Declaração Política: Fora Ianques do Oriente Médio! (Movimento Popular Peru, 2024)

Nota do blog: Publicamos a seguir tradução não oficial de uma declaração do Movimento Popular Peru (MPP), organismo gerado do Partido Comunista do Peru – PCP para o trabalho no exterior, encontrada aqui. Sintetizando a questão da Palestina e do Golfo e a situação política no Oriente Médio Ampliado, o MPP aponta: “Tudo isto dá mais peso à contradição principal e leva-nos a reafirmar que as nações oprimidas são a base da revolução como tendência principal no mundo. Tudo isto planteia a necessidade do Partido Comunista militarizado, marxista-leninista-maoista, para dirigir a revolução democrática até o fim através da guerra popular e passar imediatamente ao desenvolvimento da revolução socialista (grifos nossos).

Proletários de todos os países, uni-vos!

DECLARAÇÃO POLÍTICA

FORA IANQUES DO ORIENTE MÉDIO!

É verdade, vivemos tempos difíceis, mas a tendência principal da história, a revolução, é incontestável e se imporá, o comunismo se imporá e brilhará sobre a Terra. Tenhamos em mente as palavras do Presidente Mao, ele nos ensinou, o caminho é sinuoso, mas a perspectiva é brilhante. Assim, camaradas, a revolução triunfará no mundo inteiro, mais tempo, menos tempo, depende da ação dos comunistas principalmente”.
(O Documento, II Pleno do CC do PCP)

No Oriente Médio Ampliado (OMA), as chamas da guerra ardem por toda parte, subindo cada vez mais alto e ameaçando espalharem-se, hoje têm novamente o seu ponto mais quente no Golfo Pérsico e na Palestina, onde – desde outubro de 2023 – a guerra entre Israel e Palestina entrou em um novo momento com a contraofensiva da Resistência Nacional Palestina, que luta há muito tempo, com o mundo árabe apoiando o povo palestino.

Desde o início desta nova fase da guerra entre Israel e Palestina, com a contraofensiva palestina iniciada em outubro de 2023, a ofensiva do Estado sionista de Israel desatou o mais bárbaro genocídio para forçar a resistência nacional palestina a capitular. Ao mesmo tempo, procurou isolar a sua causa para desferir um “golpe final” demolidor à resistência na Faixa de Gaza e subjugar o movimento nacional palestino como um todo e impor seus objetivos como potência de ocupação colonial.

O governo genocida de Benjamin Netanyahu e demais autoridades civis e militares, para tentar contrariar o repúdio, rejeição e condenação dos povos árabes e de todo o mundo pelo genocídio bárbaro em curso – com a aniquilação de dezenas de milhares de massas de todas as idades e condições e a deslocação da população (um milhão e meio) do norte de Gaza ao sul da Faixa para empurrá-los para o Egito através do terror –; além disso, para se fortalecer com o apoio imperialista e dos lacaios da região, realizou todos os tipos de ataques militares contra diferentes países, forças e alvos na região; procurou prolongar a guerra golpeando para além de suas fronteiras as organizações armadas árabes que apoiam a causa palestina; principalmente aquelas de orientação político-religiosa xiita; que Israel acusa de serem apoiadas e dirigidas pelo Irã. Enquanto em coro, em uníssono, os imperialistas, os reacionários árabes e do mundo inteiro gritavam para “não escalar a guerra”.

Israel também atacou diretamente os interesses da República Islâmica do Irã (RII), tendo como ponto mais alto o ataque contra a sede da representação diplomática deste país em Damasco (Síria), no início de abril, provocando a morte de militares iranianos de alto escalão e outras pessoas.

O caráter desta ação na Síria, que viola o direito internacional e diplomático (crime de guerra), é claramente de uma provocação que visa prolongar a guerra na região do Golfo Pérsico. Provocação para potencializar sua situação na guerra contra o povo palestino, em conluio e pugna com os governos árabes lacaios da região; para enfraquecer a influência iraniana na região do Oriente Médio Ampliado; para servir de pretexto a Israel para ataques cada vez maiores sobre o próprio território do Irã. Em todas as oportunidades, visa os objetivos políticos, militares e econômicos do Irã de maior valor e importância, que, junto a sanções econômicas imperialistas mais duras, visam enfraquecer o Irã nos planos militar, político e econômico, tanto interna como externamente. Buscando sufocá-lo economicamente. O plano imperialista-sionista é enfraquecê-lo para que, quando chegar a hora, possam atacar rapidamente. Os USA estão interessados numa ação rápida e decisiva, uma guerra prolongada não lhes convém.

Os sionistas – com sua provocação – buscam recuperar a iniciativa política, diplomática e militar. Vejam como o governo de Netanyahu e seus chefes militares, bem como a mídia sionista e imperialista, apresentam as coisas sobre a provocação de Israel e a resposta do Irã; vejam como, após a resposta comedida do Irã, se movimentaram os líderes imperialistas e seus ministros de Relações Exteriores, que enquanto discursavam, dirigindo-se a Israel, sobre não “escalar” a guerra e serem comedidos em seus ataques, desencadearam novas medidas políticas, militares e econômicas contra o Irã, e como eles coordenaram e apoiaram com todos os meios militares a “resposta” de Israel no dia 18 de abril.

Os sionistas monitorados e apoiados principalmente pelos USA, por sua cabecilha, o genocida Biden, não vão desperdiçar a oportunidade a serviço aos planos de maior intervenção dos imperialistas ianques contra o Irã, para enfraquecê-lo e, quando chegar a hora, atacar rapidamente e derrubar o regime iraniano e impor ali um governo títere norte-americano.

Os sionistas de Israel fazem tudo o que podem para isolar a resistência palestina, dividir o apoio dos povos árabes e do proletariado e dos povos do mundo a esta causa, centrando os seus ataques contra os movimentos de orientação xiita. Tudo para levar o genocídio da população da Faixa de Gaza ainda mais adiante que os genocídios anteriores, reduzindo sua população e território através de assassinatos em massa, terror e deslocação forçada, violando os seus deveres como potência ocupante de proteger, prestar assistência, alimentação, cuidados, proteção à população do país ocupado.

O próprio primeiro-ministro sionista Benjamin Netanyahu, em diversas ocasiões, afirmou: “vamos acabar com o Hamas, vamos tomar a Faixa de Gaza, mas depois da ocupação militar, não terá o mesmo tamanho nem a mesma quantidade de população”, “não pretendemos estabelecer ali uma administração israelense, mas sim uma própria”, isto é, uma administração de colaboracionistas com o ocupante. E apesar disso, para o chamado Tribunal Penal Internacional não há intenção de cometer genocídio.

Quanto ao Irã, uma vez que a questão palestina não pode ser isolada da situação de toda a região, para o plano imperialista-sionista, sua principal tarefa é impedir por todos os meios que cresça a influência do Irã como aliado da causa palestina; cortar a ajuda e apoio que possam vir deste lado à resistência palestina; consumar a frente com os reacionários árabes do Golfo e Egito para obter não só a sua cumplicidade no genocídio contra o povo palestino, mas também o seu reconhecimento por estes como um Estado em pé de igualdade na região.

Os ianques aproveitam a oportunidade para tentar avançar seu controle desta parte do Oriente Médio Ampliado para os seus planos de controlar a região, e em conluio e pugna com outras potências imperialistas, para isolar o Irã da Rússia e da China. Estes últimos também têm interesses políticos, econômicos e militares na região. As novas sanções ao petróleo iraniano apontam para isso: a Rússia se beneficia destas sanções, tal como as monarquias do Golfo; como a Arábia Saudita, onde os revisionistas chineses têm seus maiores investimentos no Golfo. Além disso, qualquer sucesso significativo do Irã e dos palestinos em uma zona próxima das suas fronteiras pode repercutir nas próprias zonas muçulmanas da Rússia e da China.

A questão do Irã é um assunto a ser resolvido para os planos da superpotência hegemônica única, o imperialismo ianque, como disse o Presidente Gonzalo:

“O Irã, subjugado pelo Xá, era um bastião dos USA; este foi derrubado e se impôs um retrógrado sistema teocrático, manejado pelo maometismo xiita, o islamismo, chocando-se assim com as superpotências USA, URSS e com o chamado ‘terceiro Satã’, Hussein do Iraque. Os USA perderam seu bastião no Oriente Médio, Israel é muito pequeno por mais cunha que signifique; por esta razão, apoiou o Iraque em sua guerra contra o Irã (…). Para os imperialistas está em jogo o controle do Oriente Médio”.

Assim, há um conjunto de interesses extremamente complexos: superpotência hegemônica única, os USA, potências imperialistas, nações oprimidas, regimes podres que podem cair, e os interesses do povo árabe explorado pelo imperialismo e pelos próprios regimes nativos. Mas a superpotência imperialista ianque, as potências e seus lacaios que estão dando as ordens, o povo é desprezado, mesmo no Irã.

Os USA colocaram uma forte presença militar na área, com a assistência de outros “aliados” imperialistas como Inglaterra, França, Alemanha, etc., para dissuadir qualquer intervenção efetiva de terceiros a favor da causa palestina e contra o genocídio em curso; para reprimir qualquer intenção de maior resposta por parte do Irã às provocações do Estado sionista de Israel.

Vimos que o Irã teve de moderar sua resposta, se desferisse um golpe ao nível da provocação sionista em Damasco, contra alvos em território israelense, correria o risco de receber um golpe muito forte das forças imperialistas implantadas nas águas da região do Golfo e arredores. Se não ameaçasse Israel, sua influência na região seria enfraquecida. Nesta situação, tem de se moderar e buscar as respostas mais comedidas e inteligentes à provocação, para não perder sua influência entre as forças que lutam diretamente na Palestina e aquelas que apoiam esta causa, mas tem de evitar se chocar diretamente com Israel, porque estaria desafiando o imperialismo ianque. Conhecendo a experiência de Saddam Hussein, os USA jogam com o tempo; os ianques querem sufocar o Irã economicamente, encabeçando o conluio das superpotências e potências para conjurar o risco de guerra, já que neste momento não estão nas melhores condições para enfrentá-la e, o mais grave, que o povo árabe se levantaria contra o imperialismo em uma longa luta; por isso buscam enfraquecer e depois ver o que mais lhes convém.

A situação objetiva está planteando a possibilidade de uma mudança importante no Irã, de que a agressão militar do imperialismo ianque-sionista contra o Irã efetivamente leve a uma guerra de resistência, e o atual regime encabeçado por Khamenei passaria a encabeçar uma guerra justa, a defender seu país de uma agressão imperialista, principalmente ianque. O que, junto a guerra de resistência nacional palestina, levantaria os povos da região contra o imperialismo ianque e seus lacaios árabes.

Consequentemente, a questão da Palestina e do Golfo tem amplas projeções, permite-nos ver a contradição principal hoje e em perspectiva, sua relação com as guerras locais, regionais e até mundiais como um risco; portanto, ver as características das guerras antiimperialistas, guerras de resistência, guerras de libertação nacional ou das próprias revoluções nas nações oprimidas. Tudo isto dá mais peso à contradição principal e leva-nos a reafirmar que as nações oprimidas são a base da revolução como tendência principal no mundo. Tudo isto planteia a necessidade do Partido Comunista militarizado, marxista-leninista-maoista, para dirigir a revolução democrática até o fim através da guerra popular e passar imediatamente ao desenvolvimento da revolução socialista. Viva a Liga Comunista Internacional!

Enquanto houver exploração sobre a terra não haverá um mundo novo, portanto o problema é destruir o imperialismo, o revisionismo e a reação, todo o sistema de exploração, e necessariamente se construirá o socialismo.

Fora ianques do Oriente Médio!
Apoiemos a Resistência Nacional Palestina!
Palestina vencerá!

Movimento Popular Peru
O Organismo Gerado pelo Partido Comunista do Peru para o trabalho no exterior

Abril de 2024