Filipinas: Sobre o massacre de Toboso (Partido Comunista das Filipinas, 2026)
Nota do blog: Publicamos tradução não oficial para o português de uma declaração do Partido Comunista das Filipinas sobre o massacre de Toboso.
Condenamos nos termos mais veementes as Forças Armadas das Filipinas, em particular o 79º Batalhão de Infantaria, pelo massacre indiscriminado e desmedido que ceifou 19 vidas — combatentes Vermelhos do Novo Exército do Povo e civis desarmados — em Barangay Salamanca, município de Toboso, Negros Occidental, em 19 de abril.
Prestamos homenagem ao destacamento de dez combatentes Vermelhos do NPA que enfrentaram os fascistas até o último suspiro. São eles:
1. Roger Fabillar (Ka Tapang), que serviu como comandante do NPA na Frente Norte de Negros
2. Sonny Boy Caramihan, 28, de Barangay Bagonbon, San Carlos City
3. Rene Villarin Sr., 57, Barangay Marcelo, Calatrava, líder de esquadrão
4. Pedro Bonghanoy, oficial médico, Barangay Libertad, Escalante City
5. Arnel Javoc, 32, de Barangay Lalong, Calatrava
6. Joros Caramihan y Ramos, 18, de Don Salvador Benedicto
7. Maria Clarita Branzuel Blanco (Ka Sanim/Pat), Instrutora Política
8. Genevieve Balora (Ka Raia), de Bacolod City, quadro distrital do Partido
9. Labskie Purisimia Enustacion, 33, de Sitio Tinibawan, Barangay Bug-ang, Toboso
10. Jocel Gimang, 18, de Sitio Bautista, Barangay Malasibog, Escalante City
Solidarizamos com os entes queridos e camaradas dos combatentes Vermelhos caídos. Suas mortes pesam profundamente em nossos corações. Como guerreiros revolucionários, todos serviram de forma abnegada ao povo filipino, especialmente aos camponeses e trabalhadores rurais oprimidos e explorados de Negros. Eram profundamente amados pelas massas. Desafiando a repressão militar em suas comunidades, o povo de Toboso e Calatrava formou longas procissões para levar seus estimados combatentes Vermelhos ao local de descanso final, em sinal de alto respeito e sincera gratidão.
O Novo Exército do Povo sofreu uma derrota tática naquele dia fatídico, mas permanece lúcido e determinado a avançar pelo caminho revolucionário rumo à vitória estratégica. A postura valente e o heroísmo de seus combatentes em Toboso inspiram as massas oprimidas a se levantarem e resistirem por meio da revolução armada. O sangue derramado pelos guerreiros caídos em sua batalha final fecunda o solo da guerra popular, da qual brotarão ainda mais combatentes Vermelhos do Novo Exército do Povo.
Estendemos também nossas mais profundas condolências às famílias e amigas(os) de:
1. Roel Sabillo, 19, residente de Barangay Tabunac, Toboso
2. R.J. Nichole Ledesma, 30, jornalista comunitária de Bacolod City
3. Alyssa Alano, conselheira, UP Diliman Student Council
4. Maureen Keil Santuyo, 24, integrante da National Network of Agrarian Reform Advocates (NNARA-Youth)
5. Errol Wendel, 24, membro da Unyon ng mga Manggagawa sa Agrikultura
6. Jemina Gumadlas, 15, residente de Sitio Plarending, Barangay Salamanca, Toboso
7. Lyle Prijoles, 40, da International Coalition for Human Rights in the Philippines, de San Francisco, Califórnia (EUA)
8. Kai Sorem, 26, de Seattle, Washington (EUA)
9. Dexter Patajo, 17, Sitio Buklog, Barangay Lalong, Calatrava, Negros Occidental
Com base nas informações iniciais que reunimos, foram mortos apesar de estarem desarmados ou serem não combatentes. Entre as vítimas há uma jornalista, uma liderança estudantil, organizadores camponeses, trabalhadores de direitos humanos do exterior e moradores locais. Duas das vítimas eram crianças.
Prestamos tributo às vítimas do Massacre de Toboso, tanto aos combatentes Vermelhos quanto a todos que com abnegação ofereceram sua força, conhecimento e capacidades em serviço aos interesses das massas oprimidas e exploradas. Sigamos o caminho que eles escolheram pela salvação da nação.
Oficiais e tropas em atuação das Forças Armadas das Filipinas são culpáveis por homicídio doloso e indiscriminado. Devem ser responsabilizados e punidos por seus crimes graves ao abrigo do direito humanitário internacional.
Imagens de vídeo das próprias câmeras-drones das Forças Armadas também circularam nas redes sociais mostrando Ka Tapang vivo e aparentemente incapaz de oferecer resistência. Isso indica que ele foi executado sumariamente pelos fascistas, em vez de ser tratado como prisioneiro de guerra. Exortamos outros membros de consciência das Forças Armadas que possuam filmagens adicionais de drones a contrabandeá‑las e a se apresentarem para revelar relatos verídicos de como os crimes brutais foram cometidos, em contraste com as versões fabricadas por seus superiores.
As Forças Armadas tentam desesperadamente encobrir seus crimes, forjando fatos torcidos para sustentar suas mentiras. A alegação inicial de que sete armas foram recuperadas no local foi depois “atualizada” para 20 (e depois 24), para fazer parecer que todos os mortos eram combatentes armados.
As Forças Armadas evacuaram forçosamente moradores locais e os mantiveram isolados para impor um apagão informacional e impedir que a mídia e grupos independentes realizassem entrevistas e uma investigação eficaz sobre o massacre. Dias depois, um grupo organizado pelo exército foi autorizado a conduzir sua própria “missão de apuração de fatos”, uma farsa destinada a forjar uma narrativa certificada pelas Forças Armadas que se alinhe à versão oficial de uma “operação legítima”.
Incrédulos, vários setores e personalidades exigiram investigação independente. A Comissão de Direitos Humanos anunciou que realizará uma, embora tenha feito promessas semelhantes no passado sem resultados substanciais. Recorda-se que prometeu investigar o massacre da família Fausto em 2023, em Himamaylan City, Negros Occidental, envolvendo o 94º Batalhão de Infantaria das Forças Armadas, mas falhou em apresentar algo concreto quase três anos depois.
As amplas massas do povo filipino sofrem formas crescentes de opressão e exploração diante da crise aprofundada sob o regime fascista e marioneta de Marcos. Marcos ordenou que seus instrumentos armados nas Forças Armadas e na National Task Force–Elcac intensificassem ataques ao povo sob o pretexto de “paz e desenvolvimento”. Tal como seu pai ditador, Marcos Jr. emprega táticas de terror para subjugar politicamente a população, particularmente no meio rural, onde impera um clima de lei marcial.
O terrorismo de Estado jamais conseguiu esmagar a vontade do povo. Os ataques do regime de Marcos fracassarão em deter a resistência popular. Pelo contrário, sua brutalidade fascista apenas aguça a determinação das massas, tornando indiscutível a justeza e a necessidade da revolução armada.
O Novo Exército do Povo permanece inabalável em sua determinação de aplicar justiça revolucionária a todas as vítimas do massacre de Toboso.
As chamas da guerra popular continuarão e se espalharão pelo país, enquanto a aspiração do povo filipino por liberdade nacional e a verdadeira democracia arde intensamente em seus corações.