Índia: Entrevista com o Camarada Basavaraj sobre a Histórica Ação de Nayagarh (2008)

Nota do blog: Publicamos tradução de uma entrevista feita em 2008 com o Camarada Basavaraj, então responsável pela Comissão Militar Central (CMC) do Partido Comunista da Índia (Maoista). Baseamo-nos na versão em inglês disponível no livro “Camarada Basavaraj: Três Entrevistas”, compilado de entrevistas de 2008, 2012 e 2022 recém-lançado pela editora High Tide Publications como tributo ao Secretário-Geral do PCI (Maoista), imortalizado em 21 de maio último junto a outros 26 combatentes revolucionários indianos. Ainda nas primeiras páginas da obra, lê-se a inscrição:

Em Homenagem ao Camarada Basavaraj: Veterano da Revolução Indiana, Membro do Comitê Central, Membro do Birô Político, Responsável pela Comissão Militar Central e Secretário-Geral do PCI (Maoista). Morto em combate pelos fascistas do Estado indiano em 21 de maio de 2025. Saudações vermelhas a um camarada extraordinário e a uma vida de serviço incomparável ao povo.

Na presente conversa com o editor do Boletim de Informações Maoista, o Camarada Basavaraj responde a indagações sobre uma histórica ação de recuperação de armas, realizada em 2008, na qual combatentes do Exército Guerrilheiro Popular de Libertação (EGPL) e da milícia popular lograram capturar mais de 500 armas novas e sofisticadas da Escola de Treinamento Policial de Nayagarh, capital do distrito homônimo do estado de Orissa (hoje Odisha), conter as forças inimigas e se retirar com segurança da região. Batizada pelos maoistas indianos de “Operação Teleférico”, essa exitosa ação contraofensiva tática é modesto demonstrativo da grande capacidade do Camarada Basavaraj como chefe político e militar da gloriosa Guerra Popular na Índia.

Os redatores de Servir ao Povo.


Entrevista com o Camarada Basavaraj, chefe da Comissão Militar Central do PCI (Maoista), sobre a Histórica Ação de Nayagarh

Boletim de Informações Maoista, nº 2, 20 de maio de 2008

O editor do Boletim de Informações Maoista encontrou-se com o chefe da Comissão Militar Central (CMC) do PCI (Maoista), o Camarada Basavaraj, nas profundezas das selvas de Dandakaranya. Todos os guerrilheiros estavam animados e mostravam com orgulho as novas armas reluzentes – AK-47s novinhas, fuzis INSAS, SLRs, metralhadoras leves (LMGs), dezenas de armas curtas e vários outros armamentos capturados da polícia em Nayagarh. Alguns desses valentes jovens afirmaram que carregaram até três armas por mais de um mês antes de receber ajuda de outros nativos. Nenhum deles parecia abatido, embora parecessem um pouco emagrecidos após a jornada exaustiva, muitas vezes sem comida e enfrentando a polícia nos primeiros dias após a ação. Abaixo reproduzimos a breve entrevista com o chefe da CMC realizada em meados de abril de 2008 – BIM.

ENTREVISTADOR: O EGPL, dirigido pelo PCI (Maoista), realizou a maior ação de sua história em Nayagarh. Mas, segundo declarações da polícia e do porta-voz do governo, veiculadas pela mídia, pelo menos vinte guerrilheiros maoistas teriam sido mortos nas florestas de Gosama no primeiro dia após a ação. E o dobro disso nos dias seguintes. Essas informações são verdadeiras?

CAMARADA BASAVARAJ: Essa alegação da polícia é uma mentira descarada, intencionalmente divulgada para apresentar algum tipo de “resultado” após o severo golpe que sofreram em Nayagarh. Mentiras como essa são truques recorrentes com o objetivo de semear confusão entre os revolucionários e levantar a moral da polícia. Trata-se de parte da guerra psicológica utilizada pelas classes inimigas em todo o mundo. Apenas dois de nossos camaradas tombaram como mártires, enquanto o inimigo sofreu três baixas e vários feridos. Vou relatar os fatos resumidamente.

Nossas forças do EGPL chegaram a Gosama na manhã do dia 16, após concluir com sucesso a operação por volta de meia-noite e meia. Perto das 9h, uma equipe da SOG1 chegou ao local. Nossos camaradas abriram fogo contra eles, que bateram em retirada imediatamente. Estávamos esperando um novo encontro, e por isso nos preparamos para um combate intenso. Por volta das 15h, a SOG voltou acompanhada da CRPF.2 Deviam ser cerca de 120 homens. Na primeira rajada de tiros disparada pelos nossos camaradas, três deles morreram – um era comandante-auxiliar. Eles começaram a recuar em total confusão. Nós os perseguimos por ao menos dois quilômetros. Continuaram fugindo, e depois fomos informados pelos moradores da região de que haviam recuado até uma distância de 20 km. Essa foi a “coragem” demonstrada por essas forças especiais anti-naxalitas em combate real.

Mais interessante ainda é o fato de que nenhum policial apareceu por mais de 24 horas para recolher os corpos dos membros mortos da SOG. Somente na noite do dia 17 é que moradores das aldeias vizinhas foram enviados para buscar os corpos. Os “valentes” homens da SOG não tiveram coragem nem mesmo de retornar a Gosama para recuperar os corpos dos seus!

Durante essa troca de tiros, perdemos dois camaradas – o Camarada Rambathi e o Camarada Iqbal – um da 7a Companhia e outro da 9a Companhia. Todos os demais se retiraram de Gosama na manhã seguinte. E não tivemos mais nenhuma baixa do nosso lado desde esse incidente.

ENTREVISTADOR: Naveen Patnaik3 afirmou que 80% das armas foram recuperadas. Isso é verdade?

CAMARADA BASAVARAJ: Essa é mais uma mentira. A polícia não recuperou nada. O que ocorreu foi que nós mesmos queimamos uma grande quantidade de armas e munições, pois era difícil carregarmos tudo. Estávamos, na verdade, esperando encontrar entre 400 e 500 armas e fomos preparados para isso. No entanto, encontramos mais que o dobro da quantidade que havíamos previsto. Como o local estava distante de nossas áreas de influência, era impossível transportar toda a carga. Por isso, queimamos cerca de 400 armas de qualidade inferior, que a polícia depois alegou ter recuperado. A maioria das armas queimadas era relativamente obsoleta, enquanto levamos conosco os armamentos mais sofisticados. Como estas aqui (disse ele apontando para as armas novíssimas penduradas nos ombros dos combatentes do EGPL ali presentes).

ENTREVISTADOR: Então você afirma que a operação foi bem-sucedida, ao contrário do que dizem a polícia e o governo de Orissa?

CAMARADA BASAVARAJ: Se considerarmos os objetivos que definimos para essa operação contraofensiva tática e nossas expectativas antes da ação, posso dizer que foi bem-sucedida. Capturamos mais armamentos do que havíamos planejado e antecipado. Cada um dos nossos camaradas retornou com ao menos duas armas, e alguns com até três, além de alguma munição. Foi um trabalho exaustivo transportar essa pesada carga por longas distâncias. Na verdade, nem esperávamos encontrar tantas armas automáticas e semiautomáticas. Sob esse ponto de vista, foi uma operação extremamente exitosa. Contudo, ter que queimar parte das armas por não podermos carregá-las foi, sem dúvida, uma lição tática para nós. Se soubéssemos que havia tantas armas em Nayagarh, nosso planejamento teria sido um pouco diferente.

ENTREVISTADOR: Qual foi a reação do governo de Orissa e do governo central após o sucesso da ação?

CAMARADA BASAVARAJ: Como você deve ter percebido pelos relatos da mídia após a operação, o governo de Orissa entrou em pânico – tanto que tomou medidas imediatas para reforçar a segurança das delegacias em Bhubaneswar, já que Nayagarh fica a menos de 100 quilômetros da capital do estado. Até mesmo o “marxista” neoliberal Buddhadeb4 tomou providências para reforçar a segurança em Calcutá. Esses governantes tolos jamais compreenderão os princípios da guerra de guerrilhas – que atacamos onde o inimigo é fraco, não onde ele é forte, como nas capitais estaduais.

Depois disso, eles fizeram esforços desesperados e frenéticos para tentar mostrar algum “resultado” em sua guerra contra os maoistas, mobilizando mais de 600 homens da CRPF, mais de mil da SOG de Orissa, 200 dos Greyhounds5 de Andhra Pradesh (AP), entre outros. Dois helicópteros foram disponibilizados pela Força Aérea Indiana para auxiliar as forças terrestres nas florestas de Gosama. O cenário parecia, na prática, uma guerra entre dois países. A diferença é que, aqui, na guerra civil, o povo está do nosso lado, enquanto o inimigo é forçado a usar helicópteros, drones, etc., pois nem sequer consegue obter informações da população. Isso enfurece tanto as forças inimigas que elas começam a atacar pessoas inocentes, como vimos em Orissa após a operação. Mais de 300 pessoas foram presas em várias localidades – pessoas comuns, inocentes, que não participaram da ação em Nayagarh nem sabiam de nada a respeito. Um jovem adivasi, por exemplo, foi assassinado pela CRPF em Banjar Nagar, no distrito de Ganjam.

Todas essas pessoas inocentes eram camponeses pobres e sem terra e jovens de vilarejos suspeitos de abrigar maoistas. Chegou-se até a cogitar bombardear alguns vilarejos e pontos suspeitos de serem acampamentos maoistas. O Ministro do Interior, Shivraj Patil, só não tomou essa medida porque temia a oposição de diversos partidos e pessoas e, sendo ano eleitoral, preferiu aguardar um consenso político para empreender tais ações contra os maoistas e as aldeias adivasis. A repressão e os abusos cometidos pela polícia de Orissa e pela CRPF contra a população continuam a se intensificar. Quanto mais atrocidades essas forças mercenárias cometem contra o povo, mais isoladas elas ficam. Mas isso não parece incomodar os governantes, e, por isso, a opressão e a repressão do Estado continuarão, aprofundando ainda mais o abismo entre os governantes e o povo.

ENTREVISTADOR: Houve muitos comentários sobre a participação dos Greyhounds de Andhra Pradesh (AP) nas operações policiais após a ação. Isso teve algum impacto na moral do seu contingente, considerando a reputação dos Greyhounds na repressão ao movimento em AP?

CAMARADA BASAVARAJ: A suposta eficiência, coragem e habilidade de combate dos Greyhounds de AP é um grande mito. O revés do movimento em AP não se deve aos Greyhounds, mas a várias outras razões mais profundas. Apesar de os Greyhounds terem sido criados em 1989, nosso movimento em AP se desenvolveu em grandes saltos até 1997. As chamadas “conquistas” dos Greyhounds não estão relacionadas a confrontos reais com os guerrilheiros maoistas em campo, mas a métodos de engano, como envenenamento de alimentos para deixar os guerrilheiros inconscientes antes de assassiná-los – como em Pamedu, em fevereiro –, uso de agentes infiltrados, entre outros.

Na verdade, a maioria dos dirigentes que tombaram como mártires em AP foi capturada em diferentes lugares pela SIB,6 levada para as florestas e executada. E isso foi apresentado como uma “vitória” dos Greyhounds. O Camarada Chandramouli (BK) e sua companheira de vida, a Camarada Karuna, os camaradas Sande Rajamouli (Murali), Somanna, etc., todos que eram membros do Comitê Central e a maioria dos que eram do Comitê Estadual foram mortos dessa forma.

Em Gosama, eles só apareceram depois que já havíamos saído, porque sabiam que haveria baixas se nos enfrentassem cara a cara. Os Greyhounds são, de fato, muito astutos – não se movem quando percebem que há riscos. Eles só atacam quando recebem informações completas, vindas de agentes infiltrados e informantes, sobre os movimentos do EGPL – e mesmo assim apenas com grandes contingentes, armamento pesado e de ponta, incluindo armas de área como lançadores de granadas, lança-foguetes, morteiros, além de bom apoio logístico, coordenação e comando altamente centralizados e até apoio aéreo.

Em suma, posso dizer que essa força especial “de elite” anti-naxalita faz mais espetáculo do que combate real. Diferente dos homens da SOG, que vieram imprudentemente e foram derrotados por nossas forças. Estávamos preparados para dar um baita golpe em nosso terreno, mas os Greyhounds deliberadamente chegaram atrasados. Quando nossas forças do EGPL souberam que os Greyhounds estavam em Orissa após a ação, muitos de nossos combatentes insistiram para permanecermos mais alguns dias para dar uma lição nessa força “de elite”. Se ousarem pisar em nosso território, vamos eliminá-los.

ENTREVISTADOR: Quantos combatentes do EGPL participaram da ação?

CAMARADA BASAVARAJ: Apenas 175 camaradas. Desses, 20 pertenciam à milícia popular. Apenas 90 estavam armados adequadamente.

ENTREVISTADOR: Então como vocês conseguiram dominar uma força inimiga numericamente superior?

CAMARADA BASAVARAJ: Foi o elemento surpresa e a coragem demonstrada por nossos combatentes e comandantes do EGPL. Havia 400 policiais na Escola de Treinamento Policial em Nayagarh, e apenas 52 de nós tomaram o controle em questão de dois minutos. No quartel-general da polícia, outros 32 guerrilheiros dominaram mais de cem membros das forças inimigas. Não tínhamos contingente suficiente para bloquear todas as rotas de movimentação do inimigo. Mas conseguimos contê-los e nos retirar com segurança.

Batizamos a operação de “Operação Teleférico”, o que significa que nossas forças guerrilheiras adotariam uma estratégia de descer sobre o inimigo como se descêssemos de um teleférico – surpreendendo o inimigo e concluindo a ação com rapidez. E tudo ocorreu exatamente como planejamos, com exceção do fato de termos gastado mais tempo carregando as armas e munições devido à grande quantidade.

ENTREVISTADOR: Qual foi o objetivo da ação?

CAMARADA BASAVARAJ: É uma verdade universalmente comprovada que nenhuma classe dominante exploradora, em qualquer parte do mundo, abandonará voluntariamente suas políticas antipovo ou seu poder político sem uma áspera luta até o fim. Eles lançarão a repressão mais cruel sobre o povo que trava uma luta justa contra a exploração e a opressão, com o objetivo de construir uma sociedade justa e equitativa. Como disse o Camarada Mao há muito tempo: “Sem um exército popular nada terá o povo”. Todas as demais organizações e lutas de massas podem ajudar o povo a conquistar algumas reivindicações, mas sem luta armada, não é possível alcançar a verdadeira libertação da opressão de classes. Se você compreender isso, não será difícil entender os alvos e objetivos das nossas ações em Nayagarh, Koraput, Giridih e em outros lugares.

O objetivo da contraofensiva tática em Nayagarh é armar o povo, intensificar a guerra contra forças inimigas muito superiores – bem equipadas, bem treinadas – e expandir a guerra popular por todo o país. Sendo um exército popular, nosso EGPL precisa se equipar principalmente com as armas capturadas das forças inimigas. Como nosso armamento será sempre relativamente inferior ao das forças armadas do Estado, torna-se ainda mais necessário equipar pelo menos parte de nossas forças com armas sofisticadas para obter vitórias táticas contra o inimigo.

ENTREVISTADOR: Naveen Patnaik afirma que o seu Partido realiza esse tipo de ação por desespero e que vocês não têm o apoio do povo. Você acredita que o povo de Orissa aprovou a ação em Nayagarh?

CAMARADA BASAVARAJ: Só um tolo diria que essa foi uma ação movida pelo desespero (disse ele rindo abertamente). Naveen Patnaik nem sabe o que significa a palavra “desespero”. Prender centenas de pessoas inocentes, torturá-las e assediá-las, fabricar processos falsos contra quem ousa questionar, assassinar pessoas que protestam contra as políticas do governo de entregar as riquezas mineiras e naturais do estado às multinacionais imperialistas e aos grupos empresariais compradores, criar, treinar e armar bandos paramilitares como a Shanti Sena7 para combater os revolucionários, banir organizações como a FDR8 – isso sim são ações desesperadas.

Por outro lado, as grandes ações contraofensivas táticas que realizamos, como a de Nayagarh, são planificadas no mais alto nível, com o objetivo de armar o exército popular com armamentos sofisticados e alastrar a guerra popular por todo o país.

ENTREVISTADOR: Naveen Patnaik propôs que seu governo estaria disposto a dialogar com os maoistas, caso abandonassem as armas. Qual é a resposta do seu Partido a essa proposta?

CAMARADA BASAVARAJ: A tal “proposta” de diálogo foi categoricamente rejeitada pelo nosso Partido. Você pode ler a declaração emitida pelo Camarada Azad em nome do nosso Comitê Central. A proposta de Patnaik não tem nenhuma seriedade. Não passa de uma manobra enganosa. Ele foi obrigado a fazer tal declaração devido à pressão de democratas e ativistas de direitos civis.


1 SOG: “Grupo de Operações Especiais” [Special Operations Group] da polícia do estado de Odisha, na Índia, treinado para atuar em operações contrainsurgentes em terrenos difíceis e florestas. – Nota de tradução (N.T.)

2 CRPF: “Força Policial da Reserva Central” [Central Reserve Police Force], uma das maiores forças paramilitares da Índia. Atua no “combate ao maoismo” sob o comando do Ministério do Interior do velho Estado indiano. – N.T.

3 Naveen Patnaik: Político reacionário indiano e então Chefe de Governo de Odisha (2000-2024) que, durante sua gestão, buscou facilitar ao máximo a entrega de terras e recursos naturais às empresas privadas e multinacionais. – N.T.

4 Buddhadeb Bhattacharjee: Líder do revisionista “PCI (Marxista)” e então Chefe de Governo de Bengala Ocidental (2000-2011), conhecido por adotar políticas privatistas e por reprimir violentamente camponeses e adivasis em Singur e Nandigram, onde tentou desapropriar terras para multinacionais imperialistas. – N.T.

5 Greyhounds: “Cães de caça” (em tradução literal do inglês), força especial do estado de Andhra Pradesh, voltada a táticas de emboscada e inteligência baseada em infiltração. – N.T.

6 SIB: “Seção Especial de Inteligência” [Special Intelligence Branch], divisão de inteligência policial estadual, especialmente ativa em Andhra Pradesh, responsável por detenções e execuções extrajudiciais contra militantes maoistas e revolucionários. – N.T.

7 Shanti Sena: “Brigada da Paz” (em tradução literal do hindi), conjunto de grupos paramilitares civis organizados pelo velho Estado indiano para reprimir insurgências locais, com um extenso histórico de crimes contra o povo e violações de direitos humanos. – N.T.

8 Frente Democrática Revolucionária (FDR): Organização de massas fortemente atuante em defesa dos direitos dos operários, camponeses, adivasis, presos políticos e todo o povo indiano, e por isso é frequentemente banida por governos estaduais e seus representantes perseguidos e criminalizados. – N.T.