Filipinas: Honremos e sustentemos o legado revolucionário de Ka Louie Jalandoni (Partido Comunista das Filipinas, 2025)
Nota do blog: Publicamos tradução não oficial duas declarações do Comitê Central do Partido Comunista das Filipinas (PCF) sobre o falecimento de Ka Louie Jalandoni, dirigente da Frente Democrática Nacional das Filipinas (FNDF), em 7 de junho último. A nota foi publicada em um número especial de “Liberation International”, periódico internacional da FDNF.

Ka Louie Jalandoni, 90 anos
É com profundo pesar que anunciamos o falecimento de Ka Louie Jalandoni, amado pelas massas, verdadeiro internacionalista, dirigente revolucionário e firme defensor da paz. Ka Louie faleceu pacificamente por volta das 9h05 da manhã em Utrecht, nos Países Baixos (15h05 no horário das Filipinas), no dia 7 de junho de 2025. Ele tinha 90 anos.
Em seus momentos finais, Ka Louie estava cercado por camaradas, por sua esposa Ka Coni e por sua família. O Comitê Central do Partido Comunista das Filipinas expressa suas condolências à família de Ka Louie, cujo amor, força e apoio o acompanharam ao logo de décadas de serviço à causa revolucionária do povo filipino.
Comitê Central
Partido Comunista das Filipinas
Conselho Nacional
Frente Democrática Nacional
Honremos e sustentemos o legado revolucionário de Ka Louie Jalandoni: baluarte da paz, revolucionário!
Comitê Central do Partido Comunista das Filipinas
(07 de junho de 2025)
Em reconhecimento à sua dedicação e contribuições ao longo da vida para a revolução democrática popular, o Comitê Central do Partido Comunista das Filipinas confere suas mais altas honras a Ka Louie Jalandoni. Suas contribuições na construção e fortalecimento do Partido e da Frente Democrática Nacional, bem como na condução da revolução democrática popular – principalmente por meio da luta armada, mas também por outras formas de luta, incluindo as negociações de paz – são indeléveis.
Ka Louie faleceu hoje. Ele tinha 90 anos.

Ka Louie viveu uma vida verdadeiramente extraordinária. Nasceu em 26 de fevereiro de 1935, em uma família de grandes latifundiários e barões do açúcar na Ilha de Negros. Apesar do conforto e dos privilégios nos quais nasceu, Ka Louie desenvolveu uma profunda consciência política ao se envolver diretamente com a vida e a luta dos canavieiros, que labutavam incansavelmente nos canaviais de Negros.
Levou a sério o princípio da “opção preferencial pelos pobres” como guia de vida. Ex-padre católico, participou do programa “Igreja para os Bairros”, dirigindo iniciativas em comunidades rurais negligenciadas e conhecendo de perto as duras realidades da pobreza, da exploração e da repressão estatal. Seu trabalho entre as massas o transformou e fortaleceu sua decisão de agir não apenas como um pastor da fé, mas como um servidor da revolução.
Em 17 de fevereiro de 1972, Ka Louie desempenhou papel fundamental na fundação dos Cristãos pela Libertação Nacional (CNL), organizando trabalhadores religiosos progressistas como ele para resistir ao terror fascista da ditadura de Marcos Sr. Em sua assembleia de fundação, tanto Ka Louie quanto sua esposa Ka Coni foram eleitores para o Conselho Executivo Nacional. No mês seguinte, em março de 1972, Ka Louie ingressou no Partido Comunista das Filipinas. Posteriormente, o CNL se tornaria uma das organizações fundadoras da Frente Democrática Nacional das Filipinas (FDNF), em 1973.
Quando Marcos declarou a lei marcial, Ka Louie foi para a clandestinidade, desafiando a ditadura fascista. Ele e Ka Coni foram presos em 1973 e detidos no Forte Bonifácio. Lá, Ka Louie ficou quase um ano em uma cela escura e sem janelas, com mais seis ou sete presos. Uma onda de protestos e campanhas promovidas por grupos religiosos e organizações internacionais de direitos humanos forçou o regime Marcos a libertá-los em julho de 1974.
Ka Louie retomou seu trabalho revolucionário após a libertação. Em 1975, ajudou a organizar e coordenar a histórica greve dos trabalhadores da La Tondeña, em Manila – a primeira grande greve sob a lei marcial. A greve rompeu o clima de medo instaurado pelo regime e marcou a retomada das lutas de massas e das manifestações populares entre o final dos anos 1970 e início dos anos 1980.
Em 1976, Ka Louie foi para o exterior dirigir os trabalhos de relações internacionais do Partido e denunciar os crimes brutais da ditadura de Marcos. Diante das ameaças à sua vida e da certeza de perseguição caso retornassem às Filipinas, Ka Louie e Ka Coni solicitaram e obtiveram asilo político nos Países Baixos – tornando-se assim os primeiros filipinos a conquistarem esse reconhecimento. Do exílio, Ka Louie trabalhou incansavelmente para fortalecer o apoio internacional à revolução filipina.
Em julho de 1977, Ka Louie foi formalmente designado como Representante Internacional da FDNF. Teve papel vital na construção do Birô Internacional da FDNF em Utrecht e na organização do apoio global à resistência do povo filipino contra a ditadura EUA-Marcos. Foi um dos principais organizadores do Tribunal Permanente dos Povos sobre as Filipinas, em 1980, que expôs as graves violações de direitos humanos cometidas pelo regime e reconheceu a Frente Democrática Nacional como legítima representante do povo filipino.
Como principal representante internacional da FDNF, Ka Louie realizou trabalho proto-diplomático e estabeleceu relações com governos estrangeiros, agências internacionais, grupos de solidariedade e movimentos e partidos revolucionários ao redor do mundo. Ajudou a amplificar a voz do povo filipino ao articular a justa causa da luta revolucionária.
Em 1989, Ka Louie foi designado como chefe da delegação da FDNF nas negociações de paz com o Governo da República das Filipinas (GRF). Nesse papel, exemplificou o firme compromisso do movimento revolucionário em alcançar uma paz justa e duradoura – uma paz que enfrente as raízes do conflito armado: a falta de acesso à terra, a pobreza e a dominação estrangeira. Ao longo de incontáveis rodadas de negociações, Ka Louie manteve-se como um pilar de integridade e firmeza revolucionária, sempre colocando as massas filipinas no centro do processo.
Expressamos nossa mais profunda gratidão a Ka Louie Jalandoni por ter dedicado sua vida ao povo filipino, à Frente Democrática Nacional e ao Partido Comunista das Filipinas. Preservaremos para sempre as imensas contribuições que ele ofereceu ao avanço da luta do povo pela libertação nacional e social. Ao lamentarmos sua partida, reafirmamos firmemente nosso compromisso de levar adiante seu legado de serviço abnegado, humildade sem limites, integridade revolucionária e compromisso com a revolução democrática popular até a vitória final.
Viva a memória de Ka Louie Jalandoni!
Que seu grandioso legado revolucionário viva e inspire as futuras gerações!