anti-imperialistas e de um massivo apoio por todo mundo a esta avançada linha de combate da Revolução Mundial.

A convocatória do FACAM foi imediatamente atendida pela ILPS (Liga Internacional de Luta dos Povos) e pela recém-fundada LAI (Liga Anti-imperialista Internacional), ademais de organizações democráticas de luta pelos direitos dos povos na Europa, EUA e América Latina. No Rio de Janeiro, Brasil, centenas de ativistas, reunidos para a fundação do núcleo da LAI no Brasil, no dia 28 de março de 2026, foram às ruas em manifestação contra a Operação Kagaar, além de ações contra instalações da empresa siderúrgica indiana Mital, uma das corporações que financiam o genocídio e desalojo do povo Advasi de suas terras para a mineração e saqueio das riquezas do seu subsolo. Na Colômbia, o Congresso de fundação da Liga Anti-imperialista Internacional, mesmo transferido a este país na véspera de seu início devido que a cidade que a sediaria e toda região de seu entorno, no Equador, fora assaltada pela operação de guerra do governo fascista de Noboa, operação conjunta com o imperialismo ianque, e ainda assim sua realização exitosa foi assegurada com a participação de mais de 150 delegados de 14 países, os quais aprovaram importante declaração política contra a Operação Kagaar. No México, a Corrente Popular Sol Vermelho e o Comitê promotor da LAI (México) foram às ruas em apoio à Revolução de Nova Democracia na Índia. No Chile, revolucionários fizeram ações de propaganda armada em apoio a Guerra Popular na Índia, durante as manifestações no Dia do Jovem Combatente, 29 de março. No Equador e na Bolívia organizações revolucionárias soltaram declarações contundentes em apoio ao PCI(Maoista).

Na Ásia, houve também manifestações na Turquia, Bangladesh e nas Filipinas.

Nos Estados Unidos, em diferentes cidades e estados foram realizadas manifestações coordenadas por diversas organizações maoistas e de solidariedade internacional, que atenderam à convocatória do FACAM.

Na Europa, diversas manifestações foram realizadas. Na Holanda, as bandeiras da ILPS e da LAI ondearam na mesma manifestação pelo fim da Operação Kagaar. Houve importantes atos na Áustria, Alemanha, Finlândia, Noruega, Suécia e Espanha em apoio à Revolução Indiana. Na Noruega, manifestantes se concentraram em frente a embaixada da Índia em Oslo. Na Inglaterra, o Comitê Conjunto para Deter a Repressão na Índia e a Associação de Operários indianos da Grã-Bretanha, realizaram importante ato em Londres e Glasgow. Uma importante manifestação ocorreu em Zurique, Suíça, na qual as organizações populares turcas jogaram um importante papel mobilizador.

Na França, uma extensa campanha de massas contra a Operação Kagaar tem sido levada a cabo, em meio à crescente luta anti-imperialista. No Congresso de fundação local da LAI, 400 ativistas em uníssono levantaram sua voz contra a genocida “Operação Kagaar” e em defesa do PCI(Maoista) e da Guerra Popular na Índia. No Congresso de Reconstituição da Juventude Comunista, 600 jovens revolucionários ergueram seus punhos em apoio à Revolução de Nova Democracia na Índia e em homenagem ao Camarada Basavaraj. O Partido Comunista da Índia (Maoista), enviou uma importante saudação a este grandioso evento:

“Em primeiro lugar, queremos estender nossas mais calorosas saudações a todos os camaradas revolucionários que estão organizando o Congresso da Juventude Comunista na França.

Rendemos nossas homenagens ao Camarada Basavaraj, ao Camarada Hidma, ao Camarada Vivek, ao Camarada Raju, ao Camarada Kosa, ao Camarada Anuj, ao Camarada Ganesh, ao Camarada Bhaskar, ao Camarada Uday, ao Camarada Chalapathy, ao Camarada Anal e às centenas de filhos e filhas ardentes de nossa terra que tombaram como mártires na Operação Kagaar, desencadeada pelo Estado indiano desde janeiro de 2024.

Homenageamos também a todos os camaradas revolucionários que tombaram como mártires nas Filipinas, na Turquia, no Peru, no Brasil, na França e em todos os países do mundo pela Revolução Socialista.

Alegramo-nos com a notícia do Congresso da Juventude Comunista, que ocorre em um dos momentos mais importantes da história. Apesar de não podermos comparecer pessoalmente desta vez devido à repressão e à vigilância estatal muito intensas, compartilhamos com vocês nossa mais profunda solidariedade e entusiasmo.

(…)

Viva o internacionalismo proletário!

Viva o marxismo-leninismo-maoismo!

Viva a Revolução Socialista Mundial!

Saudações revolucionárias,

Partido Comunista da Índia (Maoista)

Na Índia, a Frente Estudantil Revolucionária (RSF) realizou no dia, 23 de março, um ato de protesto para exigir o fim da Operação Kagaar e contra o saqueio da água, dos bosques e das terras da nação indiana; ademais do fim da guerra de agressão do imperialismo ianque no Oriente Médio. No dia 31 de março, dia estabelecido pelo reacionário governo fascista de Modi como prazo para eliminação do movimento maoista no país, o FACAM realizou um seminário sobre as agressões imperialistas e contra a Operação Kagaar, contando com a participação do veterano Ka Murali, o Camarada Ajith.

O impacto das manifestações internacionais tiveram grande significado e repercussão no interior da Índia. Temerosos com o crescimento da propaganda democrático-revolucionária, o velho Estado indiano prendeu uma série de estudantes no país, ligados a RSF e à Revista Nazariya. Os companheiros da Revista Nazariya registraram estes fatos com uma contundente declaração:

“Alarmado pelo chamamento internacional do FACAM para a realização da semana anti-imperialista de 23 a 31 de março e pela organização de uma convenção popular contra o saqueio imperialista em Nova Deli, no 31 de março, data que coincidia com o suposto prazo para o fim do movimento maoista, o Estado indiano utilizou este caso como pretexto para sequestrar os ativistas e ameaçá-los para que abandonassem a política e deixassem de organizar a semana anti-imperialista.”2

Em seu balanço das manifestações do 28 de março de 2026, o FACAM afirmou que:

“No dia 28 de março de 2026, forças revolucionárias, democráticas e anti-imperialistas em todo o mundo participaram do Dia Internacional de Ação contra a Operação Kagaar, mostrando solidariedade com as massas em luta na Índia.

(…)

Houve protestos, manifestações e ações políticas por todo o mundo expondo e exigindo o fim da Operação Kagaar. O significado desta resposta mundial não se pode passar por alto. Em um momento em que as classes dominantes buscam restringir as lutas populares dentro das fronteiras nacionais, o Dia Internacional de Ação rompeu este isolamento e reafirmou uma verdade fundamental: a luta dos oprimidos, seja onde for, é inseparável da luta dos oprimidos em qualquer outra parte do mundo.

(…)

Reconhecemos e saudamos a crescente onda de solidariedade em todo o mundo, nas Filipinas, México, Holanda, Turquia, Brasil, Chile, Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, e outros lugares. Estas expressões de unidade refletem a interconectividade das lutas dos povos de Índia, Filipinas e Palestina, e o inimigo comum que confrontam: o imperialismo e suas marionetes. Esta unidade deve ser fortalecida e aprofundada.”3

Os planos do velho Estado indiano, do imperialismo e do revisionismo de acabar com a Guerra Popular na Índia, uma vez mais, foram derrotados. Os ataques do exército reacionário, as traições dos renegados revisionistas, nada disso foi capaz de derrotar o PCI(Maoista) e a invencibilidade da Guerra Popular, pois os maoistas e as massas indianas são como unha e carne; por mais difíceis e duros que sejam, não existe derrota definitiva para o proletariado; afinal, enquanto existirem massas e Partido Comunista toda sorte de milagres será possível, como nos ensinou o Presidente Mao. O que estamos vendo é o início da contraofensiva ideológica, política e militar do PCI(Maoista) contra a Operação Kagaar. O avanço da situação internacional, o fortalecimento do Movimento Proletário Internacional e do Movimento de Libertação Nacional condicionam que a superação dos golpes sofridos pode ser muito mais rápida do que em outros momentos. Para tal, os revolucionários de todo o mundo devem unir esforços para ações conjuntas contra o imperialismo e seus lacaios, e fazer este combate de modo inseparável do combate ao revisionismo. O dia 28 de março de 2026, a contundente convocação do FACAM e sua repercussão internacional são importantes sinais de que a contraofensiva revolucionária já está em curso e, antes cedo do que tarde, nos brindará com seus vermelhíssimos resultados.

A falsa autocrítica da UOC(MLM), propagandista das teses revisionistas da camarilha de Sonu, Satish, Devji e Balraj

A firmeza intrépida da direção do PCI(Maoista)na luta contra as forças armadas do velho Estado indiano e contra a quinta-coluna revisionista está sendo decisiva para a derrota da Operação Kagaar. Em outubro de 2025, quando, em espetáculo orquestrado com a reação indiana, Sonu entregou-se nos braços do regime fascista de Modi que tinha por objetivo liquidar o PCI(Maoista) e forçar a capitulação de sua direção. A pérfida maquinação liquidacionista de Sonu e Modi, foi derrotada; o Partido unificou-se em torno de sua Ideologia, Linha Política Geral e Programa, aplastou o liquidacionismo capitulacionista de direita e reafirmou-se no desafiador sendeiro de prosseguir a Guerra Popular. Ainda em outubro de 2025, o seu CC emitiu contundente declaração em que afirmava:

“As tendências conciliadoras que Sonu e Satish alimentaram durante décadas se transformaram gradualmente em conciliação, com a operação Kagaar este oportunismo conciliador se transformou em traição e em ação contrarrevolucionária. Não soubemos avaliar corretamente este processo a tempo. Como resultado deste fracasso, ambos utilizaram suas posições de direção para infligir um grave dano ao movimento revolucionário. Informamos ao campo revolucionário que revisaremos este fracasso e extrairemos as lições necessárias.”4

Ainda em outubro de 2025, em importantíssima declaração, a Liga Comunista Internacional (LCI), reforçou este chamado do PCI(Maoista), conclamando:

“As posições revisionistas do renegado Sonu e sua camarilha e sua traição não são um fenômeno exclusivo da Índia; também são uma expressão de posições revisionistas existentes no MCI, desde onde há defensores tanto abertos como ocultos do renegado Sonu. Por essa razão, devemos assumir a lição dos acontecimentos e tomar o que sucedeu com a camarilha de traidores de Sonu como uma advertência importante para o MCI e um chamado a elevar a luta contra o revisionismo e todo oportunismo, e particularmente contra as tendências capitulacionistas e traidoras. Cerrar fileiras com o PCI (Maoista) é combater aos seguidores de Sonu no MCI, varrendo assim todas as posições revisionistas e oportunistas que convergem com suas posições.”5

Em dezembro daquele ano, atendo ao alerta do PCI(Maoista) e à convocação da LCI, o Partido Comunista do Brasil (P.C.B.), publicou importante documento em que desmascara os fingidos apoiadores da Guerra Popular na Índia, revelando seu caráter direitista e convergente com a podre linha de Sonu, Satish e Balraj. Neste documento o P.C.B. afirma que:

“No MCI, existe nos meios digitais ou virtuais ‘defensores da Guerra Popular na Índia’, porém que na realidade defendem posições contrárias e opostas à Linha Política Geral e ao programa do PCI (Maoista) para a revolução na Índia e nos países dominados pelo imperialismo. De palavra e no papel, afirmam que apoiam a Guerra Popular na Índia; na prática virtual defendem de maneira encoberta posições similares às do bando de Sonu e Satish. Para apoiar o PCI (Maoista), neste difícil momento pelo qual atravessa a revolução na Índia e para derrotar a ‘Operação Kagaar’, é indispensável deslindar e combater esse falso apoio, pois tal qual a quinta-coluna dentro das linhas revolucionárias, estas posições atuam no MCI para difundir linhas oportunistas contrárias e convergentes com posições de conhecidos revisionistas da Índia de que a etapa atual da revolução nesse país é socialista e não de nova democracia, que o país é capitalista emergente e da inexistência da semifeudalidade, buscando o descrédito da linha ideológico-política e militar do Partido e assim desprestigiá-lo, enquanto lançam vivas à Guerra Popular na Índia e ao PCI (Maoista).”6

Especificando sua crítica, o P.C.B. deixa claro que:

Estamos nos referindo às posições da direção da União Operária Comunista (UOC) da Colômbia, uma das participantes do Comitê Internacional de Apoio à Guerra Popular na Índia. Nos meios virtuais, esta organização diz apoiar a Guerra Popular na Índia, porém, de maneira encoberta em seus materiais teóricos difunde posições ideológico-políticas opostas às formulações do PCI (Maoista). Ademais, a direção da UOC(MLM), literalmente copia formulações teóricas de revisionistas da Índia para sustentar sua podre posição que nega o caráter universal da Revolução de Nova Democracia para os países oprimidos, isto é, coloniais, semicoloniais e semifeudais.

(…)

Todo o capítulo 5 da revista Negação da Negação, Nº 6, órgão teórico da UOC (mlm), intitulado ‘A propósito da semifeudalidade-semicolonialidade’, que vai da página 89 à 102, é um plágio das formulações deste web-revisionista indiano [refere-se a Abhinav Sinha]. As seções ‘5.1 A teoria de Mao sobre a formação social semifeudal-semicolonial’ e ‘5.2 A coincidência da teoria da semifeudalidade com os teóricos do neoliberalismo a propósito da renda capitalista da terra’ ocupam exatamente 14 páginas; dos 71 parágrafos contidos neste capítulo, 65 são cópias literais, traduções do inglês ao espanhol, de dois artigos deste anti-naxalita, Abhinav Sinha, intitulados: Problemas do Movimento Comunista Revolucionário na Índia: A questão do programa e a estratégia e Desenvolvimento da agricultura capitalista na Índia e A origem intelectual da tese fraudulenta sobre a presença da semifeudalidade.”7

A UOC(MLM), organização que se autodefine como “a principal promotora na Colômbia do apoio e da solidariedade com a revolução na Índia”, simplesmente foi “pega em flagrante” não só por fazer passar como sua formulação uma cópia descarada, mas principalmente por omitir propositadamente o nome do autor, em razão deste ser notório revisionista e declarado inimigo do PCI(Maoista). E não se trata de cópia de um trecho ou de um determinado conceito, mas de 14 páginas de formulação trotskista-revisionista copiada, publicadas em sua revista teórica.

Em janeiro de 2026, o Comitê de Direção da UOC(MLM), veio a público com uma declaração política em que encena uma falsa autocrítica sobre a cópia da referida formulação do revisionista indiano Abhinav Sinha. Inicia sua declaração queixando-se das “infames acusações realizadas pelo Partido Comunista do Brasil”, obrigada que foi a dar explicações, porém que as fez da forma ainda mais descarada:

“Reconhecemos autocriticamente e com o mais alto espírito proletário que a revista Negação da Negação nº 6, no capítulo 5, o artigo A propósito da semifeudalidade-semicolonialidade é um plágio do artigo do senhor Abhinav Sinha (…).”8

Reconhecem o óbvio, plagiaram um web-revisionista indiano, mas nada há de autocrítico ou de espírito proletário e, menos ainda de honestidade, em sua declaração, apenas a impossibilidade de negar o explicitado pelo P.C.B.. Sua falsa autocrítica se revela na sentença que completa a citação acima:

“(…) Problemas do movimento comunista revolucionário na Índia: a questão do programa e da estratégia escrito por um personagem do qual não tínhamos conhecimento até averiguar na denúncia feita pelo P.C.B..”9

Vejamos só a “ingenuidade” do Comitê de Direção da UOC(MLM): confessa que é “um plágiodo artigo do senhor Abhinav Sinha”, para em seguida jurar que não o conhecia! Então achou-se na internet um artigo anônimo e o copiaram como parte de sua fundamentação teórica contra a semifeudalidade? Por acaso, não teria sido que se buscou em fontes indianas contrárias ao PCI(Maoista) argumentos à fundamentação teórica deste da existência da semifeudalidade naquele país? Poderia nos indicar a fonte, de onde retiram as mesmas palavras em que não aparece o revisionista como autor do texto? Por favor Senhores, afirmar isso e ainda chamar de autocrítica é querer zombar da inteligência e a paciência do Movimento Proletário Internacional.

Ademais, reconhece que plagiou um texto, sendo que na verdade copiou dois textos de Sinha. Antecipando esta manobra diversionista da direção da UOC(MLM), o P.C.B. em seu documento de desmascaramento desses falsos apoiadores da GP na Índia já havia prevenido o MCI, afirmando que:

“A UOC(MLM) poderia alegar que foi só um problema de edição (…). Porém isto seria outra falácia. Pois, ademais de que a direção da UOC(MLM) mescla dois textos distintos, ela teve cuidado de retirar quase todas as referências do texto a Índia. Então dizemos que isto é plágio, não somente porque não cita a fonte da qual transcreveu exatas e longas maquinarias dos textos de Abhinav Sinha, senão também pelo engano ao ocultar a verdadeira autoria desse revisionista. Dupla desonestidade intelectual.”10

Assim, o capítulo 5, da revista da UOC(MLM) não é meramente “um plágio de um artigo do senhor Abhinav Sinha”, ele é a cópia do conteúdo revisionista de dois artigos e a edição desses artigos, pois a UOC(MLM), tal qual o bandido que tenta limpar a cena do crime, quis apagar as pegadas desta cópia, visando assim manter o verniz de defensor do PCI(Maoista). Como poderia explicar isso? Dois artigos de um web-revisionsita indiano aparecem selecionados e editados como um capítulo de sua revista teórica e simplesmente se afirma que não se conhecia o autor até a “denúncia feita pelo P.C.B.”. Ojo! Tenha a santa paciência, Senhores!!!

Mas o pior da “Declaração do Comitê de Direção da UOC(MLM)”, não são essas chicanas burdas e, sem-vergonha. O revelador é que faz a “autocrítica” do plágio e nenhuma palavra sobre o autor ser um inimigo jurado do PCI(Maoista) e da guerra popular que este dirige, dos quais se diz ser o maior apoiador na Colômbia, persistindo na defesa das posições de Sinha. Isto é, em nenhum momento sequer deslinda com este senhor que “acabaram” de conhecer, ser um contrarrevolucionário de marca maior. Persiste-se na falsidade: o “grave erro” é o plágio, quando este é só um ardil barato. Não senhores, o erro gravíssimo, pois que, o perigo principal para o movimento revolucionário é o revisionismo, do qual não fazem a mínima autocrítica, e não o fazem, pois, a cada dia assumem a condição de revisionistas confessos. Assim, revelam que:

“O plágio é um erro grave cuja responsabilidade recai no Comitê de Direção da UOC (MLM) por falta de vigilância revolucionária. (…) Um erro que consideramos ademais inadmissível, que não corresponde com nossa longa história e a não pouca trajetória de luta contra o dogmatismo e o sectarismo e, em particular, contra aqueles que negam a existência e imposição de relações capitalistas no campo em muitos países oprimidos; esta é uma herança que vem desde a revista Contradição na década de 90 do século passado, e remonta as discussões no seio do Partido Comunista da Colômbia (ML) desde meados dos anos 60, contra a pretensão subjetiva e sectária de calcar a letra do marxismo leninismo maoismo para impô-la à realidade (…).”11

Estão envergonhados não por terem a mesma posição ideológica do web-revisionista, inimigo do PCI(Maoista), e por ter ocultado sua autoria, mas sim, por terem plagiado um noviço enquanto eles já são veteranos defensores dessas mesmas posições. Isso que para eles é “inadmissível”! Eis a herança da qual se orgulham, defendem que na Colômbia já se impunham relações capitalistas no campo desde meados dos anos de 1960. Mas é completamente falso que esta herança se relacione com a fundação do Partido Comunista da Colômbia (ML). O PCC M-L foi encabeçado por Pedro Vásquez Rendón, defensor do pensamento Mao Tsetung, como se denominava o maoismo à época. Rendón participou e dirigiu as guerrilhas do sul de Tolima, região camponesa de grande tradição revolucionária na Colômbia.

O que a direção da UOC(MLM) herda de meados dos anos de 1960 não tem nada a ver com os precursores do maoismo e da Guerra Popular na Colômbia. São herdeiros das posições dogmato-revisionistas hoxhistas em que se degenerou da direção do PCC M-L, particularmente das posições trotskistas, como as da falsa Teoria “Marxista” da Dependência. Essas são as raízes históricas do revisionismo da direção da UOC(MLM), copiam dos revisionistas de cátedra daquela época como André Gunder Frank e Ruy Mauro Marini, que advogavam justamente a inexistência da semifeudalidade na América Latina, o desenvolvimento pleno do capitalismo sob o domínio imperialista e o fim da questão agrário-camponesa para a revolução nesses países.

E tanto, a UOC(MLM) não rejeita nem se envergonha do conteúdo copiado e editado dos artigos de Sinha, que até hoje, maio de 2026, quatro meses após sua “autocrítica” por plágio, segue em seu site, intactas, as publicações copiadas. Não se deram nem ao trabalho de retirarem-nas do ar, pois o conteúdo dos artigos de Sinha é o mesmo que a UOC(MLM) defendia nos anos de 1990, e idêntico às raízes trotskistas de meados dos anos de 1960, e igual ao que seguem defendendo hoje em dia esses incorrigíveis direitistas.

A refutação completa feita pelo P.C.B. das posições revisionistas da UOC(MLM)

Em sua falsa autocrítica, o Comitê de Direção da UOC(MLM), tem o desplante de fazer-se de vítima e não encontra limites nos disparates que lança contra o P.C.B.. Em sua furibunda resposta às denúncias do P.C.B., afirma:

“Em relação a acusação gratuita de que a UOC(MLM) afirma ‘que o imperialismo promoveu ou apoiou revoluções burguesas e revoluções agrárias’ é uma invenção do P.C.B.. Nossa posição há sido fundamentada e até agora não recebeu uma refutação científica porque se baseia na realidade. Afirmamos com Marx que o capitalismo surgiu jorrando sangue e segue jorrando sangue nesta época do capitalismo imperialista, despojando aos produtores diretos dos seus meios de produção. Que na Colômbia se impôs despojando aos camponeses de suas terras a sangue e fogo, e o segue fazendo na atual guerra contra o povo que vem desde os anos 80 do século passado. A propósito da qual diz o P.C.B., que se trata de ‘uma das mais prolongadas e sangrentas lutas armadas camponesas do mundo’, quando na verdade tem sido uma das mais prolongadas e sangrentas lutas armadas contra os camponeses e pela renda extraordinária do solo que deixam as plantações de coca, maconha, palma de azeite, as explorações de petróleo e ouro, dentre outras.”12

O Comitê de Direção da UOC(MLM) chama de acusação gratuita as críticas do P.C.B. e tem o descaramento de afirmar que a posição deles “até agora não recebeu uma refutação científica”. O P.C.B., em dezembro de 2023 publicou um extenso e profundo documento intitulado A Revolução de Nova Democracia é a força principal da Revolução Proletária Mundial. Documento de 189 páginas em que são refutados um a um as “formulações” da UOC(MLM). Neste documento, estão refutados, inclusive, todos os disparates de Abhinav Sinha, que na época foram tomados como formulações da UOC(MLM), pois a cópia não havia sido desmascarada. A UOC(MLM), passado mais de dois anos desde a publicação deste contundente documento, nunca se manifestou, nem respondeu qualquer uma das críticas levantadas pelo P.C.B.. Agora em sua falsa autocrítica ainda busca se vangloriar dizendo que nunca foram refutados. Poderíamos chamar isso de cinismo, mas o mais correto é qualificar por seu verdadeiro nome: revisionismo. Quanto a caracterização feita por essa organização de que as guerrilhas camponesas na Colômbia não passam de “sangrentas lutas armadas contra os camponeses e pela renda extraordinária do solo que deixam as plantações de coca, maconha”, é uma afirmação de gravíssimas consequências, deixa patente todo seu direitismo repetindo o cacarejo da reação fascista colombiana e do imperialismo ianque, de que estas lutas não passam de movimentos “narcoguerrilheiros”. Devido à gravidade da questão trataremos em separado, mais a frente neste texto.

A UOC(MLM) chama de “invenção” e “acusação gratuita” as críticas do P.C.B. acerca de suas formulações sobre o imperialismo e sobre o desenvolvimento do capitalismo na Colômbia. Tomemos algumas longas citações do documento do P.C.B. para vermos um pouco das refutações científicas às posições revisionistas da UOC(MLM):

“Em sua crítica aos Partidos e Organizações fundadoras da LCI, em particular, ao P.C.B., a UOC(MLM) aponta como dogmatismo de nossa parte a defesa da vigência da Revolução de Nova Democracia nos países semicoloniais. Critica-nos por uma suposta falta de ‘objetividade’ em nossas análises sobre o imperialismo e o desenvolvimento do capitalismo nos países oprimidos. Tanto em sua crítica, quanto em outros documentos, a direção da UOC(MLM) formula uma ‘nova’ teoria do imperialismo, a qual tenta passar como sendo uma aplicação concreta e objetiva do maoismo à atual situação mundial e dos países oprimidos. Conforme a UOC(MLM) o imperialismo seria um modo de produção mundial’ no qual conviveriam ‘duas tendências: uma ao estancamento (…) e outra ao progresso”. Essa suposta tendência progressista, significaria que o imperialismo ‘varre os vestígios dos modos de produção pré-capitalistas’ nos países oprimidos pelas potências imperialistas. O varrimento da semifeudalidade pelo imperialismo implicaria, por sua vez, num desenvolvimento pleno do capitalismo desses países, particularmente, no campo e que a burguesia deste obteria ‘uma taxa de lucro igual a da burguesia de outros países’, isto é, imperialistas. Segundo a UOC(MLM), os países oprimidos são de dois tipos: 1) países capitalistas oprimidos e 2) países semifeudais, isto é, dois tipos de semicolônias, a semicolônia capitalista e a semicolônia semifeudal. Na sua formulação países capitalistas oprimidos e países semifeudais, são ambos semicolônias, mas o caráter da revolução dos primeiros seria imediatamente socialista e, apenas, para os países semifeudais estaria vigente a Revolução de Nova Democracia.”13

O P.C.B. tomando amiúde a documentação e formulação ideológica da UOC(MLM) destaca como esta organização defende uma posição anti-Leninista de que o imperialismo teria uma tendência ao “progresso”, pois “varre os vestígios dos modos de produção pré-capitalista”. Que façanha, não? Numa só frase faz cacos da teoria leninista do imperialismo de que este é uma tendência em toda a linha para a violência e a reação”. A UOC(MLM), defende que em “alguns países semicoloniais”, como seria o caso da Colômbia, o capitalismo se desenvolveu de modo pleno, de tal modo que a burguesia destes países seria capaz de auferir uma taxa de lucro igual à das burguesias imperialistas. Ademais, que a revolução nesses países seria imediatamente socialista, porque a etapa burguesa já estaria cumprida. Para a UOC(MLM) o imperialismo possui uma tendência progressista capaz de varrer a semifeudalidade em países oprimidos, ou seja, de transformar características fundamentais desses países a ponto de mudar o caráter de suas revoluções, de Revolução de Nova Democracia para Revolução Socialista (imediata). Ora o que seria isso senão a promoção por parte do imperialismo de revoluções democráticas e agrárias nos países semicoloniais? Esta não é uma acusação gratuita por parte do P.C.B., muito ao contrário, é só a constatação objetiva de uma decorrência ideológica das formulações revisionistas da UOC(MLM).

O P.C.B. retoma diversas passagens dos clássicos do marxismo-leninismo-maoismo para fundamentar sua crítica às posições revisionistas da UOC(MLM). Retoma a importantíssima formulação de Lenin, seguinte:

“O imperialismo é a época do capital financeiro e dos monopólios, que trazem consigo, em toda a parte, a tendência para a dominação, e não para a liberdade. A reação em toda a linha, seja qual for o regime político; a exacerbação extrema das contradições também nesta esfera: tal é o resultado desta tendência. Intensifica-se também particularmente a opressão nacional e a tendência para as anexações, isto é, para a violação da independência nacional (pois a anexação não é senão a violação do direito das nações à autodeterminação).”14

Ou seja, o imperialismo é a “reação em toda a linha”, não há portanto uma tendência progressista no imperialismo que permita o varrimento da semifeudalidade e o desenvolvimento pleno do capitalismo nas semicolônias. E esta formulação leninista é desenvolvida de maneira ainda mais completa pelo Presidente Mao, em citação também utilizada pelo P.C.B. em sua refutação científica:

“Ao penetrar em nosso país, as potências imperialistas de nenhum modo se propunham transformar a China feudal em uma China capitalista. Seu objetivo era o oposto: fazer dela uma semicolônia ou colônia.”15

A dominação imperialista, conforme formula o Presidente Mao, não leva os países dominados a um desenvolvimento capitalista pleno, mas sim à subjugação desses países à condição colonial ou semicolonial, apoiando-se exatamente na base pré-capitalista, feudal/semifeudal, condição que lhe permite extrair o lucro máximo, conservando-a subjacente através da evolução de suas formas. No entanto, o Programa da UOC(MLM) é completamente oposto a estas formulações marxista-leninista-maoistas, vejamos:

“O capital exportado atua sobre os gérmens ou desenvolvimentos capitalistas dos países oprimidos, e como tendência geral, acelera seu desenvolvimento, varre os vestígios dos modos de produção pré-capitalista, acelera a decomposição do campesinato, tudo isto, sem menosprezar que em alguns países a tendência predominante foi, sobretudo no começo da fase, a de reforçar os modos pré-capitalistas. A debilidade desta última tendência aumenta em proporção direta com a expansão universal do capitalismo imperialista e a aprofundização do mesmo (…).”16

Conforme a teoria revisionista do imperialismo da UOC(MLM), o capital exportado pelas potências imperialistas acelera o desenvolvimento capitalista de ditos países, varre os vestígios semifeudais, acelera a diferenciação do campesinato. Ademais, segundo dita tese, o imperialismo pode ser dividido em duas fases, na primeira fase, a tendência predominante foi de “reforçar os modospré-capitalista”; numa segunda fase, a de “expansão universal do capitalismo imperialista” a tendência de reforçar os modos pré-capitalistas diminui. Mais uma vez a natureza dupla do imperialismo, ora estancamento, ora progresso; ora reforça semifeudalismo, ora varre as relações de produção pré-capitalista. Como já visto, isto contradiz completamente as formulações de Lenin e do Presidente Mao sobre o imperialismo. Como veremos mais à frente, isso contradiz antagonicamente as formulações do PCI(Maoista) sobre o imperialismo e seu desenvolvimento no curso do século XX.

O P.C.B. contesta da seguinte maneira esta formulação revisionista da UOC(MLM):

“Como é possível tentar conciliar a defesa do maoismo com a tese falaciosa da tendência progressista do imperialismo? Como é possível se afirmar maoista e dizer que o imperialismo varre as relações semifeudais nos países semicoloniais? A UOC(MLM) afirma não menosprezar que ‘em alguns países a tendência predominante tenha sido, sobretudo no começo da fase, reforçar os modos de produção pré-capitalistas’. Tenta conciliar seu desvio explícito do maoismo com um remendo: em alguns países o imperialismo, em seus inícios, reforçou os modos de produção pré-capitalistas. Convertem assim a linha da IC e do Presidente Mao em exceção e cria uma falsa dicotomia na história do imperialismo: no início da etapa, impulsionava modos de produção pré-capitalistas; depois, os varria. Faltou apenas à UOC(MLM) explicar como ocorreu esta metamorfose imperialista: da reação em toda a linha para a suposta tendência progressista. Em oposição a concepções revisionistas como esta, o Presidente Mao afirma que o imperialismo ‘(…) nunca se tornará um buda’.”17

Na mesma toada da falsa autocrítica a UOC(MLM) questiona: “Onde está a suposta afirmação de que ‘o imperialismo promoveu ou apoiou revoluções burguesas e revoluções agrárias?’ Na má-fé do P.C.B.” Como, onde? Já não se dão conta de vossas formulações ou tergiversam sobre semântica? Ela está contida em vosso Programa, escrito em 2015, Senhores revisionistas-plagiadores; esta formulação está na falsa teoria “marxista” da dependência, na podre teoria de Trotsky e Avakian, como precisamente demonstrou o P.C.B. e seu documento de 2023.

O P.C.B. refuta com bastante objetividade e profundidade o que seriam os exemplos das conclusões falaciosas da UOC(MLM). Por exemplo, esses revisionistas citam a parceria como exemplo “baseado na realidade” que comprovaria a transição completa das relações feudais para capitalistas no campo colombiano. A parceria constitui uma relação de produção na qual o camponês entra com parte dos meios de produção e o latifundiário e/ou capitalista entra com outra parte desses meios. O camponês pode tanto entrar com seu lote de terra ou com alguns instrumentos de trabalho; já as classes dominantes podem entrar com sementes, matrizes de animais, ou meios de transporte e beneficiamento do produto camponês (por exemplo, máquina de descascar arroz, usina de beneficiamento de leite, etc). A parceria, relação de produção analisada em detalhe pelo grande Lenin, sempre foi apresentada pelos grandes mestres do proletariado internacional como um exemplo clássico de relação semifeudal. Vejamos, em detalhe, devido a importância do tema, mais esta refutação científica feita pelo P.C.B.:

“A UOC(MLM) afirma que as relações de parceria no campo colombiano não são relações semifeudais, mas formas encobertas de relações assalariadas, puramente capitalistas. Mais uma vez aplica mal os ensinamentos de Lenin em O desenvolvimento do capitalismo na Rússia, mais uma vez desconsidera o desenvolvimento posterior das análises leninistas sobre a questão e, em oposição a essas, formula assim a questão:

‘O processo do ascenso do proletariado agrícola é na realidade o processo de desagregação dos camponeses sobretudo dos pequenos proprietários, que subsistem no campo, não na qualidade de servos, senão de semiproletários, desempenhando um papel especial na rede das relações capitalistas de produção no campo, ao serem retidos na terra por meio de uma pequena parcela, para garantir mão de obra barata na moderna plantação ou pecuária. (…) A parceria que classicamente foi o sistema de transição entre as relações feudais e as capitalistas, ou seja, a representante típica do semifeudalismo, na Colômbia evoluiu seu conteúdo real e se converteu em uma das modalidades de retenção dos trabalhadores na terra para a obtenção de força de trabalho assalariada, barata e próxima às fazendas capitalistas, isto é, se converteu em uma modalidade de exploração capitalista da terra. Esta relação assalariada de produção se mantém disfarçada com o velho manto da parceria, em aparência semifeudal, mas em essência, capitalista.’ [UOC(MLM), Programa para la revolución en la Colombia, Quarta Edição, 2015, tradução e negritos nossos]

Lenin em O desenvolvimento do capitalismo na Rússia, analisa exatamente este mesmo tipo de relação, a parceria, em que o latifundiário cede um pedaço de terra ao camponês visando fixar força de trabalho no campo, para tê-la disponível nos momentos em que o trabalho agrícola requeira uma maior quantidade de trabalhadores, como no plantio ou na colheita. Lenin caracteriza esta forma de exploração como um misto entre o sistema de pagamento em trabalho (feudal) e o sistema capitalista (assalariado); ou seja, justamente uma forma semifeudal. A direção da UOC(MLM) diz que na Colômbia esta forma se converteu em uma forma completa de “modalidade de exploração capitalista da terra”. Mas como pode ter ocorrido esta conversão se uma das condições da relação de produção capitalista é que o operário esteja livre (despossuído) dos instrumentos de produção? A explicação econômica que dá para esta conversão, isto é, da parceria como típica relação semifeudal em típica relação capitalista, é a seguinte:

‘Na atualidade sob a forma da parceria se oculta o conteúdo de uma relação tipicamente capitalista de produção: o capitalista (…) inverte seu capital no agro: uma parte como capital constante (instrumentos, instalações, sementes, adubos e outros insumos) e outra como capital variável (o equivalente ao salário mínimo que está obrigado a ‘adiantar’ ao parceiro, formalmente por conta da participação deste nos ‘lucros’). E tanto é capital variável, isto é, capital invertido em comprar a força de trabalho para a produção, que no momento da suposta ‘partilha’, os tais ‘adiantamentos’ se descontam da parte do parceiro, quando existe; e se não existe, o parceiro não está obrigado a devolução alguma de tais ‘adiantamentos’. Na realidade esta é uma relação assalariada de produção disfarçada com o velho manto da parceria. Pouco importa o fato de que em alguns casos o parceiro tenha como suposta vantagem o direito de cultivar por sua conta uma pequena parcela. Já sabemos o papel que joga este acesso do proprietário à terra, no conjunto das relações capitalistas de produção no campo: reter mão de obra barata para as plantações de cultivos comerciais e pecuária.’ [UOC(MLM), Revista Contradição, nº 18, 1996]

Em primeiro lugar, fixar um trabalhador na terra, seja por qualquer meio, forçado ou pela ‘livre’ entrega de uma parcela constitui um elemento feudal. Esta forma de fixação de ‘parceria’ também é muito comum no Brasil, na qual, muitas vezes se oculta uma relação de exploração como se fosse uma livre associação entre proprietários. O exemplo fornecido pela UOC(MLM) se trata de uma forma de parceria na qual o trabalhador não entraria com nenhum instrumento de produção, apenas ‘ganharia’ um pedaço de terra para cultivo próprio. Dizem, então, que a participação do lucro do parceiro não é na verdade lucro, mas apenas salário; como prova, apresentam o fato de que se o negócio dá prejuízo e não há lucro para partilhar, o parceiro fica com a sua parte e não tem que devolvê-la. Este fato apenas prova que a participação no lucro é uma farsa, no entanto não comprova a conclusão da UOC(MLM) de que este tipo de parceria seria uma relação de produção capitalista. No entanto, esta é uma comprovação impossível, pois a fixação da força de trabalho seja esta compulsória ou ‘livre’ (mediante cessão de parcela de terra) não pode ser interpretada como uma relação de assalariamento livre, tipicamente capitalista.

(…)

A explicação, precisa do processo de superexploração dos camponeses na relação de parceria, foi feita por Lenin, e por isso dizemos que a direção da UOC(MLM) aplica mal os ensinamentos expostos em O desenvolvimento do capitalismo na Rússia:

“Assim, no sistema de pagamento em trabalho (…) o preço do trabalho, ordinariamente, resulta ser menos da metade do que o contrato capitalista. Como só pode encarregar-se de pagar em trabalho o camponês da localidade e, ademais ‘provisto de nadiel’ [lote de terra comunal], esse fato do enorme descenso do pagamento indica claramente a importância do nadiel como salário natural.” [Lenin, O desenvolvimento do capitalismo na Rússia, OC, Editorial Progresso Moscou, T. 03, p. 213, tradução e negritos nossos]

Lenin está tratando de exemplo muito similar ao apresentado pela UOC(MLM). Um latifundiário contrata um camponês com parcela (nadiel) vizinho a sua propriedade; ele gasta com este trabalhador a metade do que gastaria se utilizasse o sistema capitalista, isto é, se contratasse um trabalhador sazonal de outra região. Lenin elenca então duas, as razões, que possibilitam este rebaixamento do preço da força de trabalho. A primeira, é a concorrência entre os camponeses do entorno do latifúndio, pois como possuem a parcela de terra, em geral, só podem vender a sua força de trabalho para aquele latifundiário de perto e na mesma situação encontram-se os outros camponeses circunvizinhos. Isso força para baixo o preço da força de trabalho, pois, representa (…) a fonte de superpopulação latente. A segunda razão aponta para a importância da parcela camponesa como salário natural do camponês. Ou seja, como o camponês possui uma parcela, mesmo que sua economia seja arruinada, o que esta lhe provê serve em alguma medida para cobrir parte dos custos da reprodução anual de sua força de trabalho. Como parte de seu trabalho necessário é coberto por seu trabalho em ‘sua’ parcela, o que Lenin chama de ‘salário natural’, possibilita ao latifundiário empregador pagar a metade do salário que pagaria a um trabalhador sazonal vindo de outra região e que não tivesse parcela de terra. Lenin explica a questão de maneira ainda mais clara em outra obra:

‘Como pode durante vários anos um camponês realizar por 6 rublos um trabalho que vale 10 rublos e 69 kopeks? Pode fazê-lo porque sua parcela cobre parte dos gastos da família camponesa e permite diminuir o salário para baixo do da <<livre contratação>>.’ (Lenin, O problema agrário na Rússia em fins do século XIX, OC, Editorial Progresso Moscou, T. 17, p. 74, tradução e negritos nossos.)

Este é o segredo que permite o rebaixamento do salário do camponês parceiro, o que por sua vez, (…) possibilita uma pressão para baixo dos salários dos operários no conjunto da economia, assegurando assim a superexploração do trabalho, que conforme Marx é a compra da força de trabalho por um preço abaixo de seu valor. A questão, portanto, que cabe na análise desta forma de parceria é identificar que tipo de relação de produção ela configura, se puramente capitalista, ou se semifeudal. Podemos descartar de pronto, todavia, a avaliação rebaixada feita pela UOC(MLM) ao considerar que pouco importa se os parceiros possam cultivar por sua conta uma parcela. Não, neste caso isto é o que mais importa.

(…)

Como Lenin indica, o segredo desta superexploração é que o trabalho camponês em sua parcela constitui o seu salário natural, cobre parte dos gastos da família camponesa, assim ele pode reproduzir sua força de trabalho recebendo do latifundiário um salário 4 rublos mais baixo. No entanto, o latifundiário é o dono da parcela cedida ‘gratuitamente’ ao camponês-assalariado. A produção do camponês nesta parcela não é independente, pois há aí uma relação de exploração entre o latifundiário que a cede e o camponês que a cultiva. A cessão como vimos não é gratuita, pois o trabalho do camponês nela, propicia ao latifundiário uma mais-valia extra de 4 rublos. O trabalho do camponês na parcela, portanto, também se divide em trabalho necessário e trabalho excedente, o que ele produz nela que sirva para suprir os 4 rublos que o latifundiário tira de seu salário é um trabalho excedente que o latifundiário se apropria indiretamente. A terra portanto não é cedida gratuitamente ao camponês, o valor da renda encoberta que ele paga ao latifundiário é exatamente o valor que este lhe desconta do salário.

É esta relação de produção que está encoberta na parceria, que visa a fixação da força de trabalho no campo. Ela aparece como cessão gratuita da terra, como favor que o latifúndio concede ao camponês. Este se sente obrigado a retribuir este obséquio, com mais trabalhos extras, por exemplo: consertar cercas e outros cuidados na propriedade, ou o trabalho de sua esposa nos tratos domésticos da casa, ademais, é óbvio do voto de sua família na lista dos candidatos indicados pelo bondoso latifundiário. Este é o laço de dependência pessoal, só isso explica porque o camponês aceita ficar ‘retido’ na terra, aceita ganhar um salário abaixo do de mercado, mesmo porque não tem escolha nessa situação em que se acha. Esta é uma relação assalariada e servil, isto é, tipicamente semifeudal, de forma alguma tipicamente capitalista. Este é um exemplo que ilustra muito bem como que por debaixo de formas de assalariamento se dão relações pré-capitalistas que se reproduzem mantidas pelo imperialismo porque são as que mais lhe servem na obtenção do lucro máximo. Esta é a realidade histórica e presente dos países oprimidos, nos quais a burguesia imperialista reacionária, através da exportação de capitais, engendrou neles o capitalismo burocrático sobre a base pré-capitalista, feudal/semifeudal e mantêm e reproduz subjacentes suas relações de propriedade e de exploração do trabalho por meio da evolução de suas formas. Ou seja, ao contrário da compreensão da direção da UOC(MLM) de que tal parceria é ‘em aparência semifeudal, mas em essência, capitalista’ ela é em aparência capitalista e em essência semifeudal.”18

Diante de tão profunda argumentação, como pode a UOC(MLM) em sua autocrítica afirmar que suas formulações não foram “refutadas”? É bastante cômodo para o Comitê de Direção da UOC(MLM) apenas ignorar o documento do P.C.B., fingir que ele não existe é a sua maneira idealista de “evitá-lo”.

Em sua confissão de plágio, a UOC(MLM) protesta contra as críticas do P.C.B., que, iracunda, as estigmatiza de “novo ataque”, as quais desmascaram seu falso apoio à Guerra Popular na Índia. Nela afirma que:

“Sua acusação [do P.C.B.] de que não somos defensores sinceros da revolução na Índia porque temos diferenças com nossos irmãos do Partido Comunista da Índia (Maoista) é um ataque rasteiro, porque em suas estreitas e sectárias mentes não lhes cabe que as diferenças entre os comunistas são inevitáveis e legítimas. Tal estreiteza de visão e espírito sectário não lhes permite compreender que apesar das diferenças uma organização proletária pode apoiar sinceramente o triunfo da guerra popular na Índia (…). Pelo contrário, esta é a única posição internacionalista proletária consequente frente a luta revolucionária do proletariado e dos povos do mundo contra os inimigos comuns; solidariedade que não implica condicionamento algum ou seguidismo cego.”19

Rasteiro, vergonhoso e o cúmulo da desonestidade, Senhores direitistas, é copiar os textos de um revisionista indiano, notório e inveterado inimigo do PCI(Maoista) e declarar que não citou o autor porque desconheciam quem o era, e é descaramento em editá-los, difundi-los e mantê-los publicados mesmo depois de exposto o plágio. Plágio este que se assumiu enquanto tal para seguir tentando ocultar que se sabia sim de quem se tratava seu autor. Aí está o último soluço que a direção da UOC(MLM) emite em defesa de sua posição desmascarada e de mais injúrias contra o P.C.B.. Com quem estamos tratando nesta luta? De uma força progressista e democrática qualquer e em geral, daquelas entre tantas que embora não sejam comunistas apoiam a luta dos comunistas por ser a favor do progresso e bem-estar das massas trabalhadoras? Não, em definitivo! Estamos tratando nesta luta de uma organização que se reivindica marxista-leninista-maoista, mais que isto, uma organização que se arvora estar “desenvolvendo” a teoria leninista sobre o imperialismo e a do maoismo sobre a realidade econômico-social dos países dominados e oprimidos pelo imperialismo. Portando, Senhores, não nos venham com o argumento peregrino de que “as diferenças entre os comunistas são inevitáveis e legítimas” e de que “apesar das diferenças uma organização proletária pode apoiar sinceramente o triunfo da guerra popular na Índia”. Pois sim, na situação concreta, tudo isto também soa muito falso, porque no caso não se trata de quaisquer diferenças. As diferenças entre comunistas são de natureza não-antagônica e as diferenças em questão são entre marxismo e revisionismo, isto é contradição antagônica.

O Presidente Mao, em Sobre a Contradição, refutando a escola filosófica revisionista de Deborine, nos ensina que toda diferença é uma contradição, ressalta que contradição e antagonismo não são a mesma coisa e que a contradição pode ser de dois tipos de natureza, a antagônica e a não-antagônica. As contradições no seio do povo são contradições não-antagônicas e as contradições entre o povo e seus inimigos são contradições antagônicas. Lenin estabeleceu que na época do imperialismo a cisão com o revisionismo se torna uma necessidade premente, e que “pretender combater o imperialismo de modo inseparável do combate a todo oportunismonão passa de fraseologia oca”. No seio do Partido Comunista refletem as contradições de classes da sociedade em que atua, ademais, entre o certo e o errôneo, entre novo e o velho, e que, de tempo em tempo, emergem contradições, inclusive em torno de questões de ideologia, linha, programa, estratégia e tática; a luta de duas linhas é o movimento partidário dessas contradições, que em verdadeiros partidos comunistas marxista-leninista-maoistas, sua esquerda adota e impõe como o método da forja partidária, na luta pela resolução das contradições que se agudizam, na defesa da linha proletária vermelha e contra e pela derrota de linhas contrárias burguesas ou outras não-proletárias, por aplastar ideias, critérios e posições de direita e triunfo das posições de esquerda. A luta de duas linhas seja num Partido Comunista, seja no Movimento Comunista Internacional é uma contradição no seio do povo, e deve ser resolvida de maneira não-antagônica. A contradição com o revisionismo na época do imperialismo é uma contradição antagônica, e deve ser resolvida de maneira correspondente. A contradição com o bando revisionista de Sonu, Satish, Devji e Balraj é uma contradição antagônica. Agora, partindo das formulações do PCI(Maoista), vejamos se as “diferenças” da UOC(MLM) com este partido, são meros matizes de posições da mesma ideologia, ou diferenças antagônicas entre maoismo e revisionismo.

As preciosas contribuições do PCI(Maoista) para o estudo da crise do imperialismo e do processo de evolução da semifeudalidade nos países coloniais e semicoloniais

O documento Mudanças nas Relações de Produção na Índia – Nosso Programa Político20, publicado pelo Comitê Central do PCI(Maoista), constitui um importante aporte dos maoistas indianos para o estudo do desenvolvimento da crise do imperialismo na segunda metade do século XX e início do século XXI. O documento foi publicado em 2021, e como a direção do PCI(Maoista) reafirmou nos documentos que tratam da expulsão da camarilha revisionista de Sonu, este importante material foi elaborado sob a direção pessoal do Camarada Basavaraj.

Estas formulações, como fica claro ao se estudar tal documento, são antagônicas em relação às formulações revisionistas da UOC(MLM) sobre o imperialismo e sobre a natureza das supostas transformações ocorridas nos países semicoloniais no curso dos séculos XX e XXI. Vejamos:

1º) O PCI(Maoista) refuta qualquer tipo de interpretação que considere a existência de uma tendência progressista no imperialismo, ou que o capital financeiro exportado para as semicolônias tenha produzido um desenvolvimento capitalista independente ou clássico nesses países.

2º) O PCI(Maoista) refuta completamente a teoria revisionista de que a política do imperialismo possa ser dividida em duas fases no curso do século XX, de que num primeiro momento teria se apoiado em modos de produção pré-capitalistas, mas que depois teria atuado no sentido de varrer a semifeudalidade nesses países.

3º) O PCI(Maoista) demonstra que a exportação de capitais para os países coloniais e semicoloniais, durante toda fase imperialista, engendrou “relações de produção capitalistas distorcidas” que não eliminaram as relações de produção semifeudais, mas, ao contrário as fortaleceram através da evolução de suas formas.

4º) O PCI(Maoista) não considera que as diferenças ideológicas sobre esses temas sejam apenas diferenças aceitáveis dentro de um mesmo campo ideológico, ao contrário, afirmam que as posições que defendem que o imperialismo tenha varrido a semifeudalidade, ou proporcionado um desenvolvimento capitalista independente nos países semicoloniais, constituem posições revisionistas “patrocinadas pelo imperialismo” e pelas classes dominantes dos países coloniais e semicoloniais; denuncia que são posições abraçadas pelos renegados e traidores do Partido e da Revolução.

Neste importante documento, o PCI(Maoista) faz uma profunda análise das relações de produção na gênese e desenvolvimento da formação econômico-social da Índia. Analisa em detalhe o processo da colonização britânica, no final do século XVIII e o salto dado nesta colonização em meados do século XIX. Mostra como a colonização, seja na fase do capitalismo da livre concorrência, seja na fase do imperialismo, sempre constituiu um elemento reacionário de dominação e opressão nacional dos países mais atrasadas no seu desenvolvimento econômico-social e de exploração dos seus povos. Sobre a colonização britânica, ainda na época do capitalismo de livre concorrência, o PCI(Maoista) assim a caracteriza:

“Proeminentes mudanças na economia indiana no estágio do capitalismo mercantil: 1. Restauração das decadentes relações feudais a fim de realizar os interesses coloniais britânicos; 2. Os camponeses perderam seu tradicional direito a terra e a terra se transforma em mercadoria, penetração das relações mercadoria-dinheiro; 3. Impacto destrutivo sobre a indústria e o comércio indianos; 4. Destruição da economia rural autossuficiente e liquidação dos camponeses e artesãos; 5. Muitos dos antigos grandes comerciantes e banqueiros da Índia decadente, mercadores e emprestadores de dinheiro que trabalhavam como intermediários para os britânicos se transformaram em classe compradora e se fortaleceram; 6. Mercado interno encolheu ainda mais.”21

Nessa citação os comunistas indianos remarcam como a colonização no modo de produção capitalista sempre foi marcada, mesmo na época da livre concorrência, por impedir o desenvolvimento de um capitalismo independente nas colônias e semicolônias. Destacam como a colonização britânica contra a Índia atuou no sentido de restaurar as relações feudais, impedir o acesso dos camponeses à terra e destruir a indústria e o comércio nacionais. Ou como afirmam de maneira taxativa: “O domínio colonial criou a base social para impedir o desenvolvimento do capitalismo independente em nosso país.22 Descrevem em detalhes como se deu este processo:

Restauração das relações feudais: a Companhia das Índias Orientais fortaleceu os reis feudais, nababos e outras forças feudais para, principalmente, apoderar-se do grande excedente das colheitas produzidas pelos camponeses e da produção de mercadorias comuns dos artesãos. Em seu lugar, pôde estabelecer sua dominação direta e criou novos feudos.”23

Os comunistas da Índia estão aplicando as leis estabelecidas por Marx, em O Capital, que falam justamente do papel do “sistema colonial” como uma das alavancas da “acumulação primitiva” do capitalismo, notadamente o capitalismo na Inglaterra. Houve diferenças essenciais entre a colonização inglesa e a espanhola e portuguesa nas Américas? Seguramente existem muitas diferenças importantes, e todas elas apontam como, para que no nosso continente, tinha se transposto relações de produção ainda mais atrasadas, de um feudalismo caduco e do retrocesso para a massiva e hedionda escravização dos povos negros da África.

Na etapa imperialista, estágio superior do capitalismo, a colonização como visto nas citações de Lenin e do Presidente Mao, mantém o seu caráter reacionário. Em sua formulação revisionista a UOC(MLM) afirma que: “O capital exportado atua sobre os gérmens ou desenvolvimentos capitalistas dos países oprimidos, e como tendência geral, acelera seu desenvolvimento, varre os vestígios dos modos de produção pré-capitalista24; para essa organização, o capital financeiro (forma dominante e prevalecente do capital em seu estágio monopolista) faz dos “germens de capitalismo” nas colônias e semicolônias a transformação destas em países capitalistas, acelerando seu desenvolvimento. Para o PCI(Maoista), a realidade é a oposta:

O capital financeiro jogou um papel vital no desenvolvimento de novas forças feudais como resultado da rede entre governo e organizações não governamentais, ‘partidos-cooperativas-associações-polícia’ dentro dos vilarejos.”25

Os revisionistas difundem a propaganda imperialista, e por isto, propagandeiam que o capital financeiro promove desenvolvimento dos países semicoloniais e varre a semifeudalidade. Os maoistas demonstram que o verdadeiro papel do capital financeiro é o reforço da dominação nacional, que impede qualquer desenvolvimento independente, e impulsiona, na verdade, as forças sociais mais atrasadas, no caso, as forças feudais, a fim de manter a opressão e domínio sobre o povo e a nação. O que há é a conservação subjacente da semifeudalidade através da evolução de suas formas e não seu varrimento pelo imperialismo.

Todavia, segundo as formulações revisionistas da UOC(MLM) o capital financeiro num primeiro momento se apoia em relações feudais e, numa segunda fase passa cada vez mais a enfraquecer as relações de produção pré-capitalistas nos países coloniais e semicoloniais. Quando teria ocorrida esta mudança de fase no papel do capital financeiro sobre os países dominados? Conforme o Programa da UOC(MLM) esta mudança ocorre em meados do século XX. Ou seja, coincide justamente com o período pós II GM; período em que o imperialismo ianque assume a hegemonia no campo capitalista, em oposição ao nascente e crescente campo socialista. Teria sido neste período, por exemplo, que, conforme a direção da UOC(MLM), o capitalismo independente ou clássico teria se desenvolvido na Colômbia, e as relações de produção capitalistas teriam tomado completamente o lugar das relações feudais e semifeudais no campo colombiano.

O PCI(Maoista) refuta completamente esta formulação revisionista de que a tendência do capital financeiro de reforçar a semifeudalidade tenha diminuído com a expansão do imperialismo. Demonstram que, tanto no pós-guerra, quanto no chamado período “neoliberal”, a atuação do imperialismo ianque seguiu a mesma tendência reacionária do período de hegemonia do imperialismo inglês, isto é, o capital exportado (capital monopolista) seguiu reproduzindo a semifeudalidade e engendrando o capitalismo burocrático, impedindo qualquer tipo de desenvolvimento independente. Vejamos como o PCI(Maoista) analisa o desenvolvimento do imperialismo no curso do século XX:

Após a II Guerra Mundial, o imperialismo do USA tornou-se tanto uma força poderosa quanto a única superpotência no mundo. Inglaterra e França que venceram a guerra e Alemanha, Japão e Itália que foram derrotados e tornaram-se muito fracos economicamente.”26

Em relação ao campo da revolução, a situação após a II GM era:

“Somado a este levantamento das lutas de libertação nacional, como um resultado do surgimento de um poderoso campo Socialista, o imperialismo se enfraqueceu muito mais em escala global. Isto trouxe uma mudança no equilíbrio de forças no poder das classes. O imperialismo quase perdeu a força de formar colônias através do domínio direto.”27

Ou como formula o Presidente Gonzalo, após o fim da II GM e com a vitória da Grande Revolução Chinesa, a Revolução Proletária Mundial adentrou em sua etapa do “equilíbrio estratégico”. É este avanço do campo da revolução que acelera a crise do imperialismo, alterando de maneira geral a forma, apenas a forma, do domínio colonial, do domínio direto ao domínio indireto. Isso, no entanto, não modificava a natureza do imperialismo, sua tendência reacionária e sua busca pelo lucro máximo. Por isto, o PCI(Maoista) demonstra que:

O imperialismo começou a desatar um tipo de política exploratória indireta/neocolonial como uma forma de modificar esta condição desfavorável em favorável para ele. O capital imperialista aliou-se com as forças feudais por um lado e com industriais compradores por outro nas antigas colônias/países atrasados.

(…)

Para atingir seu objetivo, o imperialismo [ianque] declarou que apoiaria a democracia, como se estivesse em oposição à política colonial. Ele [imperialismo ianque] entrou em mercados de muitos países coloniais em nome do livre comércio, livre concorrência e liberdade de mercado muito antes da II GM e começou a aumentar seu domínio sobre essas economias.”28

O grande Lenin demonstrou com toda agudeza, como questão crucial para a revolução proletária, a necessária e inevitável “cisão do socialismo” (isto é: nos partidos e movimento socialista internacional). Revelando que os lucros do capital em sua fase imperialista atinge magnitude tal, permitindo a essa burguesia se servir de parte dele para corromper as altas camadas do proletariado, principalmente as dos países imperialistas, mas também dos países dominados, confirma o fenômeno da “aristocracia na classe operária” já percebida por Marx e Engels. São as hierarquias de chefes e subchefes (denominados a partir das décadas finais do século XX por ‘líderes” de turmas e seções da produção fabril) que Lenin apontou como a base social e econômica para a reprodução de todo oportunismo e o mais perigoso e nefasto dele, o revisionismo. As posições defendidas pela UOC(MLM), portanto, nada mais são do que a repetição da propaganda imperialista ianque, que para justificar seu avanço sobre as colônias e semicolônias das potências adversárias, dentre essas a Inglaterra inclusive, lançou mão do discurso “desenvolvimentista”, das políticas de “substituição de importações”, para enfraquecer o domínio concorrente e criar as bases para a penetração de seus tentáculos de dominação. A UOC(MLM) toma como verdade a contrapropaganda ianque e divulga este lixo como se fosse uma “novidade”.

Não por acaso, mas como questão central da luta ideológico-política, que em sua magistral obra Sobre a Nova Democracia, durante a guerra de resistência antijaponesa, em que fundamenta a natureza de então, da China e de sua revolução, o Presidente Mao refutando as teses da revolução de “um só golpe” e “já socialista”, de “ser rápida”, bem como da “teoria da subjugação nacional” da “mudança de amo” imperialista, denuncia de modo contundente a propaganda trotskista falaciosa e de traição nacional e ao povo chinês, segundo a qual, a dominação japonesa desenvolveria industrialmente a China e criaria mais proletariado para a revolução socialista. Ah! Mas como dizem o sacripanta Sonu e os “maoistas” que superaram o marxismo-leninsmo-maoismo: os dogmáticos estão presos em meados do século XX em pleno século XXI.

A análise do PCI(Maoista) corresponde a continuação das análises do Presidente Mao sobre o imperialismo e, em particular, sobre o imperialismo ianque. O Presidente Mao demonstra como após a IIGM, o imperialismo, principalmente ianque, passa a impulsionar uma forma de industrialização nos países semicoloniais; tanto como forma de contrapor as potências imperialistas adversárias, quanto para fazer frente a crescente influência do campo socialista e ao crescente Movimento de Libertação Nacional dos países oprimidos pelo imperialismo. O Presidente Mao, em suas obras demonstra cabalmente como que este capitalismo engendrado era um “capitalismo burocrático” e não um “capitalismo nacional” ou genuinamente independente. E foi em função desta constatação mediante a análise marxista-leninista da realidade da China e particularmente no seu campo, que após 1945, ele definiu que pesavam sobre o povo chinês três grandes montanhas: o imperialismo, a feudalidade e o capitalismo burocrático. Neste mesmo sentido, o PCI(Maoista) mostra como que a industrialização que ocorre nos países semicoloniais, após 1945, inclusive na Índia, não correspondia a nenhuma nova fase do imperialismo, na qual o “capital exportado” passaria a engendrar desenvolvimento capitalista e varrer a semifeudalidade, como bem afirma o PCI(Maoista):

“Estas indústrias foram montadas como uma parte da divisão internacional do trabalho sob iniciativa dos monopólios capitalistas. Elas produziam apenas para exportação. Então, o desenvolvimento ocorrido como parte desta divisão internacional do trabalho, em países como Índia, não é um genuíno desenvolvimento capitalista do país. As classes dominantes indianas vangloriam-se da velocidade do desenvolvimento capitalista, mas, na verdade, este é [o desenvolvimento de uma] economia semicolonial e não um desenvolvimento capitalista independente.”29

Assim, o citado documento que, o PCI(Maoista) nos brinda com uma importante análise do processo de domínio colonial do imperialismo no século XXI, e sua relação com a reprodução das relações semifeudais no campo dos países coloniais e semicoloniais. O PCI(Maoista) analisa o período de ofensiva contrarrevolucionária de caráter geral no mundo, período da bancarrota do social-imperialismo russo, em que a superpotência imperialista ianque assume a condição de hegemonia única. Denominam este período como “globalização”, conteúdo farsesco adotado pelos imperialistas e revisionistas ao lançarem mão deste conceito. Demonstra como neste período o imperialismo não manifestou nenhuma das características defendida pela UOC(MLM), nem houve tendência progressista, nem varrimento de feudalidade, nem impulsionamento de desenvolvimento capitalista:

“Devido a globalização quase todos os setores de mercado dos países capitalistas ocidentais passaram a existir na Índia também. No entanto, visto que eles [os imperialistas] colaboraram com as bases feudais esses [setores de mercado], não se formaram mais como nos países ocidentais. Na verdade, durante o período da globalização as bases feudais têm correspondido aos interesses dos capitalistas ocidentais e estão contribuindo para mais lucros.”30

Ou seja, a exportação de capitais pelas potências imperialistas não “varre a semifeudalidade”, ao contrário o capital financeiro “colabora com as bases feudais”, e estas bases feudais por sua vez asseguram “mais lucros” para as potências imperialistas. Durante o período da ofensiva contrarrevolucionária de caráter geral no mundo ou da “globalização”, como caracteriza o PCI(Maoista), a dominação e a dependência dos países atrasados não diminuiu, como anuncia a contrapropaganda imperialista e revisionista, ao contrário:

A situação dos países semicoloniais agravou-se ainda mais. A dependência cresceu. Visto que esta [dependência] é de tipo neocolonial, os países semicoloniais não possuem a chance de um desenvolvimento industrial completo. Então, as mudanças estão de acordo com as necessidades dos imperialistas, do capital comprador das classes dominantes, por matérias-primas e mercado. Não há nenhuma mudança em seu caráter reacionário.”31

Não resta a menor dúvida quanto ao antagonismo entre as formulações marxista-leninista-maoistas do PCI(Maoista)sobre o imperialismo e as posições revisionistas do Comitê de Direção da UOC(MLM). Vejamos agora a oposição cabal entre as análises do PCI(Maoista) sobre a evolução das formas das relações de produção semifeudais no campo indiano, e as formulações revisionistas da UOC(MLM) sobre o mesmo fenômeno no campo da Colômbia. Como para a UOC(MLM) o imperialismo varre as relações semifeudais, a exportação de capitais ianques teria promovido o desenvolvimento clássico do capitalismo no campo:

“[A diferenciação do campesinato entre proletários agrícolas e patrões] é o fenômeno mais notável do desenvolvimento econômico e social da agricultura do último meio século. A essência do processo é diferenciação do campesinato em classes, e não a ‘evolução do semifeudalismo’.32

É necessário deixar patente aqui que o fenômeno gerado pela exportação de capital na base atrasada dos países coloniais-semicoloniais não se trata de “evolução do semifeudalismo” e sim da sua conservação subjacente através da evolução de suas formas. Portanto, para a UOC(MLM), na Colômbia, na etapa do imperialismo, teria se repetido o mesmo fenômeno ocorrido no império militar feudal da Rússia, no século XIX.

Nos anos 60 acabou a relação típica feudal, transitando da velha parceria (cultivo com os instrumentos do campesinato) para a nova parceria (cultivo com insumos, instrumentos e capital-dinheiro do latifundiário) com relações de produção capitalistas. Em 1965, os marxistas leninistas se referiam ao entrelaçamento com o capitalismo de resquícios tais como a subsistência de relações servis, o uso de instrumentos e práticas agrícolas rudimentares, e focos isolados de economia de subsistência. Hoje estes resquícios evoluíram quase que totalmente para o capitalismo (…).”33

Como já visto anteriormente, para a UOC(MLM), as relações de produção tipicamente semifeudais como a parceria, na verdade seriam: “em aparência semifeudal, mas em essência, capitalista34. O PCI(Maoista) de maneira bastante detalhada, comprova o contrário. O imperialismo não se transformou em um buda, não mudou sua essência e, portanto, não promoveu modificações que pudessem ter alterado a essência das sociedades coloniais e semicoloniais. Ocorreram modificações e mudanças importantes, mas que não modificaram nem a natureza de ditas sociedades nem o caráter de suas respectivas revoluções. O PCI(Maoista) demonstra que defender que tenham havido tal tipo de transformações nada mais é do que a contrapropaganda inimiga do imperialismo e do revisionismo. Vejamos:

“A segunda tendência [que afirma que a Índia se transformou um uma sociedade capitalista] elabora que o imperialismo patrocinou um modelo de ‘desenvolvimento’ internacional. [Esta tendência] argumenta que a classificação feita pelo Partido Maoista poderia ser aplicada ao final da década de 1960, mas que no presente o ‘feudalismo’ está completamente enfraquecido e que em larga medida as relações de produção capitalistas dominam o setor agrícola. Por isto, [esta tendência] tenta provar teoricamente que a Revolução Agrária Armada nas áreas rurais não tem vigência. Esta posição é sustentada por certos renegados que traíram o partido Revolucionário, o povo e a revolução e servem ao inimigo em seu propósito. Eles adotam a difamação e fazem alarido sobre a linha do Partido e fazem vãs tentativas de criar confusão no campo revolucionário.”35

Esta passagem descreve exatamente a essência e as consequências das posições revisionistas da UOC(MLM). Assim, como a tendência revisionista criticada pelo PCI(Maoista), a UOC(MLM) defende que a partir dos anos de 1960 as relações feudais estavam completamente enfraquecidas, que o campo estava agora fundamentalmente dividido entre proletários agrícolas e burguesia agrária e que a Revolução Agrária Armada teria perdido sua importância. E vejamos a crítica cabal do PCI(Maoista) a esta tendência sustentada por renegados e traidores a serviço do inimigo.

A UOC(MLM) argumenta que o “desenvolvimento do capitalismo no agro colombiano” ocorreu “através da via latifundiária36. Assim como outros revisionistas de cátedra, transplantam mecanicamente o conceito leninista de “via prussiana” ou “via reacionária”de desenvolvimento do capitalismo no campo, para os países coloniais e semicoloniais no século XX. Defendem, assim, a ocorrência de transformações burguesas nessas sociedades sem a realização de Revoluções Democráticas de Novo Tipo, isto é, dirigidas pelo proletariado. O Presidente Mao estabelece de maneira cabal, no já citado Sobre a Nova Democracia, que na fase imperialista do capitalismo as Revoluções Democráticas só podem ocorrer sob a direção do proletariado, isto é, a resolução das tarefas burguesas pendentes de varrimento da feudalidade e da conquista da libertação nacional, só podem ser alcançadas pelos povos e nações oprimidos através de Revoluções Democráticas, dirigidas pelo proletariado e que avancem ininterruptamente ao socialismo. Como pode uma organização se dizer “maoista” e sustentar que uma “via latifundiária”, ou seja, um processo engendrado pelo imperialismo e dirigido pela classe mais reacionária da presente época, pudesse cumprir tarefas democráticas só passíveis de serem atingidas pela direção proletária, isto é, comunista? O PCI(Maoista) encarna com firmeza a ideologia científica do proletariado e por isto afirma que:

“A primeira questão – opressão feudal: A maioria do povo estava sofrendo da opressão feudal. Visto que não houve nenhuma revolução democrática antifeudal no país as classes feudais não foram afetadas em nada.”37

Mas para a UOC(MLM), a via latifundiária conduziria ao fim da própria feudalidade que é a essência do latifúndio semicolonial. Ao contrário do que formulam os revisionistas, o PCI(Maoista) demonstra em detalhe justamente aquilo que é negado pela UOC(MLM), ou seja, a conservação subjacente da semifeudalidade através da evolução de suas formas, e que dita organização denomina erroneamente por “evolução do semifeudalismo”. Vejamos, alguns dos riquíssimos exemplos que nos brindam os comunistas indianos:

“Nós vimos como as classes dominantes exploradoras pisotearam sobre o programa de redistribuição de terras (reformas agrárias), começaram e fracassaram programas para o desenvolvimento da produtividade agrícola em caminhos alternativos, como programas de desenvolvimento comunitário, IADP [da sigla em inglês de Programa de Desenvolvimento Agrário Indiano], cooperativas e ‘revolução verde’ sem modificar basicamente nada das relações semifeudais do período Britânico na agricultura. Todavia estes programas ajudaram eles a reorganizar a hegemonia feudal desde o nível das panchayat [associações] de vilarejos. Novas forças feudais e novas formas de exploração vieram à tona.”38

Ou seja, a política imperialista semicolonial, após o domínio colonial Britânico, não modificou nada das relações feudais, ao contrário, todas as políticas imperialistas, atuaram no sentido de reorganizar a hegemonia feudal no campo e no surgimento de “novas forças feudais” e “novas formas de exploração”. Afinal, o que ocorreu na Índia e em todos os países oprimidos pelo imperialismo foi que: “Durante este período foram cultivadas sementes da agricultura corporativa/por contrato com a colaboração dessas novas forças feudais com o capital financeiro.39 São demonstrações importantíssimas da relação de dependência, aliança e subjugação entre as novas forças feudais e o capital financeiro.

O PCI(Maoista) demonstra com exemplos particulares da Índia, que são muito similares às políticas e programas realizados na América Latina, em países como Brasil e Colômbia, em que relações “aparentemente modernas”,na verdade apenas se reproduzem formas evoluídas das arcaicas relações de produção. Vejamos:

“Banco cooperativo é uma importante forma institucional de combinação do capitalismo burocrático e do semifeudalismo. NABARD (Banco Nacional Agrícola de Desenvolvimento Rural [na sigla em inglês]) (…) foi fundado pelo Banco Mundial. O [capital] excedente dos exploradores locais, principalmente os latifundiários, também tem uma importante participação nisto. Então nós vemos que o capital cooperativo é uma mistura de investimentos dos imperialistas, dos capitalistas compradores burocráticos e dos excedentes locais semifeudais. Apenas exploradores locais, patrocinados por vários partidos, são eleitos para controlar esta organização. Isto era não somente uma fonte de crédito fácil para eles, mas também funcionava como um poderoso instrumento de poder. Bancos cooperativos imediatamente impulsionaram a facilidade e disponibilidade do crédito institucional. Então, novas relações que são aparentemente modernas tomam o lugar das relações tradicionais nas áreas rurais.”40

Mesmo o cooperativismo, tão ensalçado pelo oportunismo e revisionismo, é revelado pelos maoistas indianos como uma política patrocinada pelo imperialismo que representa “uma forma institucional do capitalismo burocrático e do semifeudalismo”. Este é um rico exemplo de como o controle de formas “aparentemente modernas” de crédito servem a evolução das relações de produção semifeudais. No Brasil, o controle do crédito agropecuário nas cidades do interior, invariavelmente, está nas mãos das velhas oligarquias semifeudais, legalmente via seus políticos que indicam as direções das respectivas instituições financeiras estatais. Quando um camponês tem acesso a uma dessas linhas de crédito estará, invariavelmente, obrigado a prestar serviços gratuitos a estas oligarquias, seja o voto, seja a vigilância e cuidados da propriedade latifundiária, como manutenção das cercas, etc.. As relações tradicionais semifeudais, são substituídas por “novas” relações que não alteram em nada a sua essência. Vejamos como o PCI(Maoista) analisa os processos de falsas “reformas” agrárias, que destinam terras comunitárias, ou concedidas como posse hereditária para os camponeses, modelos corporativistas, ou de falsas coletivizações, muito comuns no Peru, Brasil e Colômbia:

“(…) uma nova classe feudal veio a existência nas áreas rurais utilizando o poder local. Como uma parte das reformas agrárias em 1970, o excedente de terra foi distribuído para famílias de camponeses pobres e camponeses sem-terra em muitas áreas de Kerala e Bengala Ocidental, sob a condição que eles deveriam se tornar membros de uma fazenda coletiva. Mas na prática a propriedade da terra [desses camponeses] era formal. Todos os membros do quadro de Diretores dessas fazendas coletivas eram de origem pobre, de camponeses sem-terra e de famílias de castas subjugadas e Dalits, mas eles não tinham o direito de vender ou de utilizar a terra conforme o seu desejo. Na verdade, o que veio à tona como propriedade da terra, em nome das fazendas coletivas, era a propriedade corporativa da terra dos membros do Corpo Diretivo que estavam sob o controle governamental por diversas formas. Eles podiam ganhar esta posição com o apoio do governo e do capital deste. Este feudalismo é uma outra forma de propriedade capitalista compradora burocrática. Esta é uma nova forma na qual os reais proprietários utilizam a maquinaria do poder e estabelecem relações feudais hegemônicas de casta sobre os reais trabalhadores.”41

Esta brilhante análise da essência da propriedade supostamente cooperada, coletiva ou associativa, como uma forma feudal de propriedade capitalista burocrática corresponde a uma descrição exata da natureza da propriedade da terra dos falidos programas de reforma agrária no Brasil. Desde meados da década de 1960, durante o regime militar fascista pró-ianque, quando foi instituído o Estatuto da Terra, estabeleceu-se que as terras destinadas para reforma agrária não seriam de livre propriedade dos camponeses “assentados”. Desde aquela época até hoje, as terras dos programas governamentais de reforma agrária, chamados de “Projeto de Assentamento”, são de propriedade do velho Estado, aos camponeses “assentados” é concedido o direito ao usufruto desta terra. As associações desses assentamentos, exatamente como o Corpo de Diretores citados pelo PCI(Maoista), estão, ligados e dependentes a um ou outro partido político, a ONG’s e movimentos sociais oportunistas, bases dos governos, e se acham atadas aos programas estatais, a este ou aquele funcionário do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) do velho Estado, e exercem um controle político, econômico e pessoal sobre os “assentados”. Como não possuem a propriedade plena, ou o que seria livre propriedade tipicamente burguesa, de suas posses, os camponeses sempre são devedores de favores a estes “diretores”, que de tempos em tempos ameaçam excluir do “cadastro do INCRA” aqueles camponeses que se voltam contra esta ou aquela posição da Associação ou organização intermediárias dos projetos e programas estatais. Desta forma, são feitas inúmeras formas de trabalho servis, sejam estes econômicos ou políticos.

Em relação a parceria, o PCI(Maoista) mostra que mesmo que revestida de aparência capitalista, inclusive o trabalho assalariado, a sua essência segue sendo semifeudal:

Embora o campesinato pobre e uma seção do campesinato médio tenham perdido suas terras e estejam distanciados da terra e de outros instrumentos de produção, eles não se transformaram em trabalhadores agrícolas ou em proletários rurais. Eles estavam atados às mesmas terras como meeiros. Eles possuíam certos instrumentos de produção como um arado. Eles assumiam uma parte dos custos de produção. Esta é uma característica de relações de propriedade pré-capitalistas. Devido a sua extrema pobreza, os meeiros vendiam sua colheita muito antes, ou recebiam grãos ou dinheiro como adiantamentos dos proprietários das terras, comerciantes ou atravessadores. Com esses novos empréstimos os camponeses tinham que comprometer, também, sua próxima colheita. Eles estavam presos num círculo vicioso do qual se tornava impossível para eles sair. Eles estavam atados a suas terras. Eles enfrentavam ambas, a exploração semifeudal e a exploração comercial-usurária.”42

O PCI(Maoista) descreve perfeitamente o conhecido sistema de barracão no Brasil, uma forma de servidão por dívida, que perdurou durante todo o século XX em nosso País, e pesa ainda hoje como um grilhão contra as massas camponesas que trabalham sob um falso assalariamento, mas, estão perpetuamente presas aos seus exploradores, principalmente nos trabalhos de colheita. Essas massas não são proletárias, pois estão “atadas”à terra. Inclusive, cada vez nais, ocorre este fenômeno nas obras da construção civil, em áreas urbanas ou rurais, em que massas camponesas são levadas das regiões mais empobrecidas do País por agenciadores de “mão de obra”, elas chegam aos locais de trabalho já com dívidas do transporte da viagem e do adiantamento da moradia e alimentação do período a trabalhar, cujos “salários” a receber, nunca alcançam liquidá-las, tornando-se cativos destes agenciadores. O sistema de barracão, os meeiros [share croppers], são formas de reprodução da mais brutal servidão medieval que é servidão da gleba. Nesta forma de relação feudal o camponês está preso, como uma força natural, ao feudo, e não pode sair deste a não ser com autorização do seu senhor. A servidão da gleba foi uma das primeiras formas de relação feudal na Europa na transição da escravidão para o feudalismo. É isto que se oculta na relação de parceria, e nisto que os revisionistas da direção da UOC(MLM) querem ver como uma relação de produção capitalista. O PCI(Maoista), ao contrário, classifica assim fenômenos desta forma de relação de produção:

“Os agricultores pobres estão garantindo a terra por dois caminhos – por contrato ou por meia. (…) No presente, a maior parte dos agricultores pobres e sem-terra, na maior parte das áreas assume terras para cultivar mediante contratos verbais. Eles não são proprietários, parceiros ou mesmo sócios da terra, conforme consta nas estatísticas governamentais. Eles podem ser chamados de escravos contratados.”43

O PCI(Maoista) demonstra como na verdade a relação assalariada, nos países semicoloniais, oculta uma série de novas formas de evolução da feudalidade: “O trabalho assalariado cresceu e assumiu uma forma de exploração capitalista, [mas] esta aparente mudança é uma parte da atual exploração semifeudal.44 Ou revela como que os camponeses forçados a saírem de sua terra natal são agarrados por formas semifeudais de exploração: “A exploração feudal continua na forma de fazer os agricultores retirantes a trabalhar como trabalhadores agrícolas regulares ou como arrendatários.45 É o trabalho assalariado no campo e o arrendamento de terras por camponeses que pode ter uma aparência capitalista, mas conserva inalterada a sua essência semifeudal.

Tomar essas relações de produção no campo como capitalista e não como semifeudal nos países coloniais, não é um problema menor, não é uma confusão ingênua ou uma insuficiência ideológica. O PCI(Maoista) caracteriza precisamente esta visão da seguinte forma:

Vários tipos de revisionistas veem a forma e não o conteúdo e confundem politicamente o povo. Eles liquidam as lutas anti-imperialistas, as lutas antifeudais. Eles ocultam a necessidade de uma mudança total das sociedades semicoloniais e semifeudais.”46

Eis o que a UOC(MLM) busca fazer na Colômbia e no Movimento Proletário Internacional: semear confusão política, mas não só, através de sua propaganda joga contra e por liquidar a verdadeira luta anti-imperialista e as lutas antifeudais. Ataca com ferocidade as forças revolucionárias que são parte da frente única, tais são suas atitudes para com as lutas armadas de seu país, fazendo coro com a reação imperialista e seus governos de turno. Isto não é um simples erro, isso é revisionismo, o direitismo mais perigoso, pois são teoria e prática embrulhadas em frases “marxistas”, ocultando o conteúdo dos fenômenos e difundindo sua aparência como verdade. Isto é servir ao imperialismo e trair o proletariado.

Combater o imperialismo e a reação de maneira inseparável do combate ao revisionismo

Em seu documento Mudanças nas Relações de Produção na Índia – Nosso Programa Político, o PCI(Maoista) destaca o vínculo inseparável entre as posições revisionistas que negam o caráter semifeudal das sociedades coloniais e semicoloniais à posição das classes dominantes de ditos países e ao imperialismo. Revela como esta vinculação é histórica, e destaca como a direita no Movimento Comunista da Índia há muitas décadas sustenta, por diferentes vias, a negação do caráter da revolução indiana como de Nova Democracia. Em relação a este processo histórico o PCI(Maoista) afirma que:

“A Índia se tornou uma semicolônia após o fim do domínio direto imperialista Britânico a partir de 15 de agosto de 1947. [No entanto] A sociedade indiana já era semifeudal. Inicialmente os comunistas revolucionários, não diferenciaram fundamentalmente esta questão. Em 1946-51, aconteceu a grande luta Camponesa Armada de Telengana por terra, pão e libertação. A liderança do Partido Comunista unificado recuou desta luta e a traiu. (…) Isto fortaleceu o oportunismo de direita no Partido. Se nós vemos a estratégia posterior do Partido, a liderança partidária fez uma ginástica de palavras e começou a considerar que a Índia era, fundamentalmente, um país capitalista independente.”47

A Índia era um país colonial e semifeudal sob o domínio direto do imperialismo Britânico. Após a farsesca independência de 1947, seguiu como país semifeudal e na condição semicolonial, situação que não alterou o caráter de sua revolução. O levantamento armado camponês de Telengana, era uma demonstração cabal da vigência da Revolução de Nova Democracia na Índia; no entanto, a direção oportunista abandonou e traiu as massas camponesas armadas. Os revisionistas passaram, então, a fazer um malabarismo teórico para sustentar, desde aquela época, que a Índia era um país capitalista independente. E a resposta da linha de esquerda dentro do Movimento Comunista da Índia foi a seguinte:

“No entanto, a fração revolucionária no Partido nunca aceitou esta tendência oportunista de direita. Quando o Partido Comunista unificado se dividiu em PCI e PCI(Marxista) na década de 1960, a fração revolucionária estava no PCI(Marxista), mas em oposição à linha neorrevisionista da direção. Rapidamente, muitos dos mais altos líderes como CM [Charu Mazumdar] e KC [Kanhai Chaterjee] os líderes fundadores e mestres do nosso Partido – o PCI(Maoista) que pavimentou a linha para a Revolução Indiana – e os ativistas disseram claramente que a Índia era uma sociedade semicolonial, semifeudal e levantaram a questão da Revolução Agrária Armada. Como resultado, a luta armada camponesa de Naxalbari teve lugar no norte de Bengala em 1967. A luta se espalhou rapidamente por muitas partes do país. O PCI(ML) e o CCM que surgiram em 1969 declararam precisamente que a sociedade indiana era semicolonial, semifeudal. Esses partidos desfraldaram a linha da Guerra Popular Prolongada e prosseguiram com o objetivo da Revolução de Nova Democracia. O vitorioso Oitavo Congresso do PCI(ML) em 1970 desfraldou, unanimemente, esta linha.”48

O processo vivido pelo PCI(Marxista) foi algo universal no MCI nas décadas de 1960 e 1970. Impulsionados pelo grande combate contra o revisionismo desfraldado pelo Presidente Mao e pelo PCCh, houve muitas cisões entre comunistas e revisionistas nos partidos comunistas em todo o mundo. Nos países coloniais e semicoloniais, estas cisões estiveram sempre vinculadas ao problema do avanço da Revolução Agrária Armada. Assim, foi na Turquia, no processo dirigido por Ibrahim Kaypakkaya e nas Filipinas, sob a liderança de José Maria Sison. Na América Latina, em praticamente todos os países ocorreu o mesmo, destacadamente o caso do Partido Comunista do Peru-PCP, no qual, em 1964, os revisionistas foram expulsos do partido, que se definiu como partido marxista-leninista pensamento Mao Tsetung. Através da mais tenaz luta de duas linhas, a Fração Vermelha encabeçada por Abimael Guzman, o Presidente Gonzalo, na defesa da revolução de nova democracia e da guerra popular prolongada, conduziu e levou a cabo a Reconstituição do partido e deu início à Guerra Popular Prolongada. Processo este em que se estabeleceu com seu histórico I Congresso, em meio à guerra popular, a definição cabal do Maoismo, como nova, terceira e superior etapa do Marxismo e o PCP como partido comunista marxista-leninista-maoista pensamento gonzalo. No Brasil, ocorreu o processo do PCdoB, de cisão com o revisionismo, em 1962, no qual se destacam os grandes dirigentes comunistas Pedro Pomar e Maurício Grabois; e também outros processos, como a Ala Vermelha liderada por Diniz Cabral e do PCR, liderado por Amaro Luiz de Carvalho e Manoel Lisboa, todos em defesa do pensamento Mao Tsetung, da revolução de nova democracia como primeira etapa da revolução e da guerra popular prolongada como sua via. Do mesmo modo, na Colômbia, com o processo do PCC-ML dirigido por Pedro Vásquez Rendón, processo importantíssimo, estreitamente vinculado ao pensamento Mao Tsetung e as guerrilhas camponesas no estado de Tolima.

Outro elemento importante, também de caráter geral no MCI, nesta polêmica do caráter e caminho da revolução nos países coloniais e semicoloniais, se deu em torno da Revolução Cubana, vitoriosa em janeiro de 1959. A Revolução Cubana teve influência mundial, pois representou uma importante derrota política e militar para o imperialismo ianque e influenciou sobremaneira o movimento revolucionário dos países latino-americanos. O aspecto positivo mais importante da influência produzida por ela foi a defesa da violência revolucionária como única via de transformação e libertação. No entanto, com o estreitamento da aliança entre Fidel Castro e Kruschov, o revisionismo castrista terminou por se configurar como uma linha “esquerda” do revisionismo soviético, causando sérios danos a diversos processos revolucionários, semeando confusão e dificultando uma maior unificação do MCI em torno do pensamento Mao Tsetung, como se compreendia e se denominava, então, os aportes da Revolução Chinesa e do Presidente Mao ao marxismo, o qual posteriormente foi definido por Maoismo.

O revisionismo castrista se colocou contra a formulação Maoista do caráter universal da Revolução de Nova Democracia para todos os países coloniais e semicoloniais. Com uma fraseologia de “esquerda” passou a defender que, apenas uma revolução imediatamente socialista, poderia assegurar a libertação nacional. O processo de estatização das terras em Cuba, propagado como “coletivização socialista”, serviu para aumentar esta confusão, pois foi apresentado como modelo de coletivização imediata, em oposição à coletivização mediante o desenvolvimento da cooperação alcançado de modo brilhante na China socialista.

O trotskismo agarrou de imediato esta tendência e buscou interpretar a “revolução socialista” de Cuba como uma comprovação da correção da podre “teoria da revolução permanente” do traidor Trotsky. Surge nesta época, nas décadas de 1960 e 1970, um numeroso contingente de revisionistas nas academias, que passam a teorizar contra a existência de relações de produção semifeudais na América Latina. O fundo político desta questão estava na falsificação revisionista e trotskista do significado e real caráter da Revolução Cubana, que de fato foi uma Revolução de Nova Democracia interrompida pela direção imposta por Castro, quando este se rendeu ao revisionismo moderno de Kruschov, tornando Cuba numa esfera de influência da URSS social-imperialista.

É neste período que se formulam as falsas “teorias da dependência”, ou “teoria marxista da dependência”. Catedráticos revisionistas como Gunder Frank e Ruy Mauro Marini entre outros, irão todos se voltar contra a existência de relações semifeudais nos países latino-americanos. Isso ganha grandes proporções internacionais com as revistas “socialistas de salão” como New Left Review e Monthly Review, respectivamente, na Inglaterra e no USA. O PCI(Maoista) em seu importantíssimo documento Mudanças nas Relações de Produção na Índia – Nosso Programa Político, analisa também o impacto e a natureza desta ofensiva ideológica pequeno-burguesa contra a caracterização das sociedades semicoloniais como semifeudais. Os comunistas indianos mostram como estas interpretações revisionistas e trotskistas foram uma tentativa de contraofensiva do revisionismo aos avanços do Maoismo, e dos Trovões da Primavera de Naxalbari:

“As classes dominantes compradoras promoveram a ‘Revolução Verde’ em função dos interesses dos imperialistas. Como resultado disso, baseando-se em relações capitalistas distorcidas que se desenvolveram em certas áreas como Punjab, essas classes levantaram uma discussão sobre o Modo de Produção (MoP) no país. Esta foi uma conspiração para eliminar as bases da Revolução Agrária Armada e a linha da Guerra Popular Prolongada. A discussão sobre o Modo de Produção começou no início dos anos 70 entre acadêmicos e se espalhou entre ativistas políticos. Formulações foram expressas de várias maneiras como apresentações, palestras analíticas, pesquisas, formulações teóricas, análises políticas e relatórios de campo. Esta discussão continua até hoje em vários níveis. Além de economistas, cientistas sociais, ativistas políticos, partidos das classes dominantes, revisionistas e neorrevisionistas, os porta-vozes do Estado, os planejadores dos programas governamentais e muitas revistas forneceram evidências para a mesma conclusão.”49

O mesmo processo vivido na América Latina se repetiu na Índia, com um consórcio entre imperialismo, revisionismo, classes dominantes locais, acadêmicos, principalmente influenciados pelas “teorias” trotskistas, e agentes do velho Estado buscando “fornecer evidências” do desenvolvimento do modo de produção capitalista nestas sociedades. A única diferença no discurso imperialista, entre o imperialismo ianque e o social-imperialismo soviético, era que o primeiro pregava o “modelo imperialista de desenvolvimento” e o segundo a patranha de “via não-capitalista de desenvolvimento”. Mas ambos defendiam a mesma falácia: a possibilidade de desenvolvimento nacional sob o domínio e subjugação de uma potência imperialista.

A UOC(MLM), em sua falaciosa “autocrítica”, gaba-se de serem herdeiros daqueles que desde a década de 1960 lutam “contra o dogmatismo e o sectarismo, e em particular, contra aqueles que negam a existência e imposição de relações capitalistas no campo em muitos países oprimidos”. Gaba-se de serem herdeiros justamente do trotskismo, do revisionismo kruschovista e castrista, do socialismo de cátedra dos anos 1960 e 1970 que “descobriram” a ausência de semifeudalidade nos campos da América Latina, que repetem a contrapropaganda ianque de que após a II GM o imperialismo teria proporcionado desenvolvimento capitalista e varrimento da semifeudalidade nas semicolônias. A UOC(MLM) defende ipsis literis as mesmas posições fortemente criticadas pelos maoistas indianos, vejamos como isto aparece em seu Programa para a Revolução Colombiana:

O capital imperialista atuou sobre os embriões do capitalismo na Colômbia surgidos no seio da antiga economia feudal, impulsionando seu desenvolvimento em especial a partir de 1945, passando nos anos 60 a converter-se no modo de produção predominante sobre o semifeudalismo, até chegar a ser o modo de produção completamente dominante tanto na indústria como na agricultura da sociedade colombiana.”50

O Comitê de Direção da UOC(MLM) aplica as mesmas teorias criticadas pelo PCI(Maoista), formuladas sob o patrocínio imperialista na década de 1960 e 1970 para “analisar” a sociedade colombiana e formular um suposto “programa revolucionário”. Esta não é uma divergência de caráter histórico ou sobre um detalhe da aplicação da ideologia do proletariado, são questões relacionadas à essência da doutrina comunista, questões universais sobre o desenvolvimento do imperialismo no século XX e da sua crise e a relação do imperialismo com as colônias e semicolônias. É uma questão que exige o máximo rigor, e o máximo deslinde com as posições revisionistas e imperialistas. Vejamos mais detidamente como o PCI(Maoista) trata esta questão e como analisa a natureza desta contradição, partindo das discussões feitas no Nono Congresso do PCI(Maoista), em 2007:

“O Partido unificado, PCI(Maoista), conduziu um debate político sobre o modo de produção que emergiu em alguns estados na Índia, especialmente em Punjab, no Congresso de Unidade – Nono Congresso em conformidade com o princípio do centralismo democrático. O Congresso enfatizou que embora relações capitalistas distorcidas existam em certas áreas da Índia, incluindo Punjab, o modo de produção é constituído de relações de produção semifeudais e que a sociedade semicolonial, semifeudal de desenvolvimento desigual deve ser arrancada pela raiz no caminho da Guerra Popular Prolongada, adotando-se táticas apropriadas e a Revolução de Nova Democracia será cumprida; e isto enriqueceu a linha do Partido.”51

Ao mesmo tempo, o PCI(Maoista) analisa como se repete o mesmo procedimento no período do Levantamento de Naxalbari, quando a reação buscou se contrapor ao avanço da Revolução Agrária Armada formulando falsas teorias sobre o desenvolvimento capitalista na Índia:

“Por outro lado, o imperialismo, quase ao mesmo tempo, avaliou as consequências severas no plano doméstico e internacional caso a Guerra Popular na Índia se fortalecesse. Seguindo as ordens do imperialismo, as classes dominantes compradoras declararam nosso Partido como ‘o maior perigo de segurança interna do país’.

Aproveitando-se desta situação, o ataque teórico sobre a linha do Partido intensificou-se uma vez mais sob a forma do debate acerca das relações de produção. Muitos especialistas apareceram em todo o mundo e no país. Eles levantaram a discussão se o sistema socioeconômico da Índia é semifeudal ou se este se transformou em capitalista, e se a linha da Guerra Popular Prolongada é relevante hoje ou se é uma teoria ultrapassada. Um grande seminário foi realizado na Universidade de Oxford em 2011 e inúmeras pesquisas foram feitas e ainda seguem sendo feitas. Neste processo alguns acadêmicos das classes dominantes começaram pesquisas sobre os vilarejos. O imperialismo patrocinou ONGs com uma enxurrada de milhões de rúpias para este propósito.”52

Entre a intelectualidade indiana, existe uma forte tendência, influenciada pelo maoismo, e que não atua no sentido de mistificar as relações de produção neste país. Esta tendência sustenta o caráter semifeudal da Índia. Mas o imperialismo busca justamente impulsionar através de patrocinar uma segunda tendência:

“A segunda tendência é que a Índia não é mais um país semifeudal, mas se transformou em uma sociedade capitalista. Esta tendência é principalmente patrocinada pelo imperialismo e pelas classes dominantes. Agentes inimigos, forças antirrevolucionárias, forças oportunistas revisionistas fora do Partido e forças traidoras que deixaram o Partido e se renderam ao inimigo representam esta tendência.”53

O P.C.B., em recente documento se referindo a esta passagem do documento do PCI(Maoista), ressaltando que os maoistas indianos não poderiam ter sido mais proféticos:

“A conclusão citada acima não poderia ser mais profética: a tendência que nega o caráter semifeudal da Índia está composta por ‘agentes inimigos’, forças revisionistas e traidoras que se renderam ao inimigo. No ano de 2021, a direção do PCI (Maoista) antecipava justamente o conteúdo da linha revisionista capituladora de Sonu, que em sua carta ‘Abandono temporário da luta armada’, afirma que: na sociedade indiana ‘a contradição principal não é mais entre feudalismo versus massas populares, senão entre burguesia burocrático-compradora versus massas’, e que ‘se o feudalismo não está mais no centro, a estratégia da guerrilha no campo está superada e a luta deve transladar-se às cidades, aos cinturões industriais’.”54

A UOC(MLM), em sua histriônica e cabotina autocrítica, autoproclama-se com jactância de ser “honrosamente, a principal promotora na Colômbia do apoio e da solidariedade com a revolução na Índia, com a guerra popular e com o Partido Comunista da Índia (Maoista) que a dirige55. “Principais apoiadores”, mas que aplicam na análise internacional a mesma linha patrocinada pelo imperialismo e pelo revisionismo, tão duramente criticados pelo PCI(Maoista). Se dizem, “honrados” com a solidariedade que prestam ao PCI(Maoista) quando literalmente copiam e editam formulações de um web-revisionista indiano inimigo declarado da Guerra Popular e do partido que a impulsiona e dirige. Promovem, isto sim, a velha prática oportunista de se utilizar dos processos revolucionários em outros países, em declarações de solidariedade que visam unicamente promover a si e sua podre linha oportunista e revisionista.

Enfim, retomemos a questão de gravidade anteriormente referida das posições da UOC(MLM): esta, não se utiliza desta falsa solidariedade apenas para enganar incautos e contrabandear uma linha revisionista travestida de maoismo. Estes revisionistas têm se utilizado também do falso apoio à Guerra Popular dirigida pelo PCI(Maoista) para atacar as guerrilhas colombianas que não aceitaram o reacionário “plano de paz” do imperialismo e das classes dominantes. Ao anunciar sua participação nas manifestações contra a Operação Kagaar, no último 28 de março, a UOC(MLM) cometeu a seguinte declaração:

“Talvez, vários de nossos leitores tenham escutado em algum momento sobre a Guerra Popular na Índia e claro, seria normal sobretudo na Colômbia, quando se menciona ‘guerra’ se relacione, ou com as guerras criminosas e assassinas impulsionadas pelos países imperialistas, ou com as guerras que estamos acostumados a ver, encabeçados por grupos como o ELN ou as FARC que desde há décadas se dedicaram a conquistar territórios e controlar o asqueroso negócio do narcotráfico sob o falso discurso de trabalho com e pelo povo. Na realidade, a população tem sido vido vítima de suas tropelias pela mais-valia que deixam os psicotrópicos.”56

Repetem descaradamente, uma vez mais, o discurso imperialista, sustentado pelo governo oportunista de Petro, de que as guerrilhas camponesas na Colômbia são “narcoguerrilhas”, cujas vítimas são o próprio povo. Que diferença há, entre essa caracterização da luta armada na Colômbia e o discurso de Trump que quer justamente usar desta caracterização para aprofundar a intervenção militar na Colômbia, na Venezuela e no Equador? O mais absurdo é que se valem da Guerra Popular na Índia para atacar e criminalizar a luta armada camponesa na Colômbia. As concepções revolucionárias pequeno-burguesas têm uma base social objetiva e numerosa, de particular peso em nossas sociedades de países oprimidos semicoloniais-semifeudais, e elas são expressões políticas de classes ou setores de classes que são partes da FUR. E mais, as divergências ideológicas e políticas são uma permanente no seio da FUR, e a posição comunista marxista-leninista-maoista quanto à FUR é de unidade e luta e não a de propagar a posição da reação. Tal posição direitista e ultrarreacionária como esta que planteia a direção da UOC(MLM) é simplesmente algo inadmissível, deve ser denunciada e seus promotores desmascarados no MCI e para o proletariado internacional e para as massas populares de todos os países!

Assim que, as guerrilhas levadas a cabo pelo ELN, que não se rendeu ao velho Estado, e pelas dissidências das FARCs que não aceitaram o “plano de paz” do imperialismo, não são ainda uma Guerra Popular, isto é, a guerra camponesa dirigida por um Partido Comunista visando o cerco da cidade pelo campo, através do qual se vai gerando o poder vermelho do Novo Estado, até a conquista total do Poder. Ainda não o são. Mas são, desde décadas, guerras camponesas contra o velho Estado, contra o imperialismo e contra o latifúndio. Suas limitações ideológicas as impedem de progredir mais rapidamente e de assestar golpes mais duros no imperialismo e na reação. São limitações ideológicas típicas da mentalidade pequeno-burguesa camponesa, muitas vezes contaminada pela influência do revisionismo, principalmente castrista. Mas são típicas guerras camponesas, como o são também todo tipo de bandoleirismo errante, como foi o cangaço no Brasil, ou grupos de salteadores que trabalharam junto com o Presidente Mao nas Montanhas Tchincam. O bandoleirismo, o caráter errante, são limitações típicas das guerras camponesas, e apenas a direção proletária poderá corrigi-las, transformando assim esta longa guerra camponesa na poderosa e invencível Guerra Popular Prolongada.

A UOC(MLM), no entanto, por si mesmo confessa o abandono dessa tarefa histórica dos comunistas na Colômbia. Renegam assim a verdadeira essência da experiência das frações pensamento Mao Tsetung, como o PCC-ML de Rendón, que desde a década de 1960 buscou dar direção proletária e estes levantamentos camponeses armados.

O Levantamento de Naxalbari, na Índia, ocorreu em 1967. Os principais enfrentamentos da República da Marquetália, no departamento de Tolima, na Colômbia, se deram em 1964. Na Índia, os comunistas logo assumiram a direção do levante camponês, que acelerou a cisão com os revisionistas modernos, em 1969, levando a conformação do PCI(ML) e CCM. Na Colômbia, também, os comunistas buscaram dar direção à República da Marquetália, não o lograram de início, pois a influência do castrismo era muito mais forte na América Latina do que na Ásia. E desta maneira, Tiro Fijo fundou as FARC, se aproximando mais da linha cubana do que da linha maoista, embora levantasse um programa agrário justo frente a realidade do campo colombiano.

O PCC-ML, na Colômbia, avançou no mesmo sentido de Charu Mazumdar da Índia; Rendón foi assassinado em 1968, Mazumdar em 1970. Na Índia, PCI(ML)-GP e o CCM deram prosseguimento a direção comunista, proletária, da guerra camponesa. O PCI(Maoista) foi o resultado de décadas deste ingente esforço e dedicação. Na América Latina, com a exceção gloriosa do PCP, dirigido pelo Presidente Gonzalo, a grande maioria das forças pensamento Mao Tsetung, que se levantaram em armas nos anos 1960 e 1970, foram derrotadas pela reação e não puderam dar este prosseguimento, principalmente devido a capitulações e traições revisionistas na direção dos partidos, tal como ocorreu no Brasil com a traição e capitulação revisionista da camarilha de Amazonas, cujo liquidacionismo da linha revolucionária da guerra popular, deu lugar a mais um partido revisionista, no caso, hoxhista, sob a continuidade da sigla PCdoB. O mesmo ocorreu na Colômbia, após a queda de Rendón, e surgimento de variadas frações.

A UOC(MLM) defende o caminho inverso de Rendón e Mazumdar. Assume as piores teses revisionistas e as utiliza como justificativa teórica para fugir ao dever marxista-leninista-maoista de organizar e dirigir a guerra revolucionária camponesa. Diz que o certo foi ter abandonado o campo e ir para os grandes centros. E covardemente agora ataca as forças revolucionárias que, apesar de todas as dificuldades, seguem de armas nas mãos; repetem o discurso de Trump e Petro de “narcoguerrilha” e como revisionistas incorrigíveis usam do luminoso exemplo da Guerra Popular na Índia para atacar estas guerrilhas camponesas. Fazem o oposto daquilo que os maoistas indianos praticam em seu país e contribui com o proletariado internacional. Renegam o grande exemplo que o PCI(Maoista) brinda ao proletariado internacional: é necessário pagar a cota de sangue para assegurar a direção comunista à guerra camponesa. Por mais alto que seja este preço, o PCI(Maoista) o tem pago e é este luminoso exemplo que dá aos comunistas do mundo.

O mundo adentrou em uma Novo Período de Revoluções da História Mundial. O Dilúvio de Al-aqsa, em 07 de outubro de 2023, é marca indelével deste novo período de revoluções. O sistema imperialista encontra-se numa crise de decomposição sem precedentes. A superpotência hegemônica única, o imperialismo ianque, acelera seu declínio com suas ações. Todas as contradições fundamentais se agudizam, em especial a contradição principal da época entre nações e povos oprimidos e o imperialismo. A Heroica Resistência Nacional Palestina, a heroica resistência do Irã e do Líbano são grandiosos exemplos do desenvolvimento das condições subjetivas da revolução mundial. O Movimento de Libertação Nacional, como uma das duas correntes da Revolução Proletária Mundial e que é sua base, avança no sentido de uma luta consequente contra o imperialismo, principalmente o ianque, e depende da aliança que o MCI, através da vanguarda maoista, isto é a outra corrente que é sua direção, saiba soldar com firmeza e audácia esta grande frente única mundial com mais guerras populares em todos os continentes para o impulsionamento e crescimento da Revolução Mundial, condição única para conjurar nova e terceira guerra mundial imperialista, cujos preparativos se incrementam dia a dia, ou que, se esta se desata combatê-la com a guerra popular mundial e varrer o imperialismo e toda a reação da face da terra.

O Movimento Proletário Internacional, que deve assumir a direção deste processo, sua vanguarda o MCI, através da vanguarda maoista, também tem alcançado importantes progressos. O imperialismo ianque e seus sócios menores da OTAN, ademais das guerras de agressão e ações de rapina com as guerras na Ucrânia, no Oriente Médio Ampliado, em países da África; e a invasão piratesca da Venezuela com o sequestro de seu presidente constitucional, Maduro, em ações planejadas, tem dirigido as operações de cerco contra as Guerras Populares em curso. São responsáveis pelos assassinatos do Presidente Gonzalo na prisão, após 29 anos de isolamento absoluto, dos Camaradas Benito e Wilma, dirigentes históricos do Partido Comunista das Filipinas, e do assassinato do Camarada Basavaraj, Secretário Geral do PCI(Maoista) e de outros grandes dirigentes seus, assim como de destacados chefes das guerras de resistência nacional anti-imperialista e anti sionista. Mas estes ataques não puderam deter a Guerra Popular nem as guerras de libertação nacional, as quais seguem pujantes e desafiantes contra o vento e a maré contrarrevolucionária e perante o mundo. Do mesmo modo que a Guerra Popular na Turquia, dirigida pelo heroico TKP/ML e a Guerra Popular no Peru, que segue no processo de Reorganização Geral do PCP. O prosseguimento das Guerras Populares e os preparativos para outras novas, a fundação de uma nova organização internacional do proletariado, a Liga Comunista Internacional-LCI, assim como da recém organizada Liga Anti-imperialista Internacional-LAI, constituem os principais progressos subjetivos no campo do MCI. Os comunistas e revolucionários devem mover todos os esforços para derrotar um a um os planos do imperialismo. A tarefa internacional mais alta hoje dos revolucionários e democratas consequentes é lutar em defesa da Resistência Nacional Palestina, Iraniana e Libanesa, pela derrota da Operação Kagaar e em apoio às Guerras Populares em curso.

Avançar nesta luta só é possível em meio ao combate sem quartel ao revisionismo e todo tipo de oportunismo. O revisionismo é o perigo principal para a revolução, justamente por ser o inimigo mascarado no interior das lutas populares. Aplastar a direita, arrasar a quinta-coluna e punir os traidores da revolução, esta é uma necessidade premente e já em marcha. O último 28 de março foi grandioso. A quinta-coluna causou danos terríveis ao PCI(Maoista), à guerra popular e às massas populares do campo, mas foi incapaz de desencabeçar o PCI(Maoista) e o movimento revolucionário maoista. A “Operação Kagaar” e o fascista Modi foram derrotados em seu intento ilusório de eliminar o movimento maoista, os preparativos da contraofensiva já está em curso e, antes tarde do que nunca, a revolução será vitoriosa. O Movimento Proletário Internacional cumprirá o seu papel nesta tarefa atacando o imperialismo e seus lacaios e o revisionismo de modo inseparável, sem quartel e sem quaisquer concessões.

Abaixo a Operação Kagaar!

Viva a Revolução de Nova Democracia na Índia!

Viva a Guerra Popular Prolongada!

Viva o Partido Comunista da Índia (Maoista) – PCI(Maoista)!

O Camarada Basavaraj é imortal!

Morte ao revisionismo e a todo o oportunismo! Morte a Sonu e sua camarilha de vis traidores!

Desmascarar a cumplicidade política com a traição da camarilha de Sonu-Satish-Devji dos defensores de suas teses antimaoistas e fingidos apoiadores da Guerra Popular na Índia e do PCI(Maoista)!

Viva a Revolução Proletária Mundial!


1 Sonu foi nos últimos anos o responsável internacional do PCI(Maoista) e fazia comunicados sob o codinome de Amrut.

2 Revista Nazariya, La represión no detendrá nuestro trabajo, apud heraldorojo.org, 2026, tradução nossa.

3 FACAM, apud heraldorojo.org, 2026, tradução nossa.

4 PCI(Maoista), apud, LCI, A reação está condenada a derrota, e a Guerra Popular na Índia está condenada a triunfar!, 2025.

5 LCI, A reação está condenada a derrota, e a Guerra Popular na Índia está condenada a triunfar!, 2025.

6 P.C.B., Defender a Guerra Popular na Índia e o PCI (Maoista) é defender sua linha política geral e de combate ao revisionismo, 2025.

7 P.C.B., Defender a Guerra Popular na Índia e o PCI (Maoista) é defender sua linha política geral e de combate ao revisionismo, dezembro de 2025.

8 UOC(MLM), Declaración de Comité de Dirección de la UOC (mlm) sobre el nuevo ataque del Partido Comunista de Brasil, janeiro de 2026.

9 UOC(MLM), Declaración de Comité de Dirección de la UOC (mlm) sobre el nuevo ataque del Partido Comunista de Brasil, janeiro de 2026.

10 Defender a Guerra Popular na Índia e o PCI (Maoista) é defender sua linha política geral e de combate ao revisionismo, (P.C.B., dezembro de 2025).

11 UOC(MLM), Declaración de Comité de Dirección de la UOC (mlm) sobre el nuevo ataque del Partido Comunista de Brasil, janeiro de 2026.

12 UOC(MLM), Declaración de Comité de Dirección de la UOC (mlm) sobre el nuevo ataque del Partido Comunista de Brasil, janeiro de 2026.

13 P.C.B., A Revolução de Nova Democracia é a força principal da Revolução Proletária Mundial, dezembro de 2023, negritos e itálicos do original; sublinhados nossos.

14 V. I. Lenin, O imperialismo, fase superior do capitalismo, OC, Editorial Progresso Moscou, T. 27, p. 441, tradução e negritos são do P.C.B..

15 Presidente Mao, A Revolução Chinesa e o Partido Comunista da China, OE, Edições em Línguas Estrangeiras de Pequim, T. 2, p. 321, tradução e negritos são do P.C.B..

16 UOC(MLM), Programa para la Revolución em Colombia, 2015), itálicos da UOC(MLM), tradução e negrito nossos.

17 P.C.B., A Revolução de Nova Democracia é a força principal da Revolução Proletária Mundial, dezembro de 2023, negritos e itálicos do original; sublinhados nossos.

18 P.C.B., A Revolução de Nova Democracia é a força principal da Revolução Proletária Mundial, dezembro de 2023, negritos e itálicos do original; sublinhados nossos.

19 UOC(MLM), Declaración de Comité de Dirección de la UOC (mlm) sobre el nuevo ataque del Partido Comunista de Brasil, janeiro de 2026.

20 PCI(Maoista), Changes in Relations of Production in India – Our Political Program, 2021.

21 “Prominent changes in Indian economy in the stage of mercantile capitalism: 1. Revival of the ruining feudal relations so as to fulfill British colonial interests; 2. Peasants lost their traditional right to land and land became a commodity, penetration of commodity-money relations; 3. Destructive impact on Indian industry and commerce; 4. Destruction of self-sufficient rural economy and liquidation of peasantry and artisans; 5. Several old independent big traders and bankers of India liquidated and merchant and money-lenders who worked as middlemen for the British transformed into trading class and strengthened; 6. Domestic market shrunk further.” PCI(Maoista), Changes in Relations of Production in India – Our Political Program, 2021. Tradução e negritos nossos.

22 “Colonial rule created the social basis to hinder the development of independent capitalism in our country.” PCI(Maoista), Changes in Relations of Production in India – Our Political Program, 2021. Tradução e negrito nossos.

23 “Revival of feudal relations: East India Company strengthened the feudal kings, nawabs and other feudal forces to mainly seize the heavy surplus out of the crops produced by the peasants and production of ordinary goods by the artisans. In places it could establish its direct rule it created new feudatories.” PCI(Maoista), Changes in Relations of Production in India – Our Political Program, 2021. Tradução e negrito nossos.

24 UOC(MLM), Programa para la Revolución em Colombia, 2015, itálicos da UOC(MLM), tradução e negrito nossos.

25 “Finance capital played a vital role in the development of new feudal forces out of the collaborated network of government and non-government ‘party-cooperative-panchayat-police’ in the villages.” PCI(Maoista), Changes in Relations of Production in India – Our Political Program, 2021. Tradução e negrito nossos.

26 “After World War II, US imperialism came forth as a strong force as the only superpower in the world. Britain and France that won the war and Germany, Japan and Italy that lost became economically very weak.” PCI(Maoista), Changes in Relations of Production in India – Our Political Program, 2021. Tradução e negrito nossos.

27 “In addition to this the upsurge of national liberation struggles as a result of the emergence of powerful Socialist camp much more weakened imperialism in global scale. It brought a change in the balance of forces in class forces. Imperialism almost lost the strength to form colonies through direct rule”. PCI(Maoista), Changes in Relations of Production in India – Our Political Program, 2021. Tradução e negrito nossos.

28 “Imperialists started unleashing indirect/neo-colonial kind of exploitive policy as a part of turning these unfavorable conditions favorable to them. Imperialist capital allied with the feudal forces on one hand and comprador industrialists on the other in the erstwhile colonial/backward countries.

(…)

In order to achieve its aim it stated that it would stand for democracy as if it was opposing colonial policy. It entered the markets of several colonial countries in the name of free trade, free competition and free market much before WW II and started to increase its hold on the economies.” PCI(Maoista), Changes in Relations of Production in India – Our Political Program, 2021. Tradução e negrito nossos.

29 “These industries were set up as a part of international division of labor of the international monopoly capitalist enterprises. They produced only to export. Therefore the development going on as a part of international division of labor in countries like India is not genuine capitalist development of the country. Indian ruling classes boast of speedy capitalist development but in fact this is semi-colonial economy and not an independent capitalist development.” PCI(Maoista), Changes in Relations of Production in India – Our Political Program, 2021. Tradução e negrito nossos.

30 “Due to globalization almost all the market sectors in western capitalist countries came into existence in India also. However, since they collaborated with the feudal basis they did not yet form like in the western countries. In fact, during the globalization period the feudal basis has been fulfilling the interests of the western capitalists and is contributing to more profits.” PCI(Maoista), Changes in Relations of Production in India – Our Political Program, 2021. Tradução e negrito nossos.

31 “The situation of the semi-colonial country declined further. Dependence grew. Since this is the neo-colonial kind of semi-colonial country there is no chance for total development of the industrial sector. Therefore, the changes are according to the needs of the imperialists, the capital of comprador ruling classes, raw material and market. There is no change in their reactionary character.” PCI(Maoista), Changes in Relations of Production in India – Our Political Program, 2021. Tradução e negrito nossos.

32 UOC(MLM), Programa para la Revolución em Colombia, 2015, itálico no original, tradução e negrito nossos.

33 UOC(MLM), Programa para la Revolución em Colombia, 2015, itálico no original, tradução e negrito nossos.

34 UOC(MLM), Programa para la revolución en la Colombia, Quarta Edição, 2015, tradução do P.C.B. e negritos nossos.

35 “The second trend brings forth the imperialist sponsored international ‘development’ model . It argues that the classification by the Maoist Party might apply to the ending period of the 1960s but that at present ‘feudalism’ has absolutely weakened and to a large extent capitalist relations of production dominate the agricultural sector. Therefore it tries to prove theoretically that Armed Agrarian Revolution in the rural area is meaningless. It brings forth certain traitors who betrayed the Revolutionary party, people and revolution and bowed to the enemy for this purpose. They adopt mudslinging and make hue and cry over the Party line and make vain attempts to create confusion in the revolutionary camp.” PCI(Maoista), Changes in Relations of Production in India – Our Political Program, 2021. Tradução e negrito nossos.

36 UOC(MLM), Programa para la revolución en la Colombia, Quarta Edição, 2015, tradução e negritos nossos.

37 “The First question – feudal oppression: Majority of the people were suffering from feudal oppression. Since there was no anti-feudal democratic revolution in the country the feudal classes were absolutely not affected.” PCI(Maoista), Changes in Relations of Production in India – Our Political Program, 2021. Tradução e negrito nossos.

38 “We saw how the Indian exploitive ruling classes that trampled the land redistribution (land reforms) program took up and failed in programs to develop agricultural productivity in alternate ways such as community development programs, IADP, cooperatives and ‘green revolution’ without basically changing the semifeudal relations of the British period in agriculture. However these programs helped them reorganize feudal hegemony from the level of village panchayat. New feudal forces and new forms of exploitation came forth from out of these.” PCI(Maoista), Changes in Relations of Production in India – Our Political Program, 2021. Tradução e negrito nossos.

39 “During this period seeds were sown for contract/corporate agriculture with the collaboration of these new feudal forces with finance capital.” PCI(Maoista), Changes in Relations of Production in India – Our Political Program, 2021. Tradução e negrito nossos.

40 “Cooperative bank is an important institutional form of combination of bureaucratic capitalism and semifeudalism. NABARD (National Agricultural Bank of Rural Development) is funding the bank. NABARD is funded by the World Bank. The surplus of the local exploiters mainly the landlords also has a considerable share in this. Thus we see that cooperative capital is the mixture of investments of the imperialists and comprador bureaucratic capitalists and the local-semifeudal surplus. Only the local exploiters elected on behalf of various parties control this organisation. This was not only a source of easy credit for them but worked as a powerful instrument of power. Cooperative banks immediately increased the facility and availability of institutional credit. Thus new relations that are apparently modern took the place of traditional relations in the rural area.” PCI(Maoista), Changes in Relations of Production in India – Our Political Program, 2021. Tradução e negrito nossos.

41 “(…) a new feudal class came into existence in rural areas utilizing local power. As a part of land reforms in 1970 surplus land was distributed to poor and landless peasant families in several areas of Kerala and West Bengal on the condition that they would become members of collective farm. But in practice their land ownership became formal. All the members of the Directors’ board of these collective farms are from poor, landless peasants and families of backward castes and Dalits but they were not provided the right to sell or utilize the land as per their wish. In fact what came forth as land ownership in the name of collective farms was the corporate land ownership of the members of the Board that was in government control in several forms. They could gain this position with the support of the government and its capital. This feudalism is another form of comprador bureaucratic capitalist ownership. This is anew form in which the real owners utilized the power machinery and established oppressor caste hegemonic feudal relations on the real toilers.” PCI(Maoista), Changes in Relations of Production in India – Our Political Program, 2021. Tradução e negrito nossos.

42 “Although poor peasantry and a section of the middle class peasantry lost their lands are distanced from land and other instruments of labor they did not become agricultural laborers or rural proletariat. They were tied to the same land as share croppers. They owned certain instruments of production such as plough. They distributed a part of the expenditure on production. This is a feature of pre-capitalist relations of property. Due to acute poor condition share croppers sold their crop much before or obtained food grains or money as advance from the land owners, traders and paddy dealers. With these new loans the peasantry had to leave their next crop also. They were caught in a vicious circle and it became impossible for them to come out of it. They were tied to their lands. They faced both the semifeudal exploitation and trade-usury exploitation.” PCI(Maoista), Changes in Relations of Production in India – Our Political Program, 2021. Tradução e negrito nossos.

43 “The poor farmers are taking land on rent in two ways – for contract and for share. (…) At present most of the landless and poor farmers in most of the areas take land for contract on oral basis and cultivate. They are not the owners, partners or even shareholders of the land according to the government statistics. They can be said to be bonded slaves.” PCI(Maoista), Changes in Relations of Production in India – Our Political Program, 2021. Tradução e negrito nossos.

44 “As wage labor rose and took an exploitive capitalist form, this apparent change is a part of the existing semifeudal exploitation.” PCI(Maoista), Changes in Relations of Production in India – Our Political Program, 2021. Tradução e negrito nossos.

45 “Feudal exploitation continues in the form of making the displaced farmers to work as regular agricultural laborers or as tenants.” PCI(Maoista), Changes in Relations of Production in India – Our Political Program, 2021. Tradução e negrito nossos.

46 “Various kinds of revisionists see the form and not the content and divert the people politically. They liquidate the anti-imperialist, anti-feudal struggles. They conceal the necessity of a total change of the semi-colonial, semifeudal society.” PCI(Maoista), Changes in Relations of Production in India – Our Political Program, 2021. Tradução e negrito nossos.

47 “India turned semi-colonial from the British imperialist direct, colonial rule since 15 th August, 1947. Indian society was already semifeudal. Initially revolutionary communists did not fundamentally differ in this regard. In 1946-51 the great Telangana Armed Peasant struggle took place for land, bread and liberation. The leadership of the unified Communist Party withdrew from armed struggle and betrayed it. (…) This strengthened right opportunism in the Party. If we see the later strategy of the Party, the leadership of the Party made a gimmick of words and started considering India as a fundamentally independent capitalist country.” PCI(Maoista), Changes in Relations of Production in India – Our Political Program, 2021. Tradução e negrito nossos.

48 “However, the revolutionary faction in the Party never accepted this right opportunist tendency. When the unified Communist Party split into the CPI and the CPI (M) in the decade of 1960, the revolutionary faction was in CPI (M). But it opposed the neo-revisionist line of the leadership. In no time, many of the first rank leaders like Comrade CM and Comrade KC the founder leaders and teachers of our Party – the CPI (Maoist) who paved the line for Indian Revolution and the activists clearly said that India was a semi-colonial, semifeudal society and raised the question of Armed Agrarian Revolution. As a result the Naxalbari armed peasant struggle took place in North Bengal in 1967. The struggle soon spread to several parts of the country. The CPI (ML) and the MCC that emerged in 1969 clearly stated the Indian society as semi-colonial, semifeudal. The parties took up the line of Protracted People’s War and went ahead with the goal of New Democratic Revolution. The successful Eighth Congress of the CPI (ML) in 1970 unanimously held this line aloft.” PCI(Maoista), Changes in Relations of Production in India – Our Political Program, 2021. Tradução e negrito nossos.

49 “The comprador ruling classes brought forth ‘Green Revolution’ in the interests of the imperialists. As a result of this, basing on the distorted capitalist relations that developed in certain areas like Punjab, these classes raised a discussion on the Mode of Production (MoP) in the country. This is a conspiracy to wipe out the basis for Armed Agrarian Revolution and the line of Protracted People’s War. The discussion on Mode of Production began in early 1970s among the academicians and spread to political activists. Opinions were expressed in various methods such as presentations, analytical papers, research studies, theoretical formulations, political analyses and field reports. The discussion has been continuing even now in various degrees. Apart from economists, social scientists, political activists, ruling class parties, revisionist and neo-revisionist parties, the spokespersons of the state, planners of government schemes and several magazines provide the evidence for the same.” PCI(Maoista), Changes in Relations of Production in India – Our Political Program, 2021. Tradução e negrito nossos.

50 UOC(MLM), Programa para la revolución en la Colombia, Quarta Edição, 2015, tradução, negritos e sublinhado nossos.

51 “The unified Party CPI (Maoist) conducted political debate regarding the mode of production in India that came forth in certain states, especially in Punjab, in the Unity Congress-Ninth Congress conforming to the principle of democratic centralism. The Congress emphasized that although distorted capitalist relations exist in certain areas of India including Punjab, the mode of production is constituted of semifeudal relations of production and that the semi-colonial, semifeudal society of unequal development must be rooted out in the path of Protracted People’s War by adopting appropriate tactics and New Democratic Revolution be accomplished and thus it further enriched the Party line.” PCI(Maoista), Changes in Relations of Production in India – Our Political Program, 2021. Tradução e negrito nossos.

52 “On the other hand the imperialists by this time assessed the severe consequences in the domestic and international plane if the People’s War in India strengthens. On the dictates of the imperialists the comprador ruling classes declared our Party as ‘the biggest danger to the internal security of the country’.

Utilizing this situation, the theoretical attack on the Party line intensified once again in the form of debate on relations of production. Several imperialist sponsored think tanks emerged all over the world and in the country. They raised the discussion whether the socio-economic system of India is semifeudal or whether it changed into capitalist and whether the line of Protracted People’s War is relevant today or whether it is an outdated theory. A big seminar was held in the Oxford University in 2011 and countless researches were taken up and are going on. In this process few scholars of the ruling class took up surveys of villages. The imperialist sponsored NGOs are pouring in crores of rupees for this purpose.” PCI(Maoista), Changes in Relations of Production in India – Our Political Program, 2021. Tradução e negrito nossos.

53 “The second trend is that India is not at all a semifeudal country but it has transformed into a capitalist society. This is mainly sponsored by the imperialists and the ruling classes. Enemy agents, anti-revolutionary forces, opportunist revisionist forces pushed out of the Party and traitorous forces that left the Party and surrendered to the enemy represent this trend.” Changes in Relations of Production in India – Our Political Program, CC PCI(Maoista), 2021. Tradução, negrito e sublinhado nossos.

54 P.C.B., 2025, Defender a Guerra Popular na Índia e o PCI (Maoista) é defender sua linha política geral e de combate ao revisionismo. Negritos do P.C.B., sublinhado nosso.

55 UOC(MLM), 2026, Declaración de Comité de Dirección de la UOC (mlm) sobre el nuevo ataque del Partido Comunista de Brasil. Tradução e negritos nossos.

56 UOC(MLM), 2026, La campaña internacional contra la Operación Kagaar en India.