Nota: Em memória do Camarada Basavaraj, Secretário-Geral do Partido Comunista da Índia (Maoista) caído em combate em 21 de maio último, e por ocasião do Dia da Heroicidade, publicamos um compilado de citações do chefe comunista indiano Charu Mazumdar sobre o espírito de sacrifício e a heroicidade comunista. Tratam-se de extratos selecionados de textos escritos entre 1965 e 1972 e traduzidos de maneira inédita para português do Brasil.
O período em questão (1965-1972) compreende desde o início da publicação dos Oito Documentos Históricos do Camarada Charu Mazumdar – carro-chefe da luta contra o revisionismo e por unificar os comunistas de toda a Índia em torno do marxismo-leninismo-pensamento maotsetung (hoje maoismo) e do caminho da guerra popular prolongada – até seu assassínio sob custódia da polícia política indiana, martírio e imortalização em 28 de julho de 1972.
Mazumdar foi o principal dirigente da fração vermelha que combateu os revisionistas que encabeçavam o “Partido Comunista da Índia (PCI)” e, posteriormente, o “PCI (Marxista)”, fundando sobre os alicerces da luta armada camponesa de Naxalbari e com base no marxismo-leninismo-pensamento maotsetung o Partido Comunista da Índia (Marxista-Leninista), em 22 de abril de 1969. Como milhares de mártires da Revolução Indiana, dentre os quais o Camarada Basavaraj, o Camarada Charu Mazumdar encontra-se hoje no panteão dos heróis e heroínas imortais do proletariado internacional e os povos oprimidos de todo o mundo.
Esta publicação é a última da série “Índia: Charu Mazumdar sobre a heroicidade comunista”. A primeira, segunda e terceira partes já estão disponíveis em nossa tribuna.

‘O sacrifício da vida de cada herói atiça as chamas do ódio contra o inimigo de classe’
– Citações do chefe comunista indiano Charu Mazumdar sobre a heroicidade e o espírito de sacrifício –
I. Oito Documentos Históricos
(1965-1967)

O governo reacionário indiano adotou a tática de assassinar as massas; estão matando-as através da fome e das balas. O Presidente Mao disse: “Este é seu caráter de classe. Eles lançam ataques contra o povo mesmo sob o risco de serem derrotados.” Há alguns dirigentes que, deparados com tais assassinatos indiscriminados, amedrontam-se e buscam proteção. Sobre eles, o Presidente Mao comentou: “São covardes e indignos da direção revolucionária.” Há outro grupo que enfrenta a morte corajosamente e busca vingar cada assassinato – somente estes são revolucionários, e são eles que podem guiar as massas…
Aproveitar esta oportunidade
(7º Documento Histórico)
Charu Mazumdar, 1966
***
Os crentes no economicismo avaliam toda a luta pela quantidade de sacas de arroz ou porções de terra que o camponês recebe. Se a consciência de luta dos camponeses aumentou ou não, isso nunca entra em seu critério. Naturalmente, não fazem o menor esforço para aumentar a consciência de classe do campesinato.
Ainda, sabemos que nenhuma luta é possível sem sacrifício. O Presidente Mao nos ensinou que onde há luta, há sacrifício… Assim, se o povo não for inspirado a fazer sacrifícios, nenhuma luta revolucionária pode ser exitosa. O economicismo nos desvia dessa concepção revolucionária fundamental e nos deixa presos a uma concepção burguesa…
A Grande Revolução Cultural Proletária na China declarou guerra a todo tipo de egoísmo, mentalidade de grupo, revisionismo, seguidismo da burguesia e apreço pela ideologia burguesa. As chamas dessa revolução chegaram à Índia. Essa revolução nos chama a “prepararmo-nos resolutamente para todo tipo de sacrifício, para remover os obstáculos do caminho um a um, de modo que a vitória será certamente nossa”…
Movimentos de massas baseados em demandas parciais servirão a intensificar a luta de classes e a aumentar a consciência política das amplas massas populares. As esmagadoras massas do campesinato serão inspiradas a fazer sacrifícios e a luta se alastrará para novas regiões…
Movimentos por reivindicações econômicas não são incorretos, mas conduzi-los com o método economicista é um crime. Também é um crime proclamar que as lutas econômicas, por si mesmas, tomarão a forma de luta política, pois isso seria simplesmente venerar o espontaneísmo. Nenhuma dessas formas mostra ao povo o caminho a ser trilhado ou traz clareza à sua concepção de mundo; nem incute no povo o espírito de sacrifício na luta…
Avançar a luta camponesa por meio do combate ao revisionismo,
lutar contra o economicismo e desenvolver o movimento de massas
(8º Documento Histórico)
Charu Mazumdar, abril de 1967
Liberation v. 3, n.º 1
II. A luta camponesa de Naxalbari – Antes e depois
(Maio de 1967)

A mãe está pedindo que ele ajude a família e… ele está procurando um emprego. O plano dele, por ora, é trabalhar por seis meses e depois voltar para o vilarejo. De qualquer forma, no momento você não poderá contar com qualquer ajuda dele. Portanto, será preciso tomar uma decisão sobre a área que ele controlava…
Aqui está o problema com os camaradas pequeno-burgueses: eles rapidamente perdem de vista a perspectiva nacional e internacional, e então os problemas familiares lhes parecem a maior das dificuldades. É precisamente aqui que reside a limitação pequeno-burguesa. Se se deixa de zelar pelas lutas dos operários e camponeses, não se pode permanecer um revolucionário consequente…
A questão do sacrifício não é um problema pontual. É um problema da vida cotidiana. É por isso que o Presidente [Mao] pontuou que não acreditamos na ideia de que quadros pequeno-burgueses se transformam automaticamente só por irem ao campo. Uma vez no campo, é necessário integrar-se às massas, ser cordial ao povo e, além disso, transformar-se constantemente com base na concepção proletária de mundo. Só assim os quadros poderão se desenvolver…
O sacrifício não é algo pontual – é um problema da vida cotidiana
(Carta a um camarada organizador)
Charu Mazumdar, 1º de abril de 1967
***
O governo reacionário da Índia pesa como um cadáver sobre os ombros das massas. Mas, mesmo assim, forjou-se Naxalbari, e centenas de “Naxalbaris” estão ardendo em chamas. Isso porque, no solo indiano, o campesinato revolucionário é herdeiro dos heroicos camponeses revolucionários da grandiosa Telangana. A direção do Partido à época traiu a heroica luta camponesa de Telangana – e o fez valendo-se do nome do grande Stalin. Muitos dos que hoje ocupam postos de direção no Partido foram cúmplices dessa traição! De joelhos, temos de aprender com aqueles heróis de Telangana, não só a ter forças para carregar a bandeira vermelha da rebelião, mas também a ter fé no poder revolucionário internacional. Que respeito imensurável tinham eles pela direção internacional – o nome de Stalin os fez colocar suas vidas destemidamente à disposição do governo reacionário da Índia. Essa lealdade revolucionária é necessária em todas as épocas e sob todas as condições para organizar revoluções. Temos de aprender com a experiência dos heróis de Telangana: é preciso desmascarar os que se opõem ao marxismo-leninismo valendo-se do nome de Stalin. Devemos arrancar de suas mãos a bandeira vermelha tingida com o sangue de centenas de operários e camponeses. Os traidores a mancharam apenas ao tocá-la com as mãos.
Naxalbari vive e viverá. Porque está baseada no invencível marxismo-leninismo-pensamento maotsetung. Sabemos que, à medida que avançarmos, enfrentaremos muitos obstáculos, dificuldades, atos de traição e reveses. Mas Naxalbari não morrerá, porque a luz radiante do pensamento maotsetung caiu sobre ela como uma bênção…
Vida longa aos heroicos camponeses de Naxalbari!
Charu Mazumdar, ca. 1967
III. Formação do Comitê de Coordenação dos Revolucionários Comunistas de Toda a Índia (AICCCR)
(Novembro de 1967)

Em primeiro lugar, todas as atividades de um comunista são direcionadas para um único objetivo: servir ao povo. Um comunista deve ser necessariamente um revolucionário, pois só é possível servir ao povo fazendo a revolução. É necessário fazer a revolução para servir ao povo. E a revolução exige que o comunista seja, ao mesmo tempo, um internacionalista. Esse internacionalismo é um internacionalismo desinteressado. Além disso, o comunista sabe que sua tarefa está longe de ser fácil, por isso deve perseverar em tudo o que faz, tentando repetidamente até alcançar o êxito. Para ser comunista, é preciso reunir todas essas qualidades. Assim, é imprescindível que todo comunista as adquira…
Em “Servir o Povo”, o Presidente Mao discute a questão da vida e da morte. As perguntas que surgem naturalmente após a leitura desse artigo são: O que eu ganho com esta luta? O que eu desejo? Estou pronto para morrer neste exato momento pelos interesses do povo? Essas são questões de importância absoluta para qualquer um que leve uma vida pequeno-burguesa. Morrer pelo povo é a mais nobre tarefa que pode se apresentar a um homem; não importa de modo algum se ele morre realizando este ou aquele tipo de trabalho, contanto que o esteja fazendo pela revolução…
Sobre os “Três Artigos Permanentes” do Presidente Mao Tsetung
Charu Mazumdar, 7 de janeiro de 1968
***
Nossa revolução deve ser dirigida contra o governo do Congresso, que representa a burguesia burocrática e compradora, e que, temeroso da agitação das massas no pós-guerra, fez concessões aos imperialistas com a ajuda dos senhores feudais. Os dirigentes do chamado ‘Partido Comunista da Índia’ cooperam ativamente com essas forças reacionárias, seja em nome de fazer concessões, seja por traição aberta. Eles desonram a bandeira vermelha tingida com o sangue dos heróis de Kayyur, dos combatentes de Punnapra e Vayalur, dos destemidos heróis de Telangana e de centenas de mártires de Bengala e doutras partes do país. Hoje, todos os partidos políticos da Índia se tornaram cúmplices ativos do imperialismo norte-americano, do revisionismo soviético e dos reacionários indianos – e, consequentemente, inimigos da revolução. Por isso, a Revolução de Nova Democracia na Índia só poderá ser vitoriosa sob a direção da classe operária e seguindo o pensamento do Presidente [Mao].
A revolução democrática do povo indiano
Charu Mazumdar, 16 de maio de 1968
Liberation v. 1, n.º 8
***
Já se passou um ano desde o início da luta camponesa em Naxalbari… Os camponeses sempre lutaram contra várias injustiças e opressões. Mas esta é a primeira vez que os camponeses lutam não apenas por suas demandas parciais, mas pela tomada do poder estatal…
Nossa experiência ao longo do último ano mostra que a mensagem dessa luta, iniciada em uma pequena região, se espalhou por todos os cantos da Índia. Cada um dos partidos políticos existentes se opôs à luta de Naxalbari, mas o povo já se inspira nela e se apresenta para trilhar o caminho por ela traçado. Os heroicos dirigentes da luta de Naxalbari ainda estão vivos, e o governo reacionário, apesar de todas as suas tentativas, não conseguiu destruí-los.
Um ano da luta em Naxalbari
Charu Mazumdar, junho de 1968

***
Ao aderir à via parlamentar, revolucionários do mundo inteiro permitiram que se acumulasse, ao longo dos tempos, uma formidável dívida de sangue. Chegou a hora de saldar essa dívida. Centenas de milhares de mártires tombados conclamam os revolucionários: ‘Destruam o imperialismo e varram-no da face da Terra!’ É hora de reconstruir o mundo de uma nova maneira! Nossa vitória nesta luta é certa!
“Boicotar as Eleições!” – O significado internacional da palavra de ordem
Charu Mazumdar, 21 de novembro 1968
Liberation v. 2, n.º 2
***
Os incidentes em Kerala1 demonstraram mais uma vez a excelente situação revolucionária que prevalece na Índia hoje. Todo indiano tem o direito inalienável de se levantar em rebelião contra o governo reacionário da Índia… Não é uma questão de direito apenas; mais do que isso: toda rebelião contra este governo é justa.
O heroísmo e a coragem demonstrados pelas massas empobrecidas de Kerala levantaram uma nova onda de entusiasmo entre os revolucionários de toda a Índia, que estão aplaudindo calorosamente as heroicas massas de Kerala…
Os heroicos camponeses revolucionários de Kerala estão levando adiante a gloriosa tradição das lutas camponesas de Punnapra e Vayalur e mais uma vez demonstraram sua coragem e heroísmo, recusando-se a se deixar subjugar diante da severa repressão…
Saudamos os camponeses revolucionários de Kerala!
Charu Mazumdar, 27 de novembro de 1968
Liberation v. 2, n.º 2
***
Lutar contra a classe dominante e opressora não é o único critério que define um comunista. Quem é um verdadeiro comunista? É aquele que é capaz de se sacrificar pela causa do povo, sem jamais esperar algo em troca. Existem apenas dois caminhos: sacrifício ou interesse próprio. Não há meio-termo.
É exatamente aqui que reside o real significado da máxima do Presidente Mao de “Servir ao povo”. Para se tornar um verdadeiro comunista, é necessário compreender bem esse espírito de sacrifício.
O próprio sentido de servir ao povo é trabalhar como mão de obra não remunerada pelos interesses do povo, pelos interesses da revolução. É por meio desse trabalho não remunerado que se pode integrar-se ao povo. E só através desse método é possível amar o povo, servir ao povo – e, nesse processo, o revolucionário se transforma.
Portanto, revolução significa não apenas alcançar conquistas materiais. Revolução significa transformação – transformação no campo da realização da vontade, dos ideais, da concepção de mundo. É um erro avaliar os ganhos da revolução apenas do ponto de vista material. A revolução significa uma transformação completa da consciência. E o que é essa consciência? É a consciência de servir ao povo, de cultivar o espírito de sacrifício abnegado, a consciência de amar o povo. Revolução significa essa transformação – seja de uma sociedade, seja de um indivíduo.
O que significa ser um verdadeiro comunista?
Charu Mazumdar, ca. 1967

***
Aqui, em meio a uma selva cercada por montanhas, numa sala no topo de uma colina, encontra-se diante de mim cerca de uma dúzia de jovens.2
Eles estão convencidos de que, para travar uma luta revolucionária, devem ter um Partido revolucionário… Ao mesmo tempo, entendem que uma tarefa desse Partido revolucionário será imbuir sua militância e o povo com o espírito de sacrifício… Para lograr a vitória da revolução… os quadros revolucionários devem estar prontos a fazer sacrifícios. Devem sacrificar suas propriedades e bens, confortos, velhos hábitos e aspirações à fama, livrar-se do temor à morte e abandonar a mentalidade de perseguir caminhos fáceis. Somente assim seremos capazes de treinar e preparar os revolucionários para conduzir uma luta árdua, difícil e prolongada. Apenas desse modo poderemos inspirar o povo a fazer grandes sacrifícios para que então, mediante tremendos golpes, esmague toda a força e poder do imperialismo, do revisionismo e dos reacionários indianos, e assim alcance o triunfo da revolução…
Quando chegou a hora de partir, de súbito senti tristeza. Quem sabe se voltarei a encontrar esses camaradas. São revolucionários dedicados e destemidos de fazer mesmo o sacrifício supremo. Eles estão voltando dessa reunião para se lançar novamente na luta, e ninguém sabe quem sobreviverá. Mas uma coisa eu sei: o povo da Índia jamais os esquecerá.
De repente, a Índia envolta em trevas desapareceu, e vi diante de mim minha pátria mãe, a Índia! Uma Índia vigorosa, pulsante, brilhando sob o sol radiante! A Índia Democrática Popular, a Índia Socialista!
Srikakulam avança irresistivelmente.
Srikakulam: Será esta a Ienan indiana?
Charu Mazumdar, 6 de março de 1969
Liberation v. 2, n.º 5
IV. Formação do Partido Comunista da Índia (Marxista-Leninista)
(22 de abril de 1969)

Na Índia, que esteve sob jugo imperialista e submetida à exploração e opressão imperialistas por duzentos anos, os estudantes e a juventude consciente representam a comunidade instruída, e é essencial que essa comunidade participe do movimento revolucionário. Os jovens e estudantes não são apenas educados, mas também possuem grande entusiasmo e capacidade de fazer sacrifícios, além da habilidade de se adaptar a qualquer circunstância…
Centenas de milhares de mártires que caíram em combate agora conclamam vocês, jovens e estudantes, a se erguerem e lutarem. O dia chegou, finalmente, em que devemos saldar as dívidas de sangue e derrubar os imperialistas e as classes exploradoras reacionárias…
Hoje, o Partido tem um só chamado a fazer aos nossos jovens e estudantes: integrem-se com os operários e os camponeses pobres e sem terra. Integrai-vos! Integrai-vos!
Chamado do Partido aos jovens e estudantes
Charu Mazumdar, 21 de agosto de 1969
Liberation v. 2, n.º 11
***
Nossa tarefa é fazer a revolução agrária e estabelecer bases da luta armada no campo. Portanto, cada membro do Partido deve compartilhar os pensamentos e as aspirações das massas camponesas e integrar-se a elas; estar de prontidão a todo momento para fazer todo tipo de sacrifício e se apresentar incansavelmente para servir ao povo.
Os membros do Partido devem se colocar como modelos exemplares diante das massas. Só assim poderão inspirá-las. Portanto, cada militante deve lutar contra o interesse próprio e o individualismo. Só assim será possível introduzir a disciplina revolucionária no Partido, sem a qual nenhuma guerra revolucionária pode ser sustentada…
Se… os imperialistas lançarem uma guerra de agressão contra nós, então grande parte da responsabilidade de reduzi-los a cinzas recairá sobre os ombros… dos revolucionários da Índia… Portanto, não devemos temer nem as dificuldades nem a morte; devemos romper todos os grilhões das ideias revisionistas que hoje nos aprisionam, e marchar adiante… mobilizando todas as nossas forças para alastrar as chamas da guerra revolucionária por todos os estados da Índia…
Lutar contra as manifestações concretas do revisionismo
Charu Mazumdar, 4 de setembro de 1969
Liberation v. 2, n.º 11
***
Sabemos que o povo da Índia jamais relutou em fazer sacrifícios na luta contra a exploração e pela libertação do país… A Índia não é uma terra de covardes. O povo do meu país nunca teve medo de dar a vida por uma grande causa. Os camponeses indianos, que deram à luz incontáveis mártires, levarão a mensagem da mais grandiosa e sagrada tarefa diante dos povos do mundo aos vilarejos da Índia, marcharão irrefreavelmente ao palco da história e provarão ser os fazedores da história. São eles, sob a direção da classe operária, que destruirão os inimigos de classe, esmagarão o atual aparato do Estado opressor e enterrarão os imperialistas belicistas neste solo da Índia.
Membros e simpatizantes do Partido Comunista da Índia (Marxista-Leninista), vocês assumiram voluntariamente a tarefa de libertar a Índia… Vocês possuem coragem indomável para conquistar a vitória e vencer a morte, pois estão levando adiante a causa pela qual inúmeros mártires deram suas vidas.
Hoje, sua luta se funde com o sonho que há milênios a humanidade acalenta e busca concretizar. Hoje, sua luta não é apenas a luta nacional da Índia: vocês são um contingente nas primeiras fileiras na marcha do progresso da humanidade… Deem o máximo de si e sigam em frente. A vitória certamente nos pertence. Uma Índia libertada em um mundo libertado já desponta no horizonte. Camaradas, marchemos em frente para fazer nascer esse grande dia.
Desenvolver a guerra revolucionária para eliminar a guerra de agressão contra a China
(Por ocasião do 20º aniversário da fundação da República Popular da China)
Charu Mazumdar, 19 de setembro de 1969
Liberation v. 2, n.º 12
***
Devemos sempre lembrar que o povo revolucionário da Índia participou repetidamente do movimento comunista, lutou, fez imensos sacrifícios e entregou suas vidas. Somos os herdeiros da gloriosa tradição que os heroicos mártires de Punnapra-Vayalur, os heroicos combatentes de Telangana e os camponeses e operários combatentes de cada província da Índia estabeleceram, sacrificando inúmeras vidas; devemos ser fiéis a eles e levar adiante sua tradição. Os heróis de Kayyur subiram à forca com o nome do Partido Comunista em seus lábios: é esse Partido Comunista que representamos. Esse Partido se tornou o atual Partido Comunista da Índia (Marxista-Leninista). Para levar adiante essa tradição, devemos sintetizar sua grandiosa experiência e despertar o mais intenso ódio de classe contra as ideias errôneas.
Camaradas, não nos esqueçamos que a Índia, nossa pátria, é um país de incontáveis mártires e que as massas camponesas indianas repetidamente lutaram e fizeram enormes sacrifícios. Portanto, podemos conquistar um vasto poder e levar nossa revolução à vitória se apoiarmo-nos nos camponeses em luta e marcharmos adiante resolutamente…
Avançar através da síntese da experiência da luta camponesa revolucionária na Índia
Charu Mazumdar, dezembro de 1969
Liberation v. 3, n.º 2
***
Hoje, as classes dominantes estão desvairadas para proteger seus interesses de classe e declararam guerra contra as massas revolucionárias de todo o país. Enquanto o assassinato e a destruição são suas armas, continuam a enganar com palavras doces…
Os combatentes camponeses revolucionários devem, portanto, aderir ainda mais firmemente ao caminho da luta… Os inimigos querem nos matar. Permitir que os assassinos continuem vivos significa a nossa morte. Façam o voto de liquidá-los e sigam o caminho da violência revolucionária utilizando o princípio da guerra de guerrilhas…
Por isso, o Partido Comunista da Índia (Marxista-Leninista) convoca todos os combatentes camponeses revolucionários de hoje a: Vingar cada ataque do inimigo e propagar as lutas como ondas! Este é o único caminho, o único caminho provado para a autodefesa, e não há nenhum outro…
Um chamado aos camponeses revolucionários
Charu Mazumdar, dezembro de 1969
Liberation v. 3, n.º 2

***
O ano de 1969 chegou ao fim. Foi um ano de avanço vitorioso das massas exploradas e oprimidas da Índia… Elas se recusam a continuar sendo vítimas silenciosas da opressão… Matar homens tem sido, por muito tempo, um privilégio exclusivo das classes dominantes. As massas exploradas e oprimidas da Índia agora lhes arrancaram esse monopólio e passaram a agir ativamente para vingar cada ataque do inimigo…
Nesta guerra revolucionária, as massas tiveram que sacrificar a vida de vários heróis. A morte de cada herói, no entanto, serviu para atiçar as chamas do ódio no coração das massas oprimidas, e centenas de jovens vieram se somar à luta, concorrendo mutuamente para dar a vida pela causa…
O ano de 1970 promete vitórias ainda maiores. Podemos transformar essa promessa em realidade se os membros e quadros do Partido… se comprometerem a fazer ainda mais sacrifícios a serviço do povo…
O ano novo promete vitórias ainda maiores
Charu Mazumdar, 29 de dezembro de 1969
Liberation v. 3, n.º 3
***
Pensem nos camponeses pobres e sem terra de nosso país e na miséria sem limites, na opressão sem fim e na pobreza abjeta que os oprimiram por milhares de anos e ainda os oprimem cruelmente. Camaradas, são vocês que possuem o pensamento maotsetung, a grande arma mágica com a qual podem acabar com a exploração e a opressão que pesam sobre eles de forma tão cruel… Não há nada mais sagrado e digno do que ser capaz de dar a vida por essa grande causa, e temos a sorte de ter o privilégio de estar entre os primeiros a sacrificar tudo por ela. É precisamente por isso que somos Comunistas, que somos discípulos do Presidente Mao…
O que parece impossível hoje se tornará possível amanhã, e um novo homem, que não teme nem as mais árduas dificuldades nem a morte, nascerá no curso dessa luta. Frente a tais homens, o imperialismo, o social-imperialismo e todos os seus lacaios certamente acovardar-se-ão e fugirão em pânico, como cães açoitados, como ratos assustados correndo pela rua. Os povos do mundo então os perseguirão e os golpearão até a morte; o sistema imperialista será sepultado e um novo mundo sem exploração se erguerá…
Fazer dos anos 1970 a década de libertação
Charu Mazumdar, fevereiro de 1970
Liberation v. 3, n.º 4
***
Durante os últimos dois meses, 13 heroicos dirigentes de Srikakulam deram suas vidas combatendo a polícia armada reacionária. Outros camaradas dirigentes foram presos. A imprensa burguesa expressou abertamente um sentimento de alívio, acreditando que esse seria o fim definitivo da luta de Srikakulam. Os pestilentos órgãos revisionistas compartilhavam dessa mesma opinião e mal conseguiam esconder seu regozijo, enquanto derramavam lágrimas de crocodilo sobre a repressão policial contra as massas de camponeses pobres…
O sacrifício da vida de cada herói atiçou as chamas do ódio das massas camponesas contra o inimigo de classe, e, inspirados com determinação renovada, os combatentes do campesinato avançaram às centenas para preencher a lacuna deixada pela morte ou prisão de seus dirigentes, reorganizaram suas forças e conseguiram lançar rapidamente um contra-ataque…
Sob a têmpera do fogo da guerra de guerrilhas, forjou-se ali um novo tipo de homem, homens que não temem a morte ou o sacrifício, homens que, por seu amor pelas massas, estão sempre dispostos a realizar qualquer trabalho, por mais difícil que seja. Nenhum poder na Terra pode sobrepujar esses homens que venceram a morte. Todas as forças da reação tornam-se inúteis diante deles. Hoje, tais homens foram gerados em Srikakulam. Eles são os novos homens de uma nova era, os cidadãos da Índia livre que está prestes a nascer, homens dignos do mundo libertado. É precisamente porque tais homens foram gerados que se pode afirmar, com certeza, que Srikakulam, longe de ser esmagada, pelo contrário, fincou suas raízes firmemente no solo da Índia
Armada com o pensamento maotsetung, a luta camponesa revolucionária de Srikakulam é invencível
Charu Mazumdar, 29 de janeiro de 1970
Liberation v. 3, n.º 5
***
Portanto, é a classe operária que deve assumir a responsabilidade de desenvolver a guerra popular no campo. Os operários revolucionários jamais podem permanecer passivos diante dos ataques dos capitalistas. Vingar cada ataque do inimigo é uma virtude necessária de um revolucionário…
Os operários não temem enfrentar a morte e jamais relutaram em fazer sacrifícios. O caminho para a vitória da revolução é pavimentado pelos sacrifícios feitos por centenas de milhares de massas. A classe operária, como dirigente da revolução, deve dar novos e gloriosos exemplos de sacrifício. Os operários indianos deram muitas vidas pela causa da libertação da Índia e têm uma gloriosa história de inumeráveis lutas. A classe operária sempre marchou adiante pelo caminho traçado com o sangue dos mártires. Foi somente porque os revisionistas desvirtuaram a classe operária desse caminho que ainda centenas de milhões de indianos sofrem sob o peso esmagador da cruel exploração e opressão…
Sob a direção do Partido Comunista da Índia (Marxista-Leninista), os camponeses pobres e sem terra estão dando novos e gloriosos exemplos de sacrifício e desenvolvendo a guerra popular em vários estados da Índia.
À classe operária
Charu Mazumdar, 1º de março de 1970
Liberation v. 3, n.º 5
***
Hoje, o revisionismo está até usando a fachada ultra-esquerdista para destilar seu veneno… de modo a fomentar nas mentes dos camaradas do Partido a dúvida, a desconfiança e a falta de confiança uns nos outros, na autoridade revolucionária central e no caráter revolucionário das amplas massas populares. “Duvide de todos, menos de si mesmo” é um chavão anarquista e vai contra a teoria da guerra popular… Esse mote tem suas raízes na filosofia burguesa do “eu acima de tudo” e nada tem em comum com a filosofia do sacrifício revolucionário incondicional. Esse chavão é próprio de uma organização fascista e não de um Partido revolucionário como o nosso, que se baseia na linha de massas. O espírito dubitativo também gera policentristismo.
Vocês devem destruir aqui e agora os germes dessa mentalidade e propaganda dubitativas. Nunca subestimem o mal causado por esse elas, pois se seus germes forem deixados para crescer, em tempos de tormenta e escuridão, ganharão força e disseminarão doenças contagiosas altamente perigosas, prejudicando assim a revolução…
Vocês devem ser corajosos e estar preparados para fazer sacrifícios, pois são revolucionários…
Algumas palavras aos estudantes e jovens revolucionários
Charu Mazumdar, 5 de março de 1970
Liberation v. 3, n.º 5

***
Hoje, as lutas já não podem mais se desenvolver pacificamente ou sem derramamento de sangue. Para se desenvolver, as lutas devem tomar a forma de gherao,3 confrontos com a polícia e os capitalistas, lutas nas barricadas, aniquilamento dos inimigos de classe e seus agentes, etc., de acordo com as condições dadas. Os revisionistas estão transformando a gherao em satyagraha;4 nós devemos transformar a gherao no que ela realmente é, para que possa levar terror aos corações dos capitalistas. Isso criará um tremendo entusiasmo entre os operários…
Há uma coisa que temos falhado em fazer: não despertar no operário seu senso de dignidade. O operário… carrega em seu peito um profundo senso de indignidade por ter que trabalhar como escravo para o capitalista. Pois é ele, o operário, quem produz tudo com suas próprias mãos e ainda assim tem que sofrer a indignidade dos capitalistas e dos burocratas que o oprimem. Agora, uma vez que consigamos despertar seu senso de dignidade, dando-lhe a política revolucionária, será mais fácil para ele romper os grilhões do economicismo que o prendem, e então ele se tornará um terror para o capitalista, com sua ousadia e coragem. Ele não só se livraria do medo de perder o emprego, mas também venceria o medo da morte…
As tarefas do nosso Partido entre os operários
Charu Mazumdar, 12 de março de 1970
Liberation v. 3, n.º 5
***
Hoje, portanto, é impossível para o governo reacionário indiano levar a cabo sua campanha de “cerco e aniquilamento” mesmo mobilizando quinhentos mil soldados contra a luta armada de Srikakulam. Se mobilizarem mais homens em Srikakulam, a guerra de guerrilhas se acenderá de imediato com ainda maior intensidade, e o inimigo ficará impotente para reprimir a luta em Midnapur ou em Mushahari. Se os revolucionários de Bengala Ocidental declararem hoje: “Estamos prontos para derramar nosso sangue, estamos preparados para entregar nossas vidas – que tentem, se ousarem, esmagar nossa luta armada”, e se o governo reacionário tentar acabar com essa luta com todas as suas forças, quem irá deter, quem irá extinguir as chamas vermelhas de Koraput?…
Se a guerra imperialista desencadear uma exploração feroz, terrível, horripilante sobre os camponeses… os camponeses sem terra e explorados não precisarão sequer de um rifle em mãos; arrancarão a garganta do monstro da guerra com os dentes e as unhas. O levante de massas que essa exploração selvagem gerará ajudará a superar o revés temporário, e uma nova maré alta da guerra popular trará um fim mais rápido ao monstro imperialista…
Avante, o dia da vitória está próximo
Charu Mazumdar, ca. março de 1970
Liberation v. 3, n.º 11-12; v. 4, n.º 1-2
V. Histórico Primeiro Congresso do Partido
(15-16 de maio de 1970)

Somente com a luta de classes – a batalha de aniquilamento – é que se gerará o novo homem, o novo homem que desafiará a morte e estará livre de todo tipo de interesse próprio. E com esse espírito de desafiar a morte, ele se acercará do inimigo, arrancará seu fuzil, vingará os mártires – e o exército do povo surgirá. Para acercar-se do inimigo, é necessário vencer toda mentalidade egoísta. E isso só pode ser concretizado com o sangue dos mártires. Esse sangue inspira e forja novos homens a partir dos combatentes, enche-os de ódio de classe e os leva a se lançar contra o inimigo e arrancar-lhe o fuzil com as próprias mãos…
Odiar, identificar e esmagar o centrismo
(Discurso de apresentação do Informe Político-Organizativo no Congresso do Partido)
Charu Mazumdar, 15-16 de maio de 1970
Liberation v. 3, n.º 7-9
***
Prezado camarada,5
Recebi sua carta… Os camaradas Gurudas, Shashi e Sudeb eram seus companheiros de luta. Não é possível para mim sentir a angústia que você deve estar sentindo. Camarada, o caminho da revolução é, de fato, traçado com o sangue dos mártires. Um preço precisa ser pago pela libertação do povo. Cada ataque contra nós é doloroso, e essa dor gera uma firme determinação de fazer sacrifícios ainda maiores, além do mais profundo ódio pelo inimigo. Quando essas duas forças se unem ao pensamento maotsetung, nasce o novo homem…
É através do autossacrifício de incontáveis homens que a Índia dos nossos sonhos se tornará realidade. Cada morte como essa pesa mais do que uma montanha, pois esses camaradas se elevaram muito acima de nós. Por isso, suas mortes gerarão inúmeras vidas. Por isso, a poeira desse caminho tem de ser lavada com lágrimas – e a estrada firmada com sangue.
Cometemos algum erro? Quem pode afirmar que nenhum erro será cometido? Mas agora não é hora de arrependimento, é hora de levantarmo-nos como uma labareda! É o tempo em que a dívida de sangue deve ser saldada com sangue. Por milhares de anos, os camponeses pobres e sem terra deste país derramaram seu sangue e sacrificaram suas vidas para construir esta nação… O ônus dessa dívida recai sobre nossos ombros. Cabe a nós saldá-la.
De todo martírio surge uma nova vida. Viverei para ouvir as maravilhosas notícias da farta colheita de novas vidas que o martírio desses três heróis há de gerar.
O nascimento do novo homem: não lamentar, é hora de incendiar-se em protesto
(Carta a um camarada organizador)
Charu Mazumdar, 6 de julho de 1970
Liberation v. 3, n.º 10
***
Sabemos que o caminho da revolução é traçado com o sangue dos mártires. Também sabemos que o sangue dos mártires faz nascer um novo tipo de homem. A entrega de suas vidas pelos nossos mais estimados camaradas gera imensurável força para vencer a morte. É por isso que o solo que está banhado pelo sangue dos mártires converte-se em uma fortaleza de ferro. Muitos de nossos camaradas deram suas vidas, e muitos mais ainda sacrificarão as suas. Pois a Revolução Indiana jamais poderá triunfar sem se pagar um preço. Este sacrifício de vidas gerará homens que venceram a morte, homens que esmagarão as forças do imperialismo e abnegadamente construirão uma nova Índia, uma Índia bela, uma Índia que tornar-se-á fonte de grande esperança para os povos do mundo. Sabemos que as vidas que estão sendo sacrificadas hoje acenderão as chamas da revolução nos corações de centenas de povos, e a revolução avançará invencivelmente. O inimigo jamais poderá enfraquecer as forças da revolução assassinando-nos; pelo contrário, a revolução os varrerá irresistivelmente.
Apoiar-se nos camponeses pobres e sem terra e combater o revisionismo
Charu Mazumdar, 14 de julho de 1970
Liberation v. 3, n.º 10
***
Bravos camaradas de Srikakulam!
Vocês são os mais destacados combatentes da Revolução Indiana. Foram vocês que estabeleceram o primeiro poder político popular na Índia, e é por isso que tiveram de pagar o mais alto preço… Hoje, o povo de toda a Índia inspira-se no seu exemplo… A morte de um revolucionário jamais é em vão, e o sangue derramado por vocês também não será em vão. Esses seus sacrifícios abnegados despertarão nova esperança nos corações de centenas de milhões de pessoas e acenderão as chamas ardentes da revolução. Srikakulam será o baluarte da revolução, e nenhuma força reacionária do mundo poderá bloquear o caminho de sua libertação. Isso porque o sangue derramado por tantos mártires jamais será em vão.
Não permitam que o sangue derramado pelos mártires seja em vão. Lançai a mais feroz ofensiva de uma nova forma… Aterrorizadas, as forças reacionárias serão forçadas a fugir em pânico absoluto. Não está longe o dia em que Srikakulam será uma área totalmente libertada. Sim, esse dia não está longe.
Viva a imortal Srikakulam!
Aos camaradas de Srikakulam
Charu Mazumdar, 14 de julho de 1970
Liberation v. 3, n.º 10
***
Nos últimos meses… milhares de camponeses pobres e sem terra se uniram a destacamentos guerrilheiros, deixaram suas casas e foram para a clandestinidade, iniciaram-se no ideal do autossacrifício, fizeram o juramento de levar a revolução até a vitória e estão buscando assimilar o pensamento maotsetung… Recusando-se a se deixar intimidar por todas as medidas repressivas dos inimigos, esses valorosos revolucionários estão levando adiante a luta de classes dia após dia, espalhando as chamas da luta por áreas cada vez mais amplas… É isso que marca o início de uma nova era. Nunca antes a Índia viu revolucionários como esses, que renunciaram a tudo pela causa da revolução. Todos esses revolucionários, dispostos a qualquer sacrifício, são a prova eloquente de que é possível amar o povo do país abdicando de tudo para isso. Sua luta está despertando não apenas o povo do campo, mas também os revolucionários nas zonas urbanas…
De acordo com as leis inexoráveis da história, essa luta sofrerá reveses temporários em certas regiões, e em alguns momentos poderá parecer que o movimento refluiu. Mas, também conforme as leis da história, novos e novos homens entrarão na arena de luta, e uma nova maré alta se levantará.
Forjar unidade mais estreita com a luta armada camponesa
Charu Mazumdar, 5 de agosto de 1970
Liberation v. 3, n.º 10
VI. Histórica Magurjan – Nascimento do Exército Popular de Libertação
(27 de outubro de 1970)

O Presidente Mao nos ensinou que “a guerra revolucionária é um antídoto que não só elimina o veneno do inimigo, mas também nos purga de nossas próprias impurezas.” Ele mostrou que é essa guerra revolucionária que pode forjar novos homens – novos homens que não temem o perigo e não têm medo da morte. Homens assim são capazes de combater e destruir qualquer força reacionária no mundo.
Sob a vossa acertada direção, o Paquistão Oriental agora se juntou à Guerra Popular Mundial.6 A vitória certamente será de vocês. Com nossa mais elevada consideração.
Saudamos a luta armada camponesa no Paquistão Oriental
Charu Mazumdar, ca. 1970
***
A polícia assassinou onze jovens revolucionários e deixou seus corpos jogados à beira da estrada… Há vários meses a polícia vem matando jovens revolucionários dessa mesma forma. A polícia do nosso país, treinada por estrangeiros, sempre foi usada como instrumento para assassinar e reprimir o povo… é, portanto, uma ferramenta nas mãos dos imperialistas para manter o jugo colonial…
O incidente em Barasat mostra claramente quão isolados do povo e apavorados, em pânico, estão esses assassinos. Eles não tiveram coragem de enfrentar esses jovens nem mesmo depois de amarrarem suas mãos. É por isso que os assassinos dispararam cinco ou seis tiros em cada um desses jovens e os mataram um a um. Esse bando de covardes sabe que aqueles que estão matando hoje são filhos imortais da Índia – dignos do respeito de todos os países, de todas as nações. É por isso que os covardes assassinaram esses jovens, que não temiam a morte, na escuridão da noite, e deixaram seus corpos à beira da estrada…
Hoje, a tarefa mais sagrada de todo indiano é despertar o mais profundo ódio contra todos esses covardes, cães de fila do imperialismo e assassinos…
Todo quadro revolucionário deve assumir o compromisso de vingar os heroicos mártires. Esses carniceiros são inimigos do povo, inimigos do progresso e lacaios dos estrangeiros. O povo indiano não será libertado enquanto esses carniceiros não forem liquidados.
Vingar os heroicos mártires
Charu Mazumdar, ca. 1970
Liberation v. 3, n.º 11-12; v. 4, n.º 1-2
***
Assim como Naxalbari, Magurjan também representa uma grande transformação na história da luta armada na Índia…
Para servir ao povo de todo o coração, é necessário derrotar o revisionismo por meio de uma luta intransigente contra si mesmo. Caso contrário, jamais será possível servir ao povo. Durante esse embate, a pergunta que surge na mente dos camaradas pequeno-burgueses é: o que acontecerá comigo nessa luta? Eles nunca olham para essa questão sob a ótica de que “uma bela sociedade nascerá do sacrifício da minha vida”. Ou seja, sua consciência individualista os priva da consciência do progresso social.
Nota tomada de um discurso proferido em alguma reunião realizada após Magurjan
Charu Mazumdar, ca. novembro-dezembro de 1970
***
Como fantoche do imperialismo mundial… o governo títere indiano executou revolucionários presos na prisão de Midnapur… adotou a mesma política… que todas as potências imperialistas adotam às vésperas de sua extinção, mas nenhuma delas jamais conseguiu deter a marcha da revolução mediante a matança de revolucionários. Pelo contrário, cada massacre inflama a fúria popular e intensifica ainda mais a luta… O governo indiano… cometendo esses massacres, desperta a consciência revolucionária do povo, e a guerra revolucionária logo se alastrará e derrubará esse mesmo governo…
O povo de Bengala Ocidental jamais esquecerá esses heróis: para dar continuidade à sua obra revolucionária, o povo estará pronto para sacrificar tudo e se lançar à luta. Todos esses ataques do inimigo rompem os estreitos limites do individualismo e unem o povo; as amplas massas se inspiram no mesmo ideal revolucionário, e nenhuma força na Terra pode deter essa maré da revolução popular…
Vinguem este massacre cometido por eles expandindo a guerra popular e estabelecendo o poder político popular no campo. Hoje, a tarefa dos operários e jovens revolucionários é unir-se a esses combatentes da libertação e avançar, lado a lado, rumo à instauração do poder político popular nas zonas rurais, vingando cada assassínio.
Vingar o massacre na prisão de Midnapur
Charu Mazumdar, 21 de dezembro de 1970
Liberation v. 3, n.º 11-12; v. 4, n.º 1-2
***
A força principal da guerra popular é o campesinato, principalmente os camponeses pobres e sem terra. Essa questão essencial, até aqui, não foi plenamente compreendida pelo movimento comunista indiano. Apesar de inumeráveis sacrifícios, falhamos em libertar nosso país. Trabalhais incansavelmente entre o campesinato com base nessa concepção de classe, em vós depositamos nossa confiança e esperança.
Carta aos camaradas de Tripura
Charu Mazumdar, ca. 1970
***
Mais uma vez, a polícia prendeu cinco jovens em Beliaghata [em Calcutá] e os executou a tiros. Esta é a política que o governo adota hoje para quaisquer ocasiões e lugares: atirar e assassinar revolucionários. Só se pode vingar um assassinato com outro. Hoje, o governo está empenhado em massacrar o povo; por isso, em nome do povo, devemos assumir a tarefa de vingar esse massacre com outro. Isso é o que se chama de luta “olho por olho”. O Presidente [Mao] disse repetidamente que nossas táticas de luta devem seguir o princípio do “olho por olho”. Por isso, a tarefa de todo revolucionário hoje é não apenas aniquilar a força policial, mas tomar seus fuzis e armar com eles os destacamentos guerrilheiros camponeses.
Tomar os fuzis e armar os destacamentos guerrilheiros camponeses
Charu Mazumdar, 23 de fevereiro de 1971
Liberation v. 4, n.º 3
***
Hoje, a prisão tornou-se um centro de rebelião: hoje, os camaradas encarcerados zombam repetidamente dela ao conseguir escapar. Embora o governo reacionário assassine prisioneiros e adote uma política de repressão brutal, falha – e sempre falhará – em impedir as fugas e em sufocar a revolta dentro das prisões.
Saudações vermelhas aos camaradas atrás das grades
Charu Mazumdar, 23 de fevereiro de 1971
Liberation v. 4, n.º 3
***
Pregar o pessimismo é revisionismo. Já nos anais da Comuna de Paris registrou-se que os revisionistas buscam sempre exagerar as perdas. Numa guerra revolucionária, a vitória está necessariamente associada a perdas. Os camaradas do Vietnã estão travando uma batalha árdua e abraçando o martírio…
Em nosso país, uma fase da luta chegou ao fim, apenas para recomeçar em um novo patamar… Não há lugar para o desânimo, pois a luta recomeçará em uma forma mais elevada.
Devemos dizer aos camponeses pobres e sem terra que ataquem o aparato do Estado e apresentar-lhes uma política integral. Devemos falar-lhes sobre Magurjan…
Presente situação e nossa tarefa
(Discussão com camaradas)
Charu Mazumdar, março de 1971
***
Prezados camaradas de Punjab,
Vocês persistem na luta sob a mais dura repressão e implacável opressão das classes dominantes. Vossa luta atrai admiração de toda a Índia e nos dá inspiração para seguir combatendo. Jamais devemos nos esquecer de mártires como os camaradas Daya Singh, Bhuja Singh e tantos outros.
Vocês superaram as debilidades apesar da severa repressão, e entrincheiraram-se entre os camponeses pobres e sem terra de Punjab, que há muito padecem da opressão… Apoiem-se nos camponeses pobres… e todas as dificuldades e obstáculos serão superados. Ter fé nas massas básicas é a pedra angular de nosso êxito, pois… seu poder criador é capaz de operar milagres.
Aos camaradas de Punjab
Charu Mazumdar, abril de 1971
Liberation v. 4, n.º 4

***
À medida que nossa luta avançou ao longo do último ano, ela também sofreu reveses. Muitos de nossos dirigentes… deram suas vidas e tornaram-se mártires após heroicos combates. Assim como há vitórias na luta, também há derrotas. Na esteira de nossos reveses temporários… o revisionismo levantou a cabeça dentro do Partido. O caminho do autossacrifício revolucionário passou a ser tachado de “caminho do suicídio”, e a questão da autopreservação foi suscitada… O revisionismo se opõe à luta armada sob o pretexto de que bons quadros seriam mortos ao fazê-la. Com esse tipo de discurso, o revisionismo favorece indiretamente a violência contrarrevolucionária. Ele tenta ocultar de nossa vista este sistema exterminador de homens, o fato de que o sistema semicolonial e semifeudal de nosso país está, diariamente, empurrando dezenas de milhões de camponeses pobres e sem terra, operários e pequeno-burgueses pobres para a cova. Para mudar esse sistema, devemos nos imbuir do espírito de autossacrifício e ser resolutos e determinados na condução da luta armada.
Um ano após o Congresso do Partido
Charu Mazumdar, 20 de maio de 1971
Liberation v. 4, n.º 4
***
Envio minhas saudações aos camaradas revolucionários da prisão de Dum Dum. Eles demonstraram extraordinário heroísmo e espírito de autossacrifício ao lutar contra a política de repressão brutal. O governo reacionário indiano não se sente seguro nem mesmo após encarcerar a juventude revolucionária, e está deliberadamente levando a cabo uma campanha de assassinatos, de uma prisão à outra…
Como todos os reacionários, o governo… acredita que pode deter a onda crescente de luta por meio de assassinatos. Mas… este massacre despertará o ódio revolucionário nas mentes de um número cada vez maior de jovens e criará uma nova maré alta de luta. Os camaradas revolucionários vingarão este massacre e semearão o pânico no campo inimigo…
Vingar o massacre na prisão
Charu Mazumdar, 20 de maio de 1971
Liberation v. 4, n.º 4
***
Após um duro revés e a perda de nossos brilhantes quadros, vocês agora estão se recuperando do choque. As ações realizadas destruíram as esperanças ilusórias do regime do Congresso de liquidar em Andhra Pradesh a grandiosa luta de Srikakulam. Em nome do Comitê Central, parabenizo vocês, firmes combatentes de Andhra Pradesh, por seu esforço sobre-humano, fé inabalável na vitória final de nossa revolução democrática e grande amor pelos oprimidos – os camponeses pobres e sem terra de Andhra…
Aos firmes combatentes de Andhra Pradesh
Charu Mazumdar, 18 de julho de 1971
Liberation v. 5, n.º 1
***
O Exército Popular de Libertação é um tipo especial de exército. A particularidade desse exército é que cada um de seus membros venceu o medo da morte e é capaz de conduzir a luta por sua própria iniciativa. É por isso que se diz que a vitória ou a derrota em uma guerra não é determinada pelas armas, mas pelos homens que as empunham. Aqui reside a diferença fundamental entre o exército imperialista e o Exército Popular.
Sobre o problema da construção do Exército Popular e das Bases de Apoio
Charu Mazumdar, 19 de agosto de 1971
Liberation v. 5, n.º 1
***
Como todas as forças reacionárias do mundo, o governo indiano e seus cúmplices – todos os partidos reacionários e revisionistas – querem deter a marcha da revolução recorrendo a assassinatos em massa em larga escala…
Na Índia, essa matança despertará a fúria e o ódio do povo, e uma nova Índia será construída sobre as ruínas desse sistema assassino – essa é a lei da história. Os reacionários terão de pagar com seu próprio sangue a dívida de sangue que cresce a cada assassinato que cometem.
O Camarada Saroj Dutta foi um dirigente do Partido e teve uma morte heroica, digna de um dirigente. Sua firmeza revolucionária deve servir de exemplo para a juventude. Superando todas as fraquezas, os jovens devem trilhar mais resolutamente o caminho da revolução e vingar esses assassinatos, integrando-se aos operários e aos camponeses pobres e sem terra.
Em memória dos mártires
Charu Mazumdar, 26 de agosto de 1971
Liberation v. 5, n.º 1

***
Precisamos ter fé no povo, pois o povo quer a revolução… A falta dessa fé é uma concepção revisionista – é a falta de fé na revolução… De fato haverá repressão se se lutar. Mas da repressão surge a resistência… Pois onde há repressão, há também forças revolucionárias capazes de resistir.
Sobre a linha correta
(Nota tomada de um discurso)
Charu Mazumdar, ca. 1971
***
Os heroicos camaradas do Vietnã estão lutando contra o inimigo do mundo inteiro: o imperialismo norte-americano e seus cães de fila. Estão lutando armados com armas modernas – armas que foram arrancadas das mãos dos bandidos ianques…
Hoje, é dever dos militantes do Partido mobilizar o povo para lançá-lo à luta… Precisamos saber o que o povo diz contra a repressão da polícia e do exército, e quais formas de resistência cogita. Uma parte do povo pode ficar desnorteada diante da repressão militar. É preciso imbuir nela o sonho do Vietnã. Os camponeses vietnamitas começaram lutando apenas com armas convencionais. Os militares não se movem sempre em contingentes de 200 a 500 soldados – às vezes se movem em grupos de 2 a 4. Nesses casos, podem ser aniquilados e suas armas tomadas, cercando-os com pequenos destacamentos… Temos de planejar ataques contra as forças móveis inimigas. Deve-se recorrer amplamente ao uso de túneis e minas. Uma vez que esse plano seja bem-sucedido, o povo poderá ver claramente a face de tigre de papel do inimigo. Então, não hesitará em enfrentar contingentes de 200 a 500 militares. A destemida resistência do povo será capaz de esmagar o moral do inimigo, que fugirá deixando suas armas para trás.
Estabelecer o poder estatal do povo mediante a guerra popular
Charu Mazumdar, 11 de março de 1972
***
O que ganharei com a revolução? O momento em que tal pensamento se insinua em nossa mente é o início da ruína. Esse pensamento equivale ao interesse próprio.
Sobre a luta-crítica e transformação
Charu Mazumdar, 8 de abril de 1972
***
A luta armada em nosso país, após atingir um certo estágio de desenvolvimento, sofreu um revés. Nossa tarefa hoje é manter o Partido vivo… construí-lo entre as amplas massas de operários e camponeses… para superar esse revés e elevar a luta a um patamar ainda mais alto que antes. Tenho fé de que o conseguiremos num curto período…
Um levante está próximo. Um levante nacional… que se alastrará a uma área ainda maior… Seremos capazes de dar direção em toda parte durante o esperado levante? Certamente não. Mas a luta nas regiões onde há nossa direção consciente servirá de exemplo para outras regiões onde a direção do Partido não está presente… A Índia é um vasto país. Seu povo vive atormentado pela tortura e a exploração. Os exploradores e explorados encontram-se em dois campos distintos e antagônicos. O ódio é generalizado entre as massas exploradas. Elas não permitirão que as torturas continuem. Seu crescente ressentimento logo gerará espontânea explosividade em várias partes do país. Quando o povo deste vasto país explodir em fúria, o governo reacionário não poderá contê-lo.
Último escrito de Mazumdar
Charu Mazumdar, 9 de junho de 1972
Deshabrati, julho de 1972

1 Esses incidentes se referem à tentativa de ataque à delegacia de polícia de Tellichery, no norte de Malabar, em 22 de novembro de 1968, e a um ataque à estação de rádio policial de Pulpalli e às propriedades dos latifundiários nas florestas de Wynaad, dois dias depois, por camponeses, operários e estudantes armados dirigidos por Kunnikal Narayanan. – Nota de tradução (N.T.)
2 Charu Mazumdar visitou Andhra Pradesh (especialmente Srikakulam) após a reunião de fevereiro de 1969 do Comitê de Coordenação dos Revolucionários Comunistas de Toda a Índia (AICCCR) e, animado com as perspectivas da luta armada revolucionária camponesa na região, escreveu esse artigo ao retornar a Calcutá. – N.T.
3 Gherao (significa literalmente “cerco”) é uma forma de luta operária combativa na qual os capitalistas e os burocratas são forçosamente mantidos confinados para obrigá-los a ceder às reivindicações dos trabalhadores. A tática guarda semelhanças com o piquete, mas envolve o cerco físico do local (como um prédio de governo ou empresa), impedindo a saída ou entrada de pessoas. – N.T.
4 Satyagraha (ou satiagraa) é uma forma reacionária de luta introduzida por Gandhi; aqueles que participam dela são proibidos de usar qualquer tipo de força contra o inimigo e devem permanecer passivos e não-violentos diante da violência contrarrevolucionária. – N.T.
5 Carta de Charu Mazumdar em resposta a um militante responsável pela organização regional do Partido em Midnapur. Este havia relatado que três heroicos camaradas guerrilheiros foram assassinados por inimigos de classe quando retornavam de uma ação de aniquilamento contra um odiado jotedar em Keshpur (no distrito de Midnapur, Bengala Ocidental), e acrescentou: “Disse aos camaradas que, para construir a luta em Keshpur, seria preciso sacrificar vidas. Eles foram e entregaram as suas. Pedir agora a outros que sacrifiquem a vida me parece algo insuportável. Gostaria de saber onde estamos errando.” – N.T.
6 A luta armada camponesa no Paquistão Oriental, dirigida pelo Partido Comunista do Paquistão Oriental (Marxista-Leninista), foi formalmente iniciada em 22 de fevereiro de 1970, quando, durante um comício em Daca, foi feito um chamado público à Guerra Popular, conclamando os camponeses pobres e sem terra a pegarem em armas contra os latifundiários e o Estado paquistanês. – N.T.

