Índia: Charu Mazumdar sobre a heroicidade comunista (III) – O glorioso exemplo de Srikakulam
Nota do blog: Em memória do Camarada Basavaraj, Secretário-Geral do Partido Comunista da Índia (Maoista) caído em combate em 21 de maio último, e por ocasião do Dia da Heroicidade, publicamos tradução inédita (não oficial) de textos redigidos pelo chefe comunista indiano Charu Mazumdar sobre a heroicidade dos combatentes guerrilheiros naxalitas de Srikakulam, em Andhra Pradesh, no contexto do alastramento das chamas da gloriosa luta armada revolucionária camponesa de Naxalbari, iniciada em uma pequena região, para todos os cantos da Índia.
“O Trovão da Primavera de 1967 em Naxalbari, a tempestade da luta armada, sacudiu amplas regiões da Índia em seus primeiros momentos. Rompeu as correntes do ‘caminho da não-violência’ e do ‘sistema parlamentar’ e se desenvolveu como a luta pela libertação do povo indiano. A Luta Armada Revolucionária Camponesa se espalhou de Bengala Ocidental até Andhra Pradesh, Bihar, Odisha, Uttar Pradesh, Punjab e Tamil Nadu, tendo a Revolução Agrária como base principal. Os guerrilheiros camponeses do distrito de Srikakulam, em Andhra Pradesh, transformaram 800 vilarejos em vilarejos vermelhos e se prepararam para iniciar a luta armada. Formou-se uma forte situação revolucionária em toda a Índia.” (Naxalbari é uma grande e histórica herança revolucionária, People’s War n.º 12, julho de 2017)
A primeira e a segunda partes desta série de artigos já estão disponíveis em nossa tribuna.

Srikakulam: Será esta a Ienan indiana?
Charu Mazumdar
6 de março de 1969
Ainda não passaram dois anos desde o início da luta de Naxalbari; no entanto, nesse período, suas centelhas se espalharam por diferentes estados da Índia. E em Srikakulam, em Andhra, o fogo que elas acenderam está se desenvolvendo rapidamente em um incêndio florestal.
Aqui, em meio a uma selva cercada por montanhas, numa sala no topo de uma colina, encontra-se diante de mim cerca de uma dúzia de jovens. Eles não são homens conhecidos ou renomados, nem aqueles que gozam de fama em toda a Índia. Mas são homens jovens, homens que sonham. Eles sonham com a libertação das dezenas de milhões de camponeses explorados e oprimidos ao longo dos tempos; sonham em libertá-los do jugo da exploração, das profundezas sombrias da ignorância, da miséria esmagadora, da fome. Eles acreditam na revolução, e estão firmemente convictos de que somente a luta armada camponesa pode torná-la vitoriosa. Eles vieram dos mais variados lugares: de Srikakulam, de Nalgonda, Warangal e Adilabad em Telangana, e dos distritos de Rayalaseema, representando a maioria dos distritos de Andhra. Eles sonham, mas não são sonhadores ociosos. Todos deixaram seus lares e agora vivem e trabalham entre os camponeses, mantendo a discrição. Foram eles que construíram a luta de Srikakulam – a luta que preencheu o coração dos revolucionários da Índia com alegria e confiança. Os acontecimentos de Srikakulam fortaleceram a convicção de que a Índia criará sua própria Ienan num futuro não distante. Foram eles também que construíram a luta camponesa no distrito de Koraput, em Orissa. A brutal repressão imposta pelo odioso governo reacionário não conseguiu sufocar a luta, tampouco logrou atingir seus dirigentes. E são eles que constituem o Comitê Estadual de Coordenação dos Revolucionários Comunistas de Andhra.
Um relatório preparado pelo Comitê Distrital de Srikakulam foi apresentado na reunião. Não me cabe julgar aqui se há erros ou falhas no relatório. Os camaradas de Srikakulam publicaram-no e apresentaram suas experiências aos revolucionários comunistas de todo o país. Eles são homens que não têm outro interesse senão o da revolução. É por isso que não temem a crítica; ao contrário, convidam-na. Nesse relatório, eles registraram suas valiosas experiências na luta de Srikakulam e tentaram tirar conclusões a partir delas. No relatório, afirmam com veemência que não pode haver concessões ao oportunismo, pois não fortalecem os revolucionários, mas sim os enfraquecem. A firme unidade de classe só pode ser construída por meio da luta contra o oportunismo, tanto de direita quanto de “esquerda”.
Como disse, esses camaradas não são sonhadores ociosos. Portanto, não estão pensando ser possível vencer a revolução de maneira fácil. Entendem que golpes certamente virão e que podem até sofrer sérios reveses. Estão bem cientes do perigo e se preparam para enfrentar tais eventualidades.
Eles estão convencidos de que, para travar uma luta revolucionária, devem ter um Partido revolucionário. É por isso que definiram a tarefa de construir esse Partido como prioritária. Ao mesmo tempo, entendem que uma tarefa desse Partido revolucionário será imbuir sua militância e o povo com o espírito de sacrifício. O Presidente Mao nos ensina: “Onde há luta há sacrifício e a morte é coisa frequente.” Logo, para lograr a vitória da revolução, os quadros revolucionários devem estar prontos a fazer sacrifícios. Devem sacrificar suas propriedades e bens, comodidades, velhos hábitos e aspirações à fama, livrarem-se do temor à morte e abandonar a mentalidade de perseguir caminhos fáceis. Somente assim seremos capazes de treinar e preparar os revolucionários para conduzir uma luta árdua, difícil e prolongada. Apenas desse modo poderemos inspirar o povo a fazer grandes sacrifícios para que então, mediante tremendos golpes, esmague toda a força e poder do imperialismo, do revisionismo e dos reacionários indianos, e assim alcance o triunfo da revolução.
É depois de muito tempo que participei de uma reunião como esta de revolucionários comunistas, onde fizeram o juramento de vender suas propriedades e doar todo o valor obtido para o fundo do Partido. Somente nessa reunião comprometeram-se em arrecadar cerca de um lakh de rúpias [100 mil rúpias] dessa forma. A palavra de ordem: “Construamos Srikakulams nas diferentes regiões para apoiar a luta de Srikakulam!” mudou instantaneamente a atmosfera da reunião, e o próprio ar na sala parecia ter sido eletrificado. Todos os camaradas presentes declararam resolutamente que construiriam Srikakulams em Telangana, nos distritos da região de Rayalaseema, e em toda Andhra. Naquele momento, pulsando com o vigor e a energia do ardor revolucionário, um pensamento me perseguia insistentemente – o pensamento nos heroicos revolucionários de Telangana que deram suas vidas lutando. Eu pensava que o sacrifício daqueles gloriosos combatentes não foi em vão; pois a Ienan indiana será criada aqui. A reunião terminou em meio a um grande entusiasmo.
Quando chegou a hora de partir, de repente senti tristeza. Quem sabe se voltarei a encontrar esses camaradas. São camaradas revolucionários, dedicados e sem medo de fazer até o sacrifício supremo. Eles estão voltando dessa reunião para se lançar novamente na luta, e ninguém sabe quem sobreviverá. Mas uma coisa eu sei: o povo da Índia jamais os esquecerá.
De repente, a Índia envolta em trevas desapareceu, e vi diante de mim minha pátria mãe Índia! Uma Índia vigorosa, pulsante, brilhando sob o sol radiante! A Índia Democrática Popular, a Índia Socialista!
Srikakulam avança irresistivelmente.
O respeitado dirigente Camarada Charu Mazumdar visitou Andhra Pradesh (especialmente Srikakulam) após a reunião de fevereiro de 1969 da AICCCR. Ao retornar a Calcutá, escreveu este artigo, que, traduzido do original bengali, foi publicado em Liberation, vol. 2, n.º 5 (março de 1969).
Vingar o assasinato dos heroicos mártires de Srikakulam
Convocatória do Comitê Central de Organização do PCI (ML) aos membros do Partido:
O Comitê Central de Organização do Partido Comunista da Índia (Marxista-Leninista) emitiu um comunicado conclamando os membros do Partido a vingar o covarde assassinato de nossos heroicos camaradas de Srikakulam, aniquilando o maior número possível de inimigos de classe no campo. Abaixo, o texto integral do comunicado:
No final de novembro e início de dezembro [de 1969], treze de nossos camaradas – entre eles três mulheres –, incluindo destacados camaradas de Srikakulam como Bhaskar Rao, Thamada Ganapathy, Nirmala Krishnamurty, Subbarao Panigrahi e Ramesh Chandra Sahu, caíram sob as balas do inimigo. Heróicos combatentes guerrilheiros, todos tombaram lutando. Viram-se subitamente cercados por forças inimigas extremamente superiores. Nem sequer pensaram em se render; lutaram heroicamente até o último suspiro, matando o máximo de inimigos que puderam.
Seis camaradas – Subbarao Panigrahi, Nirmala Krishnamurty, Saraswati Amma, Ankamma, Ramesh Sahu e Uma Rao – caíram nas mãos do inimigo. O odioso e ardiloso inimigo exigiu cinicamente, sob pena de morte, que assinassem uma declaração por escrito renegando o Partido. Os heróicos camaradas, unânimes, recusaram a infame oferta do inimigo – “renegue o Partido e viva” – e encararam firmemente o pelotão de fuzilamento. Antes de caírem sob as balas do inimigo, bradaram palavras de ordem como “Viva o Partido Comunista da Índia (Marxista-Leninista)!” e “Viva o Presidente Mao!”.
Camaradas, ao contar as árvores abatidas – nossos dirigentes e camaradas tombados – jamais devemos perder de vista a floresta do povo. Essa floresta agora reluz com o vermelho da furiosa revolução popular. Não devemos esquecer que foram as massas que geraram esses dirigentes heroicos e que são as massas, no decorrer da guerra revolucionária, que geram contínuamente muitos novos dirigentes como os nossos mártires. Hoje, nosso pesar é imenso, nossa tristeza é profunda. Mas, camaradas, devemos converter essa dor imensa em profundo ódio, ardente, contra o odiado inimigo de classe.
Nossos bravos camaradas de Andhra juraram vingar cada um desses assassinatos vis. Declaramos que este juramento não é apenas deles, mas de todo o Partido. Hoje, o Comitê Central de Organização do PCI (ML) faz um chamado a todo o Partido para aniquilar o maior número possível de inimigos de classe no campo e, assim, vingar os desprezíveis assassinatos dos valentes camaradas de Srikakulam.
Com orgulho, observamos que nossos heroicos camaradas de Andhra estão rapidamente se recuperando da perda e imediatamente tomando o lugar deixado pelos camaradas dirigentes que tombaram! As perdas não abalaram sua determinação: estão decididos a intensificar a luta revolucionária e já o fazem. Essa também é a diretiva das massas revolucionárias, dos camponeses revolucionários de Srikakulam, para eles.
Deve ser lembrado que, justamente quando esses eventos trágicos ocorreram em Srikakulam, um grande levante de massas estava prestes a eclodir como fruto da guerra de guerrilhas – a guerra de guerrilhas para aniquilar o inimigo de classe – que nosso Partido, guiado pelo pensamento maotsetung, iniciou e dirige.
Declaramos que essa determinação dos bravos camaradas e das massas revolucionárias de Andhra de prosseguir a guerra revolucionária é a decisão de todo o Partido. Nossa dor é intensa, mas nosso orgulho é incomensurável, pois nossos camaradas, nossos heróicos mártires, quando confrontados com a escolha, preferiram morrer a viver renegando o Partido.
Ao sacrificar suas vidas, nossos camaradas mártires nos despertaram e nos fizeram perceber plenamente a tremenda responsabilidade que pesa sobre cada membro do nosso Partido. O Presidente Mao disse: “Milhares e milhares de mártires deram heroicamente a vida pela defesa dos interesses do povo. Levantemos pois bem alto a sua bandeira e avancemos pela via traçada pelo seu sangue.” A morte de nossos camaradas mártires nos revelou como nunca antes o significado desse ensinamento do Presidente Mao.
Camaradas, devemos aprender com nossos erros e procurar minimizar perdas futuras, e isso é exatamente o que nossos camaradas de Andhra estão fazendo. Porém, ao fazer isso, assim como nossos camaradas de Andhra, não podemos esquecer que não há revolução sem sacrifícios, sem um preço – neste caso, derramar nosso sangue e entregar nossas vidas. Essa é uma lei da revolução. Foi isso que Mao Tsetung nos ensinou: “Onde há luta há sacrifício e a morte é coisa frequente. Mas nós trazemos no peito os interesses do povo e os sofrimentos da grande maioria do povo, morrer por este é dar pois à morte toda a sua dignidade. Contudo, há que reduzir ao mínimo os sacrifícios desnecessários.”
Essa é a nossa resposta aos dubitativos e sabotadores, aos que temem a luta e aos revisionistas de toda sorte. Sempre acontece que, aproveitando-se de perdas temporárias e inevitáveis como as nossas, essas criaturas desprezíveis rastejam para fora de suas tocas para semear frustração e pregar suas venenosas e nefastas teorias capitulacionistas. Camaradas, devemos repelir o inimigo de classe e seus lacaios persistindo no aniquilamento do inimigo de classe mediante a guerra de guerrilhas, intensificando ainda mais a guerra revolucionária das massas camponesas e implementando ainda mais firmemente a linha geral do nosso Partido. Este é o único modo de rechaçá-los. “Sejam resolutos, não temam sacrifícios, vençam todas as dificuldades, tudo para a vitória.”
Saudações vermelhas (Lal Salaam) aos grandiosos mártires da Revolução Indiana!
Viva o Partido Comunista da Índia (Marxista-Leninista)!
Viva o Presidente Mao! Uma longa, longa vida ao Presidente Mao!
Liberation, vol. 3, n.º 3, janeiro de 1970
Armada com o pensamento maotsetung
A luta revolucionária camponesa de Srikakulam é invencível
Charu Mazumdar
Março de 1970
O pensamento maotsetung tornou-se hoje a luz-guia não apenas de alguns poucos revolucionários, mas também de dezenas de milhares de camponeses pobres e sem-terra em toda a Índia. O pensamento maotsetung criou raízes profundas no solo da Índia e desenvolveu-se como uma árvore gigante que as desprezíveis moscas reacionárias são incapazes de derrubar…
Uma breve reportagem apareceu no jornal reacionário bengali Ananda Bazar Patrika na segunda metade de janeiro deste ano. A reportagem diz que os guerrilheiros camponeses em Srikakulam mataram e decapitaram um inimigo de classe e penduraram sua cabeça decepada em um bambu. O fato de que essa reportagem tenha sido publicada, ainda que de forma a não atrair a atenção do público, mostra que a imprensa burguesa reconhece o significado desse acontecimento. Relembremos os eventos que ocorreram em Srikakulam no período de meados de novembro de 1969 até o final de janeiro de 1970.
Durante esses dois meses, 13 dos heroicos dirigentes de Srikakulam deram suas vidas lutando contra a polícia armada reacionária. O Camarada Tejeswar Rao, um importante dirigente, foi preso. A imprensa burguesa expressou abertamente seu sentimento de alívio, acreditando que a luta de Srikakulam havia finalmente sido esmagada pela campanha de repressão da polícia reacionária e da CRP. A imprensa revisionista também compartilhava dessa opinião da imprensa burguesa e mal conseguia esconder seu regozijo, enquanto os traiçoeiros líderes revisionistas derramavam lágrimas de crocodilo sobre a repressão policial contra as massas camponesas pobres de Srikakulam. Todos os vários grupos, grandes e pequenos, incluindo Nagi Reddy e companhia, que se opõem ao pensamento maotsetung valendo-se do nome do Presidente Mao, assumiram ares de eruditos e pregaram ao povo que a linha “aventureirista” e “anti-Mao” do PCI (ML) foi o que causou a “destruição” da luta em Srikakulam. Foi precisamente nesse momento que uma nova ação guerrilheira ocorreu por lá.
O Presidente Mao nos ensinou: “Onde há opressão, há resistência”. Srikakulam é uma demonstração viva dessa profunda verdade. A morte de cada herói acendeu as chamas do ódio das massas camponesas contra o inimigo de classe, e, inspirados com determinação renovada, os combatentes das massas camponesas avançaram em centenas para preencher a lacuna deixada pela morte ou prisão de seus dirigentes, reorganizaram suas forças e novamente partiram para a ofensiva em um curto espaço de tempo. Somente o exercício do poder criador dos camponeses pobres e sem terra tornou possível não apenas resistir a um teste tão severo, mas também se organizar e reorganizar as forças tão rapidamente…
Temperados nas chamas da guerra de guerrilhas armada, um novo tipo de homem foi criado ali, homens que não temem nem a morte nem o sacrifício, homens que, por seu amor pelas massas, estão sempre dispostos a realizar qualquer tipo de trabalho, por mais difícil que seja. Nenhum poder na Terra pode sobrepujar esses homens – homens que conquistaram a morte; toda o poder da reação se torna inútil diante deles. Hoje, tais homens foram criados em Srikakulam. Eles são os novos homens de uma nova era, os cidadãos da Índia livre que está prestes a nascer, homens dignos do mundo libertado.
É precisamente porque tais homens foram criados que se pode afirmar com certeza que Srikakulam, longe de ser esmagada, pelo contrário, fincou suas raízes firmemente no solo da Índia – Srikakulam jamais será esmagada! Nem o governo de Indira Gandhi, nem qualquer potência imperialista reacionária, é capaz de extinguir as chamas furiosas da luta armada camponesa revolucionária. É por isso que o relato desta ação guerrilheira em Srikakulam reforça entre nós a firme convicção de que os dias da reação estão contados, de que um novo poder – o poder do povo – foi estabelecido, e que este bastião das massas é verdadeiramente invencível. Este relato da ação guerrilheira em Srikakulam significa que todas as forças reacionárias serão reduzidas a cinzas nas chamas acesas pelas massas…
Viva as heroicas massas camponesas de Srikakulam!
Liberation v. 3, n.º 5, março de 1970
Em Srikakulam
Camponeses revolucionários escrevem com seu sangue um glorioso capítulo
Nas colinas e planícies de Srikakulam, os indomáveis camponeses revolucionários estão escrevendo com seu próprio sangue a epopeia da luta de libertação da Índia. Em 22 de novembro [de 1969], os camaradas Bhaskar Rao, Thamada Ganapathy, Gorakala Sanyasi e Krishnamurty foram mortos em um confronto com os inimigos de classe. Poucos dias depois, o camarada Tejeswara Rao caiu nas mãos dos inimigos. Mas o mais notável é que esse revés temporário não afetou o moral das massas, nem enfraqueceu sua firme determinação de resistir à repressão das classes dominantes. Nenhuma repressão será capaz de esmagar o amplo levante revolucionário das massas. A iniciativa demonstrada pelas massas camponesas é profundamente encorajadora. Elas temem que os de espírito dubitativo levantem a cabeça dentro do Partido na esteira de alguns erros e deficiências. Por isso, têm vindo em grupos ao Partido, dizendo com sincera convicção: “Perdemos de fato alguns camaradas dirigentes. Mas isso não é razão para interromper a luta, nem mesmo para diminuir seu ritmo.” O Partido ouviu com profunda satisfação o apelo das massas e decidiu agir conforme sua vontade.
A luta em Srikakulam está também se alastrando rapidamente para além da fronteira, alcançando os distritos de Koraput e Ganjam, em Orissa.
Os guerrilheiros de Srikakulam não temem nem as dificuldades, nem a morte, e estão se lançando com tudo para enfrentar os ataques da polícia reacionária. Nesta luta, estão dando exemplos brilhantes ao desafiar a morte com heroísmo e autossacrifício. Em novembro passado, três camaradas – Gana Madhava Rao, Maripinti Vallabharao e Gadela Lokanatham – foram de repente cercados por 200 homens da CRP [Polícia de Reserva Central], armados com fuzis e metralhadoras leves. Render-se ao inimigo ou combatê-lo resolutamente até o fim? Essa era a questão urgente que se colocava diante deles, numa situação extremamente difícil. Em essência, tratava-se de uma luta entre duas concepções de mundo: de um lado, a concepção revisionista representada por Kruschov, Liu Shao-chi e seus pares indianos, como Dange, Sundarayya e companhia; do outro, a concepção proletária do mundo, ou seja, o pensamento maotsetung, defendido e aplicado resolutamente pelo Partido Comunista da Índia (Marxista-Leninista) e pelos combatentes camponeses revolucionários por ele dirigidos. Ser um revisionista – um covarde que coloca sua própria segurança e bem-estar acima de tudo, que não respeita as massas e teme a revolução e o sacrifício – ou ser um revolucionário destemido – que coloca os interesses das massas oprimidas e da revolução acima de tudo, que tem um amor infinito pelas massas e ódio ardente pelos exploradores e opressores, que não teme dificuldades nem a morte, e que nada considera mais importante do que a causa revolucionária – era essa a escolha diante dos três camaradas. Render-se significava ser um revisionista, um covarde e um traidor do povo e da revolução. Os camaradas sequer cogitaram essa hipótese e lançaram-se de imediato num ataque feroz, tentando romper o cerco inimigo. Nossos valorosos camaradas lutaram por longas três horas. Mataram dois policiais reacionários no local, mas dois dos camaradas tombaram heroicamente em combate. O terceiro, o Camarada Gadela Lokanatham, filho de um camponês pobre, com apenas 17 anos, mesmo crivado de balas, conseguiu romper o cerco. Morreu pouco depois, em decorrência da grande perda de sangue.
É assim que os gloriosos combatentes camponeses pobres e sem terra, os combatentes de Srikakulam, estão lutando pela libertação da Índia e da humanidade. Não é de se espantar que a repressão policial mais brutal desencadeada pelas classes dominantes reacionárias não tenha conseguido intimidar esses heróicos combatentes camponeses. Inspirados pelo pensamento maotsetung, eles estão agora se apresentando às centenas para integrar o exército de libertação popular dirigido pelo Partido Comunista da Índia (Marxista-Leninista). As próprias massas revolucionárias estão dando exemplos brilhantes de não temer nem as dificuldades nem a morte. O Partido está tomando medidas para superar as deficiências e agarrar-se firmemente ao ensinamento do Presidente Mao: “Onde há luta há sacrifício e a morte é coisa frequente. Mas nós trazresemos no peito os interesses do povo e os sofrimentos da grande maioria do povo, morrer por este é dar pois à morte toda a sua dignidade. Contudo, há que reduzir ao mínimo os sacrifícios desnecessários.”
Liberation, v. 3, n.º 3, janeiro de 1970.